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domingo, 29 de maio de 2022

Ana Crescêncio: Flor de Loi*

 
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          Sempre que passava pela casa da vizinha parava extasiada a admirar uma flor roxa pendurada na parede da casa.
          Ela sempre teve muitas flores, dentro de casa também.
          Mas a minha preferida era aquela roxa, plantada num galão de produtos de limpeza.
          Era o sol da manhã a chegar e a combinação explodia numa beleza inexplicável, coisa de artistas, pensava eu.
          Ocorre que até hoje nunca soube com certeza por que aquela flor num galão de plástico trancava em mim.
          Duas semanas atrás a vizinha me deu a flor.
          Feliz da vida, pendurei no canto do beija-flor.
          Hoje a vizinha partiu.
          Finalmente entendi tamanha delicadeza.
          Aquela flor no galão de limpeza tem melodia, uma melodia tanta e tão gentil de histórias que encontrou eco e garantiu as memórias que nos colocam de pé.
          A mim e ao povo todo da rua.

          Certeza que segue em paz.
          Gracias, Loi.

25 de maio de 2022


* Nota deste Verso e Conversa: O título desta crônica está sendo acrescentado e é de total responsabilidade do atrevidíssimo aprendiz de blogueiro desta página.
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Ana Crescêncio fotografa, faz crônicas, estudou Violência Social e Segurança Pública na UFRGS Universidade Federal do Rio Grande do Sul, mora em Taquara RS, é filha de dona Nesta e o seu João, tem cães e gatos...; e mais não sei, ela não me disse e eu não perguntei; foi o pesquisado.