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eu sou como eu sou
pronome
pessoal intransferível
do homem que iniciei
na medida do impossível
eu sou como eu sou
agora
sem grandes segredos dantes
sem novos secretos dentes
nesta hora
eu sou como eu sou
presente
desferrolhado indecente
feito um pedaço de mim
eu sou como eu sou
vidente
e vivo tranquilamente
todas as horas do fim.
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26 Poetas Hoje — Antologia: Organização, Introdução e Posfácio de Heloísa
Buarque de Hollanda, 2001, 5ª edição, Editora Aeroplano, Rio de Janeiro — RJ;
Torquato Pereira de Araújo Neto (1944 — 1972), piauiense de Teresina,
mudando-se para Salvador (BA) aos 16 anos, fez seus estudos secundários no
Colégio [marista] Nossa Senhora da Vitória, foi jornalista, poeta, letrista de
música popular e participante do movimento de contracultura (tropicalismo,
cinema marginal, poesia concreta ...) no Brasil; em 1962, mudando-se para o Rio
de Janeiro, estudou jornalismo mas não se formou, trabalhou na imprensa
carioca, escreveu sobre cultura nos jornais Correio da Manhã, Jornal dos Sports
e Última Hora; em 1973 foi publicado Os últimos dias de paupéria (1ª edição,
Livraria Eldorado Tijuca Ltda., Rio de Janeiro — RJ), sua obra póstuma; em
1968, o poeta e letrista Torquato Neto teve participação no LP (long-play,
disco de vinil) Tropicalia ou Panis et Circencis (em composições de Gilberto
Gil e Caetano Veloso), além de outras parcerias musicais em LPs de Luiz
Melodia, Jards Macalé, João Bosco, Sérgio Brito, Edu Lobo, Geraldo Vandré,
Geraldo Azevedo, Paulo Diniz, ...; como ator, participou dos filmes Nosferatu
(1970), de Ivan Cardoso, Adão e Eva do Paraíso ao Consumo (super 8, 1972), de
Edemar Oliveira e Carlos Galvão, e também foi diretor, além de ator, do filme
Terror da Vermelha (1972); suicidou-se em 10 de novembro de 1972, trancando-se
no banheiro e abrindo o gás; algum tempo depois, em homenagem póstuma ao poeta
piauiense, Caetano Veloso escreveu a canção Cajuína e a incluiu no disco Cinema
Transcendental (1979).