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[traduzido por Haroldo de Campos]
Acima das cruzes e dos topos,
Arcanjo sólido, passo firme,
Batizado a fumaça e a fogo —
Salve, pelos séculos,
Vladímir!
Ele é dois: a lei e a exceção,
Ele é dois: cavalo e
cavaleiro.
Toma fôlego, cospe nas mãos:
Resiste, triunfo carreteiro.
Escura altivez, soberba tosca,
Tribuno dos prodígios da
praça,
Que trocou pela pedra mais
fosca
O diamante lavrado e sem jaça.
Saúdo-te, trovão pedregoso!
Boceja, cumprimenta — e
ligeiro
Toma o timão, rema no teu vôo
Áspero de arcanjo carreteiro.
[18 de setembro de]1921
Маяковскому
Превыше крестов и труб,
Крещенный в огне и дыме,
Архангел-тяжелоступ —
Здорово, в веках Владимир!
Он возчик и он же конь,
Он прихоть и он же право.
Вздохнул, поплевал в ладонь:
— Держись, ломовая слава!
Певец площадных чудес —
Здорово, гордец чумазый,
Что камнем — тяжеловес
Избрал, не прельщась алмазом.
Здорово, булыжный гром!
Зевнул, козырнул и снова
Оглоблей гребет — крылом
Архангела ломового.
18 сентября 1921
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Poesia Russa Moderna [vários autores]
— Traduções e Notas de Augusto e Haroldo de Campos e de Boris Schnaiderman, com
revisão e colaboração mútuas dos tradutores, e Prefácios da 1ª e 2ª edições de Boris
Schnaiderman, Coleção Signos Volume 33, 2ª reimpressão da 6ª edição, 2012, Editora
Perspectiva, São Paulo — SP; Marina Ivanovna Tsvietáieva (1892 — 1941), russa e
moscovita, foi poetisa, escritora e tradutora; por decisão da mãe, ainda criança
estudou piano e, entre 1901 e 1905, educou-se em ginásios clássicos e internatos
na Europa (Nervi — Itália, Lausanne — França e Freiburg — Alemanha); aprendeu italiano,
francês e alemão; cursou História da Literatura na Sorbonne em Paris; publicou seus
primeiros poemas aos 16 anos; opondo-se à Revolução de Outubro, deixou a Rússia
em 1922 para juntar-se ao marido que fora oficial do Exército Branco na guerra
civil, residiu primeiro em Berlim, depois em Praga e em Paris; no exílio, “deu prova
também de profunda oposição ao capitalismo” e, quando os nazistas invadiram a Tcheco-Eslováquia,
“escreveu um ciclo de poemas que era uma denúncia veemente do fascismo”; já em 1940,
em plena turbulência da segunda guerra, retornou à então União Soviética e acabou
por suicidar-se em 1941, após o marido ter sido fuzilado e uma filha ter sido internada
em campo de concentração; suas obras: Вечерний альбом (Álbum da Noite, 1910), Волшебный
фонарь, вторая книга стихов, Изд. «Оле-Лукойе» (Lanterna Mágica, o segundo livro
de poemas, Ed. "Ole-Lukoye", 1912), Юношеские стихи (Poemas juvenis, 1913-1915),
Червонный валет (Valete de Copas, drama, 1918), Каменный Ангел (Anjo de Pedra, drama,
1919), Лебединый стан (Acampamento
dos cisnes, 1921), Разлука (Separação, 1922), После России (Depois da Rússia, 1928),
Сибирь (Sibéria, 1930) e outros textos em verso e prosa; foi contemporânea de
Rainer Maria Rilke, Boris Pasternak, Sofia Parnok, Óssip Mandelstam, Anna
Akhmatova e outros; com uma Europa em guerra e uma Rússia conflagrada, traduziu
Federico García Lorca, Charles Baudelaire e Vasa Pshavela, um meio de
subsistência e sobrevivência.