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[traduzido por Cláudia
Cavalcanti]
Seus olhos paravam bem longe.
Quando garoto esteve no céu.
Por isso suas palavras vinham
De nuvens azuis e de brancas.
Discutíamos religião
Mas sempre como parceiros de
jogo,
E levávamos Deus de boca em
boca.
No princípio era o Verbo.
Coração de poeta, um firme
castelo;
Seus poemas: teses cantantes.
Era mesmo Lutero.
Carregava na mão sua alma
tríplice
Quando partiu para a guerra
santa.
—
Então soube que morrera —
Sua sombra permaneceu sem
explicação
No entardecer do meu quarto.
Georg
Trakl
Seine Augen standen ganz fern —
Er war als Knabe einmal schon
im Himmel.
Darum kamen seine Worte hervor
Auf blauen und weißen Wolken.
Wir stritten über Religion,
Aber immer wie zwei Spielgefährten,
Und bereiteten Gott von Mund
zu Mund.
Im Anfang war das Wort.
Des Dichters Herz, eine feste
Burg,
Seine Gedichte: Singende
Thesen.
Er war wohl Martin Luther.
Seine dreifaltige Seele trug
er in der Hand,
Als er in den heiligen Krieg
zog.
—
Dann wußte ich, er war gestorben —
Sein Schatten weilte
unbegreiflich
Auf dem Abend meines Zimmers.
[Lasker-Schüler, Else. Ich
suche allerlanden eine Stadt
—
Gedichte, Prosa, Briefe, Leipzig, 1988.]
* Nota deste Verso e
Conversa: O atrevido aprendiz de blogueiro desta página registra que o poema
Georg Trakl consta no Apêndice deste De Profundis e Outros Poemas.
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De Profundis e Outros
Poemas — Georg Trakl, Edição bilíngue, Organização, Posfácio e
Tradução de Cláudia Cavalcanti, 1994, Editora Iluminuras, São
Paulo — SP; Elisabeth Lasker-Schüler ou Else Lasker-Schüler
(1869 — 1945), alemã de Elberfeld, foi poeta, escritora e artista plástica; seus
primeiros poemas foram publicados na revista Die Gesellschaft (A Sociedade), em
1899, dando início à sua participação no círculo literário de Berlim; foi uma das
fundadoras da revista expressionista Der Sturm, em 1910; suas obras: Styx (poesias,
1902), Meine Wunder (poesias, 1911), Hebräische Balladen (Baladas Hebraicas, 1913),
Mein Blaues Klavier (O meu piano azul, 1943) e outros títulos; Else Lasker-Schüler,
que ilustrava seus próprios livros, considerada a grande musa da geração expressionista,
teve como uma de suas paixões o poeta Gottfried Benn, a quem ela chamava de Giselheer,
nos poemas; de 1894 a 1933 a poeta viveu em Berlim e, depois, com a ascensão do
nazismo e de Hitler ao poder, exilou-se em Jerusalém; em 1932, Else
Lasker-Schüler recebeu o Prêmio Kleist, prêmio literário alemão concedido pela
última vez antes da tomada de poder pelos nacional-socialistas [nazistas].


