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terça-feira, 21 de maio de 2019

Fernando Pessoa: Minha enfadada vida, insatisfeita . . . [soneto] *

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[traduzido por Philadelpho Menezes]

XXIX

Minha enfadada vida, insatisfeita
neste frustrado limbo de só ser,
a quem a força do querer rejeita,
e o próprio rejeitar não vai querer;

minha farta vida, de nada farta,
na moção de mover-se, sempre forte,
de seus sonhos o sonho mesmo aparta 
que a vida Deus transforme ou faça-a morte.

Pois no infindo percurso as horas vãs,
desertos a desertos sucedendo,
a própria força do sonhar solapam
na indolência ativa do pensamento,

sujando em desdesejo o quisto ato
no duplo despejar do inconquistado.

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XXIX

My weary life, that lives unsatisfied
On the foiled off-brink of being e’er but this,
To whom the power to will hath been denied
And the will to renounce doth also miss;

My sated life, with having nothing sated,
In the motion of moving poisèd aye,
Within its dreams from its own dreams abated 
This life let the Gods change or take away.

For this endless succession of empty hours,
Like deserts after deserts, voidly one,
Doth undermine the very dreaming powers
And dull even thought’s active inaction,

Tainting with fore-unwilled will the dreamed act,
Twice thus removed from the unobtained fact.

Nota deste aprendiz de blogueiro: Fernando Pessoa viveu na África do Sul entre 1896 e 1905, tendo feito seus estudos ali e aprendido fluentemente a língua inglesa, daí ter escrito e publicado poemas neste idioma; quando voltou a viver em Portugal já tinha feito 17 anos de idade; 35 Sonnets pertence ao Pessoa ainda jovem.
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Poemas Ingleses (35 sonnets e Inscriptions) — Fernando Pessoa, Tradução, Introdução/Ensaio e Notas de Philadelpho Menezes e Apresentação de Fernando Segolin, edição bilingue, 1993, Editora Experimento, São Paulo —  SP; Fernando Antônio Nogueira de Seabra Pessoa (1888 1935), português nascido em Lisboa, considerado um dos maiores poetas da língua portuguesa, foi também escritor, crítico literário e tradutor;  seus estudos escolares no Convento de West Street e na High School, em Durban, África do Sul, onde aprendeu fluentemente o idioma inglês; no mundo das letras, contribuiu com revistas e jornais da época: A Águia (1912 e 1913), A Renascença (1914), Orpheu (1915), Exílio (1916), Centauro (1916), a revista literária Athena (1924 e 1925), entre tantos outros veículos de comunicação, alguns criados por ele e outros parceiros do ofício; em sua extensiva produção literária construiu também diversos heterônimos, dos quais os mais famosos e conhecidos são: Álvaro de Campos, Alberto Caeiro, Ricardo Reis e Bernardo Soares; em vida, além do livro Mensagem, única obra publicada em português, publicou, em inglês, Antinous35 SonnetsEnglish Poems I e II, English Poems III; o poeta legou-nos, ainda, uma vida inteira de trabalho inédito e inacabado.

terça-feira, 26 de março de 2019

Fernando Pessoa: Como um mau orador, demais livresco, . . . [soneto] *

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[traduzido por Philadelpho Menezes]

VI

Como um mau orador, demais livresco,
submerge o objetivo em calor ficto,
e, maquinal, o interno instinto fresco
enrola em rolamento alheio cripto;

como um poeta em prosa então versado,
não tendo a sutil música do verso,
com zelo inútil, mesmo rejeitado,
corteja a musa com discurso adverso;

estudo como amar ou detestar,
longe, pela razão, do sentimento,
e o pensado sentir a se sedar
mesmo que o seu feitio seja violento,

como aprender a nadar sem o rio;
se mais perto, mais longe está o ardil.

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VI

As a bad orator, badly o’er-book-skilled,
Doth overflow his purpose with made heat,
And, like a clock, winds with withoutness willed
What should have been an inner instinct’s feat;

Or as a prose-wit, harshly poet turned,
Lacking the subtler music in his measure,
With useless care labours but to be spurned,
Courting in alien speech the Muse’s pleasure;

I study how to love or how to hate,
Estranged by consciousness from sentiment,
With a thought feeling forced to be sedate
Even when the feeling’s nature is violent;

As who would learn to swim without the river,
When nearest to the trick, as far as ever.

Nota deste aprendiz de blogueiro: Fernando Pessoa viveu na África do Sul entre 1896 e 1905, tendo feito seus estudos ali e aprendido fluentemente a língua inglesa, daí ter escrito e publicado poemas neste idioma; quando voltou a viver em Portugal já tinha feito 17 anos de idade; 35 Sonnets pertence ao Pessoa ainda jovem.
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Poemas Ingleses (35 sonnets e Inscriptions) — Fernando Pessoa, Tradução, Introdução/Ensaio e Notas de Philadelpho Menezes e Apresentação de Fernando Segolin, edição bilingue, 1993, Editora Experimento, São Paulo —  SP; Fernando Antônio Nogueira de Seabra Pessoa (1888 1935), português nascido em Lisboa, considerado um dos maiores poetas da língua portuguesa, foi também escritor, crítico literário e tradutor;  seus estudos escolares no Convento de West Street e na High School, em Durban, África do Sul, onde aprendeu fluentemente o idioma inglês; no mundo das letras, contribuiu com revistas e jornais da época: A Águia (1912 e 1913), A Renascença (1914), Orpheu (1915), Exílio (1916), Centauro (1916), a revista literária Athena (1924 e 1925), entre tantos outros veículos de comunicação, alguns criados por ele e outros parceiros do ofício; em sua extensiva produção literária construiu também diversos heterônimos, dos quais os mais famosos e conhecidos são: Álvaro de Campos, Alberto Caeiro, Ricardo Reis e Bernardo Soares; em vida, além do livro Mensagem, única obra publicada em português, publicou, em inglês, Antinous, 35 Sonnets, English Poems I e II, English Poems III; o poeta legou-nos, ainda, uma vida inteira de trabalho inédito e inacabado.

domingo, 10 de março de 2019

Fernando Pessoa: Como fazer ação dos pensamentos . . . [soneto] *

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[traduzido por Philadelpho Menezes]

V

Como fazer ação dos pensamentos
se o pobre cotidiano da premência
ao ser impõe serviços avarentos
e vícios nos limites da decência?

Como pousar a idéia num ofício
que a alma crê ser seu desde que surge,
se a todo instante um outro tem início
pra tolher anseio que lhe urge?

Acumulei os bens por minha Musa,
e no futuro um lar teria erguido,
mas gastei com que ao dia mais se usa
e sinto-me em miséria de infinito,

como se um pecador, sendo guiado
pela carne, o seu sonhado.

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V

How can I think, or edge my thoughts to action,
When the miserly press of each day’s need
Aches to a narrowness of spilled distraction
My soul appalled at the world’s work’s time-greed?

How can I pause my thoughts upon the task
My soul was born to think that it must do
When every moment has a thought to ask
To fit the immediate craving of its cue?

The coin I’d heap for marrying my Muse
And build our home i’th’ greater Time-to-be
Becomes dissolved by needs of each day’s use
And I feel beggared of infinity,

Like a true-Christian sinner, each day flesh-driven
By his own act to forfeit his wished heaven.


* Nota deste aprendiz de blogueiro: Fernando Pessoa viveu na África do Sul entre 1896 e 1905, tendo feito seus estudos ali e aprendido fluentemente a língua inglesa, daí ter escrito e publicado poemas neste idioma; quando voltou a viver em Portugal já tinha feito 17 anos de idade; 35 Sonnets pertence ao Pessoa ainda jovem.
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Poemas Ingleses (35 sonnets e Inscriptions) — Fernando Pessoa, Tradução, Introdução/Ensaio e Notas de Philadelpho Menezes e Apresentação de Fernando Segolin, edição bilingue, 1993, Editora Experimento, São Paulo —  SP; Fernando Antônio Nogueira de Seabra Pessoa (1888 1935), português nascido em Lisboa, considerado um dos maiores poetas da língua portuguesa, foi também escritor, crítico literário e tradutor; fez seus estudos escolares no Convento de West Street e na High School, em Durban, África do Sul, onde aprendeu fluentemente o idioma inglês; no mundo das letras, contribuiu com revistas e jornais da época: A Águia (1912 e 1913), A Renascença (1914), Orpheu (1915), Exílio (1916), Centauro (1916), a revista literária Athena (1924 e 1925), entre tantos outros veículos de comunicação, alguns criados por ele e outros parceiros do ofício; em sua extensiva produção literária construiu também diversos heterônimos, dos quais os mais famosos e conhecidos são: Álvaro de Campos, Alberto Caeiro, Ricardo Reis e Bernardo Soares; em vida, além do livro Mensagem, única obra publicada em português, publicou, em inglês, Antinous, 35 SonnetsEnglish Poems I e IIEnglish Poems III; o poeta legou-nos, ainda, uma vida inteira de trabalho inédito e inacabado.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

Fernando Pessoa: Se penso que o meu verso mais medíocre . . . [soneto] *

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[traduzido por Philadelpho Menezes]

III

Se penso que o meu verso mais medíocre
suplanta com o Tempo toda a obra,
e a página ao futuro de olho míope
informa mais que a alma, que soçobra;

e se me impondo a ver eu conjecturo
que bons leitores, gratos pela idéia
que julgam de meu ser, em um futuro,
não sabem que à minha alma ela é alheia,

um ódio pela essência deste mundo,
que faz isso pensável ou possível,
assalta e lança a alma num profundo
cismar de desespero em noite horrível.

E a fúria que me assola já precisa
do verbo onde a pronúncia a ameniza.

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Fernando Pessoa

III

When I do think my meanest line shall be
More in Time's use than my creating whole,
That future eyes more clearly shall feel me
In this inked page than in my direct soul;

When I conjecture put to make me seeing
Good readers of me in some aftertime,
Thankful to some idea of my being
That doth not even my with gone true soul rime;

An anger at the essence of the world,
That makes this thus, or thinkable this wise,
Takes my soul by the throat and makes it hurled
In nightly horrors of despaired surmise,

And I become the mere sense of a rage
That lacks the very words whose waste might 'suage.


Nota deste aprendiz de blogueiro: Fernando Pessoa viveu na África do Sul entre 1896 e 1905, tendo feito seus estudos ali e aprendido fluentemente a língua inglesa, daí ter escrito e publicado poemas neste idioma; quando voltou a viver em Portugal já tinha feito 17 anos de idade; 35 Sonnets pertence ao Pessoa ainda jovem.
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Poemas Ingleses (35 sonnets e Inscriptions) — Fernando Pessoa, Tradução, Introdução/Ensaio e Notas de Philadelpho Menezes e Apresentação de Fernando Segolin, edição bilingue, 1993, Editora Experimento, São Paulo —  SP; Fernando Antônio Nogueira de Seabra Pessoa (1888 1935), português nascido em Lisboa, considerado um dos maiores poetas da língua portuguesa, foi também escritor, crítico literário e tradutor; fez seus estudos escolares no Convento de West Street e na High School, em Durban, África do Sul, onde aprendeu fluentemente o idioma inglês; no mundo das letras, contribuiu com revistas e jornais da época: A Águia (1912 e 1913), A Renascença  (1914), Orpheu (1915), Exílio (1916), Centauro (1916), a revista literária Athena (1924 e 1925), entre tantos outros veículos de comunicação, alguns criados por ele e outros parceiros do ofício; em sua extensiva produção literária construiu também diversos heterônimos, dos quais os mais famosos e conhecidos são: Álvaro de Campos, Alberto Caeiro, Ricardo Reis e Bernardo Soares; em vida, além do livro Mensagem, única obra publicada em português, publicou, em inglês, Antinous35 SonnetsEnglish Poems I e IIEnglish Poems III; o poeta legou-nos, ainda, uma vida inteira de trabalho inédito e inacabado.

quinta-feira, 29 de novembro de 2018

Fernando Pessoa: Qual assustado solitário em via escura . . . [soneto] *

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[traduzido por Philadelpho Menezes]

XII

Qual assustado solitário em via escura
que, de imprevisto, para trás volta e nada,
e inda mantém no medo o fardo do que apura
do beira-nada, coisa apenas suspeitada;

e o frio terror pra perto o traz de algo que tece
de lá do nada algum fascínio que o consome,
que pra assustá-lo ainda mais desaparece
se ele se move e é só visível quando some;

assim eu volto em pensamento a este mundo
e nada vendo me tomo de coragem,
mas o pavor, sem causa vista, que me infundo,
dou ao vazio que assume aspecto na miragem.

E em mim, o horror desse mistério, solitário,
vem de não ver nenhum mistério do mistério.

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Fernando Pessoa

XII

As the lone, frighted user of a night-road
Suddenly turns round, nothing to detect,
Yet on his fear's sense keepeth still the load
Of that brink-nothing he doth but suspect;

And the cold terror moves to him more near
Of something that from nothing casts a spell,
That, when he moves, to fright more is not there,
And's only visible when invisible:

So I upon the world turn round in thought,
And nothing viewing do no courage take,
But my more terror, from no seen cause got,
To that felt corporate emptiness forsake,

And draw my sense of mystery's horror from
Seeing no mystery's mystery alone.


Nota deste aprendiz de blogueiro: Fernando Pessoa viveu na África do Sul entre 1896 e 1905, tendo feito seus estudos ali e aprendido fluentemente a língua inglesa, daí ter escrito e publicado poemas neste idioma; quando voltou a viver em Portugal já tinha feito 17 anos de idade; 35 Sonnets pertence ao Pessoa ainda jovem.
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Poemas Ingleses (35 sonnets e Inscriptions) — Fernando Pessoa, Tradução, Introdução/Ensaio e Notas de Philadelpho Menezes e Apresentação de Fernando Segolin, edição bilingue, 1993, Editora Experimento, São Paulo —  SP; Fernando Antônio Nogueira de Seabra Pessoa (1888 — 1935),  português nascido em Lisboa, considerado um dos maiores poetas da língua portuguesa, foi também escritor, crítico literário e tradutor; fez seus estudos escolares no Convento de West Street e na High School, em Durban, África do Sul, onde aprendeu fluentemente o idioma inglês; no mundo das letras, contribuiu com revistas e jornais da época: A Águia (1912 e 1913), A Renascença  (1914), Orpheu (1915), Exílio (1916), Centauro (1916), a revista literária Athena (1924 e 1925), entre tantos outros veículos de comunicação, alguns criados por ele e outros parceiros do ofício; em sua extensiva produção literária construiu também diversos heterônimos, dos quais os mais famosos e conhecidos são: Álvaro de Campos, Alberto Caeiro, Ricardo Reis e Bernardo Soares; em vida, além do livro Mensagem, única obra publicada em português, publicou, em inglês, Antinous35 SonnetsEnglish Poems I e IIEnglish Poems III; o poeta legou-nos, ainda, uma vida inteira de trabalho inédito e inacabado.

segunda-feira, 18 de junho de 2018

Fernando Pessoa: Tal qual criança, o coração embalo . . . [soneto: 35 sonnets, X] *

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[traduzido por Philadelpho Menezes]

X

Tal qual criança, o coração embalo
com vãs promessas da manhã nascente
e o sono cai mais pelo som que falo
do que por uma ideia aí presente.

Fosse o inverso, talvez despertasse
para perquirir o prazer do dia;
minhas palavras talvez tangenciasse
para a promessa ouvir na melodia.

Se ele já dorme é por gozar agora
o gozo de uma alegria futura,
agradecendo o fruto a flor vindoura
de que o letárgico senso desfruta.

Detenho, iludindo, o coração,
do qual sabe-se parte a ilusão.

Fernando Pessoa

X

As to a child, I talked my heart asleep
With empty promise of the coming day,
And it slept rather for my words made sleep
Than from a thought of what their sense did say.

For did it care for sense, would it not wake
And question closer to the morrow's pleasure?
Would it not edge nearer my words, to take
The promise in the meting of its measure?

So, if it slept, 'twas that it cared but for
The present sleepy use of promised joy,
Thanking the fruit but for the forecome flower
Which the less active senses best enjoy.

Thus with deceit do I detain the heart
Of which deceit's self knows itself a part.


* Nota deste aprendiz de blogueiro: Fernando Pessoa viveu na África do Sul entre 1896 e 1905, tendo feito seus estudos ali e aprendido fluentemente a língua inglesa, daí ter escrito e publicado poemas neste idioma; quando voltou a viver em Portugal já tinha feito 17 anos de idade; 35 Sonnets pertence ao Pessoa ainda jovem.
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Poemas Ingleses (35 sonnets e Inscriptions)  Fernando Pessoa, Tradução, Introdução/Ensaio e Notas de Philadelpho Menezes e Apresentação de Fernando Segolin, edição bilingue, 1993, Editora Experimento, São Paulo —  SP; Fernando Antônio Nogueira de Seabra Pessoa (1888 1935),  português nascido em Lisboa, considerado um dos maiores poetas da língua portuguesa, foi também escritor, crítico literário e tradutor; fez seus estudos escolares no Convento de West Street e na High School, em Durban, África do Sul, onde aprendeu fluentemente o idioma inglês; no mundo das letras, contribuiu com revistas e jornais da época: A Águia (1912 e 1913), A Renascença (1914), Orpheu (1915), Exílio (1916), Centauro (1916), a revista literária Athena (1924 e 1925), entre tantos outros veículos de comunicação, alguns criados por ele e outros parceiros do ofício; em sua extensiva produção literária construiu também diversos heterônimos, dos quais os mais famosos e conhecidos são: Álvaro de Campos, Alberto Caeiro, Ricardo Reis e Bernardo Soares; em vida, além do livro Mensagem, única obra sua publicada em português, publicou, em inglês, Antinous, 35 Sonnets, English Poems I e IIEnglish Poems III; o poeta legou-nos, ainda, uma vida inteira de trabalho inédito e inacabado.