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Sempre que passava pela casa
da vizinha parava extasiada a admirar uma flor roxa pendurada na parede da
casa.
Ela sempre teve muitas flores,
dentro de casa também.
Mas a minha preferida era
aquela roxa, plantada num galão de produtos de limpeza.
Era o sol da manhã a chegar e
a combinação explodia numa beleza inexplicável, coisa de artistas, pensava eu.
Ocorre que até hoje nunca
soube com certeza por que aquela flor num galão de plástico trancava em mim.
Duas semanas atrás a vizinha
me deu a flor.
Feliz da vida, pendurei no
canto do beija-flor.
Hoje a vizinha partiu.
Finalmente entendi tamanha
delicadeza.
Aquela flor no galão de
limpeza tem melodia, uma melodia tanta e tão gentil de histórias que encontrou
eco e garantiu as memórias que nos colocam de pé.
A mim e ao povo todo da rua.
Certeza que segue em paz.
Gracias, Loi.
25 de maio de 2022
* Nota deste Verso e Conversa:
O título desta crônica está sendo acrescentado e é de total responsabilidade do
atrevidíssimo aprendiz de blogueiro desta página.
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Ana Crescêncio fotografa, faz
crônicas, estudou Violência Social e Segurança Pública na UFRGS — Universidade Federal do Rio
Grande do Sul, mora em Taquara — RS, é
filha de dona Nesta e o seu João, tem cães e gatos...; e mais não sei, ela não me
disse e eu não perguntei; foi o pesquisado.