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A Presciliana Duarte de
Almeida
O sol queima; o ar sufoca; a
infinita celagem
Do céu resplende sobre o
infinito deserto;
E do vasto horizonte, ao
derredor aberto,
Sopra, como de um forno, uma
ardente bafagem.
Nada à flor do areal, quer à
distância ou perto;
E, através da nudez da vazia
paisagem,
Nem sequer a ilusória e
efêmera miragem
Deixa, ao longe, entrever o
seu perfil incerto...
Nem o leve ruflar de uma asa;
nem um grito,
Fazendo estremecer o deserto
que dorme,
Como uma flecha, vara a mudez
do infinito...
Implacável, o sol, quente e
fulvo, dardeja
Uma luz que, abrasando a
solidão enorme,
No ar, na areia e no céu
treme, brilha e flameja...
[revista A Mensageira, de 15
de outubro de 1897,
Ano I, nº 1, São Paulo — SP]
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A Mensageira — Revista Literária
dedicada à mulher brasileira, Diretora: Presciliana Duarte de Almeida (1897 a 1900),
Edição fac-similar, Volume I, Apresentação de Bete Mendes e comentários de Zuleika
Alambert, 1987, Imprensa Oficial do Estado S/A — IMESP, São Paulo — SP; da vida
da poetisa e cronista Maria Júlia Cortines Laxe (1863 — 1948), fluminense de Rio
Bonito, apesar de sua longevidade, pouco se sabe: de sua avó recebeu “instrução
elementar”, prosseguiu seus estudos em Niterói e, autodidata, adquiriu formação
literária e pedagógica; portas foram abertas para que ela atuasse no magistério,
é o que se supõe; colaborou com as revistas A Semana e A Mensageira, redigiu para
o jornal O País, no qual manteve a coluna “Através da Vida”; no início do século
XX, no meio literário brasileiro, foi considerada uma das "três Júlias"
mais famosas da época (as outras foram Francisca Júlia, também poetisa, e Júlia
Lopes de Almeida, romancista); escreveu seus primeiros versos aos 13 anos, e aos
21 já colaborava em periódicos da Corte Imperial; deixou-nos como legado Versos
(1894) e Vibrações (1905), ambos de poesia; ”praticamente esquecida em nossos dias”,
em 2010 a Academia Brasileira de Letras publicou o volume Versos & Vibrações
de Júlia Cortines e mais três poemas inéditos, “Coleção Austregésilo de Athayde,
nº 32”, com apresentação/estudo, Descortinando Júlia, de Gilberto Araújo e o texto
A poesia esquecida de Júlia Cortines, de Fausto Cunha; no Rio de Janeiro existe
uma rua com seu nome, além de também ter o nome emprestado a escolas e logradouros
de outras cidades (Rua Júlia Cortines, em São Paulo, Escola Municipal Julia Cortines,
em Niterói...).

