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quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

Jorge Luis Borges: Paseo de Julio

 
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[traduzido por Josely Vianna Baptista]

Juro que foi sem pensar que voltei à rua
da alta feira repetida como um espelho,
das grelhas com a trança de carne dos Corrales,
da prostituição oculta pelo mais distinto: a música.

Porto mutilado sem mar, afunilado bafo salobre,
ressaca que aderiste à terra: Paseo de Julio,
embora minhas lembranças, antigas até a ternura, te saibam
nunca te senti pátria.

Só guardo de ti uma deslumbrada ignorância,
uma incerta propriedade como a dos pássaros no ar,
mas meu verso é de interrogação e de prova
e para obedecer ao entrevisto.

Bairro com lucidez de pesadelo ao pé dos outros,
teus espelhos curvos denunciam o lado feio dos rostos,
tua noite aquecida em bordéis pende da cidade.

És a perdição forjando um mundo
com os reflexos e a deformação deste;
sofres de caos, adoeces de irrealidade,
te empenhas em jogar com cartas marcadas a vida;
teu álcool move pelejas,
tuas adivinhas manuseiam invejosos livros de magia.

Por ser vazio o inferno
será espúria tua própria fauna de monstros
e a sereia prometida por esse cartaz morta e de cera?

Tens a terrível inocência
da resignação, do amanhecer, do conhecimento,
a do espírito não purificado, apagado
pelos dias do destino,
que ora branco de muitas luzes, ora ninguém,
só cobiça o presente, o atual, como os homens velhos.

Atrás dos muros de meu subúrbio, as carroças rudes
rezarão com os varais em riste para seu impossível deus de ferro e de
pó,
mas, que deus, que ídolo, que veneração a tua, Paseo de Julio?

Tua vida fez um pacto com a morte;
toda felicidade, só de existir, já te é adversa.

(Caderno San Martín — 1929)

Jorge Luis Borges

El paseo de Julio

Juro que no por deliberación he vuelto a la calle
de alta recova repetida como un espejo,
de parrillas con la trenza de carne de los Corrales,
de prostitución encubierta por lo más distinto: la música.

Puerto mutilado sin mar, encajonada racha salobre,
resaca que te adheriste a la tierra: Paseo de Julio,
aunque recuerdos míos, antiguos hasta la ternura, te sepan,
nunca te sentí patria.

Sólo poseo de ti una deslumbrada ignorancia,
una insegura propiedad como la de los pájaros en el aire,
pero mi verso es de interrogación y de prueba
y para obedecer lo entrevisto.

Barrio con lucidez de pesadilla al pie de los otros,
tus espejos curvos denuncian el lado de fealdad de las caras,
tu noche calentada en lupanares pende de la ciudad.

Eres la perdición fraguándose un mundo
con los reflejos y las deformaciones del nuestro;
sufres de caos, adoleces de irrealidad,
te empeñas en jugar con naipes raspados la vida;
tu alcohol mueve peleas,
tus adivinhas interrogan envidiosos libros de magia.

¿Será porque el infierno es vacío
que es espuria tu misma fauna de monstruos
y la sirena prometida por ese cartel es muerta y de cera?

Tienes la inocencia terrible
de la resignación, del amanecer, del conocimiento,
la del espíritu no purificado, borrado
por los días del destino
y que ya blanco de muchas luces, ya nadie,
sólo codicia lo presente, lo actual, como los hombres viejos.

Detrás de los paredones de mi suburbio, los duros carros
rezarán con varas en alto a su imposible dios de hierro y de polvo,
pero, ¿qué dios, qué ídolo, qué veneración la tuya, Paseo de Julio?

Tu vida pacta con la muerte;
toda felicidad, con sólo existir, te es adversa.

(Cuaderno San Martín — 1929)
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Primeira poesia: Jorge Luis Borges, traduzido por Josely Vianna Baptista, edição bilíngue, 1ª reimpressão, 2005, Companhia das Letras, São Paulo — SP; Jorge Francisco Isidoro Luis Borges Acevedo (1899 1986), argentino de Buenos Aires, aprendeu a língua inglesa com a avó paterna antes de falar espanhol, suas primeiras leituras se deram naquele idioma, foi poeta, contista, ficcionista, ensaísta, crítico literário, tradutor, professor universitário e bibliotecário; aos 9 anos de idade escreveu La Visera Fatal, seu primeiro conto “inspirado em episódio da obra de Dom Quixote”; de 1914 a 1920, já com alfabetização bilíngue, viveu com a família na Europa, concluiu seus estudos secundários no Collège de Genève Suiça, ligou-se ao movimento altruísta literário de vanguarda na Espanha, de volta à Argentina, na década de 1920, publicou três livros de poesia e, a partir daí, deu início à publicação de seus contos, invariavelmente na revista Sur, a qual também editou seus livros de ficção; lecionou Literatura Inglesa na Universidade de Buenos Aires, trabalhou na Biblioteca Municipal Miguel Cané e dirigiu a Biblioteca Nacional; em 1956, já sendo proibido pelos oftalmologistas de ler e escrever, passou a conviver com a cegueira que, vindo de forma gradativa desde criança, se instalava em sua vida; suas obras: Fervor de Buenos Aires (poesia, 1923), Luna de enfrente (Lua defronte, poesia, 1925), Inquisiciones (ensaios, 1925), El idioma de los argentinos (ensaio, 1928), Cuaderno San Martín (Caderno San Martín, poesia, 1929), Evaristo Carriego (ensaio, 1930), Historia universal de la infamía (contos, 1935), Historia de la Eternidad (ensaios, 1936), Ficciones (contos, 1944), Nova refutação do tempo (ensaios, 1947), El Aleph (O Aleph, contos, 1949), A morte e a bússola (contos, 1951), El hacedor (1960), Para las seis cuerdas (1967), El oro de los tigres (1972), Elogio de la sombra (1969), Historia de la noche (1976), todos de poesia, e tantos outros títulos em verso e prosa, inclusive em traduções para mais de 35 idiomas; na publicação de seus textos, Jorge Luis Borges também fez uso de vários pseudônimos, entre os quais Alex Ander, Benjamín Beltrán, Andrés Corthis, Pascual Güida, Bernardo Haedo, José Tuntar, Honorio Bustos Domecq e Benito Suárez Linch; teve sua obra transferida para o cinema e a televisão, e também teve textos musicados pelo compositor e instrumentista Astor Piazzolla (Tangos & Milongas); Borges, mesmo cego, não deixou de produzir seus escritos, os quais eram ditados para María Kodama, sua ex-aluna, depois assistente literária e esposa; recebeu inúmeras premiações por sua obra.

sábado, 1 de novembro de 2025

Jorge Luis Borges: Para Francisco López Merino

 
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[traduzido por Josely Vianna Baptista]

Se te cobriste, por deliberada mão, de morte,
se tua vontade foi recusar todas as manhãs do mundo,
é inútil que palavras rejeitadas te solicitem,
predestinadas à impossibilidade e à derrota.

Só nos resta então
falar da desonra das rosas que não souberam demorar-te,
da afronta do dia que te permitiu o balaço e o fim.

O que nossa voz poderá opor
ao que a dissolução, a lágrima, o mármore confirmaram?
Mas há ternuras que nenhuma morte torna menores:
as íntimas, indecifráveis notícias que a música nos conta,
a pátria que condescende com figueiras e poço,
a gravitação do amor, que nos justifica.

Penso nelas e penso também, amigo escondido,
que talvez, com a imagem preferida, trabalhamos a morte,
que já a conhecias de sinos, menina e graciosa,
irmã de tua aplicada letra de colegial,
e que terias gostado de distrair-te nela como num sonho.

Se isto é verdade, e se quando o tempo nos deixa
permanece em nós um sedimento de eternidade, um gosto do mundo,
então tua morte é leve,
como os versos em que sempre estás nos esperando,
e assim não profanarão tua treva
essas amizades que invocam.

(Caderno San Martín — 1929)

Jorge Luis Borges

A Francisco López Merino

Si te cubriste, por deliberada mano, de muerte,
si tu voluntad fue rehusar todas las mañanas del mundo,
es inútil que palabras rechazadas te soliciten,
predestinadas a imposibilidad y a derrota.

Sólo nos queda entonces
decir el deshonor de las rosa que no supieron demorarte,
el oprobio del día que te permitió el balazo y el fin.

¿Qué sabrá oponer nuestra voz
a lo confirmado por la disolución, la lágrima, el mármol?
Pero hay ternuras que por ninguna muerte son menos:
las íntimas, indescifrables noticias que nos cuenta la música,
la patria que condesciende a higueras y aljibe,
la gravitación del amor, que nos justifica.

Pienso en ellas y pienso también, amigo escondido,
que tal vez a imagen de la predilección, obramos la muerte,
que la supiste de campanas, niña y graciosa,
hermana de tu aplicada letra de colegial,
y que hubieras querido distraerte en ella como en un sueño.

Si esto es verdad y si cuando el tiempo nos deja,
nos queda un sedimento de eternidad, un gusto del mundo,
entonces es ligera tu muerte,
como los versos en que siempre estás esperándonos,
entonces no profanarán tu tiniebla
estas amistades que invocan.

(Cuaderno San Martín — 1929)
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Primeira poesia: Jorge Luis Borges, traduzido por Josely Vianna Baptista, edição bilíngue, 1ª reimpressão, 2005, Companhia das Letras, São Paulo — SP; Jorge Francisco Isidoro Luis Borges Acevedo (1899 1986), argentino de Buenos Aires, aprendeu a língua inglesa com a avó paterna antes de falar espanhol, suas primeiras leituras se deram naquele idioma, foi poeta, contista, ficcionista, ensaísta, crítico literário, tradutor, professor universitário e bibliotecário; aos 9 anos de idade escreveu La Visera Fatal, seu primeiro conto “inspirado em episódio da obra de Dom Quixote”; de 1914 a 1920, já com alfabetização bilíngue, viveu com a família na Europa, concluiu seus estudos secundários no Collège de Genève Suiça, ligou-se ao movimento altruísta literário de vanguarda na Espanha, de volta à Argentina, na década de 1920, publicou três livros de poesia e, a partir daí, deu início à publicação de seus contos, invariavelmente na revista Sur, a qual também editou seus livros de ficção; lecionou Literatura Inglesa na Universidade de Buenos Aires, trabalhou na Biblioteca Municipal Miguel Cané e dirigiu a Biblioteca Nacional; em 1956, já sendo proibido pelos oftalmologistas de ler e escrever, passou a conviver com a cegueira que, vindo de forma gradativa desde criança, se instalava em sua vida; suas obras: Fervor de Buenos Aires (poesia, 1923), Luna de enfrente (Lua defronte, poesia, 1925), Inquisiciones (ensaios, 1925), El idioma de los argentinos (ensaio, 1928), Cuaderno San Martín (Caderno San Martín, poesia, 1929), Evaristo Carriego (ensaio, 1930), Historia universal de la infamía (contos, 1935), Historia de la Eternidad (ensaios, 1936), Ficciones (contos, 1944), Nova refutação do tempo (ensaios, 1947), El Aleph (O Aleph, contos, 1949), A morte e a bússola (contos, 1951), El hacedor (1960), Para las seis cuerdas (1967), El oro de los tigres (1972), Elogio de la sombra (1969), Historia de la noche (1976), todos de poesia, e tantos outros títulos em verso e prosa, inclusive em traduções para mais de 35 idiomas; na publicação de seus textos, Jorge Luis Borges também fez uso de vários pseudônimos, entre os quais Alex Ander, Benjamín Beltrán, Andrés Corthis, Pascual Güida, Bernardo Haedo, José Tuntar, Honorio Bustos Domecq e Benito Suárez Linch; teve sua obra transferida para o cinema e a televisão, e também teve textos musicados pelo compositor e instrumentista Astor Piazzolla (Tangos & Milongas); Borges, mesmo cego, não deixou de produzir seus escritos, os quais eram ditados para María Kodama, sua ex-aluna, depois assistente literária e esposa; recebeu inúmeras premiações por sua obra.

domingo, 5 de outubro de 2025

Jorge Luis Borges: Troféu

 
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[traduzido por Josely Vianna Baptista]

Como quem percorre uma costa
maravilhado com a profusão do mar,
com alvissaras de luz e de pródigo espaço,
eu fui o espectador de tua beleza
durante um longo dia.
Despedimo-nos ao anoitecer
e em paulatina solidão,
voltando pela rua cujos rostos ainda te conhecem,
curvou-se minha ventura, ao pensar
que de tão nobre acervo de memórias
mal-e-mal restariam uma ou duas
para serem o decoro da alma
na imortalidade de sua andança.

(Fervor de Buenos Aires — 1923)

Jorge Luis Borges

Trofeo

Como quien recorre uma costa
maravillado de la muchedumbre del mar,
albriciado de luz y pródigo espacio,
yo fui el espectador de tu hermosura
durante un largo día.
Nos despedimos al anochecer
y en gradual soledad
al vover por la calle cuyos rostros aún te conocen,
se oscureció mi dicha, pensando
que de tan noble acopio de memorias
perdurarían escasamente una o dos
para ser decoro del alma
en la inmortalidad de su andanza.

(Fervor de Buenos Aires — 1923)
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Primeira poesia: Jorge Luis Borges, traduzido por Josely Vianna Baptista, edição bilíngue, 1ª reimpressão, 2005, Companhia das Letras, São Paulo — SP; Jorge Francisco Isidoro Luis Borges Acevedo (1899 1986), argentino de Buenos Aires, aprendeu a língua inglesa com a avó paterna antes de falar espanhol, suas primeiras leituras se deram naquele idioma, foi poeta, contista, ficcionista, ensaísta, crítico literário, tradutor, professor universitário e bibliotecário; aos 9 anos de idade escreveu La Visera Fatal, seu primeiro conto “inspirado em episódio da obra de Dom Quixote”; de 1914 a 1920, já com alfabetização bilíngue, viveu com a família na Europa, concluiu seus estudos secundários no Collège de Genève Suiça, ligou-se ao movimento altruísta literário de vanguarda na Espanha, de volta à Argentina, na década de 1920, publicou três livros de poesia e, a partir daí, deu início à publicação de seus contos, invariavelmente na revista Sur, a qual também editou seus livros de ficção; lecionou Literatura Inglesa na Universidade de Buenos Aires, trabalhou na Biblioteca Municipal Miguel Cané e dirigiu a Biblioteca Nacional; em 1956, já sendo proibido pelos oftalmologistas de ler e escrever, passou a conviver com a cegueira que, vindo de forma gradativa desde criança, se instalava em sua vida; suas obras: Fervor de Buenos Aires (poesia, 1923), Luna de enfrente (Lua defronte, poesia, 1925), Inquisiciones (ensaios, 1925), El idioma de los argentinos (ensaio, 1928), Cuaderno San Martín (Caderno San Martín, poesia, 1929), Evaristo Carriego (ensaio, 1930), Historia universal de la infamía (contos, 1935), Historia de la Eternidad (ensaios, 1936), Ficciones (contos, 1944), Nova refutação do tempo (ensaios, 1947), El Aleph (O Aleph, contos, 1949), A morte e a bússola (contos, 1951), El hacedor (1960), Para las seis cuerdas (1967), El oro de los tigres (1972), Elogio de la sombra (1969), Historia de la noche (1976), todos de poesia, e tantos outros títulos em verso e prosa, inclusive em traduções para mais de 35 idiomas; na publicação de seus textos, Jorge Luis Borges também fez uso de vários pseudônimos, entre os quais Alex Ander, Benjamín Beltrán, Andrés Corthis, Pascual Güida, Bernardo Haedo, José Tuntar, Honorio Bustos Domecq e Benito Suárez Linch; teve sua obra transferida para o cinema e a televisão, e também teve textos musicados pelo compositor e instrumentista Astor Piazzolla (Tangos & Milongas); Borges, mesmo cego, não deixou de produzir seus escritos, os quais eram ditados para María Kodama, sua ex-aluna, depois assistente literária e esposa; recebeu inúmeras premiações por sua obra.

domingo, 31 de agosto de 2025

Jorge Luis Borges: Afterglow

 
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[traduzido por Josely Vianna Baptista]

O ocaso é sempre comovente
por mais pobre ou berrante que seja,
porém mais comovente ainda
é o fulgor desesperado e final
que enferruja a planície
quando o último sol mergulhou.
É doloroso manter essa luz tensa e diversa,
essa alucinação que impõe ao espaço
o medo unânime da sombra
e cessa de repente
quando notamos sua falsidade,
como cessam os sonhos
quando sabemos que sonhamos.

Jorge Luis Borges

Afterglow

Siempre es conmovedor el ocaso
por indigente o charro que sea,
pero más conmovedor todavía
es aquel brillo desesperado y final
que herrumbra la llanura
cuando el sol último se ha hundido.
Nos duele sostener esa luz tirante y distinta,
esa alucinación que impone al espacio
el unánime miedo de la sombra
y que cesa de golpe
cuando notamos su falsía,
como cesan los sueños
cuando sabemos que soñamos.

(Fervor de Buenos Aires — 1923)
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Primeira poesia: Jorge Luis Borges, traduzido por Josely Vianna Baptista, edição bilíngue, 1ª reimpressão, 2005, Companhia das Letras, São Paulo — SP; Jorge Francisco Isidoro Luis Borges Acevedo (1899 1986), argentino de Buenos Aires, aprendeu a língua inglesa com a avó paterna antes de falar espanhol, suas primeiras leituras se deram naquele idioma, foi poeta, contista, ficcionista, ensaísta, crítico literário, tradutor, professor universitário e bibliotecário; aos 9 anos de idade escreveu La Visera Fatal, seu primeiro conto “inspirado em episódio da obra de Dom Quixote”; de 1914 a 1920, já com alfabetização bilíngue, viveu com a família na Europa, concluiu seus estudos secundários no Collège de Genève Suiça, ligou-se ao movimento altruísta literário de vanguarda na Espanha, de volta à Argentina, na década de 1920, publicou três livros de poesia e, a partir daí, deu início à publicação de seus contos, invariavelmente na revista Sur, a qual também editou seus livros de ficção; lecionou Literatura Inglesa na Universidade de Buenos Aires, trabalhou na Biblioteca Municipal Miguel Cané e dirigiu a Biblioteca Nacional; em 1956, já sendo proibido pelos oftalmologistas de ler e escrever, passou a conviver com a cegueira que, vindo de forma gradativa desde criança, se instalava em sua vida; suas obras: Fervor de Buenos Aires (poesia, 1923), Luna de enfrente (Lua defronte, poesia, 1925), Inquisiciones (ensaios, 1925), El idioma de los argentinos (ensaio, 1928), Cuaderno San Martín (Caderno San Martín, poesia, 1929), Evaristo Carriego (ensaio, 1930), Historia universal de la infamía (contos, 1935), Historia de la Eternidad (ensaios, 1936), Ficciones (contos, 1944), Nova refutação do tempo (ensaios, 1947), El Aleph (O Aleph, contos, 1949), A morte e a bússola (contos, 1951), El hacedor (1960), Para las seis cuerdas (1967), El oro de los tigres (1972), Elogio de la sombra (1969), Historia de la noche (1976), todos de poesia, e tantos outros títulos em verso e prosa, inclusive em traduções para mais de 35 idiomas; na publicação de seus textos, Jorge Luis Borges também fez uso de vários pseudônimos, entre os quais Alex Ander, Benjamín Beltrán, Andrés Corthis, Pascual Güida, Bernardo Haedo, José Tuntar, Honorio Bustos Domecq e Benito Suárez Linch; teve sua obra transferida para o cinema e a televisão, e também teve textos musicados pelo compositor e instrumentista Astor Piazzolla (Tangos & Milongas); Borges, mesmo cego, não deixou de produzir seus escritos, os quais eram ditados para María Kodama, sua ex-aluna, depois assistente literária e esposa; recebeu inúmeras premiações por sua obra.

quarta-feira, 2 de julho de 2025

Jorge Luis Borges: Uma despedida

 
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[traduzido por Josely Vianna Baptista]

Tarde que solapou nosso adeus.
Tarde afiada e prazerosa e monstruosa como um anjo obscuro.
Tarde em que viveram nossos lábios na intimidade nua dos beijos.
O tempo inevitável transbordava sobre o abraço inútil.
Juntos dissipávamos paixão, não para nós, mas para a solidão já
próxima.
A luz nos afastou; a noite chegara de repente.
Fomos até o portão com a seriedade da sombra que agora uma estrela
atenua.
Como quem volta de um prado perdido eu voltei de teu abraço.
Como quem volta de um país de espadas eu voltei de tuas lágrimas.
Tarde que dura vívida como um sonho entre as outras tardes.
Depois fui alcançando e ultrapassando noites e singraduras.

(Lua defronte — 1925)

Jorge Luis Borges

Una despedida

Tarde que socavó nuestro adiós.
Tarde acerada y deleitosa y monstruosa como un ángel oscuro.
Tarde cuando vivieron nuestros labios en la desnuda intimidad de los
besos.
El tiempo inevitable se desbordaba sobre el abrazo inútil.
Prodigábamos pasión juntamente, no para nosotros sino para la
soledad ya inmediata.
Nos rechazó la luz; la noche había llegado con urgencia.
Fuimos hasta la verja en esa gravedad de la sombra que ya el lucero
alivia.
Como quien vuelve de un perdido prado yo volví de tu abrazo.
Como quien vuelve de un país de espadas yo volví de tus lágrimas.
Tarde que dura vívida como un sueño entre las otras tardes.
Después yo fui alcanzando y rebasando noches y singladuras.

(Luna de enfrente — 1925)
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Primeira poesia: Jorge Luis Borges, traduzido por Josely Vianna Baptista, edição bilíngue, 1ª reimpressão, 2005, Companhia das Letras, São Paulo — SP; Jorge Francisco Isidoro Luis Borges Acevedo (1899 1986), argentino de Buenos Aires, aprendeu a língua inglesa com a avó paterna antes de falar espanhol, suas primeiras leituras se deram naquele idioma, foi poeta, contista, ficcionista, ensaísta, crítico literário, tradutor, professor universitário e bibliotecário; aos 9 anos de idade escreveu La Visera Fatal, seu primeiro conto “inspirado em episódio da obra de Dom Quixote”; de 1914 a 1920, já com alfabetização bilíngue, viveu com a família na Europa, concluiu seus estudos secundários no Collège de Genève Suiça, ligou-se ao movimento altruísta literário de vanguarda na Espanha, de volta à Argentina, na década de 1920, publicou três livros de poesia e, a partir daí, deu início à publicação de seus contos, invariavelmente na revista Sur, a qual também editou seus livros de ficção; lecionou Literatura Inglesa na Universidade de Buenos Aires, trabalhou na Biblioteca Municipal Miguel Cané e dirigiu a Biblioteca Nacional; em 1956, já sendo proibido pelos oftalmologistas de ler e escrever, passou a conviver com a cegueira que, vindo de forma gradativa desde criança, se instalava em sua vida; suas obras: Fervor de Buenos Aires (poesia, 1923), Luna de enfrente (Lua defronte, poesia, 1925), Inquisiciones (ensaios, 1925), El idioma de los argentinos (ensaio, 1928), Cuaderno San Martín (Caderno San Martín, poesia, 1929), Evaristo Carriego (ensaio, 1930), Historia universal de la infamía (contos, 1935), Historia de la Eternidad (ensaios, 1936), Ficciones (contos, 1944), Nova refutação do tempo (ensaios, 1947), El Aleph (O Aleph, contos, 1949), A morte e a bússola (contos, 1951), El hacedor (1960), Para las seis cuerdas (1967), El oro de los tigres (1972), Elogio de la sombra (1969), Historia de la noche (1976), todos de poesia, e tantos outros títulos em verso e prosa, inclusive em traduções para mais de 35 idiomas; na publicação de seus textos, Jorge Luis Borges também fez uso de vários pseudônimos, entre os quais Alex Ander, Benjamín Beltrán, Andrés Corthis, Pascual Güida, Bernardo Haedo, José Tuntar, Honorio Bustos Domecq e Benito Suárez Linch; teve sua obra transferida para o cinema e a televisão, e também teve textos musicados pelo compositor e instrumentista Astor Piazzolla (Tangos & Milongas); Borges, mesmo cego, não deixou de produzir seus escritos, os quais eram ditados para María Kodama, sua ex-aluna, depois assistente literária e esposa; recebeu inúmeras premiações por sua obra.

quarta-feira, 7 de maio de 2025

Jorge Luis Borges: Inscrição em qualquer sepulcro

 
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[traduzido por Josely Vianna Baptista]

Não arrisque o mármore temerário
gárrulas transgressões ao todo-poderoso esquecimento,
enumerando minuciosamente
o nome, a opinião, os acontecimentos, a pátria.
Tanto floreio bem adjudicado está as trevas
e o mármore não fale do que calam os homens.
O essencial da vida fenecida
a trêmula esperança,
o milagre implacável da dor e o assombro do gozo
sempre irá perdurar.
Cegamente reclama duração a alma arbitrária
quando a tem assegurada em vidas alheias,
quando tu mesmo és o espelho e a réplica
daqueles que não alcançaram o teu tempo
e outros serão (e são) tua imortalidade na terra.

Jorge Luis Borges

Inscripción en cualquier sepulcro

No arriesgue el mármol temerario
gárrulas transgresiones al todopoder del olvido,
enumerando con prolijidad
el nombre, la opinión, los acontecimientos, la patria.
Tanto abalorio bien adjudicado está a la tiniebla
y el mármol no hable lo que callan los hombres.
Lo esencial de la vida fenecida
la trémula esperanza,
el milagro implacable del dolor y el asombro del goce
siempre perdurará.
Ciegamente reclama duración el alma arbitraria
cuando la tiene asegurada en vidas ajenas,
cuando tú mismo eres el espejo y la réplica
de quienes no alcanzaron tu tiempo
y otros serán (y son) tu inmortalidad en la tierra.

(Fervor de Buenos Aires — 1923)
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Primeira poesia: Jorge Luis Borges, traduzido por Josely Vianna Baptista, edição bilíngue, 1ª reimpressão, 2005, Companhia das Letras, São Paulo — SP; Jorge Francisco Isidoro Luis Borges Acevedo (1899 1986), argentino de Buenos Aires, aprendeu a língua inglesa com a avó paterna antes de falar espanhol, suas primeiras leituras se deram naquele idioma, foi poeta, contista, ficcionista, ensaísta, crítico literário, tradutor, professor universitário e bibliotecário; aos 9 anos de idade escreveu La Visera Fatal, seu primeiro conto “inspirado em episódio da obra de Dom Quixote”; de 1914 a 1920, já com alfabetização bilíngue, viveu com a família na Europa, concluiu seus estudos secundários no Collège de Genève Suiça, ligou-se ao movimento altruísta literário de vanguarda na Espanha, de volta à Argentina, na década de 1920, publicou três livros de poesia e, a partir daí, deu início à publicação de seus contos, invariavelmente na revista Sur, a qual também editou seus livros de ficção; lecionou Literatura Inglesa na Universidade de Buenos Aires, trabalhou na Biblioteca Municipal Miguel Cané e dirigiu a Biblioteca Nacional; em 1956, já sendo proibido pelos oftalmologistas de ler e escrever, passou a conviver com a cegueira que, vindo de forma gradativa desde criança, se instalava em sua vida; suas obras: Fervor de Buenos Aires (poesia, 1923), Luna de enfrente (Lua defronte, poesia, 1925), Inquisiciones (ensaios, 1925), El idioma de los argentinos (ensaio, 1928), Cuaderno San Martín (Caderno San Martín, poesia, 1929), Evaristo Carriego (ensaio, 1930), Historia universal de la infamía (contos, 1935), Historia de la Eternidad (ensaios, 1936), Ficciones (contos, 1944), Nova refutação do tempo (ensaios, 1947), El Aleph (O Aleph, contos, 1949), A morte e a bússola (contos, 1951), El hacedor (1960), Para las seis cuerdas (1967), El oro de los tigres (1972), Elogio de la sombra (1969), Historia de la noche (1976), todos de poesia, e tantos outros títulos em verso e prosa, inclusive em traduções para mais de 35 idiomas; na publicação de seus textos, Jorge Luis Borges também fez uso de vários pseudônimos, entre os quais Alex Ander, Benjamín Beltrán, Andrés Corthis, Pascual Güida, Bernardo Haedo, José Tuntar, Honorio Bustos Domecq e Benito Suárez Linch; teve sua obra transferida para o cinema e a televisão, e também teve textos musicados pelo compositor e instrumentista Astor Piazzolla (Tangos & Milongas); Borges, mesmo cego, não deixou de produzir seus escritos, os quais eram ditados para María Kodama, sua ex-aluna, depois assistente literária e esposa; recebeu inúmeras premiações por sua obra.

segunda-feira, 14 de abril de 2025

Jorge Luis Borges: Remorso por qualquer morte

 
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[traduzido por Josely Vianna Baptista]

Liberto da memória e da esperança,
ilimitado, abstrato, quase futuro,
o morto não é um morto: é a morte.
Como o Deus dos místicos
de Quem todos os predicados devem ser negados,
o morto ubiquamente alheio
não é mais que a perdição e a ausência do mundo.
Nós lhe roubamos tudo,
não lhe deixamos nem uma cor ou sílaba:
aqui o pátio que seus olhos já não compartilham;
ali a calçada onde sua esperança andou à espreita.
Mesmo o que pensamos
ele também poderia estar pensando;
repartimos como ladrões
o cabedal das noites e dos dias.

(Fervor de Buenos Aires — 1923)

Jorge Luis Borges

Remordimiento por cualquier muerte

Libre de la memoria y de la esperanza,
ilimitado, abstracto, casi futuro,
el muerto no es un muerto: es la muerte.
Como el Dios de los místicos,
de Quien deben negarse todos los predicados,
el muerto ubicuamente ajeno
no es sino la perdición y ausencia del mundo.
Todo se lo robamos,
no le dejamos ni un color ni una sílaba:
aquí está el patio que ya no comparten sus ojos,
allí la acera donde acechó su esperanza.
Aun lo que pensamos
podría estar pensándolo él;
nos hemos repartido como ladrones
el caudal de las noches y de los días.

(Fervor de Buenos Aires — 1923)
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Primeira poesia: Jorge Luis Borges, traduzido por Josely Vianna Baptista, edição bilíngue, 1ª reimpressão, 2005, Companhia das Letras, São Paulo — SP; Jorge Francisco Isidoro Luis Borges Acevedo (1899 1986), argentino de Buenos Aires, aprendeu a língua inglesa com a avó paterna antes de falar espanhol, suas primeiras leituras se deram naquele idioma, foi poeta, contista, ficcionista, ensaísta, crítico literário, tradutor, professor universitário e bibliotecário; aos 9 anos de idade escreveu La Visera Fatal, seu primeiro conto “inspirado em episódio da obra de Dom Quixote”; de 1914 a 1920, já com alfabetização bilíngue, viveu com a família na Europa, concluiu seus estudos secundários no Collège de Genève Suiça, ligou-se ao movimento altruísta literário de vanguarda na Espanha, de volta à Argentina, na década de 1920, publicou três livros de poesia e, a partir daí, deu início à publicação de seus contos, invariavelmente na revista Sur, a qual também editou seus livros de ficção; lecionou Literatura Inglesa na Universidade de Buenos Aires, trabalhou na Biblioteca Municipal Miguel Cané e dirigiu a Biblioteca Nacional; em 1956, já sendo proibido pelos oftalmologistas de ler e escrever, passou a conviver com a cegueira que, vindo de forma gradativa desde criança, se instalava em sua vida; suas obras: Fervor de Buenos Aires (poesia, 1923), Luna de enfrente (Lua defronte, poesia, 1925), Inquisiciones (ensaios, 1925), El idioma de los argentinos (ensaio, 1928), Cuaderno San Martín (Caderno San Martín, poesia, 1929), Evaristo Carriego (ensaio, 1930), Historia universal de la infamía (contos, 1935), Historia de la Eternidad (ensaios, 1936), Ficciones (contos, 1944), Nova refutação do tempo (ensaios, 1947), El Aleph (O Aleph, contos, 1949), A morte e a bússola (contos, 1951), El hacedor (1960), Para las seis cuerdas (1967), El oro de los tigres (1972), Elogio de la sombra (1969), Historia de la noche (1976), todos de poesia, e tantos outros títulos em verso e prosa, inclusive em traduções para mais de 35 idiomas; na publicação de seus textos, Jorge Luis Borges também fez uso de vários pseudônimos, entre os quais Alex Ander, Benjamín Beltrán, Andrés Corthis, Pascual Güida, Bernardo Haedo, José Tuntar, Honorio Bustos Domecq e Benito Suárez Linch; teve sua obra transferida para o cinema e a televisão, e também teve textos musicados pelo compositor e instrumentista Astor Piazzolla (Tangos & Milongas); Borges, mesmo cego, não deixou de produzir seus escritos, os quais eram ditados para María Kodama, sua ex-aluna, depois assistente literária e esposa; recebeu inúmeras premiações por sua obra.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2025

Jorge Luis Borges: Ausência

 
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[traduzido por Josely Vianna Baptista]

Hei de edificar a vasta vida
que mesmo agora é teu espelho:
toda manhã hei de reconstruí-la.
Desde que te afastaste,
tantos lugares se tornaram inúteis
e sem sentido, como
luzes no dia.
Tardes que foram nicho de tua imagem,
músicas em que sempre me esperavas,
palavras daquele tempo,
eu terei de quebrá-las com minhas mãos.
Em que profundezas esconderei minha alma
para que não enxergue tua ausência
que como um sol terrível, sem ocaso,
brilha definitiva e impiedosa?
Tua ausência me cerca
como a corda o pescoço.
O mar em que naufraga.

Jorge Luis Borges

Ausencia

Habré de levantar la vasta vida
que aún ahora es tu espejo:
cada mañana habré de reconstruirla.
Desde que te alejaste,
cuántos lugares se han tornado vanos
y sin sentido, iguales
a luces en el día.
Tardes que fueron nicho de tu imagen,
músicas en que siempre me aguardabas,
palabras de aquel tiempo,
yo tendré que quebrarlas con mis manos.
¿En qué hondonada esconderé mi alma
para que no vea tu ausencia
que como un sol terrible, sin ocaso,
brilla definitiva y despiadada?
Tu ausencia me rodea
como la cuerda a la garganta,
el mar al que se hunde.

(Fervor de Buenos Aires — 1923)
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Primeira poesia: Jorge Luis Borges, traduzido por Josely Vianna Baptista, edição bilíngue, 1ª reimpressão, 2005, Companhia das Letras, São Paulo — SP; Jorge Francisco Isidoro Luis Borges Acevedo (1899 1986), argentino de Buenos Aires, aprendeu a língua inglesa com a avó paterna antes de falar espanhol, suas primeiras leituras se deram naquele idioma, foi poeta, contista, ficcionista, ensaísta, crítico literário, tradutor, professor universitário e bibliotecário; aos 9 anos de idade escreveu La Visera Fatal, seu primeiro conto “inspirado em episódio da obra de Dom Quixote”; de 1914 a 1920, já com alfabetização bilíngue, viveu com a família na Europa, concluiu seus estudos secundários no Collège de Genève Suiça, ligou-se ao movimento altruísta literário de vanguarda na Espanha, de volta à Argentina, na década de 1920, publicou três livros de poesia e, a partir daí, deu início à publicação de seus contos, invariavelmente na revista Sur, a qual também editou seus livros de ficção; lecionou Literatura Inglesa na Universidade de Buenos Aires, trabalhou na Biblioteca Municipal Miguel Cané e dirigiu a Biblioteca Nacional; em 1956, já sendo proibido pelos oftalmologistas de ler e escrever, passou a conviver com a cegueira que, vindo de forma gradativa desde criança, se instalava em sua vida; suas obras: Fervor de Buenos Aires (poesia, 1923), Luna de enfrente (Lua defronte, poesia, 1925), Inquisiciones (ensaios, 1925), El idioma de los argentinos (ensaio, 1928), Cuaderno San Martín (Caderno San Martín, poesia, 1929), Evaristo Carriego (ensaio, 1930), Historia universal de la infamía (contos, 1935), Historia de la Eternidad (ensaios, 1936), Ficciones (contos, 1944), Nova refutação do tempo (ensaios, 1947), El Aleph (O Aleph, contos, 1949), A morte e a bússola (contos, 1951), El hacedor (1960), Para las seis cuerdas (1967), El oro de los tigres (1972), Elogio de la sombra (1969), Historia de la noche (1976), todos de poesia, e tantos outros títulos em verso e prosa, inclusive em traduções para mais de 35 idiomas; na publicação de seus textos, Jorge Luis Borges também fez uso de vários pseudônimos, entre os quais Alex Ander, Benjamín Beltrán, Andrés Corthis, Pascual Güida, Bernardo Haedo, José Tuntar, Honorio Bustos Domecq e Benito Suárez Linch; teve sua obra transferida para o cinema e a televisão, e também teve textos musicados pelo compositor e instrumentista Astor Piazzolla (Tangos & Milongas); Borges, mesmo cego, não deixou de produzir seus escritos, os quais eram ditados para María Kodama, sua ex-aluna, depois assistente literária e esposa; recebeu inúmeras premiações por sua obra.