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quinta-feira, 16 de abril de 2026

Glauco Mattoso: Soneto da vida dura (#17) & Soneto da boa vida (#16)

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Soneto da vida dura (#17)

Você não passa fome, mas é pobre:
dindim de aposentado é mixaria!
E, como me sustenta, deveria
pedir esmola, pra que algum me sobre!

Agora que seu teto também cobre
o cara que lhe zomba da agonia,
você vai, desde já, durante o dia,
pra esquina do metrô! Não acha nobre?

E nada de queixar-se a algum estranho,
tá ouvindo? Eu que te pegue! A quem pergunta,
sou seu irmão mais novo e te acompanho!

De tarde, um bom trocado você junta
e eu pego! Tá pensando que me acanho?
Papai sumiu! Mamãe já tá defunta!

Soneto da boa vida (#16)

Emprego? Isso eu não tenho nem procuro!
Me viro é mais no bico e no trambique!
E quando pinta chance pra que eu fique
à toa, não sou trouxa de dar duro!

O trouxa é só você, que tá no escuro,
pra sempre! Justo agora dou um clique
e ligo essa tevê, que não é chique
mas custa no seu bolso, a prazo, o juro!

Assisto meus programas, puxo fumo
e deixo aí você, chupando o dedo
do pé! Do meu pezão! Sou foda e assumo!

Eu fico no sofá. Você, eu concedo
que arraste-se no chão: assim arrumo
um teto, um prato, um judas e um brinquedo!

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Faca cega e outras pelejas sujas — Glauco Mattoso (com Danilo Cymrot e Leo Pinto), Série Mattosiana, Volume 1, 1ª edição: agosto de 2007, (Coleção Dix Editorial), 2007, Editora Annablume, São Paulo — SP; Glauco Mattoso, ou Pedro José Ferreira da Silva, nascido em 1951, paulista e paulistano, é poeta, ensaísta, ficcionista e articulista em diversas mídias; seu pseudônimo e nome artístico trocadilha com "glaucomatoso" (portador de glaucoma, doença congênita que lhe acarretou perda progressiva da visão, até a cegueira total em 1995); cursou Biblioteconomia (Escola de Sociologia e Política, São Paulo) e Letras Vernáculas, na USP São Paulo; tem publicado uma extensa obra poética e outros textos: Jornal Dobrábil — de 1977 a 1981 (compilado em um único volume pela Iluminuras, São Paulo SP, em 2001), Revista Dedo Mingo (duas parcelas, 1982, completa o Jornal Dobrábil), Memórias de um Pueteiro: As Melhores Gozações de Glauco Mattoso (poemas, 1982, Edições Trote, Rio de Janeiro RJ), Línguas na Papa (poemas, 1982, Edições Pindaíba, São Paulo SP), Paulisséia Ilhada: Sonetos Tópicos (1999, Ciência do Acidente, São Paulo SP), Geléia de Rococó: Sonetos Barrocos (1999, Ciência do Acidente, São Paulo SP), Panacéia — Sonetos Colaterais (2000, Nankin Editorial, São Paulo SP), Melopéia: Sonetos Musicados (2001, compact-disc, com diversos compositores e intérpretes, Rotten Records, São Paulo SP), O que é Poesia Marginal (ensaio, 1981, Editora Brasiliense, São Paulo SP), O que é Tortura (ensaio, 1984, Editora Brasiliense, São Paulo SP), O Calvário dos Carecas: História do Trote Estudantil (ensaio, 1985, EMW Editores, São Paulo SP) etc etc etc, e bota etecetera nisso; colaborou em vários jornais e revistas da imprensa alternativa e em diversos periódicos literários, e ainda colabora; Pedro José Ferreira da Silva, hoje bancário aposentado, foi funcionário do Banco do Brasil; é sonetista inveterado.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2022

Glauco Mattoso: Sonnetto do decoro parlamentar

 
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O illustre senador é um sem-vergonha!
O quê?! Vossa Excellencia é que é saphado!
E os dois parlamentares, no Senado,
disputam palavrão que descomponha.

Um grita que o collega usa maconha.
Responde este que aquelle outro é veado.
Até que alguém apparte, em alto brado
anima-se a sessão que era enfadonha.

Inútil tentativa, a da bancada,
de a tempo separar o par briguento:
aos tapas, se engalfinham por um nada.

Imagem sem pudor do Parlamento,
são ambos mais sinceros que quem brada:
Da pecha de larappio me innocento!

(Poética na política, 2004 —
poema revisto para esta antologia)

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Revolta e protesto na poesia brasileira — 142 poemas sobre o Brasil [diversas autorias], Organização e Apresentação de André Seffrin, 2021, Editora Nova Fronteira, Rio de Janeiro — RJ; Glauco Mattoso, ou Pedro José Ferreira da Silva, nascido em 1951, paulista e paulistano, é poeta, ensaísta, ficcionista e articulista em diversas mídias; seu pseudônimo e nome artístico trocadilha com "glaucomatoso" (portador de glaucoma, doença congênita que lhe acarretou perda progressiva da visão, até a cegueira total em 1995); cursou Biblioteconomia (Escola de Sociologia e Política, São Paulo) e Letras Vernáculas, na USP São Paulo; tem publicado uma extensa obra poética e outros textos: Jornal Dobrábil de 1977 a 1981 (compilado em um único volume pela Iluminuras, São Paulo SP, em 2001), Revista Dedo Mingo (duas parcelas, 1982, completa o Jornal Dobrábil), Memórias de um Pueteiro: As Melhores Gozações de Glauco Mattoso (poemas, 1982, Edições Trote, Rio de Janeiro RJ), Línguas na Papa (poemas, 1982, Edições Pindaíba, São Paulo SP), Paulisséia Ilhada: Sonetos Tópicos (1999, Ciência do Acidente, São Paulo SP), Geléia de Rococó: Sonetos Barrocos (1999, Ciência do Acidente, São Paulo SP), Panacéia — Sonetos Colaterais (2000, Nankin Editorial, São Paulo SP), Melopéia: Sonetos Musicados (2001, compact-disc, com diversos compositores e intérpretes, Rotten Records, São Paulo SP), O que é Poesia Marginal (ensaio, 1981, Editora Brasiliense, São Paulo SP), O que é Tortura (ensaio, 1984, Editora Brasiliense, São Paulo SP), O Calvário dos Carecas: História do Trote Estudantil (ensaio, 1985, EMW Editores, São Paulo SP) etc etc etc, e bota etecetera nisso; colaborou em vários jornais e revistas da imprensa alternativa e em diversos periódicos literários, e ainda colabora; Pedro José Ferreira da Silva, hoje bancário aposentado, foi funcionário do Banco do Brasil; é sonetista inveterado.

quinta-feira, 7 de outubro de 2021

Glauco Mattoso: Soneto para o batismo dos filhos

 
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1808

No terceiro-mundismo brasileiro
ninguém se chama Pedro nem José:
a gente se depara, o tempo inteiro,
com nome que vernáculo não é...

Sempre um “son”, sempre um “ton”, é o que primeiro
a um pai na idéia vem... À mãe até
ocorre um “ley” ou “ney” alvissareiro
que ao filho no futuro traga fé...

Pedrilson, Josezilton, Pedriney,
Joseley... Meu nominho? Já nem sei
mais como ficaria a escrita disso...

Se eu fosse um jogador de futebol,
então, alguma coisa mais de escol
seria: Pedrizélysson, Zezylsson...

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As Mil e Uma Línguas — Série Mattosiana, Volume 3, Glauco Mattoso, 2008, Dix Editorial — Annablume, São Paulo — SP; Glauco Mattoso, ou Pedro José Ferreira da Silva, nascido em 1951, paulista e paulistano, é poeta, ensaísta, ficcionista e articulista em diversas mídias; seu pseudônimo e nome artístico trocadilha com "glaucomatoso" (portador de glaucoma, doença congênita que lhe acarretou perda progressiva da visão, até a cegueira total em 1995); cursou Biblioteconomia (Escola de Sociologia e Política, São Paulo) e Letras Vernáculas, na USP São Paulo; tem publicado uma extensa obra poética e outros textos: Jornal Dobrábil — de 1977 a 1981 (compilado em um único volume pela Iluminuras, São Paulo SP, em 2001), Revista Dedo Mingo (duas parcelas, 1982, completa o Jornal Dobrábil), Memórias de um Pueteiro: As Melhores Gozações de Glauco Mattoso (poemas, 1982, Edições Trote, Rio de Janeiro RJ), Línguas na Papa (poemas, 1982, Edições Pindaíba, São Paulo SP), Paulisséia Ilhada: Sonetos Tópicos (1999, Ciência do Acidente, São Paulo SP), Geléia de Rococó: Sonetos Barrocos (1999, Ciência do Acidente, São Paulo SP), Panacéia — Sonetos Colaterais (2000, Nankin Editorial, São Paulo SP), Melopéia: Sonetos Musicados (2001, compact-disc, com diversos compositores e intérpretes, Rotten Records, São Paulo SP), O que é Poesia Marginal (ensaio, 1981, Editora Brasiliense, São Paulo SP), O que é Tortura (ensaio, 1984, Editora Brasiliense, São Paulo SP), O Calvário dos Carecas: História do Trote Estudantil (ensaio, 1985, EMW Editores, São Paulo SP) etc etc etc, e bota etecetera nisso; colaborou em vários jornais e revistas da imprensa alternativa e em diversos periódicos literários, e ainda colabora; Pedro José Ferreira da Silva, hoje bancário aposentado, foi funcionário do Banco do Brasil; é sonetista inveterado.

terça-feira, 31 de agosto de 2021

Glauco Mattoso: Soneto temporal

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882

Telégrafo, esperanto e sinfonia
têm campo universal, mas com os anos
reduzem seu alcance entre os humanos
e tendem à mudez, que só se adia.

Enquanto a língua morta inda se ouvia,
reinava um idioma, o dos romanos,
de cuja “pax” se queixam os tiranos
da Ibérica Península à Turquia.

Se “Graecum est, non legitur” faz
tão pouco caso da cultura helena,
o inglês hoje não fica muito atrás.

Não tarda, “English is dead!” e sai de cena,
deixando de nutrir o rock e o jazz,
tão logo cai o dólar... Não é pena?

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As Mil e Uma Línguas — Série Mattosiana, Volume 3, Glauco Mattoso, 2008, Dix Editorial — Annablume, São Paulo — SP; Glauco Mattoso, ou Pedro José Ferreira da Silva, nascido em 1951, paulista e paulistano, é poeta, ensaísta, ficcionista e articulista em diversas mídias; seu pseudônimo e nome artístico trocadilha com "glaucomatoso" (portador de glaucoma, doença congênita que lhe acarretou perda progressiva da visão, até a cegueira total em 1995); cursou Biblioteconomia (Escola de Sociologia e Política, São Paulo) e Letras Vernáculas, na USP São Paulo; tem publicado uma extensa obra poética e outros textos: Jornal Dobrábil — de 1977 a 1981 (compilado em um único volume pela Iluminuras, São Paulo SP, em 2001), Revista Dedo Mingo (duas parcelas, 1982, completa o Jornal Dobrábil), Memórias de um Pueteiro: As Melhores Gozações de Glauco Mattoso (poemas, 1982, Edições Trote, Rio de Janeiro RJ), Línguas na Papa (poemas, 1982, Edições Pindaíba, São Paulo SP), Paulisséia Ilhada: Sonetos Tópicos (1999, Ciência do Acidente, São Paulo SP), Geléia de Rococó: Sonetos Barrocos (1999, Ciência do Acidente, São Paulo SP), Panacéia — Sonetos Colaterais (2000, Nankin Editorial, São Paulo SP), Melopéia: Sonetos Musicados (2001, compact-disc, com diversos compositores e intérpretes, Rotten Records, São Paulo SP), O que é Poesia Marginal (ensaio, 1981, Editora Brasiliense, São Paulo SP), O que é Tortura (ensaio, 1984, Editora Brasiliense, São Paulo SP), O Calvário dos Carecas: História do Trote Estudantil (ensaio, 1985, EMW Editores, São Paulo SP) etc etc etc, e bota etecetera nisso; colaborou em vários jornais e revistas da imprensa alternativa e em diversos periódicos literários, e ainda colabora; Pedro José Ferreira da Silva, hoje bancário aposentado, foi funcionário do Banco do Brasil; é sonetista inveterado.

terça-feira, 3 de agosto de 2021

Glauco Mattoso: Soneto da morte de Moniz Barreto

 
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1868

Exímio glosador, foi pioneiro
do gênero, e deu aulas a Laurindo*.
Ninguém é fescenino o tempo inteiro,
mas nele o verso chulo foi subindo...

“Mulata, quando fode...” tem o cheiro
daquilo que, em Moniz, mostra-se infindo
a título de mote: esse celeiro
tão farto , inesgotável, e tão lindo...

Enquanto na Bahia, houve repente
precoce, oitocentista, indiferente
mostrava-se, na Corte, a classe barda...

Depois do cordelismo, bem mais tarde,
a veia glosadora já covarde
não é, que Sesyom** a vir não tarda...


Notas do atrevido aprendiz de blogueiro deste Verso e Conversa:
* Laurindo: trata-se de Laurindo Rabelo, (1826 — 1864), poeta do Rio de Janeiro — RJ;
** Sesyom: trata-se de Moysés Lopes Sesyom, (1883 — 1932), poeta, nascido em Caicó — RN.
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As Mil e Uma Línguas — Série Mattosiana, Volume 3, Glauco Mattoso, 2008, Dix Editorial — Annablume, São Paulo — SP; Glauco Mattoso, ou Pedro José Ferreira da Silva, nascido em 1951, paulista e paulistano, é poeta, ensaísta, ficcionista e articulista em diversas mídias; seu pseudônimo e nome artístico trocadilha com "glaucomatoso" (portador de glaucoma, doença congênita que lhe acarretou perda progressiva da visão, até a cegueira total em 1995); cursou Biblioteconomia (Escola de Sociologia e Política, São Paulo) e Letras Vernáculas, na USP São Paulo; tem publicado uma extensa obra poética e outros textos: Jornal Dobrábil — de 1977 a 1981 (compilado em um único volume pela Iluminuras, São Paulo SP, em 2001), Revista Dedo Mingo (duas parcelas, 1982, completa o Jornal Dobrábil), Memórias de um Pueteiro: As Melhores Gozações de Glauco Mattoso (poemas, 1982, Edições Trote, Rio de Janeiro RJ), Línguas na Papa (poemas, 1982, Edições Pindaíba, São Paulo SP), Paulisséia Ilhada: Sonetos Tópicos (1999, Ciência do Acidente, São Paulo SP), Geléia de Rococó: Sonetos Barrocos (1999, Ciência do Acidente, São Paulo SP), Panacéia — Sonetos Colaterais (2000, Nankin Editorial, São Paulo SP), Melopéia: Sonetos Musicados (2001, compact-disc, com diversos compositores e intérpretes, Rotten Records, São Paulo SP), O que é Poesia Marginal (ensaio, 1981, Editora Brasiliense, São Paulo SP), O que é Tortura (ensaio, 1984, Editora Brasiliense, São Paulo SP), O Calvário dos Carecas: História do Trote Estudantil (ensaio, 1985, EMW Editores, São Paulo SP) etc etc etc, e bota etecetera nisso; colaborou em vários jornais e revistas da imprensa alternativa e em diversos periódicos literários, e ainda colabora; Pedro José Ferreira da Silva, hoje bancário aposentado, foi funcionário do Banco do Brasil; é sonetista inveterado.

quarta-feira, 14 de julho de 2021

Glauco Mattoso: Soneto da biblioteca volumosa

 
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1394

De todos os poetas que já li,
bem poucos a ler volto. Minha estante
é mínima: se chega um livro aqui,
só fica quando é clássico o bastante...

Dos novos, um ou outro: “parti pris”
não é, mas quando surge um novo Dante,
algum Petrarca, um Belli, um Valéry,
Rimbaud, Verde ou Drummond que nos encante?

Leoni, Emílio, Tigre, Cruz, Delfino,
Martins Fontes, Guilherme, Auta, Faustino,
Francisca, Gilka, Leila... Arrumar como?

Misturam-se as lombadas. Por tamanho
se ordenam... Mas espaço, mesmo, eu ganho
se igual ao do Dos Anjos for o tomo...

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As Mil e Uma Línguas — Série Mattosiana, Volume 3, Glauco Mattoso, 2008, Dix Editorial — Annablume, São Paulo — SP; Glauco Mattoso, ou Pedro José Ferreira da Silva, nascido em 1951, paulista e paulistano, é poeta, ensaísta, ficcionista e articulista em diversas mídias; seu pseudônimo e nome artístico trocadilha com "glaucomatoso" (portador de glaucoma, doença congênita que lhe acarretou perda progressiva da visão, até a cegueira total em 1995); cursou Biblioteconomia (Escola de Sociologia e Política, São Paulo) e Letras Vernáculas, na USP São Paulo; tem publicado uma extensa obra poética e outros textos: Jornal Dobrábil — de 1977 a 1981 (compilado em um único volume pela Iluminuras, São Paulo SP, em 2001), Revista Dedo Mingo (duas parcelas, 1982, completa o Jornal Dobrábil), Memórias de um Pueteiro: As Melhores Gozações de Glauco Mattoso (poemas, 1982, Edições Trote, Rio de Janeiro RJ), Línguas na Papa (poemas, 1982, Edições Pindaíba, São Paulo SP), Paulisséia Ilhada: Sonetos Tópicos (1999, Ciência do Acidente, São Paulo SP), Geléia de Rococó: Sonetos Barrocos (1999, Ciência do Acidente, São Paulo SP), Panacéia — Sonetos Colaterais (2000, Nankin Editorial, São Paulo SP), Melopéia: Sonetos Musicados (2001, compact-disc, com diversos compositores e intérpretes, Rotten Records, São Paulo SP), O que é Poesia Marginal (ensaio, 1981, Editora Brasiliense, São Paulo SP), O que é Tortura (ensaio, 1984, Editora Brasiliense, São Paulo SP), O Calvário dos Carecas: História do Trote Estudantil (ensaio, 1985, EMW Editores, São Paulo SP) etc etc etc, e bota etecetera nisso; colaborou em vários jornais e revistas da imprensa alternativa e em diversos periódicos literários, e ainda colabora; Pedro José Ferreira da Silva, hoje bancário aposentado, foi funcionário do Banco do Brasil; é sonetista inveterado.

domingo, 13 de junho de 2021

Glauco Mattoso: Soneto da morte de Bocage

 
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1805

Adeus às putas deu nosso poeta
bem antes de pedir que lhe rasgasse
os versos quem os lera: sua meta,
então, era foder algum rapace...

Garotos enrabou quando da reta
as putas lhe fugiram? Ou a classe
das putas não é coisa que lhe afeta
mais e não lhe dá tesão que as cace?

Difícil é saber. Mas o que importa
é ver que, sob a escada, atrás da porta,
o nosso Manuel* foi como sou...

É pena que os sonetos nada dizem,
por mais que os gays, curiosos, os pesquisem,
se foi ele chupado ou só enrabou...


* Nota do atrevido aprendiz de blogueiro deste Verso e Conversa: Manuel Maria Barbosa du Bocage (1765 — 1805), português de Setúbal, poeta do arcadismo lusitano, escreveu e publicou Rimas (mais de uma edição) e outras obras.
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As Mil e Uma Línguas — Série Mattosiana, Volume 3, Glauco Mattoso, 2008, Dix Editorial — Annablume, São Paulo — SP; Glauco Mattoso, ou Pedro José Ferreira da Silva, nascido em 1951, paulista e paulistano, é poeta, ensaísta, ficcionista e articulista em diversas mídias; seu pseudônimo e nome artístico trocadilha com "glaucomatoso" (portador de glaucoma, doença congênita que lhe acarretou perda progressiva da visão, até a cegueira total em 1995); cursou Biblioteconomia (Escola de Sociologia e Política, São Paulo) e Letras Vernáculas, na USP São Paulo; tem publicado uma extensa obra poética e outros textos: Jornal Dobrábil — de 1977 a 1981 (compilado em um único volume pela Iluminuras, São Paulo SP, em 2001), Revista Dedo Mingo (duas parcelas, 1982, completa o Jornal Dobrábil), Memórias de um Pueteiro: As Melhores Gozações de Glauco Mattoso (poemas, 1982, Edições Trote, Rio de Janeiro RJ), Línguas na Papa (poemas, 1982, Edições Pindaíba, São Paulo SP), Paulisséia Ilhada: Sonetos Tópicos (1999, Ciência do Acidente, São Paulo SP), Geléia de Rococó: Sonetos Barrocos (1999, Ciência do Acidente, São Paulo SP), Panacéia — Sonetos Colaterais (2000, Nankin Editorial, São Paulo SP), Melopéia: Sonetos Musicados (2001, compact-disc, com diversos compositores e intérpretes, Rotten Records, São Paulo SP), O que é Poesia Marginal (ensaio, 1981, Editora Brasiliense, São Paulo SP), O que é Tortura (ensaio, 1984, Editora Brasiliense, São Paulo SP), O Calvário dos Carecas: História do Trote Estudantil (ensaio, 1985, EMW Editores, São Paulo SP) etc etc etc, e bota etecetera nisso; colaborou em vários jornais e revistas da imprensa alternativa e em diversos periódicos literários, e ainda colabora; Pedro José Ferreira da Silva, hoje bancário aposentado, foi funcionário do Banco do Brasil; é sonetista inveterado.

terça-feira, 1 de junho de 2021

Glauco Mattoso: Soneto sobre a morte do Lobo de Madragoa*

 
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1787

Chamado Antonio Lobo de Carvalho,
tornou-se Madragoa pela rua
aonde foi morar, e seu trabalho
tornou a putaria inda mais nua...

Avante de Bocage, nesse galho
ele macaqueou até que sua
má fama o retirasse do borralho
para a cadeia... Alguém o substitua!

Autor de “Poesias joviais”,
o Lobo criticava até demais
os “fanchonos cruéis desenfreados”...

“Já dos fanchonos se acabou a moda”,
alardeava ele, contra a foda
das bichas versejando em altos brados...


* Nota deste Verso e Conversa: o atrevido aprendiz de blogueiro desta página expõe que Antonio Lobo de Carvalho (1730? — 1787), o Lobo de Madragoa, português de Guimarães, foi poeta satírico e em sua bibliografia constam editadas Poesias Joviais e Satíricas.
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As Mil e Uma Línguas — Série Mattosiana, Volume 3, Glauco Mattoso, 2008, Dix Editorial — Annablume, São Paulo — SP; Glauco Mattoso, ou Pedro José Ferreira da Silva, nascido em 1951, paulista e paulistano, é poeta, ensaísta, ficcionista e articulista em diversas mídias; seu pseudônimo e nome artístico trocadilha com "glaucomatoso" (portador de glaucoma, doença congênita que lhe acarretou perda progressiva da visão, até a cegueira total em 1995); cursou Biblioteconomia (Escola de Sociologia e Política, São Paulo) e Letras Vernáculas, na USP São Paulo; tem publicado uma extensa obra poética e outros textos: Jornal Dobrábil — de 1977 a 1981 (compilado em um único volume pela Iluminuras, São Paulo SP, em 2001), Revista Dedo Mingo (duas parcelas, 1982, completa o Jornal Dobrábil), Memórias de um Pueteiro: As Melhores Gozações de Glauco Mattoso (poemas, 1982, Edições Trote, Rio de Janeiro RJ), Línguas na Papa (poemas, 1982, Edições Pindaíba, São Paulo SP), Paulisséia Ilhada: Sonetos Tópicos (1999, Ciência do Acidente, São Paulo SP), Geléia de Rococó: Sonetos Barrocos (1999, Ciência do Acidente, São Paulo SP), Panacéia — Sonetos Colaterais (2000, Nankin Editorial, São Paulo SP), Melopéia: Sonetos Musicados (2001, compact-disc, com diversos compositores e intérpretes, Rotten Records, São Paulo SP), O que é Poesia Marginal (ensaio, 1981, Editora Brasiliense, São Paulo SP), O que é Tortura (ensaio, 1984, Editora Brasiliense, São Paulo SP), O Calvário dos Carecas: História do Trote Estudantil (ensaio, 1985, EMW Editores, São Paulo SP) etc etc etc, e bota etecetera nisso; colaborou em vários jornais e revistas da imprensa alternativa e em diversos periódicos literários, e ainda colabora; Pedro José Ferreira da Silva, hoje bancário aposentado, foi funcionário do Banco do Brasil; é sonetista inveterado.

terça-feira, 25 de maio de 2021

Glauco Mattoso: Soneto para os inutensílios

 
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1893

Agora a esferográfica vigora,
mas caneta-tinteiro é o que se usava,
além do eterno lápis. Sua hora
tem tudo, desde a espada à “forte clava”...

Máquina de escrever hoje decora
os museus e antiquários. Quem gostava
do disco de vinil faz, sem demora,
a cópia digital e em cedê grava...

Também as embalagens mudam: leite
já vem numa caixinha, e há quem o aceite
até num saco plástico nojento...

Apenas o soneto nunca muda:
dinâmico, assimila, testa, estuda,
mas continua sempre à forma atento...

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As Mil e Uma Línguas — Série Mattosiana, Volume 3, Glauco Mattoso, 2008, Dix Editorial — Annablume, São Paulo — SP; Glauco Mattoso, ou Pedro José Ferreira da Silva, nascido em 1951, paulista e paulistano, é poeta, ensaísta, ficcionista e articulista em diversas mídias; seu pseudônimo e nome artístico trocadilha com "glaucomatoso" (portador de glaucoma, doença congênita que lhe acarretou perda progressiva da visão, até a cegueira total em 1995); cursou Biblioteconomia (Escola de Sociologia e Política, São Paulo) e Letras Vernáculas, na USP São Paulo; tem publicado uma extensa obra poética e outros textos: Jornal Dobrábil — de 1977 a 1981 (compilado em um único volume pela Iluminuras, São Paulo SP, em 2001), Revista Dedo Mingo (duas parcelas, 1982, completa o Jornal Dobrábil), Memórias de um Pueteiro: As Melhores Gozações de Glauco Mattoso (poemas, 1982, Edições Trote, Rio de Janeiro RJ), Línguas na Papa (poemas, 1982, Edições Pindaíba, São Paulo SP), Paulisséia Ilhada: Sonetos Tópicos (1999, Ciência do Acidente, São Paulo SP), Geléia de Rococó: Sonetos Barrocos (1999, Ciência do Acidente, São Paulo SP), Panacéia — Sonetos Colaterais (2000, Nankin Editorial, São Paulo SP), Melopéia: Sonetos Musicados (2001, compact-disc, com diversos compositores e intérpretes, Rotten Records, São Paulo SP), O que é Poesia Marginal (ensaio, 1981, Editora Brasiliense, São Paulo SP), O que é Tortura (ensaio, 1984, Editora Brasiliense, São Paulo SP), O Calvário dos Carecas: História do Trote Estudantil (ensaio, 1985, EMW Editores, São Paulo SP) etc etc etc, e bota etecetera nisso; colaborou em vários jornais e revistas da imprensa alternativa e em diversos periódicos literários, e ainda colabora; Pedro José Ferreira da Silva, hoje bancário aposentado, foi funcionário do Banco do Brasil; é sonetista inveterado.

sábado, 15 de maio de 2021

Glauco Mattoso: Soneto do réu confesso

 
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808

"Morreu a poesia? Não fui eu!"
gozou Zé Paulo Paes*. Agora alguém
sustenta que a matou e que fez bem:
"Matei não só a Marília: até o Dirceu!"

Pergunto: quem dirá que um verso meu
despacha uma mosquinha para o Além?
No máximo um político o desdém,
abaixo do cocô, me mereceu!

Eu próprio quis matar a poesia
mais de uma vez, tocando fogo nela
ou "abolindo o verso" e a pondo fria.

Não deu: a desgraçada se rebela,
renasce, ressuscita, desafia,
e bobo faz de quem lhe acende vela.


* Nota do atrevido aprendiz de blogueiro deste Verso e Conversa: Zé Paulo Paes: José Paulo Paes (1926 — 1998), paulista de Taquaritinga, poeta, tradutor, ensaísta e crítico literário, escreveu A Poesia está morta mas juro que não fui eu (poemas, 1988) e muitas outras obras.
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As Mil e Uma Línguas — Série Mattosiana, Volume 3, Glauco Mattoso, 2008, Dix Editorial — Annablume, São Paulo — SP; Glauco Mattoso, ou Pedro José Ferreira da Silva, nascido em 1951, paulista e paulistano, é poeta, ensaísta, ficcionista e articulista em diversas mídias; seu pseudônimo e nome artístico trocadilha com "glaucomatoso" (portador de glaucoma, doença congênita que lhe acarretou perda progressiva da visão, até a cegueira total em 1995); cursou Biblioteconomia (Escola de Sociologia e Política, São Paulo) e Letras Vernáculas, na USP São Paulo; tem publicado uma extensa obra poética e outros textos: Jornal Dobrábil — de 1977 a 1981 (compilado em um único volume pela Iluminuras, São Paulo SP, em 2001), Revista Dedo Mingo (duas parcelas, 1982, completa o Jornal Dobrábil), Memórias de um Pueteiro: As Melhores Gozações de Glauco Mattoso (poemas, 1982, Edições Trote, Rio de Janeiro RJ), Línguas na Papa (poemas, 1982, Edições Pindaíba, São Paulo SP), Paulisséia Ilhada: Sonetos Tópicos (1999, Ciência do Acidente, São Paulo SP), Geléia de Rococó: Sonetos Barrocos (1999, Ciência do Acidente, São Paulo SP), Panacéia — Sonetos Colaterais (2000, Nankin Editorial, São Paulo SP), Melopéia: Sonetos Musicados (2001, compact-disc, com diversos compositores e intérpretes, Rotten Records, São Paulo SP), O que é Poesia Marginal (ensaio, 1981, Editora Brasiliense, São Paulo SP), O que é Tortura (ensaio, 1984, Editora Brasiliense, São Paulo SP), O Calvário dos Carecas: História do Trote Estudantil (ensaio, 1985, EMW Editores, São Paulo SP) etc etc etc, e bota etecetera nisso; colaborou em vários jornais e revistas da imprensa alternativa e em diversos periódicos literários, e ainda colabora; Pedro José Ferreira da Silva, hoje bancário aposentado, foi funcionário do Banco do Brasil; é sonetista inveterado.

Glauco Mattoso: Soneto da morte de Laurindo Rabelo

 
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1864

Chamei-o “cabeludo” se Rabelo
e, se Rebelo, o chamo “rebelado”.
Os dois termos definem, mas revê-lo
permite esclarecê-lo com cuidado:

O verso fescenino fez, e fê-lo
levado por Moniz. Já revoltado
foi sempre esse crioulo, e seu apelo
ao chulo, em tal contexto, está explicado.

Glosou e sonetou diverso mote,
da lúbrica mulata ao molecote
fanchono, mais adulto que menino...

Romântico, deixaram-lhe de fora
as obras pornográficas que, agora,
resgato e pela rede dissemino...

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As Mil e Uma Línguas — Série Mattosiana, Volume 3, Glauco Mattoso, 2008, Dix Editorial — Annablume, São Paulo — SP; Glauco Mattoso, ou Pedro José Ferreira da Silva, nascido em 1951, paulista e paulistano, é poeta, ensaísta, ficcionista e articulista em diversas mídias; seu pseudônimo e nome artístico trocadilha com "glaucomatoso" (portador de glaucoma, doença congênita que lhe acarretou perda progressiva da visão, até a cegueira total em 1995); cursou Biblioteconomia (Escola de Sociologia e Política, São Paulo) e Letras Vernáculas, na USP São Paulo; tem publicado uma extensa obra poética e outros textos: Jornal Dobrábil — de 1977 a 1981 (compilado em um único volume pela Iluminuras, São Paulo SP, em 2001), Revista Dedo Mingo (duas parcelas, 1982, completa o Jornal Dobrábil), Memórias de um Pueteiro: As Melhores Gozações de Glauco Mattoso (poemas, 1982, Edições Trote, Rio de Janeiro RJ), Línguas na Papa (poemas, 1982, Edições Pindaíba, São Paulo SP), Paulisséia Ilhada: Sonetos Tópicos (1999, Ciência do Acidente, São Paulo SP), Geléia de Rococó: Sonetos Barrocos (1999, Ciência do Acidente, São Paulo SP), Panacéia — Sonetos Colaterais (2000, Nankin Editorial, São Paulo SP), Melopéia: Sonetos Musicados (2001, compact-disc, com diversos compositores e intérpretes, Rotten Records, São Paulo SP), O que é Poesia Marginal (ensaio, 1981, Editora Brasiliense, São Paulo SP), O que é Tortura (ensaio, 1984, Editora Brasiliense, São Paulo SP), O Calvário dos Carecas: História do Trote Estudantil (ensaio, 1985, EMW Editores, São Paulo SP) etc etc etc, e bota etecetera nisso; colaborou em vários jornais e revistas da imprensa alternativa e em diversos periódicos literários, e ainda colabora; Pedro José Ferreira da Silva, hoje bancário aposentado, foi funcionário do Banco do Brasil; é sonetista inveterado.

quinta-feira, 8 de outubro de 2020

Glauco Mattoso: CD "Melopéia: Sonetos Musicados" Álbum completo

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01 Arnaldo Antunes "confessional" (0:00)
02 Humberto Gessinger "revista" (4:05)
03 Edvaldo Santana "Bélico" (7:50)
04 Guedes & Stefani "pacifista" (11:46)
05 Elefunk "virtual" (16:05)
06 Wander Wildner "ensaístico" (20:20)
07 365 "desertado"(23:13)
08 Ayrton Mugnaini Jr. "Flatulento"(26:20)
09 Billy Brothers "escatologico" (29:15)
10 Devotos "Dercy Gonçalves" (31:33)
11 DJ Kraneo "inescrupuloso" (34:51)
12 Falcão & Eriberto Leão "Precípuo" (35:20)
13 Elefunk "virtual" (39:07)
14 Alexandre Nero "manifesto obsoleto" (43:35)
15 Laranja Mecânica "confessional" (45:09)
16 DJ Kraneo "inescrupuloso" (48:08)
17 Madan "ao maior" (48:38)
18 Itamar Assumpção & Renata Mattar "Amélia & Emília" (52:22)
19 Claudia Wonder & Edson Cordeiro "virtual" (55:20)
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CD Melopéia: Sonetos Musicados (por diversos compositores e intérpretes), compact-disc, 2001, Rotten Records, São Paulo — SP); Glauco Mattoso, ou Pedro José Ferreira da Silva, nascido em 1951, paulista e paulistano, é poeta, ensaísta, ficcionista e articulista em diversas mídias; seu pseudônimo e nome artístico trocadilha com "glaucomatoso" (portador de glaucoma, doença congênita que lhe acarretou perda progressiva da visão, até a cegueira total em 1995); cursou Biblioteconomia (Escola de Sociologia e Política, São Paulo) e Letras Vernáculas, na USP São Paulo; tem publicado uma extensa obra poética e outros textos: Jornal Dobrábil — de 1977 a 1981 (compilado em um único volume pela Iluminuras, São Paulo SP, em 2001), Revista Dedo Mingo (duas parcelas, 1982, completa o Jornal Dobrábil), Memórias de um Pueteiro: As Melhores Gozações de Glauco Mattoso (poemas, 1982, Edições Trote, Rio de Janeiro RJ), Línguas na Papa (poemas, 1982, Edições Pindaíba, São Paulo SP), Paulisséia Ilhada: Sonetos Tópicos (1999, Ciência do Acidente, São Paulo SP), Geléia de Rococó: Sonetos Barrocos (1999, Ciência do Acidente, São Paulo SP), Panacéia — Sonetos Colaterais (2000, Nankin Editorial, São Paulo SP), Melopéia: Sonetos Musicados (2001, compact-disc, com diversos compositores e intérpretes, Rotten Records, São Paulo SP), O que é: Poesia Marginal (ensaio, 1981, Editora Brasiliense, São Paulo SP), O que é Tortura (ensaio, 1984, Editora Brasiliense, São Paulo SP), O Calvário dos Carecas: História do Trote Estudantil (ensaio, 1985, EMW Editores, São Paulo SP) etc etc etc, e bota etecétera nisso; colaborou em vários jornais e revistas da imprensa alternativa e em diversos periódicos literários, e ainda colabora; Pedro José Ferreira da Silva, hoje bancário aposentado, foi funcionário do Banco do Brasil; é sonetista inveterado.

quarta-feira, 3 de maio de 2017

Glauco Mattoso: Soneto do consenso no contrassenso [1495]

Resultado de imagem para Glauco Mattoso As mil e uma línguas
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Estava inspiradíssimo e falava
o Lula de improviso: lembra o rato,
a enchente, a merda, a fedentina brava
que enfrenta o miserável... Mundo ingrato!

Repete o termo “merda”: não achava
sinônimo mais culto. Mas o fato
de estar perante um público sem trava
na língua lhe autoriza o desacato...

Anima-se a platéia. Um mais bandalho
concorda: “Mas que merda, meu! Caralho!
Tá certo o presidente, mesmo, porra!”

Os outros fazem coro. “Porra, meu!
Que merda! Pobre sempre se fodeu!”
Que bom que ao mesmo termo se recorra!

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As Mil e Uma Línguas — Série Mattosiana, Volume 3, 2008, Dix Editorial — Annablume, São Paulo — SP; Glauco Mattoso, ou Pedro José Ferreira da Silva, nascido em 1951, paulista e paulistano, é poeta, ensaísta, ficcionista e articulista em diversas mídias; seu pseudônimo e nome artístico trocadilha com "glaucomatoso" (portador de glaucoma, doença congênita que lhe acarretou perda progressiva da visão, até a cegueira total em 1995); cursou Biblioteconomia (Escola de Sociologia e Política, São Paulo) e Letras Vernáculas, na USP São Paulo; tem publicado uma extensa obra poética e outros textos: Jornal Dobrábil — de 1977 a 1981 (compilado em um único volume pela Iluminuras, São Paulo SP, em 2001), Revista Dedo Mingo (duas parcelas, 1982, completa o Jornal Dobrábil), Memórias de um Pueteiro: As Melhores Gozações de Glauco Mattoso (poemas, 1982, Edições Trote, Rio de Janeiro RJ), Línguas na Papa (poemas, 1982, Edições Pindaíba, São Paulo SP), Paulisséia Ilhada: Sonetos Tópicos (1999, Ciência do Acidente, São Paulo SP), Geléia de Rococó: Sonetos Barrocos (1999, Ciência do Acidente, São Paulo SP), Panacéia — Sonetos Colaterais (2000, Nankin Editorial, São Paulo SP), Melopéia: Sonetos Musicados (2001, compact-disc, com diversos compositores e intérpretes, Rotten Records, São Paulo SP), O que é: Poesia Marginal (ensaio, 1981, Editora Brasiliense, São Paulo SP), O que é: Tortura (ensaio, 1984, Editora Brasiliense, São Paulo SP), O Calvário dos Carecas: História do Trote Estudantil (ensaio, 1985, EMW Editores, São Paulo SP) etc etc etc, e bota etecétera nisso; colaborou em vários jornais e revistas da imprensa alternativa e em diversos periódicos literários, e ainda colabora; Pedro José Ferreira da Silva, hoje bancário aposentado, foi funcionário do Banco do Brasil; é sonetista inveterado.