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Nossa cabeça é uma divina furna,
onde sonhos edênicos adejam
antes que os olhos da nossa alma vejam
abandonar do nosso corpo a urna.
Ela é a falena do irreal casulo
da nossa carne enferma de beleza...
voltando à realidade com tristeza,
dá do seu sonho para a vida um pulo...
Mas, o mocho do Tédio, que negreja
a curva azul da noite que nos beija
a afastada paisagem da ilusão...
faz à alma voltar à realidade,
e olhar o paraíso com saudade...
da nossa astral, cruel decepção!...
Nossa cabeça é uma divina furna,
onde sonhos edênicos adejam
antes que os olhos da nossa alma vejam
abandonar do nosso corpo a urna.
Ela é a falena do irreal casulo
da nossa carne enferma de beleza...
voltando à realidade com tristeza,
dá do seu sonho para a vida um pulo...
Mas, o mocho do Tédio, que negreja
a curva azul da noite que nos beija
a afastada paisagem da ilusão...
faz à alma voltar à realidade,
e olhar o paraíso com saudade...
da nossa astral, cruel decepção!...
1944 — Cópia fornecida pelo autor

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Panorama do Movimento Simbolista Brasileiro — Volume 2, por Andrade Muricy, (Coleção de Literatura Brasileira 12), 1973, Ministério de Educação e Cultura — Instituto Nacional do Livro, Brasília — DF; Ernani Salomão Rosas Ribeiro de Almeida (1886 — 1955), catarinense de Desterro, atual Florianópolis, foi poeta; desde os três anos de idade passou a residir na cidade do Rio de Janeiro e, depois, com a morte do pai (Oscar Rosas, político e também poeta, que basicamente lhe garantia as mesadas), mudou-se com a mãe e irmãs para Nova Iguaçu, também no Rio, onde morreu em difíceis condições; levou uma vida boêmia e sofreu discriminação pela sua gagueira e homossexualidade; foi um homem reservado que tentou ficar o máximo possível no anonimato; colaborou com os periódicos O Imparcial, Maçã e A Época; sua bibliografia: Certa Lenda numa Tarde — Paráfrasis de Narciso (assina Rictus da Cruz, 1917), Poemas do Ópio (1918) e Silêncios (sem data); após sua morte, houve o resgate de sua obra poética: neste Panorama foram incluídos vinte e sete de seus poemas e em Poesias — Organização de Iaponan Soares e Dalila Carneiro da Cunha Luz Varella (1989) estão reunidos oitenta e oito poemas, manuscritos e plaquetes * encontrados, já nos arquivos da Academia Catarinense de Letras; depois, vieram outros estudos: História do Gosto e Outros Poemas — Organização de Ana Brancher (1997) e Cidade do Ócio — entre sonetos e retalhos, Organizadora: Zilma Gesser Nunes (2008).
* Nota: plaquetes: este aprendiz de blogueiro faz constar que, conforme o História do Gosto e Outros Poemas (1997), as plaquetes, em torno de trinta e sete, organizadas pelo poeta, são pequenos livros costurados à mão e com barbante, com capa de papel “de embrulho”, onde foi escrito à mão o título da plaquete; pelas plaquetes, tem-se que Ernani Rosas também fez uso de alguns pseudônimos para assiná-las: N. Cáspio, A. Luzo, N. Luzo, além do já anteriormente citado Rictus da Cruz.
Panorama do Movimento Simbolista Brasileiro — Volume 2, por Andrade Muricy, (Coleção de Literatura Brasileira 12), 1973, Ministério de Educação e Cultura — Instituto Nacional do Livro, Brasília — DF; Ernani Salomão Rosas Ribeiro de Almeida (1886 — 1955), catarinense de Desterro, atual Florianópolis, foi poeta; desde os três anos de idade passou a residir na cidade do Rio de Janeiro e, depois, com a morte do pai (Oscar Rosas, político e também poeta, que basicamente lhe garantia as mesadas), mudou-se com a mãe e irmãs para Nova Iguaçu, também no Rio, onde morreu em difíceis condições; levou uma vida boêmia e sofreu discriminação pela sua gagueira e homossexualidade; foi um homem reservado que tentou ficar o máximo possível no anonimato; colaborou com os periódicos O Imparcial, Maçã e A Época; sua bibliografia: Certa Lenda numa Tarde — Paráfrasis de Narciso (assina Rictus da Cruz, 1917), Poemas do Ópio (1918) e Silêncios (sem data); após sua morte, houve o resgate de sua obra poética: neste Panorama foram incluídos vinte e sete de seus poemas e em Poesias — Organização de Iaponan Soares e Dalila Carneiro da Cunha Luz Varella (1989) estão reunidos oitenta e oito poemas, manuscritos e plaquetes * encontrados, já nos arquivos da Academia Catarinense de Letras; depois, vieram outros estudos: História do Gosto e Outros Poemas — Organização de Ana Brancher (1997) e Cidade do Ócio — entre sonetos e retalhos, Organizadora: Zilma Gesser Nunes (2008).
* Nota: plaquetes: este aprendiz de blogueiro faz constar que, conforme o História do Gosto e Outros Poemas (1997), as plaquetes, em torno de trinta e sete, organizadas pelo poeta, são pequenos livros costurados à mão e com barbante, com capa de papel “de embrulho”, onde foi escrito à mão o título da plaquete; pelas plaquetes, tem-se que Ernani Rosas também fez uso de alguns pseudônimos para assiná-las: N. Cáspio, A. Luzo, N. Luzo, além do já anteriormente citado Rictus da Cruz.
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