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[traduzido por Trajano Vieira]
Um menino avança, a vista fixa
no ocaso
Era o caso de um amarelo
insuperável.
Até a neve do posto Tver
amarelava.
Ninguém por perto e o menino
segue.
Num ato, da ação
arreda
o passo.
Na mão
da seda —
o aço.
O pôr-do-sol olha por uma hora
a renda que atrás dele se
enredara.
A neve crispante roía as
rótulas.
Por que?
Para quê?
Para quem?
Ventoladro — o garoto era checado.
O bilhete passa seu direito ao
vento
que pára pra ligar do parque
Pedro:
—
Adeus...
Tudo acabado...
Que ninguém seja culpado...
[suplemento dominical de cultura] Folhetim*, 27.07.86
Романс
Мальчик шёл, в закат
глаза уставя.
Был закат непревзойдимо жёлт.
Даже снег желтел к Тверской заставе.
Ничего не видя, мальчик
шёл.
Шёл,
вдруг
встал.
В шёлк
рук
сталь.
С час закат смотрел,
глаза уставя,
за мальчишкой лёгшую
кайму.
Снег хрустя разламывал
суставы.
Для чего?
Зачем?
Кому?
Был вором-ветром мальчишка
обыскан.
Попала ветру мальчишки
записка.
Стал ветер Петровскому парку
звонить:
— Прощайте…
Кончаю…
Прошу не винить…
[1923]
* Nota do blogue Verso e Conversa: o atrevidíssimo aprendiz
de blogueiro desta página registra que Folhetim foi um suplemento
dominical de cultura do jornal Folha de São Paulo; criado e dirigido por
Tarso de Castro (1941 — 1991), trazia como objetivo inicial ser um “caderno de
leitura e humor” e, com linha editorial e estrutura modificadas através do
tempo, circulou entre 1977 e 1989; o jornalista Tarso de Castro também foi um
dos fundadores do semanário Pasquim, periódico de origem carioca.
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Folhetim: Poemas traduzidos [vários poetas e tradutores], Organização de
Matinas Susuki Jr. e Nelson Ascher e Apresentação de Matinas Susuki Jr., 1987, Edições
Folha de São Paulo, São Paulo — SP; Vladímir Vladimirovitch Maiakóvski (1893 — 1930),
nascido em Baghdati, Geórgia (Império Russo), considerado um dos expoentes da poesia
do século XX, foi poeta, dramaturgo e teórico; aos 15 anos de idade filiou-se ao
partido bolchevique, foi preso algumas vezes e “no cárcere começou a escrever poemas
e se dedicou à leitura de romances e poesia russa”; seu primeiro poema, Noite, data
de 1912; em 1911, iniciava seus estudos na Escola de Pintura, Escultura e Arquitetura
de Moscou e, aluno, fez parte do grupo artístico fundador do então chamado cubo-futurismo
russo, tornando-se “célebre por sua atitude irreverente e por suas polêmicas”; em
1914, o poeta sofreu expulsão da escola, “por sua ligação com o movimento futurista”;
após serem expulsos, ele e outros alunos do grupo, viajaram pela Rússia objetivando
difundir suas concepções artísticas; em 1915, em temporada na Finlândia, concluiu
Nuvem de calças, o primeiro de seus poemas longos, tal obra o consagrou em definitivo
entre seus pares e no ambiente literário russo; teve presença ativa no movimento
revolucionário russo de 1917; durante a Guerra Civil, o poeta dedicou-se a criar desenhos
e legendas para cartazes de propaganda e, no início do novo Estado, exaltou campanhas
sanitárias, fez publicidade de produtos diversos, etc.; participou ativamente de
conferências, recitais e debates; colaborou com os jornais Izvestia, Pravda, O Trabalho,
com seus textos sendo divulgados diariamente em jornais e revistas; em 1923, fundou
a revista LEF (de Liévi Front, Frente de Esquerda), na qual agrupava escritores
e artistas com a intenção de aliar a forma revolucionária a um conteúdo de renovação
social; por razões estéticas, e na defesa de suas concepções artístico-literárias,
polemizou com outros grupos de intelectuais e também com a burocracia do governo
que se iniciava; suas obras: livros de poesia, de viagens e memórias, A Flauta Vertebrada
(1915), A Nuvem de Calças (1916), O Homem (1917), Guerra e Paz (1918), 150 Milhões
(1920), Amo (1922), Sobre Isto (1923), Lênin (1925), Muito Bem! (1927), A Plenos
pulmões (1930), longos poemas líricos e épicos, cada qual formando, por si só, um
livro; para o teatro, publicou Eu (1913), O Mistério Bufo (1921), O Percevejo (1928),
O Banho (1929), e tantos outros textos, além de trabalhos para circo, argumentos
para cinema e mais de mil páginas de poesia para crianças; suicidou-se em 14 de
abril de 1930.















