____________________
[traduzido por Cláudia Longhi Farina]
A noite nunca está completa
Há sempre já que o digo
Já que o afirmo
No fim da tristeza uma janela aberta
Uma janela iluminada
Há sempre um sonho que vela
Desejo a satisfazer fome a saciar
Um coração generoso
Uma mão estendida uma mão aberta
Uns olhos atentos
Uma vida a vida a se partilhar.
Et un sourire
La nuit n’est jamais complète
Il y a toujours puisque je le dis
Puisque je l’affirme
Au bout du chagrin une fenêtre ouverte
Une fenêtre éclairée
Il y a toujours un rêve qui veille
Désir à combler faim à satisfaire
Un cœur généreux
Une main tendue une main ouverte
Des yeux attentifs
Une vie la vie à se partager.
(Le Phénix, 1951.)
____________________
Transverso — coletânea de
poemas traduzidos (onze poetas e dez tradutores), Organização, Nota liminar e
Posfácio de José Paulo Paes e notas dos diversos tradutores, Editora Unicamp,
Campinas — SP; Paul Éluard (1895
— 1952), pseudônimo de Eugène Emile Paul Grindel, francês de Saint-Denis, foi poeta
participante ativo do movimento dadaísta e um dos pilares do surrealismo; ainda
com 16 anos de idade, ao contrair tuberculose, teve que interromper seus estudos;
Paul Éluard manteve uma convivência intensa com os poetas André Breton e Louis Aragon
e os artistas plásticos e pintores Picasso, De Chirico, Salvador Dalí, Magritte,
Miró, Man Raye Chagall, atuantes na vida cultural francesa e européia da época;
bibliografia: Premiers poèmes (1913), De Devoir (1916), Les Animaux et leurs hommes,
les hommes et leurs animaux (1920), Répétitions (1922), L’Amoureuse (1923), Mourir
de ne pas mourir (1924), Au défaut du silence (1925), La Dame de Carreau (1926),
Capitale de la douleur (1926), L’Amour la Poésie (1930), À toute é preuve (1930),
La Vie immédiate (1932), La Rose publique (1934), Facile (1935), L’Évidence Poétique
Habitude de la Poésie (1937), Cours naturel (1938), La victoire de Guernica (1938),
Le Livre ouvert (1941), Poésie et vérité (1942), Au rendez-vous allemand (1944),
Le lit la table (1944), Poésie ininterrompue (1946), Ode à Staline (1950), Le Phénix
(1951), Picasso (dessins, 1952) e outros títulos; o poeta lutou tanto na primeira
quanto na segunda grande guerra mundial; filiou-se ao partido comunista francês,
mas, sendo excluído depois, nunca deixou de apoiar revolucionários e revoluções;
em 1942, seu poema ‘Une seule pensée’ (Um único pensamento) foi enviado clandestinamente
da França, ocupada pelos nazistas, para a Inglaterra e, ali, após ser traduzido
para vários idiomas, foi distribuído como panfleto e lançado por aviões aliados
nos céus de uma Europa conflagrada — quem contrabandeou o poema de Éluard foi o
pintor brasileiro e pernambucano Cícero Dias (1907 — 2003), que muito posteriormente
recebeu condecoração do governo francês pela proeza realizada.











