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Se a mim foi concedida esta vida
Sob o duro signo da eternidade
Não sei se a quero toda a mim fundida.
Eu, que tanto prezava das idades
O desregramento, a imediatez,
A presença de anjos e mastins,
— No riso disfarçava a palidez,
Formatado tudo está ante mim.
Algo pura e intacta, onipresente,
Uma boca de tempos primitivos
Ressoa por debaixo de camadas.
O que restou ao ser depauperado
De sua própria condição desgraçada?
Existência inteira, gestos robóticos...

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Hiperconexões: realidade
expandida — poemas, volume 2 (vários autores), Organização de Luiz
Bras, Posfácio-Linguagens de Victor Del Franco, 2014, Editora Patuá, São
Paulo — SP; Elisa Andrade Buzzo, nascida em 1981, paulista e
paulistana, formada em jornalismo pela USP — Universidade de São Paulo — SP, é jornalista
e poeta; trabalhou na Radiobrás, revista Cult, Le Monde
Diplomatique (edição brasileira); sobre a autora, em 'Nós, ciborgues', nas últimas páginas de Hiperconexões, escreveu-se que ela "se rebelará para ser transformada em matéria difusa diante da falta de uma existência apenas humana"; é autora de Se Lá no Sol (2005), Noticias de ninguna parte (bilíngue, 2009), Canción retráctil e Kanto Retráctil (bilíngues, ambos em 2010), Vário som (2012); participou das coletâneas Cuatro poetas recientes del Brasil e Oitavas (ambas em 2006), Antologia Vacamarela (2007), Caos Portátil, poesia contemporânea del Brasil (2007), Roteiro da Poesia Brasileira Anos 2000 (2009); é colunista do site digestivocultural e mantém o blogue caliope.

