Mostrando postagens com marcador Augusto dos Anjos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Augusto dos Anjos. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 26 de agosto de 2025

Augusto dos Anjos: Sonetos I [a meu Pai doente], II [a meu Pai morto] e III

 
____________________
I

A meu Pai doente

Para onde fores, Pai, para onde fores,
Irei também, trilhando as mesmas ruas...
Tu, para amenizar as dores tuas,
Eu, para amenizar as minhas dores!

Que coisa triste! O campo tão sem flores,
E eu tão sem crença e as árvores tão nuas
E tu, gemendo, e o horror de nossas duas
Mágoas crescendo e se fazendo horrores!

Magoaram-te, meu Pai?! Que mão sombria,
Indiferente aos mil tormentos teus
De assim magoar-te sem pesar havia?!

Seria a mão de Deus?! Mas Deus enfim
É bom, é justo, e sendo justo, Deus,
Deus não havia de magoar-te assim!

II

A meu Pai morto

Madrugada de Treze de Janeiro.
Rezo, sonhando, o ofício da agonia.
Meu Pai nessa hora junto a mim morria
Sem um gemido, assim como um cordeiro!

E eu nem lhe ouvi o alento derradeiro!
Quando acordei, cuidei que ele dormia,
E disse à minha Mãe que me dizia:
“Acorda-o!” deixa-o, Mãe, dormir primeiro!

E saí para ver a Natureza!
Em tudo o mesmo abismo de beleza,
Nem uma névoa no estrelado véu...

Mas pareceu-me, entre as estrelas flóreas,
Como Elias, num carro azul de glórias,
Ver a alma de meu Pai subindo ao Céu!

III

Podre meu Pai! A Morte o olhar lhe vidra.
Em seus lábios que os meus lábios osculam
Microrganismos fúnebres pululam
Numa fermentação gorda de cidra.

Duras leis as que os homens e a hórrida hidra
A uma só lei biológica vinculam,
E a marcha das moléculas regulam,
Com a invariabilidade da clepsidra!...

Podre meu Pai! E a mão que enchi de beijos
Roída toda de bichos, como os queijos
Sobre a mesa de orgíacos festins!...

Amo meu Pai na atômica desordem
Entre as bocas necrófagas que o mordem
E a terra infecta que lhe cobre os rins!

(Eu — 1912)

____________________
Toda a Poesia de Augusto dos Anjos — Estudo crítico de Ferreira Gullar (Augusto dos Anjos ou Vida e Morte Nordestina) e Apresentação de Otto Maria Carpeaux, 1976, Editora Paz e Terra, Rio de Janeiro — RJ; Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos (1884 1914), paraibano de Sapé, aprendeu as primeiras letras com o pai, fez o curso secundário no Liceu Paraibano, formou-se em Direito pela Faculdade de Recife e não advogou, foi professor e poeta; em 1908, recém-formado, transferiu-se para a capital da Paraíba, passou a dar aulas particulares e foi nomeado professor interino de Literatura do Liceu Paraibano; em 1910, mudou-se para o Rio de Janeiro e, continuando no magistério, assumiu o cargo de professor de Geografia na Escola Normal e no Colégio Pedro II; em 1913, mudando-se para Leopoldina MG, foi nomeado diretor do Grupo Escolar Ribeiro Junqueira e continuou a dar aulas particulares de Português, Francês, Inglês, Grego, Latim; seus poemas, e alguma prosa, foram publicados em vários jornais da época: Almanaque do Estado da Paraíba, O Comércio, Nonevar, A União, todos da Paraíba, Gazeta de Leopoldina (Leopoldina MG); publicou, em vida, sua única obra, Eu (1912); em 1920, foi editado na Paraíba Eu e Outras Poesias, reunindo a sua produção posterior ao primeiro e único livro; hoje é um dos poetas mais estudados e reeditados no Brasil.

domingo, 10 de agosto de 2025

Augusto dos Anjos: A Máscara

 
____________________
Eu sei que há muito pranto na existência,
Dores que ferem corações de pedra,
E onde a vida borbulha e o sangue medra,
Aí existe a mágoa em sua essência.

No delírio, porém, da febre ardente
Da ventura fugaz e transitória
O peito rompe a capa tormentória
Para sorrindo palpitar contente.

Assim a turba inconsciente passa,
Muitos que esgotam do prazer a taça
Sentem no peito a dor indefinida.

E entre a mágoa que a másc’ra eterna apouca
A Humanidade ri-se e ri-se louca
No carnaval intérmino da vida.

(O Comércio, 4 de março de 1901;
Letras e Artes — suplemento de A
Manhã, 30 de novembro de 1941)

____________________
Poesia e Vida de Augusto dos Anjos: R. Magalhães Júnior, 2ª edição corrigida e aumentada, 1978, (Coleção Vera Cruz: Volume 24), Editora Civilização Brasileira e Instituto Nacional do Livro — MEC; Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos (1884 1914), paraibano de Sapé, aprendeu as primeiras letras com o pai, fez o curso secundário no Liceu Paraibano, formou-se em Direito pela Faculdade de Recife e não advogou, foi professor e poeta; seu primeiro soneto, Saudade, escrito certamente em 1899, foi publicado no Almanaque do Estado da Paraíba para o ano de 1900; em 1908, recém-formado, transferiu-se para a capital do estado, passou a dar aulas particulares e foi nomeado professor interino de Literatura do Liceu Paraibano; em 1910, mudou-se para o Rio de Janeiro e, continuando no magistério, assumiu o cargo de professor de Geografia na Escola Normal e no Colégio Pedro II; em 1913, mudando-se para Leopoldina MG, foi nomeado diretor do Grupo Escolar Ribeiro Junqueira e continuou a dar aulas particulares de Português, Francês, Inglês, Grego, Latim; seus poemas, e alguma prosa, foram publicados em vários jornais da época: Almanaque do Estado da Paraíba, O Comércio, Nonevar, A União, todos da Paraíba, e Gazeta de Leopoldina (Leopoldina MG); publicou, em vida, sua única obra, Eu (1912); em 1920, foi editado na Paraíba Eu e Outras Poesias, reunindo a sua produção posterior ao primeiro e único livro; hoje é um dos poetas mais estudados e reeditados no Brasil.

sábado, 2 de agosto de 2025

Augusto dos Anjos: Uma Noite no Cairo

____________________
Noite no Egito. O céu claro e profundo
Fulgura. A rua é triste. A Lua Cheia
Está sinistra, e sobre a paz do mundo
A alma dos Faraós anda e vagueia.

Os mastins negros vão ladrando à lua...
O Cairo é de uma formosura arcaica.
No ângulo mais recôndito da rua
Passa cantando uma mulher hebraica.

O Egito é sempre assim quando anoitece!
Às vezes, das pirâmides o quedo
E atro perfil, exposto ao luar, parece
Uma sombria interjeição de medo

Como um contraste àqueles misereres,
Num quiosque em festa a alegre turba grita,
E dentro dançam homens e mulheres
Numa aglomeração cosmopolita.

Tonto do vinho, um saltimbanco da Ásia,
Convulso e roto, no apogeu da fúria,
Executando evoluções de rázia
Solta um brado epilético de injúria!

Em derredor duma ampla mesa preta
Última nota do conúbio infando
Vêem-se dez jogadores de roleta
Fumando, discutindo, conversando.

Resplandece a celeste superfície.
Dorme soturna a natureza sábia...
Embaixo, na mais próxima planície,
Pasta um cavalo esplêndido da Arábia.

Vaga no espaço um silfo solitário.
Troam kinnors! Depois tudo é tranquilo...
Apenas, como um velho estradivário,
Soluça toda a noite a água do Nilo!

(Eu, Rio de Janeiro, 1912, págs. 69-70)

____________________
Panorama do Movimento Simbolista Brasileiro — Volume 2 (Coleção de Literatura Brasileira 12), Pesquisa, Prefácio, Introdução, Organização e Notas por Andrade Muricy, 2 ª edição, 1973, Ministério de Educação e Cultura — Instituto Nacional do Livro, Brasília — DF; Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos (1884 1914), paraibano de Sapé, aprendeu as primeiras letras com o pai, fez o curso secundário no Liceu Paraibano, formou-se em Direito pela Faculdade de Recife e não advogou, foi professor e poeta; seu primeiro soneto, Saudade, escrito certamente em 1899, foi publicado no Almanaque do Estado da Paraíba para o ano de 1900; em 1908, recém-formado, transferiu-se para a capital do estado, passou a dar aulas particulares e foi nomeado professor interino de Literatura do Liceu Paraibano; em 1910, mudou-se para o Rio de Janeiro e, continuando no magistério, assumiu o cargo de professor de Geografia na Escola Normal e no Colégio Pedro II; em 1913, mudando-se para Leopoldina MG, foi nomeado diretor do Grupo Escolar Ribeiro Junqueira e continuou a dar aulas particulares de Português, Francês, Inglês, Grego, Latim; seus poemas, e alguma prosa, foram publicados em vários jornais da época: Almanaque do Estado da Paraíba, O Comércio, Nonevar, A União, todos da Paraíba, e Gazeta de Leopoldina (Leopoldina MG); publicou, em vida, sua única obra, Eu (1912); em 1920, foi editado na Paraíba Eu e Outras Poesias, reunindo a sua produção posterior ao primeiro e único livro; hoje é um dos poetas mais estudados e reeditados no Brasil.

quarta-feira, 2 de julho de 2025

Augusto dos Anjos: Solitário

 
____________________
Como um fantasma que se refugia
Na solidão da natureza morta,
Por trás dos ermos túmulos, um dia,
Eu fui refugiar-me à tua porta!

Fazia frio, e o frio que fazia
Não era esse que a carne nos conforta…
Cortava assim como em carniçaria
O aço das facas incisivas corta!

Mas tu não vieste ver minha Desgraça!
E eu saí, como quem tudo repele,
Velho caixão a carregar destroços

Levando apenas na tumbal carcaça
O pergaminho singular da pele
E o chocalho fatídico dos ossos!

(Eu — 1912)

____________________
Toda a Poesia de Augusto dos Anjos — Estudo crítico de Ferreira Gullar (Augusto dos Anjos ou Vida e Morte Nordestina) e Apresentação de Otto Maria Carpeaux, 1976, Editora Paz e Terra, Rio de Janeiro — RJ; Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos (1884 1914), paraibano de Sapé, aprendeu as primeiras letras com o pai, fez o curso secundário no Liceu Paraibano, formou-se em Direito pela Faculdade de Recife e não advogou, foi professor e poeta; seu primeiro soneto, Saudade, escrito certamente em 1899, foi publicado no Almanaque do Estado da Paraíba para o ano de 1900;  em 1908, recém-formado, transferiu-se para a capital do estado, passou a dar aulas particulares e foi nomeado professor interino de Literatura do Liceu Paraibano; em 1910, mudou-se para o Rio de Janeiro e, continuando no magistério, assumiu o cargo de professor de Geografia na Escola Normal e no Colégio Pedro II; em 1913, mudando-se para Leopoldina MG, foi nomeado diretor do Grupo Escolar Ribeiro Junqueira e continuou a dar aulas particulares de Português, Francês, Inglês, Grego, Latim; seus poemas, e alguma prosa, foram publicados em vários jornais da época: Almanaque do Estado da Paraíba, O Comércio, Nonevar, A União, todos da Paraíba, e Gazeta de Leopoldina (Leopoldina MG); publicou, em vida, sua única obra, Eu (1912); em 1920, foi editado na Paraíba Eu e Outras Poesias, reunindo a sua produção posterior ao primeiro e único livro; hoje é um dos poetas mais estudados e reeditados no Brasil.

quinta-feira, 17 de agosto de 2023

Augusto dos Anjos: O lago encantado *

____________________
Vamos, meu desgraçado tamarindo,
Por esta grande noite abandonada...
As árvores da terra estão dormindo
E a mãe-da-lua já cantou na estrada!

Quantos laboratórios subterrâneos
E heterogêneos mecanismos vários
E ruínas grandes e montões de estrago
E decomposições de muitos crânios
Não foram, porventura, necessários
Para formar as águas deste lago!

Às suas atrações ninguém resiste:
Este é o lago de todos os destinos.
O luar o beija. O círculo dos matos
Abrange-o, e ele é mais triste, e ele é mais triste
Do que a porta fatal dos Maugrebinos1
Que levou Cristo à casa de Pilatos!

Rola no mundo um canto de saudade!
Tamarindo de minha mocidade,
Vamos nele saber nossos destinos?!...

[Revista Era Nova — nº 78 — ano V — 1º de maio de 1925]


* Nota do atrevidíssimo aprendiz de blogueiro deste Verso e Conversa: R. Magalhães Júnior, autor deste Poesia e Vida de Augusto dos Anjos registra acerca do poema O lago encantado: “Cinco anos depois de publicada a 2ª edição do Eu, acrescida de vários inéditos, sob o título de Outras poesias, com o total de quarenta e oito peças, a revista paraibana Era Nova, [...] publicava uma poesia desconhecida de Augusto dos Anjos. Essa poesia, ‘O lago encantado’, saiu no número 78 do ano V daquela revista, de 1º de maio de 1925, e sob o título de ‘Uma poesia de Augusto dos Anjos, que não está no Eu, do grande poeta’. [...] Os versos de ‘O lago encantado’ foram transcritos por Humberto Nóbrega [1912 — 1988] em Augusto dos Anjos e sua época, na suposição de que se tratava de um inédito. [...] A revista não diz quem recebeu tais versos, que parecem ser um fragmento ou esboço de um poema inacabado.”
1. Nota de R. Magalhães Júnior, autor deste Poesia e Vida de Augusto dos Anjos: Na Era Nova, lê-se Mangrabinos, talvez por erro de leitura. Trata-se de Bab el-Mughâribe, ou Porta dos Essênios, também conhecida como Porta Stercoris, pela qual saiu Jesus quando os sacerdotes, reunidos no Sinédrio, resolveram mandá-lo à presença de Pilatos."
____________________
Poesia e Vida de Augusto dos Anjos: R. Magalhães Júnior, 2ª edição corrigida e aumentada, 1978, Editora Civilização Brasileira e Instituto Nacional do Livro — MEC; Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos (1884 1914), paraibano de Sapé, aprendeu as primeiras letras com o pai, fez o curso secundário no Liceu Paraibano, formou-se em Direito pela Faculdade de Recife e não advogou, foi professor e poeta; em 1908, recém-formado, transfere-se para a capital da Paraíba, passa a dar aulas particulares e é nomeado professor interino de Literatura do Liceu Paraibano; em 1910, muda-se para o Rio de Janeiro e, continuando no magistério, assume o cargo de professor de Geografia na Escola Normal e no Colégio Pedro II; em 1913, mudando-se para Leopoldina MG, é nomeado diretor do Grupo Escolar Ribeiro Junqueira e continua a dar aulas particulares; seus poemas, e alguma prosa, são publicados em vários jornais da época: Almanaque do Estado da Paraíba, O Comércio (Paraíba), Nonevar (Paraíba), A União, Gazeta de Leopoldina (Leopoldina MG); publicou, em vida, sua única obra, Eu (1912); em 1920, foi editado na Paraíba Eu e Outras Poesias, reunindo a sua produção posterior ao primeiro e único livro; hoje é um dos poetas mais estudados e reeditados no Brasil.

segunda-feira, 7 de agosto de 2023

Augusto dos Anjos: Anseio

____________________
Que sou eu, neste ergástulo das vidas
Danadamente, a soluçar de dor?!
Trinta trilhões de células vencidas,
Nutrindo uma efeméride inferior.

Branda, entanto, a afagar tantas feridas,
A áurea mão taumatúrgica do Amor
Traça, nas minhas formas carcomidas,
A estrutura de um mundo superior!

Alta noite, esse mundo incoerente
Essa elementaríssima semente
Do que hei de ser, tenta transpor o Ideal...

Grita em meu grito, alarga-se em meu hausto,
E, ai! como eu sinto no esqueleto exausto
Não poder dar-lhe vida material!

____________________
Toda a Poesia de Augusto dos Anjos — Estudo crítico de Ferreira Gullar (Augusto dos Anjos ou Vida e Morte Nordestina) e Apresentação de Otto Maria Carpeaux, 1976, Editora Paz e Terra, Rio de Janeiro — RJ; Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos (1884 1914), paraibano de Sapé, aprendeu as primeiras letras com o pai, fez o curso secundário no Liceu Paraibano, formou-se em Direito pela Faculdade de Recife e não advogou, foi professor e poeta; em 1908, recém-formado, transfere-se para a capital da Paraíba, passa a dar aulas particulares e é nomeado professor interino de Literatura do Liceu Paraibano; em 1910, muda-se para o Rio de Janeiro e, continuando no magistério, assume o cargo de professor de Geografia na Escola Normal e no Colégio Pedro II; em 1913, mudando-se para Leopoldina MG, é nomeado diretor do Grupo Escolar Ribeiro Junqueira e continua a dar aulas particulares; seus poemas, e alguma prosa, são publicados em vários jornais da época: Almanaque do Estado da Paraíba, O Comércio (Paraíba), Nonevar (Paraíba), A União, Gazeta de Leopoldina (Leopoldina MG); publicou, em vida, sua única obra, Eu (1912); em 1920, foi editado na Paraíba Eu e Outras Poesias, reunindo a sua produção posterior ao primeiro e único livro; hoje é um dos poetas mais estudados e reeditados no Brasil.

terça-feira, 25 de julho de 2023

Augusto dos Anjos: O Lupanar

____________________
Ah! Por que monstruosíssimo motivo
Prenderam para sempre, nesta rede,
Dentro do ângulo diedro da parede,
A alma do homem polígamo e lascivo?!

Este lugar, moços do mundo, vede:
É o grande bebedouro coletivo,
Onde os bandalhos, como um gado vivo,
Todas as noites, vêm matar a sede!

É o afrodístico leito do hetairismo,
A antecâmara lúbrica do abismo,
Em que é mister que o gênero humano entre,

Quando a promiscuidade aterradora
Matar a última força geradora
E comer o último óvulo do ventre!

____________________
Toda a Poesia de Augusto dos Anjos — Estudo crítico de Ferreira Gullar (Augusto dos Anjos ou Vida e Morte Nordestina) e Apresentação de Otto Maria Carpeaux, 1976, Editora Paz e Terra, Rio de Janeiro — RJ; Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos (1884 1914), paraibano de Sapé, aprendeu as primeiras letras com o pai, fez o curso secundário no Liceu Paraibano, formou-se em Direito pela Faculdade de Recife e não advogou, foi professor e poeta; em 1908, recém-formado, transfere-se para a capital da Paraíba, passa a dar aulas particulares e é nomeado professor interino de Literatura do Liceu Paraibano; em 1910, muda-se para o Rio de Janeiro e, continuando no magistério, assume o cargo de professor de Geografia na Escola Normal e no Colégio Pedro II; em 1913, mudando-se para Leopoldina MG, é nomeado diretor do Grupo Escolar Ribeiro Junqueira e continua a dar aulas particulares; seus poemas, e alguma prosa, são publicados em vários jornais da época: Almanaque do Estado da Paraíba, O Comércio (Paraíba), Nonevar (Paraíba), A União, Gazeta de Leopoldina (Leopoldina MG); publicou, em vida, sua única obra, Eu (1912); em 1920, foi editado na Paraíba Eu e Outras Poesias, reunindo a sua produção posterior ao primeiro e único livro; hoje é um dos poetas mais estudados e reeditados no Brasil.

quinta-feira, 6 de julho de 2023

Augusto dos Anjos: O Lázaro da Pátria

____________________
Filho podre de antigos Goitacases,
Em qualquer parte onde a cabeça ponha,
Deixa circunferências de peçonha,
Marcas oriundas de úlceras e antrazes.

Todos os cinocéfalos vorazes
Cheiram seu corpo. À noite, quando sonha,
Sente no tórax a pressão medonha
Do bruto embate férreo das tenazes.

Mostra aos montes e aos rígidos rochedos
A hedionda elefantíase dos dedos…
Há um cansaço no Cosmos… Anoitece.

Riem as meretrizes no Casino,
E o Lázaro caminha em seu destino
Para um fim que ele mesmo desconhece!

____________________
Toda a Poesia de Augusto dos Anjos — Estudo crítico de Ferreira Gullar (Augusto dos Anjos ou Vida e Morte Nordestina) e Apresentação de Otto Maria Carpeaux, 1976, Editora Paz e Terra, Rio de Janeiro — RJ; Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos (1884 1914), paraibano de Sapé, aprendeu as primeiras letras com o pai, fez o curso secundário no Liceu Paraibano, formou-se em Direito pela Faculdade de Recife e não advogou, foi professor e poeta; em 1908, recém-formado, transfere-se para a capital da Paraíba, passa a dar aulas particulares e é nomeado professor interino de Literatura do Liceu Paraibano; em 1910, muda-se para o Rio de Janeiro e, continuando no magistério, assume o cargo de professor de Geografia na Escola Normal e no Colégio Pedro II; em 1913, mudando-se para Leopoldina MG, é nomeado diretor do Grupo Escolar Ribeiro Junqueira e continua a dar aulas particulares; seus poemas, e alguma prosa, são publicados em vários jornais da época: Almanaque do Estado da Paraíba, O Comércio (Paraíba), Nonevar (Paraíba), A União, Gazeta de Leopoldina (Leopoldina MG); publicou, em vida, sua única obra, Eu (1912); em 1920, foi editado na Paraíba Eu e Outras Poesias, reunindo a sua produção posterior ao primeiro e único livro; hoje é um dos poetas mais estudados e reeditados no Brasil.

domingo, 25 de junho de 2023

Augusto dos Anjos: Os doentes* [trecho]


____________________
[IV]

[ . . . ]

Aturdia-me a tétrica miragem
De que, naquele instante, no Amazonas,
Fedia, entregue a vísceras glutonas,
A carcaça esquecida de um selvagem.

A civilização entrou na taba
Em que ele estava. O gênio de Colombo
Manchou de opróbrios a alma do mazombo,
Cuspiu na cova do morubixaba!

E o índio, por fim, adstrito à étnica escória,
Recebeu, tendo o horror no rosto impresso,
Esse achincalhamento do progresso
Que o anulava na crítica da História!

Como quem analisa um apostema,
De repente, acordando na desgraça,
Viu toda a podridão de sua raça...
Na tumba de Iracema!...

Ah! Tudo, como um lúgubre ciclone,
Exercia sobre ele ação funesta
Desde o desbravamento da floresta
À ultrajante invenção do telefone.

E sentia-se pior que um vagabundo
Microcéfalo vil que a espécie encerra
Desterrado na sua própria terra,
Diminuído na crônica do mundo!

A hereditariedade dessa pecha
Seguiria seus filhos. Dora em diante
Seu povo tombaria agonizante
Na luta da espingarda com a flecha!

Veio-lhe então como à fêmea vêem antojos,
Uma desesperada ânsia improfícua
De estrangular aquela gente iníqua
Que progredia sobre os seus despojos!

Mas, diante a xantocróide raça loura,
Jazem, caladas, todas as inúbias,
E agora, sem difíceis nuanças dúbias,
Com uma clarividência aterradora,

Em vez da prisca tribo e indiana tropa,
A gente deste século, espantada,
Vê somente a caveira abandonada
De uma raça esmagada pela Europa!


* Nota do atrevidíssimo aprendiz de blogueiro deste Verso e Conversa: R. Magalhães Júnior, autor deste Poesia e Vida de Augusto dos Anjos registra acerca do poema Os doentes [um longo poema realizado com 110 estrofes distribuídas em 9 seções, sendo que a 1ª foi composta por um soneto e as demais foram elaboradas em quadras]:
... em março [de 1909], a presença de Augusto dos Anjos seria marcada no ‘Estrelário’ por quatro poemas: Psicologia de um vencido, no dia 3; O Lázaro da pátria, no dia 23; A idéia, no dia 28; e Agonia de um filósofo, no dia 30. A segunda dessas poesias revela singular preocupação do poeta com o destino do índio brasileiro. Preocupação a que seus numerosos críticos até hoje não deram o devido apreço. O poeta impressionou-se com a crescente degradação dos primitivos habitantes da nossa terra, nos quais via ‘filhos podres de antigos goitacazes’, cobertos de úlceras, a escorrer pus. É uma reação vigorosa ao indianismo do período romântico das nossas letras – o de Domingos José Gonçalves de Magalhães, José de Alencar, Gonçalves Dias e Bernardo Guimarães. Mas sua intenção era responder a Alencar, como se vê das passagens de outro poema, Os doentes, cuja data de composição é até agora desconhecida. Nenhum outro poeta, antes dele, escrevera nesse tom sobre a tragédia das populações indígenas.
____________________
Poesia e Vida de Augusto dos Anjos: R. Magalhães Júnior, 2ª edição corrigida e aumentada, 1978, Editora Civilização Brasileira e Instituto Nacional do Livro — MEC; Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos (1884 1914), paraibano de Sapé, aprendeu as primeiras letras com o pai, fez o curso secundário no Liceu Paraibano, formou-se em Direito pela Faculdade de Recife e não advogou, foi professor e poeta; em 1908, recém-formado, transfere-se para a capital da Paraíba, passa a dar aulas particulares e é nomeado professor interino de Literatura do Liceu Paraibano; em 1910, muda-se para o Rio de Janeiro e, continuando no magistério, assume o cargo de professor de Geografia na Escola Normal e no Colégio Pedro II; em 1913, mudando-se para Leopoldina — MG, é nomeado diretor do Grupo Escolar Ribeiro Junqueira e continua a dar aulas particulares; seus poemas, e alguma prosa, são publicados em vários jornais da época: Almanaque do Estado da Paraíba, O Comércio (Paraíba), Nonevar (Paraíba), A União, Gazeta de Leopoldina (Leopoldina MG); publicou, em vida, sua única obra, Eu (1912); em 1920, foi editado na Paraíba Eu e Outras Poesias, reunindo a sua produção posterior ao primeiro e único livro; hoje é um dos poetas mais estudados e reeditados no Brasil.

sexta-feira, 16 de junho de 2023

Augusto dos Anjos: Aos meus filhos *


____________________
Na intermitência da vital canseira,
Sois vós que sustentais (Força Alta exige-o...)
Com o vosso catalítico prestígio,
Meu fantasma de carne passageira!

Vulcão da bioquímica fogueira
Destruiu-me todo o orgânico fastígio...
Dai-me asas, pois, para o último remígio,
Dai-me alma, pois, para a hora derradeira!

Culminâncias humanas ainda obscuras,
Expressões do universo radioactivo,
Ions emanados do meu próprio ideal,

Benditos vós, que, em épocas futuras,
Haveis de ser no mundo subjectivo,
Minha continuidade emocional!


* Nota do atrevidíssimo aprendiz de blogueiro deste Verso e Conversa: R. Magalhães Júnior, autor deste Poesia e Vida de Augusto dos Anjos registra acerca do soneto Aos meus filhos: “[...] Sua doença fatal, começara na manhã chuvosa de 30 de outubro [de 1914] [...] Após a conferência médica, assentado o tratamento a seguir, os quatro clínicos se revezaram junto ao leito do enfermo. Nos exames feitos, para determinar a natureza do mal, não foram encontrados bacilos de tuberculose, nem lesões pulmonares. Tratava-se realmente de uma pneumonia. Durante a doença compôs o poeta alguns dos sonetos que representam, em sua obra, uma espécie de testamento literário, de despedida de vida ou, como outrora se costumava dizer, de “canto do cisne”. Um deles foi dedicado a seus filhos. Ao compô-lo, pensava em Glorinha e em Guilherme, pois Manoel, o filho natural, ficara para sempre esquecido, na longínqua Paraíba, jamais entrando em suas cogitações, como se nem sequer existisse. Fora um simples “acidente” da juventude. [...] Na madrugada de 12 de novembro de 1914, já agonizante, o poeta mirou seu rosto escaveirado num espelho de bolso. Ardia em febre e exclamou: ‘Esta centelha não se apagará’. Morreu às 4 horas da manhã. A Gazeta de Leopoldina, além de publicar-lhe a biografia e extenso noticiário sobre os funerais, no dia seguinte ao de sua morte divulgou dois sonetos inéditos de Augusto dos Anjos, ‘O meu Nirvana’ e ‘O último número
____________________
Poesia e Vida de Augusto dos Anjos: R. Magalhães Júnior, 2ª edição corrigida e aumentada, 1978, Editora Civilização Brasileira e Instituto Nacional do Livro — MEC; Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos (1884 1914), paraibano de Sapé, aprendeu as primeiras letras com o pai, fez o curso secundário no Liceu Paraibano, formou-se em Direito pela Faculdade de Recife e não advogou, foi professor e poeta; em 1908, recém-formado, transfere-se para a capital da Paraíba, passa a dar aulas particulares e é nomeado professor interino de Literatura do Liceu Paraibano; em 1910, muda-se para o Rio de Janeiro e, continuando no magistério, assume o cargo de professor de Geografia na Escola Normal e no Colégio Pedro II; em 1913, mudando-se para Leopoldina MG, é nomeado diretor do Grupo Escolar Ribeiro Junqueira e continua a dar aulas particulares; seus poemas, e alguma prosa, são publicados em vários jornais da época: Almanaque do Estado da Paraíba, O Comércio (Paraíba), Nonevar (Paraíba), A União, Gazeta de Leopoldina (Leopoldina MG); publicou, em vida, sua única obra, Eu (1912); em 1920, foi editado na Paraíba Eu e Outras Poesias, reunindo a sua produção posterior ao primeiro e único livro; hoje é um dos poetas mais estudados e reeditados no Brasil.

segunda-feira, 5 de junho de 2023

Augusto dos Anjos: Na augusta solidão dos cemitérios . . . [soneto]

____________________
N’augusta solidão dos cemitérios,
Resvalando nas sombras dos ciprestes,
Passam meus sonhos sepultados nestes
Brancos sepulcros, pálidos, funéreos.

São minhas crenças divinais, ardentes
Alvos fantasmas pelos merencórios
Túmulos tristes, soturnais, silentes,
Hoje rolando nos umbrais marmóreos,

Quando da vida, no eternal soluço,
Eu choro e gemo e triste me debruço
Na lájea fria dos meus sonhos pulcros,

Desliza então a lúgubre coorte.
E rompe a orquestra sepulcral da morte,
Quebrando a paz suprema dos sepulcros.

[1901]

____________________
Toda a Poesia de Augusto dos Anjos — Estudo crítico de Ferreira Gullar (Augusto dos Anjos ou Vida e Morte Nordestina) e Apresentação de Otto Maria Carpeaux, 1976, Editora Paz e Terra, Rio de Janeiro — RJ; Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos (1884 1914), paraibano de Sapé, aprendeu as primeiras letras com o pai, fez o curso secundário no Liceu Paraibano, formou-se em Direito pela Faculdade de Recife e não advogou, foi professor e poeta; em 1908, recém-formado, transfere-se para a capital da Paraíba, passa a dar aulas particulares e é nomeado professor interino de Literatura do Liceu Paraibano; em 1910, muda-se para o Rio de Janeiro e, continuando no magistério, assume o cargo de professor de Geografia na Escola Normal e no Colégio Pedro II; em 1913, mudando-se para Leopoldina MG, é nomeado diretor do Grupo Escolar Ribeiro Junqueira e continua a dar aulas particulares; seus poemas, e alguma prosa, são publicados em vários jornais da época: Almanaque do Estado da Paraíba, O Comércio (Paraíba), Nonevar (Paraíba), A União, Gazeta de Leopoldina (Leopoldina MG); publicou, em vida, sua única obra, Eu (1912); em 1920, foi editado na Paraíba Eu e Outras Poesias, reunindo a sua produção posterior ao primeiro e único livro; hoje é um dos poetas mais estudados e reeditados no Brasil.

domingo, 28 de maio de 2023

Augusto dos Anjos: Mater originalis


____________________
Forma vermicular desconhecida
Que estacionaste, mísera e mofina,
Como quase impalpável gelatina,
Nos estados prodrômicos da vida;

O hierofante que leu a minha sina
Ignorante é de que és, talvez, nascida
Dessa homogeneidade indefinida
Que o insigne Herbert Spencer* nos ensina.

Nenhuma ignota união ou nenhum nexo
À contingência orgânica do sexo
A tua estacionária alma prendeu...

Ah! De ti foi que, autônoma e sem normas,
Oh! Mãe original das outras formas,
A minha forma lúgubre nasceu!

[11.05.1909]


* Nota do atrevidíssimo aprendiz de blogueiro deste Verso e Conversa: R. Magalhães Júnior, autor deste Poesia e Vida de Augusto dos Anjos registra que [o poema Mater Amarilis] “revela uma das fontes do ‘cientificismo’ do poeta, não só através de uma citação direta do ‘insigne Herbert Spencer [1820 — 1903]’, mas ainda por ser todo o soneto apenas uma ilustração da teoria do evolucionista inglês, segundo a qual todo o desenvolvimento orgânico é uma mudança de um estado de homogeneidade indefinida para um estado de heterogeneidade definida. [...] Não era essa, aliás, a primeira vez que citava Herbert Spencer, pois já em ‘As cismas do Destino’, de meados de 1908, chamava ‘o Espaço — essa abstração spenceriana.´
____________________
Poesia e Vida de Augusto dos Anjos: R. Magalhães Júnior, 2ª edição corrigida e aumentada, 1978, Editora Civilização Brasileira e Instituto Nacional do Livro — MEC; Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos (1884 1914), paraibano de Sapé, aprendeu as primeiras letras com o pai, fez o curso secundário no Liceu Paraibano, formou-se em Direito pela Faculdade de Recife e não advogou, foi professor e poeta; em 1908, recém-formado, transfere-se para a capital da Paraíba, passa a dar aulas particulares e é nomeado professor interino de Literatura do Liceu Paraibano; em 1910, muda-se para o Rio de Janeiro e, continuando no magistério, assume o cargo de professor de Geografia na Escola Normal e no Colégio Pedro II; em 1913, mudando-se para Leopoldina MG, é nomeado diretor do Grupo Escolar Ribeiro Junqueira e continua a dar aulas particulares; seus poemas, e alguma prosa, são publicados em vários jornais da época: Almanaque do Estado da Paraíba, O Comércio (Paraíba), Nonevar (Paraíba), A União, Gazeta de Leopoldina (Leopoldina MG); publicou, em vida, sua única obra, Eu (1912); em 1920, foi editado na Paraíba Eu e Outras Poesias, reunindo a sua produção posterior ao primeiro e único livro; hoje é um dos poetas mais estudados e reeditados no Brasil.

sábado, 20 de maio de 2023

Augusto dos Anjos: O canto da coruja *


____________________
A coruja cantara-lhe na porta
Sinistramente a noite inteira! Indício
Mais certo não havia! Era o suplício!...
Daí a pouco, ela seria morta.

Saiu. O Sol ardia. A estrada torta
Lembrava a antiga ponte de Sublício...
Havia pelo chão um desperdício
De folhas que a áurea xantofila corta.

Nisto, ouve o canto aziago da coruja!
Quer fugir, e não vê por onde fuja
Implora a Deus como a um fetiche vago...

Se ao menos voasse! E o horror começa! Rasga
As vestes; uma convulsão a engasga
E morre ouvindo o mesmo canto aziago!

[O Comércio — 22 de julho de 1905]


* Nota do atrevidíssimo aprendiz de blogueiro deste Verso e Conversa: R. Magalhães Júnior, autor deste Poesia e Vida de Augusto dos Anjos registra acerca deste soneto: “A 22 de julho de 1905, Augusto dos Anjos publicava n’O Comércio o soneto ‘O canto da coruja’, que reflete as superstições do meio rural em que o poeta fora criado e o ambiente de pavores noturnos do Engenho Pau-d’Arco, evocado por José Lins do Rego [1901 — 1957], em Homens, seres e coisas: ‘De vez em quando, nas noites de lua, escuta-se um gemido, como de um bicho perdido, ferido de morte. A coruja corta mortalha pelo telheiro de quatro águas. E aquele gemido na solidão.’ Gemido do ‘homem barbado, o parente louco’, Acácio Ferreira de Carvalho. No soneto, a coruja é uma ave agoureira, anunciadora de desgraças”.
____________________
Poesia e Vida de Augusto dos Anjos: R. Magalhães Júnior, 2ª edição corrigida e aumentada, 1978, Editora Civilização Brasileira e Instituto Nacional do Livro — MEC; Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos (1884 1914), paraibano de Sapé, aprendeu as primeiras letras com o pai, fez o curso secundário no Liceu Paraibano, formou-se em Direito pela Faculdade de Recife e não advogou, foi professor e poeta; em 1908, recém-formado, transfere-se para a capital da Paraíba, passa a dar aulas particulares e é nomeado professor interino de Literatura do Liceu Paraibano; em 1910, muda-se para o Rio de Janeiro e, continuando no magistério, assume o cargo de professor de Geografia na Escola Normal e no Colégio Pedro II; em 1913, mudando-se para Leopoldina MG, é nomeado diretor do Grupo Escolar Ribeiro Junqueira e continua a dar aulas particulares; seus poemas, e alguma prosa, são publicados em vários jornais da época: Almanaque do Estado da Paraíba, O Comércio (Paraíba), Nonevar (Paraíba), A União, Gazeta de Leopoldina (Leopoldina MG); publicou, em vida, sua única obra, Eu (1912); em 1920, foi editado na Paraíba Eu e Outras Poesias, reunindo a sua produção posterior ao primeiro e único livro; hoje é um dos poetas mais estudados e reeditados no Brasil.