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Ao cabo, enfim de tanta inglória lida,
na ânsia de falso bem, inutilmente,
por meus loucos desejos combatida,
torno ao teu seio hospitaleiro e quente.
Mas, venho de alma triste e arrependida,
de passo tardo e músculos de doente;
sentindo que falhou em minha vida,
tudo o que nela foi anseio ardente;
que em vão deram à dor dos meus desejos,
— bocas e taças mil vinhos e beijos,
pois só trago hoje, ao regressar cansado,
a alma em febre e nos nervos doloridos,
a impressão dos martírios lá vividos
e o desespero de não ter gozado...
Transcrito em: PAIXÃO, Mucio da.
Movimento literário em Campos. Rio de
Janeiro: Typ. do Jornal do Commercio, 1924.

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Max de Vasconcellos — O Poeta
da Agonia, Emílio Maciel Eigenheer, com a colaboração de Maria José da Silva Fernandes,
Monique da Costa Ribeiro, Thiago Roza Ialdo Montilha e outros, 2012, In-Fólio, Rio
de Janeiro — RJ; Max de Vasconcellos Azevedo (1891 — 1919), fluminense de Campos
dos Goytacazes, estudou no Colégio Abílio, de Niterói, formou-se na Faculdade Livre
de Direito do Rio de Janeiro, foi poeta, jornalista, militante anarquista e boêmio
frequentador da Roda Literária do Café Paris, de Niterói, além de também fazer presença
em outros cafés da Lapa carioca; o poeta trabalhou como jornalista em diversos periódicos
niteroienses e da então capital do país, Rio de Janeiro; Max de Vasconcellos não
publicou livros em vida, porém seus poemas, crônicas e resenhas ficaram registrados
em inúmeros jornais e revistas da época, muitos deles de orientação anarquista:
Athena Fluminense (hebdomedário literário e noticioso) e Gazeta da Manhã, ambos
de Niterói, O Debate, A Razão, A Luta (Revista da Faculdade Livre de Direito do
Rio de Janeiro), Guerra Social, Gazeta de Notícias, A Voz do Trabalhador (Órgão
da Confederação Operária Brasileira), La Rinascenza Latina — Settimanale politico
dell’italo-americanismo in Brasile e ABC, todos do Rio de Janeiro, Fanal — revista
do Novo Cenáculo, de Curitiba, A Plebe e A Lanterna (jornal anticlerical e de combate),
ambos de São Paulo, O Dia, de Campos dos Goytacazes etc; poliglota, o poeta também
escreveu e deixou registrado versos em italiano, francês e romeno; a Roda Literária
do Café Paris frequentada pelo poeta e boêmio, algum tempo depois passou a se chamar
Cenáculo Ambulante (consta ter sido o poeta o primeiro a designá-la Cenáculo) e
mais tarde (1923) deu origem ao Cenáculo Fluminense de História e Letras — CFHL,
ativo até os dias de hoje; o poeta simbolista, boêmio e jovem, morreu de tuberculose
em 10 de abril de 1919.

