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quinta-feira, 9 de maio de 2024

Adelina Amélia Lopes Vieira: Anoitece . . .


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(No álbum de Maria Clara da Cunha Santos)

Véu de tristeza a terra e os céus invade;
de espaço a espaço, ave agourenta pia;
o orvalho chora, e, em lenta suavidade,
badala o sino ao longe  Ave Maria.

Ave Maria, essa hora em que à saudade
de luz, se junta o horror à treva fria,
tão cheia de mistérios e ansiedade,
tão represada de melancolia!

Cheguei também da vida a essa hora triste,
Crepúsculo, em que o sol já não existe,
em que a luz da ilusão desaparece.

Horas ardentes em que o sol fulgura!
horas de amor! de glória! de ventura!
Dia! porque me foges? Anoitece...

A Mensageira, de 15 de Maio de 1898,
Ano I, nº 15, São Paulo — SP

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A Mensageira — Revista Literária dedicada à mulher brasileira, Diretora: Presciliana Duarte de Almeida (1897 a 1900), Edição fac-similar, Volume I, Apresentação de Bete Mendes e comentários de Zuleika Alambert, 1987, Imprensa Oficial do Estado S/A — IMESP, São Paulo — SP; Adelina Amélia Lopes Vieira (1850 1923), portuguesa de Lisboa, desde seu primeiro ano de idade vivendo no Rio de Janeiro, educada no Colégio das Irmãs de Caridade, bairro do Botafogo, formada na Escola Normal do Rio de Janeiro, foi professora, jornalista, poeta, contista e teatróloga; colaborou em jornais e revistas brasileiras, entre as quais Gazeta de Campinas, Correio Paulistano, A Semana, O Tempo, Jornal do Commercio, Almanaque de Lembranças Luso-Brasileiro e A Mensageira; suas obras: Margaritas (poesias, 1878), Pombal (1880), Contos Infantis (em co-autoria com Júlia Lopes de Almeida, 1886), Destinos (contos, 1900), A virgem de Murilo, As duas dores e Expiação (dramas, todos sem data); traduziu a comédia teatral A Terrina (de Ernesto Hervelly, 1909); no periódico A Semana, foi responsável pela coluna Palestras Femininas, mais tarde esta coluna passou a também ser publicada n’A Mensageira.

sábado, 2 de dezembro de 2023

Adelina A. Lopes Vieira: A Lancha Negra


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Para velar da lua a face refulgente
Nuvens pesadas vão correndo acumuladas,
E na treva do oceano as vagas compassadas
Passam uma por uma interminavelmente.

Mais do que a sombra, escura, avulta de repente
A lancha negra, vem. ... dos remos as pancadas
Ferem o mar, que chora, em gotas prateadas,
As lágrimas sem fim da sua dor pungente.

Ei-la a meus pés a lancha, e nela, silenciosa
Embarca a doce e branca imagem de outra idade.
E vejo-a ir... sumir-se... a lancha misteriosa...

Então, dentro de mim, num soluço, a saudade
Murmura, a prescrutar a sombra tenebrosa:
Nunca mais voltarás, nunca mais, mocidade!

A Mensageira, de 15 de Fevereiro de 1899,
Ano II, nº 25, São Paulo — SP

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A Mensageira — Revista Literária dedicada à mulher brasileira, Diretora: Presciliana Duarte de Almeida (1897 a 1900), Edição fac-similar, Volume II, Apresentação de Bete Mendes e comentários de Zuleika Alambert, 1987, Imprensa Oficial do Estado S/A — IMESP, São Paulo — SP; Adelina Amélia Lopes Vieira (1850 1923), portuguesa de Lisboa, desde seu primeiro ano de idade vivendo no Rio de Janeiro, educada no Colégio das Irmãs de Caridade, bairro do Botafogo, formada na Escola Normal do Rio de Janeiro, foi professora, jornalista, poeta, contista e teatróloga; colaborou em jornais e revistas brasileiras, entre as quais Gazeta de Campinas, Correio Paulistano, A Semana, O Tempo, Jornal do Commercio, Almanaque de Lembranças Luso-Brasileiro e A Mensageira; suas obras: Margaritas (poesias, 1878), Pombal (1880), Contos Infantis (em co-autoria com Júlia Lopes de Almeida, 1886), Destinos (contos, 1900), A virgem de Murilo, As duas dores e Expiação (dramas, todos sem data); traduziu a comédia teatral A Terrina (de Ernesto Hervelly, 1909); no periódico A Semana, foi responsável pela coluna Palestras Femininas, mais tarde esta coluna passou a também ser publicada n’A Mensageira.

sábado, 27 de junho de 2015

Adelina Lopes Vieira: A jornada

Resultado de imagem para A Mensageira — Revista Literária dedicada à mulher brasileira Volume I IMESP
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Infância! Trilha doce, em farta messe
De rosas, cheias de aves multicores,
Onde, do sol aos últimos fulgores,
No regaço materno se adormece.

Adolescência! O mundo que parece
Um perene jardim de eternas flores,
Em que, entre sonhos, pressentindo amores,
O som do baile se mistura à prece.

Mocidade! Luz plena! O céu na terra!
A vida intensa! Amar e ser amada!
Eis a maior das bem aventuranças!

Velhice! Atra avalanche que soterra
Em densíssima trova ilimitada
Ilusões, devaneios, esperanças...

outubro de 1897

[publicado em A Mensageira,
Ano I, número 2, de 30 de
Outubro de 1897, São Paulo]

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A Mensageira — Revista Literária dedicada à mulher brasileira, Diretora: Presciliana Duarte de Almeida (1897 a 1900), Edição fac-similar, Volume I, Apresentação de Bete Mendes e comentários de Zuleika Alambert, 1987, Imprensa Oficial do Estado S/A — IMESP, São Paulo — SP; Adelina Amélia Lopes Vieira (1850 —  ?  ), portuguesa de Lisboa, desde seu primeiro ano de idade vivendo no Rio de Janeiro, foi professora, poeta, contista e teatróloga; colaborou em jornais e revistas brasileiras, entre as quais O Tempo e A Mensageira; publicações: Margaritas (poesias, 1879), Contos Infantis (em co-autoria com Júlia Lopes de Almeida, 1886), Destinos (contos, 1900), A virgem de Murilo, As duas dores e Expiação (dramas, todos sem data); traduziu a comédia teatral A Terrina (de Ernesto Hervelly, 1909).