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Disse ao meu coração: Olha por
quantos
Caminhos vãos andamos! Considera
Agora, desta altura, fria e austera,
Os ermos que regaram nossos
prantos...
Pó e cinzas, onde houve flor e
encantos!
E noite, onde foi luz de primavera!
Olha a teus pés o mundo e
desespera,
Semeador de sombras e quebrantos!
Porém o coração, feito valente
Na escola da tortura repetida,
E no uso do pensar tornado crente,
Respondeu: Desta altura vejo o
Amor!
Viver não foi em vão, se isto é
vida,
Nem foi demais o desengano e a dor.
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Clássicos
Jackson, Volume XXXIX — Poesia, 2º. Volume [vários autores e tradutores] — Selecção
e Notas de Ary de Mesquita, 1958, W. M. Jackson Editores, Rio de Janeiro — RJ; Antero
Tarquínio de Quental (1842 — 1891), natural de Ponta Delgada, Ilha de São Miguel [Arquipélago dos Açores] — Portugal, formou-se
em Direito pela Universidade de Coimbra, foi poeta, escritor e tipógrafo; publicou seus primeiros
sonetos em 1861 e, quatro anos após, influenciado pelo socialismo experimental de
Pierre J. Proudhon, publicou Odes Modernas, na qual enalteceu a revolução e cuja
obra esteve na origem da Questão Coimbrã, polêmica vivida pelo poeta e outros autores
da época por instigarem a revolução intelectual; em 1866, indo viver em Lisboa,
experimentou a vida de operário ao trabalhar como tipógrafo; foi um dos fundadores
do Partido Socialista Português; em 1869, ajudou a fundar o jornal A República;
em 1872, participou da edição da revista O Pensamento Social, colaborando igualmente
em diversas outras publicações periódicas; escreveu e publicou Sonetos de Antero
(1861), Odes Modernas (na origem da polêmica Questão Coimbrã, 1865), Bom Senso e
Bom Gosto (opúsculos, 1865), A Dignidade das Letras e as Literaturas Oficiais (também
na origem da Questão Coimbrã, 1865), Portugal perante a Revolução da Espanha (1868),
Primaveras Românticas (1872), Considerações sobre a Filosofia da História Literária
Portuguesa (1872), A Poesia na Actualidade (1881), Sonetos Completos (1886), A Filosofia
da Natureza dos Naturistas (1886) entre outros títulos; suicidou-se com dois tiros
de revólver, em 11 de setembro de 1891.





