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sexta-feira, 18 de outubro de 2024

Vladímir Maiakóvski: Romança [fragmento do longo poema 'Sobre Isto']


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[traduzido por Trajano Vieira]

Um menino avança, a vista fixa no ocaso
Era o caso de um amarelo insuperável.
Até a neve do posto Tver amarelava.
Ninguém por perto e o menino segue.
Num ato, da ação
arreda
o passo.
Na mão
da seda
o aço.
O pôr-do-sol olha por uma hora
a renda que atrás dele se enredara.
A neve crispante roía as rótulas.
Por que?
Para quê?
Para quem?
Ventoladro o garoto era checado.
O bilhete passa seu direito ao vento
que pára pra ligar do parque Pedro:
Adeus...
Tudo acabado...
Que ninguém seja culpado...

[suplemento dominical de cultura] Folhetim*, 27.07.86

Vladímir Maiakóvski

Романс

Мальчик шёл, в закат глаза уставя.
Был закат непревзойдимо жёлт.
Даже снег желтел к Тверской заставе.
Ничего не видя, мальчик шёл.
Шёл,
вдруг
встал.
В шёлк
рук
сталь.
С час закат смотрел, глаза уставя,
за мальчишкой лёгшую кайму.
Снег хрустя разламывал суставы.
Для чего?
Зачем?
Кому?
Был вором-ветром мальчишка обыскан.
Попала ветру мальчишки записка.
Стал ветер Петровскому парку звонить:
 Прощайте…
Кончаю…
Прошу не винить…

[1923]

Nota do blogue Verso e Conversa: o atrevidíssimo aprendiz de blogueiro desta página registra que Folhetim foi um suplemento dominical de cultura do jornal Folha de São Paulo; criado e dirigido por Tarso de Castro (1941 — 1991), trazia como objetivo inicial ser um “caderno de leitura e humor” e, com linha editorial e estrutura modificadas através do tempo, circulou entre 1977 e 1989; o jornalista Tarso de Castro também foi um dos fundadores do semanário Pasquim, periódico de origem carioca.
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Folhetim: Poemas traduzidos [vários poetas e tradutores], Organização de Matinas Susuki Jr. e Nelson Ascher e Apresentação de Matinas Susuki Jr., 1987, Edições Folha de São Paulo, São Paulo — SP; Vladímir Vladimirovitch Maiakóvski (1893 1930), nascido em Baghdati, Geórgia (Império Russo), considerado um dos expoentes da poesia do século XX, foi poeta, dramaturgo e teórico; aos 15 anos de idade filiou-se ao partido bolchevique, foi preso algumas vezes e “no cárcere começou a escrever poemas e se dedicou à leitura de romances e poesia russa”; seu primeiro poema, Noite, data de 1912; em 1911, iniciava seus estudos na Escola de Pintura, Escultura e Arquitetura de Moscou e, aluno, fez parte do grupo artístico fundador do então chamado cubo-futurismo russo, tornando-se “célebre por sua atitude irreverente e por suas polêmicas”; em 1914, o poeta sofreu expulsão da escola, “por sua ligação com o movimento futurista”; após serem expulsos, ele e outros alunos do grupo, viajaram pela Rússia objetivando difundir suas concepções artísticas; em 1915, em temporada na Finlândia, concluiu Nuvem de calças, o primeiro de seus poemas longos, tal obra o consagrou em definitivo entre seus pares e no ambiente literário russo; teve presença ativa no movimento revolucionário russo de 1917; durante a Guerra Civil, o poeta dedicou-se a criar desenhos e legendas para cartazes de propaganda e, no início do novo Estado, exaltou campanhas sanitárias, fez publicidade de produtos diversos, etc.; participou ativamente de conferências, recitais e debates; colaborou com os jornais Izvestia, Pravda, O Trabalho, com seus textos sendo divulgados diariamente em jornais e revistas; em 1923, fundou a revista LEF (de Liévi Front, Frente de Esquerda), na qual agrupava escritores e artistas com a intenção de aliar a forma revolucionária a um conteúdo de renovação social; por razões estéticas, e na defesa de suas concepções artístico-literárias, polemizou com outros grupos de intelectuais e também com a burocracia do governo que se iniciava; suas obras: livros de poesia, de viagens e memórias, A Flauta Vertebrada (1915), A Nuvem de Calças (1916), O Homem (1917), Guerra e Paz (1918), 150 Milhões (1920), Amo (1922), Sobre Isto (1923), Lênin (1925), Muito Bem! (1927), A Plenos pulmões (1930), longos poemas líricos e épicos, cada qual formando, por si só, um livro; para o teatro, publicou Eu (1913), O Mistério Bufo (1921), O Percevejo (1928), O Banho (1929), e tantos outros textos, além de trabalhos para circo, argumentos para cinema e mais de mil páginas de poesia para crianças; suicidou-se em 14 de abril de 1930.

domingo, 9 de junho de 2024

Velimir Khlébnikov: Os números


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[traduzido por Trajano Vieira]

Eu vos esc [ . . . ]
E o vosso surto assume vestes quadrúpedes.
Com a mão apoiada sobre entulho de carvalho.
Ofereceis a unidade entre o móvel serpentiforme
Da coluna cósmica e a canga-dança,
Além do aval de seculamentar como os dentes
De um gargalhar relâmpago.
Minhas pupilas abrem-se videntes,
Saber o que Eu será, quando seu dividendo uni-
Ficar.

[suplemento dominical de cultura] Folhetim*, 11.10.81]

Velimir Khlébnikov

ЧИСЛА

Я всматриваюсь в вас, о, числа,
И вы мне видитесь одетыми в звери, в их шкурах,
Рукой опирающимися на вырванные дубы.
Вы даруете единство между змееобразным движением
Хребта вселенной и пляской коромысла,
Вы позволяете понимать века, как быстрого хохота зубы.
Мои сейчас вещеобразно разверзлися зеницы
Узнать, что будет [Я], когда делимое его единица.

[1912]

Nota do blogue Verso e Conversa: o atrevidíssimo aprendiz de blogueiro desta página registra que Folhetim foi um suplemento dominical de cultura do jornal Folha de São Paulo; criado e dirigido por Tarso de Castro (1941 — 1991), trazia como objetivo inicial ser um “caderno de leitura e humor” e, com linha editorial e estrutura modificadas através do tempo, circulou entre 1977 e 1989; o jornalista Tarso de Castro também foi um dos fundadores do semanário Pasquim, periódico de origem carioca.
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Folhetim: Poemas traduzidos [vários poetas e tradutores], Organização de Matinas Susuki Jr. e Nelson Ascher e Apresentação de Matinas Susuki Jr., 1987, Edições Folha de São Paulo, São Paulo — SP; Viktor Vladimirovitch Khlébnikov, ou Velímir Khlébnikov (1885 1922), russo nascido em Tundutov, então Império Russo, estudou Física e Matemática na Universidade de Kazan e, depois, Ciências Naturais, Sânscrito e Eslavística na Universidade de São Petersburgo, foi poeta, prosador, pensador, matemático, ornitólogo, pintor, figura expoente e um dos mais originais da arte vanguardista-futurista russa; após ter sido expulso da faculdade por falta de pagamento, passou a dedicar-se à poesia, literatura e pesquisas matemático-filosóficas; teve participação no círculo de poetas de São Petersburgo, conheceu escritores, filósofos, pintores, músicos e artistas, e se aproximou, por um período, dos simbolistas e acmeístas [movimento literário modernista russo]; conheceu um grupo de jovens pintores e poetas, aos quais posteriormente se juntaram Maiakóvski e outros, o que resultou na formação do Grupo Guileia (1910 1914) e daí se transformando no movimento dos cubo-futuristas (o cubo-futurismo é considerado o resultado da interação entre poetas-futuristas e pintores-cubistas), com apresentação inicial na imprensa através da publicação do almanaque poético Viveiro dos Juízes (Садок судей 1910); apoiou a Revolução Russa de outubro de 1917, foi conferencista no quartel-general do exército revolucionário e vigia noturno; o poeta escreveu muito, adorava quando o publicavam, mas não fazia nenhum esforço para isso; a maior parte de seus textos só se tornou conhecida postumamente: em 1923, editou-se um seu livro de versos; em 1925, veio a edição d’O Caderno de Notas de Velímir Khlébnikov; somente em 1928, publicou-se uma edição de suas obras, em cinco volumes, que seria completada com inéditos em 1940; em 1936, foi publicado o livro Versos Escolhidos; de seus primeiros trabalhos poéticos, praticamente nada é conhecido; Khlébnikov teve uma vida na pobreza, foi solitário, fechado e pouco prático para o cotidiano do viver.

terça-feira, 22 de junho de 2021

Konstantinos Kaváfis: Quando despontem

 
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[traduzido por Trajano Vieira]

Empenha-te, poeta, no resguardo,
mesmo que lacunar a sua captura:
os vislumbres do teu erotismo.
Insere-os, semivelados, em tua fraseologia.
Empenha-te, poeta, no resguardo,
quando despontem em teu cérebro,
em plena noite, no sol-a-pino.

[1916]

K. Kaváfis

ΟΤΑΝ ΔΙΕΓΕΊΡΟΝΤΑΙ

Προσπάθησε να τα φυλάξεις, ποιητή,
όσο κι αν είναι λίγα αυτά που σταματιούνται.
Του ερωτισμού σου τα οράματα.
Βαλ'τα, μισοκρυμένα, μες τες φράσεις σου.
Προσπάθησε να τα κρατήσεις, ποιητή,
όταν διεγείρονται μες το μυαλό σου,
την νύχτα ή μες την λάμψι του μεσημεριού.

[1916]
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Konstantinos Kaváfis — 60 poemas, Seleção, Tradução e Apresentação de Trajano Vieira, edição bilíngüe, 2ª edição, 2018, Ateliê Editorial, Cotia — SP; Konstantinos Kaváfis (1863 1933), greco-otomano de Alexandria Egito, à época Império Otomano, foi poeta; ainda em sua primeira infância Kaváfis e família mudaram-se para Liverpool, no Reino Unido e, depois, retornou para Alexandria e ali viveu; teve seus primeiros versos escritos em inglês, e dominava também os idiomas francês e italiano, além do grego; em vida, o poeta não publicou nenhum livro, seus poemas foram distribuídos em feuilles volantes (folhas soltas) ou então divulgados em alguns veículos literários, entre os quais a revista ateniense Panathenea e o jornal de língua grega Hespera, editado em Leipzig, e também teve impressos dois opúsculos (o primeiro, em 1904, com dezesseis folhas, e o segundo, com vinte e quatro); já postumamente, em 1935, através de seus amigos e herdeiros literários Aleko e Rika Singopoulos, editou-se um livro contendo 154 poemas, os considerados canônicos, e cujo conteúdo constituía basicamente de uma coletânea das diversas feuilles volantes anteriormente divulgadas; o poeta deixou-nos outros textos, inéditos, inacabados ou repudiados, os quais não fizeram parte da edição de 1935.

quinta-feira, 3 de junho de 2021

Konstantinos Kaváfis: Da escola do filósofo famoso

 
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[traduzido por Trajano Vieira]

Seguiu os passos de Amônio Saccás por dois anos;
mas sua filosofia o entendiou. Saccás e sua filosofia.

Envolveu-se então na política,
mas reconsiderou. Eparco encarnava o estulto;
e os de seu círculo, imbecis altivos, posavam de impolutos.
Precário era o grego desses miseráveis, bárbaro.

A igreja chegou a despertar
sua atenção: batizar-se,
virar cristão? Não insistiu, porém,
nessa via. Os pais eram demasiadamente
pagãos; arrumaria briga com eles,
e da mesada polpuda que terrível!
logo o tolheriam.

Mas tinha de tomar uma atitude. Tornou-se habitué
de endereços decaídos em Alexandria,
cada canto onde se ocultava a orgia.

Uma dádiva lhe dera o destino:
dotara-o de um rosto de beleza exímia.
E ele curtia esse dom divino.

Uma década pelo menos
de beldade. Depois,
quem sabe fosse atrás de Saccás.
Se não mais estivesse entre nós, vivo,
procuraria outro filósofo, outro sofista:
sempre se acha alguém com perfil propício.

Ou voltaria para a política? Não via com maus olhos
o histórico da família,
cumpridora dos deveres cívicos,
e a pompa de coisas afins.

[1921]

Konstantinos Kaváfis

ΑΠΟ ΤΗΝ ΣΧΟΛΗΝ ΤΟΥ
ΠΕΡΙΩΝΥΜΟΥ ΦΙΛΟΣΟΦΟΥ

Έμεινε μαθητής του Αμμωνίου Σακκά δυο χρόνια•
αλλά βαρέθηκε και την φιλοσοφία και τον Σακκά.

Κατόπι μπήκε στα πολιτικά.
Μα τα παραίτησεν. Ήταν ο Έπαρχος μωρός•
κ' οι πέριξ του ξόανα επίσημα και σοβαροφανή•
τρισβάρβαρα τα ελληνικά των, οι άθλιοι.

Την περιέργειάν του είλκυσε
κομμάτ' η Εκκλησία• να βαπτισθεί
και να περάσει Χριστιανός. Μα γρήγορα
την γνώμη του άλλαξε. Θα κάκιωνε ασφαλώς
με τους γονείς του, επιδεικτικά εθνικούς•
και θα του έπαυαν πράγμα φρικτόν
ευθύς τα λίαν γενναία δοσίματα.

Έπρεπεν όμως και να κάμει κάτι. Έγινε ο θαμών
των διεφθαρμένων οίκων της Αλεξανδρείας,
κάθε κρυφού καταγωγίου κραιπάλης.

Η τύχη του εφάν' εις τούτο ευμενής•
τον έδωσε μορφήν εις άκρον ευειδή.
Και χαίρονταν την θείαν δωρεάν.

Τουλάχιστον για δέκα χρόνια ακόμη
η καλλονή του θα διαρκούσεν. Έπειτα
ίσως εκ νέου στον Σακκά να πήγαινε.
Κι αν εν τω μεταξύ απέθνησκεν ο γέρος,
πήγαινε σ' άλλου φιλοσόφου ή σοφιστού•
πάντοτε βρίσκεται κατάλληλος κανείς.

Ή τέλος, δυνατόν και στα πολιτικά
να επέστρεφεν αξιεπαίνως ενθυμούμενος
τες οικογενειακές του παραδόσεις,
το χρέος προς την πατρίδα, κι άλλα ηχηρά παρόμοια.

[1921]
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Konstantinos Kaváfis — 60 poemas, Seleção, Tradução e Apresentação de Trajano Vieira, edição bilíngüe, 2ª edição, 2018, Ateliê Editorial, Cotia — SP; Konstantinos Kaváfis (1863 1933), greco-otomano de Alexandria Egito, à época Império Otomano, foi poeta; ainda em sua primeira infância Kaváfis e família mudaram-se para Liverpool, no Reino Unido e, depois, retornou para Alexandria e ali viveu; teve seus primeiros versos escritos em inglês, e dominava também os idiomas francês e italiano, além do grego; em vida, o poeta não publicou nenhum livro, seus poemas foram distribuídos em feuilles volantes (folhas soltas) ou então divulgados em alguns veículos literários, entre os quais a revista ateniense Panathenea e o jornal de língua grega Hespera, editado em Leipzig, e também teve impressos dois opúsculos (o primeiro, em 1904, com dezesseis folhas, e o segundo, com vinte e quatro); já postumamente, em 1935, através de seus amigos e herdeiros literários Aleko e Rika Singopoulos, editou-se um livro contendo 154 poemas, os considerados canônicos, e cujo conteúdo constituía basicamente de uma coletânea das diversas feuilles volantes anteriormente divulgadas; o poeta deixou-nos outros textos, inéditos, inacabados ou repudiados, os quais não fizeram parte da edição de 1935.

sexta-feira, 14 de maio de 2021

Konstantinos Kaváfis: Vamos, rei lacedemônio!

 
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[traduzido por Trajano Vieira]

Cratesicleia vetava que a vissem
chorosa, lamentando-se.
Passava altiva e ensimesmada.
Traço algum de rancor e angustia
no semblante imperturbável.
Num só instante baqueia:
no pré-embarque no navio nefasto rumo a Alexandria,
conduziu o filho ao santuário de Poseidon
e, solitários, o estreitou,
beijou-o, "triturado pela dor",
na frase de Plutarco, "totalmente devastado."
Mas era dama de fibra,
e, reaprumando-se, notável,
volta-se para Cleômenes: "Vamos, rei
lacedemônio! Ninguém nos vislumbre, à saída,
sorumbáticos.
Seria denegrir Esparta.
Isso depende só de nós,
já o destino é o dâimon quem nos brinda."

E, a bordo do navio, buscou o "nos brinda".

[1929]

K. Kaváfis

ΆΓΕ, Ω ΒΑΣΙΛΕΥ ΛΑΚΕΔΑΙΜΟΝΙΩΝ

Δεν καταδέχονταν η Κρατησίκλεια
ο κόσμος να την δει να κλαίει και να θρηνεί•
και μεγαλοπρεπής εβάδιζε και σιωπηλή.
Τίποτε δεν απόδειχνε η ατάραχη μορφή της
απ' τον καϋμό και τα τυράννια της.
Μα όσο και νάναι μια στιγμή δεν βάσταξε•
και πριν στο άθλιο πλοίο μπει να πάει στην Αλεξάνδρεια,
πήρε τον υιό της στον ναό του Ποσειδώνος,
και μόνοι σαν βρεθήκαν τον αγκάλιασε
και τον ασπάζονταν, «διαλγούντα», λέγει
ο Πλούταρχος, «και συντεταραγμένον».
Όμως ο δυνατός της χαρακτήρ επάσχισε•
και συνελθούσα η θαυμασία γυναίκα
είπε στον Κλεομένη «Άγε, ω βασιλεύ
Λακεδαιμονίων, όπως, επάν έξω
γενώμεθα, μηδείς ίδη δακρύοντας
ημάς μηδέ ανάξιόν τι της Σπάρτης
ποιούντας. Τούτο γαρ εφ' ημίν μόνον•
αι τύχαι δε, όπως αν ο δαίμων διδώ, πάρεισι.»

Και μες στο πλοίο μπήκε, πηαίνοντας προς το «διδώ».

[1929]
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Konstantinos Kaváfis — 60 poemas, Seleção, Tradução e Apresentação de Trajano Vieira, edição bilíngüe, 2ª edição, 2018, Ateliê Editorial, Cotia — SP; Konstantinos Kaváfis (1863 1933), greco-otomano de Alexandria Egito, à época Império Otomano, foi poeta; ainda em sua primeira infância Kaváfis e família mudaram-se para Liverpool, no Reino Unido e, depois, retornou para Alexandria e ali viveu; teve seus primeiros versos escritos em inglês, e dominava também os idiomas francês e italiano, além do grego; em vida, o poeta não publicou nenhum livro, seus poemas foram distribuídos em feuilles volantes (folhas soltas) ou então divulgados em alguns veículos literários, entre os quais a revista ateniense Panathenea e o jornal de língua grega Hespera, editado em Leipzig, e também teve impressos dois opúsculos (o primeiro, em 1904, com dezesseis folhas, e o segundo, com vinte e quatro); já postumamente, em 1935, através de seus amigos e herdeiros literários Aleko e Rika Singopoulos, editou-se um livro contendo 154 poemas, os considerados canônicos, e cujo conteúdo constituía basicamente de uma coletânea das diversas feuilles volantes anteriormente divulgadas; o poeta deixou-nos outros textos, inéditos, inacabados ou repudiados, os quais não fizeram parte da edição de 1935.

terça-feira, 4 de maio de 2021

Konstantinos Kaváfis: As janelas

 
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[traduzido por Trajano Vieira]

No escuro do habitáculo eu passo
a depressão dos dias e meus passos
buscam janelas. Quando abrir-se uma
delas, peço ao fulgor que me consuma.
Mas a janela não há, ou não consigo
vê-la. Que fique ausente, a sós, consigo!
Talvez a luz tão-só renove a dor.
Quem sabe a nova que ela irá me impor?

[1903]

K. Kaváfis

ΤΑ ΠΑΡΑΘΥΡΑ

Σ' αυτές τες σκοτεινές κάμαρες, που περνώ
μέρες βαρυές, επάνω κάτω τριγυρνώ
για νάβρω τα παράθυρα.  Οταν ανοίξει
ένα παράθυρο θάναι παρηγορία. 
Μα τα παράθυρα δεν βρίσκονται, ή δεν μπορώ
να τάβρω. Και καλλίτερα ίσως να μην τα βρω.
Ίσως το φως θάναι μια νέα τυραννία.
Ποιός ξέρει τι καινούργια πράγματα θα δείξει.

[1903]
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Konstantinos Kaváfis — 60 poemas, Seleção, Tradução e Apresentação de Trajano Vieira, edição bilíngüe, 2ª edição, 2018, Ateliê Editorial, Cotia — SP; Konstantinos Kaváfis (1863 1933), greco-otomano de Alexandria Egito, à época Império Otomano, foi poeta; ainda em sua primeira infância Kaváfis e família mudaram-se para Liverpool, no Reino Unido e, depois, retornou para Alexandria e ali viveu; teve seus primeiros versos escritos em inglês, e dominava também os idiomas francês e italiano, além do grego; em vida, o poeta não publicou nenhum livro, seus poemas foram distribuídos em feuilles volantes (folhas soltas) ou então divulgados em alguns veículos literários, entre os quais a revista ateniense Panathenea e o jornal de língua grega Hespera, editado em Leipzig, e também teve impressos dois opúsculos (o primeiro, em 1904, com dezesseis folhas, e o segundo, com vinte e quatro); já postumamente, em 1935, através de seus amigos e herdeiros literários Aleko e Rika Singopoulos, editou-se um livro contendo 154 poemas, os considerados canônicos, e cujo conteúdo constituía basicamente de uma coletânea das diversas feuilles volantes anteriormente divulgadas; o poeta deixou-nos outros textos, inéditos, inacabados ou repudiados, os quais não fizeram parte da edição de 1935.

quinta-feira, 22 de abril de 2021

Konstantinos Kaváfis: Hegêmone da Líbia Ocidental

 
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[traduzido por Trajano Vieira]

Nos dez dias de sua estada em Alexandria,
deixou impressão positiva
o hegêmone da Líbia ocidental,
Aristômenes, filho de Menelau.
Com suas vestes combinava o nome: ambos discretos, à grega.
Não era um perquiridor de honrarias,
as quais, modesto, acolhia satisfeito.
Seu dispêndio concentrava em bibliografia grega,
no campo historiográfico e filosófico.
Era um sujeito de poucas palavras.
Cogitavam da profundeza de suas reflexões,
gente assim não é de abrir a boca.

Não eram profundas suas reflexões ou coisa que o valha.
Tratava-se de um ente corriqueiro, ridículo.
Assumiu denominação grega, indumentária grega,
absorveu aqui e ali certas posturas gregas;
sua ânima se pelava de medo
com a eventual reversão
da impressão positiva,
caso escorregasse no grego, com grotescos barbarismos,
e os alexandrinos, como de hábito,
seres abomináveis,
zombassem dele.

Esse o motivo de sua continência verbal,
obcecado, trêmulo, com declinações e prosódia.
Aporrinhava-o o fato de ecoar, reprimida,
dentro de si,
a profusão de vozes.

[1928]


ΗΓΕΜΏΝ ΕΚ ΔΥΤΙΚΉΣ ΛΙΒΎΗΣ

Άρεσε γενικώς στην Αλεξάνδρεια,
τες δέκα μέρες που διέμεινεν αυτού,
ο ηγεμών εκ Δυτικής Λιβύης
Αριστομένης, υιός του Μενελάου.
Ως τ' όνομά του, κ' η περιβολή, κοσμίως, ελληνική.
Δέχονταν ευχαρίστως τες τιμές, αλλά
δεν τες επιζητούσεν• ήταν μετριόφρων.
Αγόραζε βιβλία ελληνικά,
ιδίως ιστορικά και φιλοσοφικά.
Προ πάντων δε άνθρωπος λιγομίλητος.
Θάταν βαθύς στες σκέψεις, διεδίδετο,
κ' οι τέτοιοι τόχουν φυσικό να μη μιλούν πολλά.

Μήτε βαθύς στες σκέψεις ήταν, μήτε τίποτε.
Ένας τυχαίος, αστείος άνθρωπος.
Πήρε όνομα ελληνικό, ντύθηκε σαν τους Έλληνας,
έμαθ' επάνω, κάτω σαν τους Έλληνας να φέρεται•
κ' έτρεμεν η ψυχή του μη τυχόν
χαλάσει την καλούτσικην εντύπωσι
μιλώντας με βαρβαρισμούς δεινούς τα ελληνικά,
κ' οι Αλεξανδρινοί τον πάρουν στο ψιλό,
ως είναι το συνήθειο τους, οι απαίσιοι.

Γι' αυτό και περιορίζονταν σε λίγες λέξεις,
προσέχοντας με δέος τες κλίσεις και την προφορά•
κ' έπληττεν ουκ ολίγον έχοντας
κουβέντες στοιβαγμένες μέσα του.

[1928]
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Konstantinos Kaváfis — 60 poemas, Seleção, Tradução e Apresentação de Trajano Vieira, edição bilíngüe, 2ª edição, 2018, Ateliê Editorial, Cotia — SP; Konstantinos Kaváfis (1863 1933), greco-otomano de Alexandria Egito, à época Império Otomano, foi poeta; ainda em sua primeira infância Kaváfis e família mudaram-se para Liverpool, no Reino Unido e, depois, retornou para Alexandria e ali viveu; teve seus primeiros versos escritos em inglês, e dominava também os idiomas francês e italiano, além do grego; em vida, o poeta não publicou nenhum livro, seus poemas foram distribuídos em feuilles volantes (folhas soltas) ou então divulgados em alguns veículos literários, entre os quais a revista ateniense Panathenea e o jornal de língua grega Hespera, editado em Leipzig, e também teve impressos dois opúsculos (o primeiro, em 1904, com dezesseis folhas, e o segundo, com vinte e quatro); já postumamente, em 1935, através de seus amigos e herdeiros literários Aleko e Rika Singopoulos, editou-se um livro contendo 154 poemas, os considerados canônicos, e cujo conteúdo constituía basicamente de uma coletânea das diversas feuilles volantes anteriormente divulgadas; o poeta deixou-nos outros textos, inéditos, inacabados ou repudiados, os quais não fizeram parte da edição de 1935.

domingo, 28 de março de 2021

Konstantinos Kaváfis: Lápide de Lísias, o gramático

 
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[traduzido por Trajano Vieira]

Alguns passos à destra, quando adentras na biblioteca
de Berito, foi onde enterramos Lísias, o sábio
gramático. Inexiste espaço mais propício.
Depusemo-lo próximo ao que rememora (quem sabe?)
em seu retiro: escólios, infólios, escrituras,
grafias, fascículos prolíficos em hermenêutica
helênica. Outra vantagem: rendemos loas à visão de sua lápide,
ao nos encaminharmos para os livros.

[1914]

K. Kaváfis

ΛΥΣΙΟΥ ΓΡΑΜΜΑΤΙΚΟΥ ΤΑΦΟΣ

Πλησιέστατα, δεξιά που μπαίνεις, στην βιβλιοθήκη
της Βηρυτού θάψαμε τον σοφό Λυσία,
γραμματικόν. Ο χώρος κάλλιστα προσήκει.
Τον θέσαμε κοντά σ' αυτά του που θυμάται
ίσως κ' εκεί  σχόλια, κείμενα, τεχνολογία,
γραφές, εις τεύχη ελληνισμών πολλή ερμηνεία.
Κ' επίσης έτσι από μας θα βλέπεται και θα τιμάται
ο τάφος του, όταν που περνούμε στα βιβλία.

[1914]
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Konstantinos Kaváfis — 60 poemas, Seleção, Tradução e Apresentação de Trajano Vieira, edição bilíngüe, 2ª edição, 2018, Ateliê Editorial, Cotia — SP; Konstantinos Kaváfis (1863 1933), greco-otomano de Alexandria Egito, à época Império Otomano, foi poeta; ainda em sua primeira infância Kaváfis e família mudaram-se para Liverpool, no Reino Unido e, depois, retornou para Alexandria e ali viveu; teve seus primeiros versos escritos em inglês, e dominava também os idiomas francês e italiano, além do grego; em vida, o poeta não publicou nenhum livro, seus poemas foram distribuídos em feuilles volantes (folhas soltas) ou então divulgados em alguns veículos literários, entre os quais a revista ateniense Panathenea e o jornal de língua grega Hespera, editado em Leipzig, e também teve impressos dois opúsculos (o primeiro, em 1904, com dezesseis folhas, e o segundo, com vinte e quatro); já postumamente, em 1935, através de seus amigos e herdeiros literários Aleko e Rika Singopoulos, editou-se um livro contendo 154 poemas, os considerados canônicos, e cujo conteúdo constituía basicamente de uma coletânea das diversas feuilles volantes anteriormente divulgadas; o poeta deixou-nos outros textos, inéditos, inacabados ou repudiados, os quais não fizeram parte da edição de 1935.

domingo, 7 de março de 2021

Konstantinos Kaváfis: Num demo da Ásia Menor

 
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[traduzido por Trajano Vieira]

A novidade sobre o desenlace da guerra naval em Áccio
nos pegara de surpresa.
Mas é ociosa a redução de um texto diverso.
Basta a alteração do nome. No desfecho,
em lugar de “Tendo poupado Roma de Otávio,
o funesto,
um César com um quê de paródico”,
inscrevemos “Tendo poupado Roma de Antônio,
o funesto.”
O teor continua válido.

“Ao arrebatador, ao número um,
ao indobrável em toda e qualquer rusga,
ao ínclito realizador no campo da política,
a Antônio, em que nosso demo
depositava todas as esperanças”,
nesse ponto, como o dissemos, o câmbio: “ao César,
verdadeira premiação de Zeus,
à muralha inquebrantável para os gregos,
a quem propugna, gentil, o estilo de vida grego,
ao queridíssimo em todos os quadrantes gregos,
ao mais qualificado para os louvores rútilos
(incluindo delongas narrativas de seus prodígios),
em língua grega (prosa e poesia),
em língua grega (sinônimo de renome)”
etc., etc. E tudo fica nos conformes.

[1926]


ΕΝ ΔΗΜΩ ΤΗΣ ΜΙΚΡΑΣ ΑΣΙΑΣ

Η ειδήσεις για την έκβασι της ναυμαχίας, στο Άκτιον,
ήσαν βεβαίως απροσδόκητες.
Αλλά δεν είναι ανάγκη να συντάξουμε νέον έγγραφον.
Τ' όνομα μόνον ν' αλλαχθεί. Αντίς, εκεί
στες τελευταίες γραμμές, «Λυτρώσας τους Ρωμαίους
απ' τον ολέθριον Οκτάβιον,
τον δίκην παρωδίας Καίσαρα,»
τώρα θα βάλουμε «Λυτρώσας τους Ρωμαίους
απ' τον ολέθριον Αντώνιον».
Όλο το κείμενον ταιριάζει ωραία.

« Στον νικητήν, τον ενδοξότατον,
τον εν παντί πολεμικώ έργω ανυπέρβλητον,
τον θαυμαστόν επί μεγαλουργία πολιτική,
υπέρ του οποίου ενθέρμως εύχονταν ο δήμος•
την επικράτησι του Αντωνίου»
εδώ, όπως είπαμεν, η αλλαγή: «του Καίσαρος
ως δώρον του Διός κάλλιστον θεωρών 
στον κραταιό προστάτη των Ελλήνων,
τον έθη ελληνικά ευμενώς γεραίροντα,
τον προσφιλή εν πάση χώρα ελληνική,
τον λίαν ενδεδειγμένον για έπαινο περιφανή,
και για εξιστόρησι των πράξεών του εκτενή
εν λόγω ελληνικώ κ' εμμέτρω και πεζώ•
εν λόγω ελληνικώ  που είν' ο φορεύς της φήμης,»
και τα λοιπά, και τα λοιπά. Λαμπρά ταιριάζουν όλα.

[1926]
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Konstantinos Kaváfis — 60 poemas, Seleção, Tradução e Apresentação de Trajano Vieira, edição bilíngüe, 2ª edição, 2018, Ateliê Editorial, Cotia — SP; Konstantinos Kaváfis (1863 1933), greco-otomano de Alexandria Egito, à época Império Otomano, foi poeta; ainda em sua primeira infância Kaváfis e família mudaram-se para Liverpool, no Reino Unido e, depois, retornou para Alexandria e ali viveu; teve seus primeiros versos escritos em inglês, e dominava também os idiomas francês e italiano, além do grego; em vida, o poeta não publicou nenhum livro, seus poemas foram distribuídos em feuilles volantes (folhas soltas) ou então divulgados em alguns veículos literários, entre os quais a revista ateniense Panathenea e o jornal de língua grega Hespera, editado em Leipzig, e também teve impressos dois opúsculos (o primeiro, em 1904, com dezesseis folhas, e o segundo, com vinte e quatro); já postumamente, em 1935, através de seus amigos e herdeiros literários Aleko e Rika Singopoulos, editou-se um livro contendo 154 poemas, os considerados canônicos, e cujo conteúdo constituía basicamente de uma coletânea das diversas feuilles volantes anteriormente divulgadas; o poeta deixou-nos outros textos, inacabados, inéditos ou repudiados, os quais não fizeram parte da edição de 1935.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2021

Konstantinos Kaváfis: Desejos & Fui

 
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[traduzidos por Trajano Vieira]

Desejos

Feito os corpos que morrem juvenis e belos,
chorados à clausura de um mausoléu magno,
com pétalas à testa, com jasmim nos pés,
assim transcorrem os desejos que abortam,
alheios à volúpia de uma noite única,
ao rútilo clarão do seu amanhecer.

[1904]
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Fui

Não me retive. Abri-me inteiro e fui.
À voluptuosidade, real às vezes,
concretizada às vezes em meu cérebro,
fui, no luzidio pleno de uma noite.
Goles de vinhos encorpados, como sói ser
com quem desteme o prazeroso.

[1913]

K. Kaváfis

ΕΠΙΘΥΜΊΕΣ

Σαν σώματα ωραία νεκρών που δεν εγέρασαν
και τάκλεισαν, με δάκρυα, σε μαυσωλείο λαμπρό,
με ρόδα στο κεφάλι και στα πόδια γιασεμιά 
έτσ' οι επιθυμίες μοιάζουν που επέρασαν
χωρίς να εκπληρωθούν• χωρίς ν' αξιωθεί καμιά
της ηδονής μια νύχτα, ή ένα πρωί της φεγγερό.

[1904]
__________
ΕΠΉΓΑ

Δεν εδεσμεύθηκα. Τελείως αφέθηκα κ' επήγα.
Στες απολαύσεις, που μισό πραγματικές,
μισό γυρνάμενες μες στο μυαλό μου ήσαν,
επήγα μες στην φωτισμένη νύχτα.
Κ' ήπια από δυνατά κρασιά, καθώς
που πίνουν οι ανδρείοι της ηδονής.

[1913]
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Konstantinos Kaváfis — 60 poemas, Seleção, Tradução e Apresentação de Trajano Vieira, edição bilíngüe, 2ª edição, 2018, Ateliê Editorial, Cotia — SP; Konstantinos Kaváfis (1863 1933), greco-otomano de Alexandria Egito, à época Império Otomano, foi poeta; ainda em sua primeira infância Kaváfis e família mudaram-se para Liverpool, no Reino Unido e, depois, retornou para Alexandria e ali viveu; teve seus primeiros versos escritos em inglês, e dominava também os idiomas francês e italiano, além do grego; em vida, o poeta não publicou nenhum livro, seus poemas foram distribuídos em feuilles volantes (folhas soltas) ou então divulgados em alguns veículos literários, entre os quais a revista ateniense Panathenea e o jornal de língua grega Hespera, editado em Leipzig, e também teve impressos dois opúsculos (o primeiro, em 1904, com dezesseis folhas, e o segundo, com vinte e quatro); já postumamente, em 1935, através de seus amigos e herdeiros literários Aleko e Rika Singopoulos, editou-se um livro contendo 154 poemas, os considerados canônicos, e cujo conteúdo constituía basicamente de uma coletânea das diversas feuilles volantes anteriormente divulgadas; o poeta deixou-nos outros textos, inéditos, inacabados ou repudiados, os quais não fizeram parte da edição de 1935.