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sábado, 27 de janeiro de 2024

Jean Richepin: A Torre de Babel


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[traduzido por Wenceslau de Queiroz]

Mais alto! ainda mais alto! estes altos pilares
ergamos! Torres sobre torres! Nos espaços,
terraços colossais sobre vastos terraços
percam de vista, em cima e ao longe, a terra e os mares!

Toquemos com a mão os constelados passos!
Mais arcarias! mais paredes aos milhares!
Subamos sempre! até que lá no azul dos ares
deixemos o sinal firme dos nossos passos...

Mas em vão nosso orgulho, armado de paciência,
a torre de Babel em construir persiste,
criando a Religião, a Arte, a Indústria, a Ciência...

Em vão! porque essa torre, instável como a bruma,
não passa de ilusão que só na mente existe,
e o céu nos foge... o céu se afasta... o céu se esfuma...

Jean Richepin

La Tour de Babel

Plus haut! Dressons toujours plus haut ces hauts piliers!
Après les tours, encor des tours! Sur la terrasse,
Des terrasses! Vieux ciel dont l'infini m'embrasse,
Déjà ma main t'insulte en gestes familiers.

Des rampes, des arceaux, des piliers par milliers!
Plus haut! Montons toujours! Chaque homme! Chaque race!
Et bientôt! Ton verra pour y laisser leur trace
Sur la vitre d'azur les clous de nos souliers.

Mais en vain notre orgueil armé de patience
Entasse sans repos et l'art et la science.
A mesure que nous montons, le ciel s'enfuit!

Et nous retombons las, vaincus, meurtris, exsangues,
Sous Babel qui s'écroule et sous horrible nuit
Où nous nous égorgeons dans le chaos des langues.
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O Mundo Maravilhoso do Soneto, de Vasco de Castro Lima [inúmeros sonetistas e tradutores], Prefácio de Rangel Coelho, 1987, Livraria Freitas Bastos S/A, Rio de Janeiro — RJ; Auguste-Jules Richepin, ou Jean Richepin (1849 1926), franco-argelino nascido em Medeia Argélia, à época departamento francês no norte da África, diplomou-se em Literatura na École Normale Supérieure, foi poeta, romancista, dramaturgo, marinheiro, porteiro, professor...; frequentador do Quartier Latin a Montmartre, bairros parisienses, sua vida boêmia e marginal acabou por inspirá-lo na criação das primeiras e provocativas poesias, as quais, já na estréia com sua obra La chanson de Gueux (poemas, 1876), tal como o ocorrido com Baudelaire (na publicação de Fleurs du Mal), lhe renderam uma condenação à prisão, além do pagamento de 600 francos de multa, pelo fato de alguns dos poemas terem sido considerados ofensivos e terem causado escândalo social; suas obras: coleções de poemas: Les Caresses, Les Blasphemes, La Mer, Mes Paradis, romances: Les Etapes d’un refractaire, La Glu, Miarka, la fille à l’ nossos, Les braves gens, Césarine, Les Grandes amours, e peças teatrais: Nana Sahib e Le Chemineau, etc.; colaborou em vários jornais, pertenceu à Académie Française (Academia Francesa); o poeta, um “viajante incansável”, andejou por Londres, viajou pela Itália, Espanha, Alemanha, Escandinávia, Norte da África, ocasiões em que proferia conferências e redigia artigos para a imprensa parisiense.