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[traduzido por Renata
Cordeiro]
Penso: Ela estava ali.
Diziam: ”Como é bela!”
Oh! Mas que olhar aquele,
e que elegância aquela,
E que roupas, que voz, e
que termos formosos.
Sentada nessa grama, e dominando
o prado
Do Sena meandrado,
Sonhando, ela seguia os
seus desvios sinuosos.
Nas florestas, eu erro
assim com tua imagem:
Qual cabrito montês, no
deserto selvagem,
Que, atingido por chumbo
em vôo, estuga os passos.
Ele leva, ao fugir, a
ferida mortal;
E na água de cristal,
Palpitando, ofegante,
espera o seu trespasso.
Je
pense: Elle était là. . . .*
Je pense: Elle était là. Tous
disaient: «Qu’elle est belle!»
Tels furent ses regards, sa démarche fut telle,
Et tels ses vêtemens, sa voix et ces discours.
Sur ce gazon assise, et dominant la plaine,
Des Méandres de Seine,
Rêveuse, elle suivait les obliques détours.
Ainsi dans les forêts j’erre avec ton image:
Ainsi le jeune faon, dans son désert sauvage,
D’un plomb volant percé, précipite ses pas.
Il emporte en fuyant sa mortelle blessure ;
Couché près d’une eau pure,
palpitant, hors d’haleine, il attend le trépas.
* Nota deste Verso e
Conversa: O atrevido aprendiz de blogueiro desta página deixa registrado que
esta tradução de Renata Cordeiro trata-se das duas últimas estrofes de Ode VII,
conforme Œuvres completes [Idylles, Élégies, Épitres, Odes, Poésies
diverses, Mélanges de proses] de André Chénier, 1819.
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Pequena Antologia de Poemas Franceses:
De François Villon a Fernando Pessoa — Concepção, Seleção, Tradução e Notas de Renata
Maria Parreira Cordeiro, 2002, Landy Livraria Editora e Distribuidora Ltda., São
Paulo — SP; André-Marie Chénier (1762 — 1794), nascido em Constantinopla, hoje Istambul — Turquia), aos três anos de idade levado para a França, estudou no Collége de
Navarre, foi poeta e escritor; de mãe [que se dizia] grega e pai francês e diplomata,
André Chénier, por relações de amizade, passou a frequentar a aristocracia parisiense,
viajou pela Suíça e Itália, tornou-se secretário da embaixada em Londres;
participante da revolução francesa, escreveu artigos e panfletos contra os
jacobinos, contestou a competência da Assembléia no processo do rei Luís XVI em
1793, tornou-se suspeito, esteve fugido da França e, no retorno a Paris, foi preso no cárcere de Saint-Lazare e, após 141 dias, guilhotinado
em 25 de julho de 1794; suas obras: Bucólicas (1785-1787), Elegias (1785-1789);
sua poesia só se tornou conhecida e respeitada mais de duas décadas após sua
morte; escreveu poemas na prisão, La Jeune Captive entre os quais.