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sexta-feira, 3 de abril de 2026

Euclides da Cunha: Mundos extintos

 
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São tão remotas as estrelas que, apesar da
vertiginosa velocidade da luz, elas se apagam,
e continuam a brilhar durante séculos.

Morrem os mundos... Silenciosa e escura,
Eterna noite cinge-os. Mudas, frias,
Nas luminosas solidões da altura
Erguem-se, assim, necrópoles sombrias...

Mas para nós, di-lo a ciência, além perdura
A vida, e expande as rútilas magias...
Pelos séculos em fora a luz fulgura
Traçando-lhes as órbitas vazias.

Meus ideais! extinta claridade
Mortos, rompeis, fantásticos e insanos
Da minh’alma a revolta imensidade...

E sois ainda todos os enganos
E toda a luz, e toda a mocidade
Desta velhice trágica aos vinte anos...*


* Nota da edição: Datado de 1886. O poeta nasceu em 1866.
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Ondas: poesias + “Conferência: Castro Alves e seu Tempo” — Euclides da Cunha, Introdução de Adelino Brandão, Prefácio de Márcio José Lauria, e Textos Complementares de Abguar Bastos, Guilherme de Almeida e Francisco Venâncio Filho, acerca da poesia de E. Cunha, 2005, Editora Martin Claret, São Paulo — SP; Euclides Rodrigues Pimenta da Cunha (1866 1909), nascido em Cantagalo RJ, onde também iniciou sua vida escolar Colégio Caldeira , foi morar com os avós, em Salvador BA, época em que estudou no Colégio Carneiro Ribeiro, de volta ao Rio de Janeiro, frequentou algumas outras escolas, entre as quais o Colégio Aquino, matriculou-se na Escola Politécnica, desistiu por razões financeiras, e ingressou na Escola Militar da Praia Vermelha, complementando depois seus estudos na Escola Superior de Guerra, foi escritor, sociólogo, ensaísta, repórter jornalístico, historiador, engenheiro militar e também poeta; seu grande feito literário foi ter escrito Os Sertões, publicado originalmente em 1902 e, de lá até os dias atuais, dezenas de vezes republicado e com inclusão de interpretações e análises de estudiosos consagrados; anteriormente, tal obra saíra em artigos reportagens do jornal O Estado de São Paulo, à época Província de São Paulo, para quem o autor trabalhava como colaborador e repórter, enviado que fora na cobertura da quarta expedição contra a Guerra de Canudos; o livro Os Sertões teve publicações nos idiomas alemão, chinês, francês, inglês, dinamarquês, espanhol, holandês, italiano e sueco; outras publicações do autor, a maioria póstumas: Contrastes e Confrontos (1907), Peru versus Bolívia (1907), À Margem da História (1909), Canudos — diário de uma expedição (1939), O Rio Purus (1960), Caderneta de Campo (1975), Um paraíso perdido (1976) entre outros títulos; em poesia, registre-se Caderno Ondas: 1883 — 1884; Postais: 1902 — 1906 e Esparsas: 1885 — 1909; o jornalista Euclides da Cunha, que em 1884 estreara publicando um artigo em O Democrata, jornal criado por ele e seus amigos, ainda estudante colaborou na Revista Acadêmica, depois, por várias ocasiões, colaborou com a então Província de São Paulo, hoje O Estado de São Paulo, e também na Gazeta de Notícias, do Rio de Janeiro, além de em outros periódicos; pertenceu à Academia Brasileira de Letras a ao Instituto Histórico Geográfico Brasileiro.