
[traduzido por Héctor Zanetti]
Dentes de flores, touca de sereno,
Mãos de ervas, tu, ama-de-leite fina,
Deixa-me prontos os lençóis terrosos
E o edredom de musgos escardeados.
Mãos de ervas, tu, ama-de-leite fina,
Deixa-me prontos os lençóis terrosos
E o edredom de musgos escardeados.
Vou dormir, ama-de-leite minha,
deita-me.
Põe-me uma lâmpada à cabeceira;
Uma constelação; a que te agrade;
Todas são boas: a abaixa um pouquinho
Põe-me uma lâmpada à cabeceira;
Uma constelação; a que te agrade;
Todas são boas: a abaixa um pouquinho
Deixa-me sozinha: ouves romper os
brotos…
Te embala um pé celeste desde acima
E um pássaro te traça uns compassos
Te embala um pé celeste desde acima
E um pássaro te traça uns compassos
Para que esqueças… obrigado. Ah,
um encargo:
Se ele chama novamente por telefone
Diz-lhe que não insista, que saí…
Se ele chama novamente por telefone
Diz-lhe que não insista, que saí…
| Alfonsina Storni |
Voy a dormir
Dientes de flores, cofia de rocío,
manos de hierbas, tú, nodriza fina,
tenme prestas las sábanas terrosas
y el edredón de musgos escardados.
Voy a dormir, nodriza
mía, acuéstame.
Ponme una lámpara a la cabecera;
una constelación; la que te guste;
todas son buenas; bájala un poquito.
Ponme una lámpara a la cabecera;
una constelación; la que te guste;
todas son buenas; bájala un poquito.
Déjame sola: oyes romper
los brotes…
te acuna un pie celeste desde arriba
y un pájaro te traza unos compases
te acuna un pie celeste desde arriba
y un pájaro te traza unos compases
para que olvides…
Gracias. Ah, un encargo:
si él llama nuevamente por teléfono
le dices que no insista, que he salido...
si él llama nuevamente por teléfono
le dices que no insista, que he salido...
Mascarilla y Trébol — 1938
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Antologia
Poética — Alfonsina Storni, Selección por Alfredo Veirave (Biblioteca
Argentina Fundamental, Capitulo 34), 1968, Centro Editor de America
Latina, Buenos Aires — Argentina; Alfonsina
Storni Martignoni (1892 — 1938), nascida em Sala Capriasca — Suíça, filha
de pais argentinos, foi poeta, atriz e professora; aos 4 anos de idade
retornou à Argentina, levou uma vida com dificuldades financeiras e, para o
sustento familiar, trabalhou como costureira e operária; colaborou com seus
textos nas revistas Caras y Caretas, Fray Mocho, e nos
jornais La Nota e La Nacion;escreveu e publicou La
inquietud del rosal (1916), El dulce daño (1918), Irremediablemente (1919), Languidez (1920), Ocre (1925), Poemas
de amor (em prosa, 1926), Dos farsas pirotécnicas — Cimbellina
en 1900 y pico e Polixena y la cenicienta (peças teatrais,
1931), Mundo de siete pozos (1934), Mascarilla y Trébol — círculos imantados (1938) e outros títulos em verso, prosa e
para teatro; consta que a poeta suicidou-se caminhando para dentro do mar, e
tal ato foi registrado poeticamente na canção ‘Alfonsina y el mar’ gravada por
Mercedes Sosa; seu corpo foi resgatado do oceano no dia 25 de outubro de 1938;
três dias antes de suicidar-se envia para publicação em um jornal o soneto ‘Voy
a dormir’.