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[traduzido por Antonio Medina Rodrigues]
“Por que cultuas sempre, Sócrates divino,
Esse rapaz? Pois nada de maior conheces?
Por que o contemplam os teus olhos,
Com amor, como aos divinos?”
Mais adora ao que é mais vivo quem sondou mor profundeza,
E entende a suma juventude quem o olhar abriu no mundo,
Pois assiduamente, ao fim e ao cabo,
Os sábios só procuram a beleza.

Sokrates
und Alcibiades
“Warum
huldigest du, heiliger Sokrates,
Diesem Jünglige stets? kennest du Größers nicht?
Warum siehet mit Liebe,
Wie auf Götter, dein Aug’ auf ihn?“
Wer
das Tiefste gedacht, liebt das Lebendigste,
Hohe Jugend versteht, wer in die Welt geblickt,
Und es neigen die Weisen
Oft am Ende zu Schönem sich.
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Canto do Destino e outros cantos —
Hölderlin, Organização, Tradução e Ensaio de
Antonio Medina Rodrigues, 1994, Editora Iluminuras, São Paulo — SP; Johann Christian Friedrich Hölderlin (1770 — 1843), alemão de Lauffen, região da Suábia, foi poeta, romancista,
dramaturgo, tradutor e filósofo; estudou teologia no convento de Tübingen,
recebeu formação humanística, conviveu com Hegel e Schelling, tendo colaborado
com estes na formação inicial da corrente filosófica conhecida como Idealismo
alemão; frequentou a Universidade de Iena; na sua trajetória intelectual, também conviveu e estabeleceu relações com Schiller, Fichte e Goethe; o poeta teve quatro de suas poesias
publicadas pela primeira vez no Almanaque das Musas para o ano de 1792
(Musenalmanach für das Jahr 1792), depois vieram outras publicações no
Florilégio Poético para o Ano de 1793 (Poetische Blumenlese für das Jahr 1793),
na edição de inverno da revista Nova Thalia (Neue Thalia), Almanaque das Musas
de 1807 (Musenalmanach 1807)...; traduziu Sófocles e os fragmentos de Píndaro;
bibliografia: A Morte de Empédocles (fragmentos, drama, 1797—1800), Hiperion ou O Eremita na Grécia (1797—1799), Tragédias de Sófocles (1804), Poemas de Friedrich Hölderlin
(editados por Ludwig Uhland e Gustav Schwab, 1826), Gedichte vor 1800 (Poemas
anteriores a 1800, volume 1, 1944), Gedichte nach 1800 (Poemas após 1800,
volume 2, 1961)...; relata a sua biografia que, a partir de 1807 e pelo resto
de sua vida, o poeta viveu confinado em uma torre, sendo cuidado pela família e
auxiliares, após ter recebido o diagnóstico médico de loucura ou insanidade irreversível;
Hölderlin, mesmo após esta data, continuou escrevendo e produziu textos em seus
momentos de lucidez.