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Quando mergulhaste na água
Não sentiste como é fria
Como é fria assim na noite
Como é fria, como é fria?
E ao teu medo que por certo
Te acordou da nostalgia
(Essa incrível nostalgia
Dos que vivem no deserto...)
Que te disse a Poesia?
Que te disse a Poesia
Quando Vênus que luzia
No céu tão perto (tão longe
Da tua melancolia...)
Brilhou na tua agonia
De moribundo desperto?
Que te disse a Poesia
Sobre o líquido deserto
Ante o mar boquiaberto
Incerto se te engolia
Ou ao navio a rumo certo
Que na noite se escondia?
Temeste a morte, poeta?
Temeste a escarpa sombria
Que sob a tua agonia
Descia sem rumo certo?
Como sentiste o deserto
O deserto absoluto
O oceano absoluto
Imenso, sozinho, aberto?
Que te falou o Universo
O Infinito a descoberto?
Que te disse o amor incerto
Das ondas na ventania?
Que frouxos de zombaria
Não ouviste, ainda desperto
Às estrelas que por certo
Cochichavam luz macia?
Sentiste angústia, poeta
Ou um espasmo de alegria
Ao sentires que bulia
Um peixe nadando perto?
A tua carne não fremia
À ideia da dança inerte
Que teu corpo dançaria
No pélago submerso?
Dançaste muito, poeta
Entre os véus da água sombria
Coberto pela redoma
Da grande noite vazia?
Que coisas viste, poeta?
De que segredos soubeste
Suspenso na crista agreste
Do imenso abismo sem meta?
Dançaste muito, poeta?
Que te disse a Poesia?
Rio, 1953
(Novos Poemas II — 1959)
* Nota do blogue Verso e Conversa:
O atrevidíssimo aprendiz de blogueiro desta página, registra o contido no ‘tag’
‘Hart Crane’ desta página:
“Harold Hart Crane (1899 — 1932), estadunidense de Garretsville, Ohio, foi poeta e escritor; de sua biografia, por seus principais estudiosos, ficamos sabendo que o poeta, que em parte de sua infância e juventude morou com a avó, nunca superou seu problema psicológico originado pelos desentendimentos com o pai e, deste, com a mãe, problema de resto não resolvido, e talvez daí derivasse a raiz de seu homossexualismo e também de seu alcoolismo incontrolável; bibliografia: White Buildings (Edifícios Brancos, 1926), The Bridge (A Ponte, 1930), The Collected Poems of Hart Crane (Os poemas coletados de Hart Crane, 1933); o poeta, depois de ter obtido uma bolsa de estudos no México e lá ter permanecido por algum tempo, em sua viagem de retorno por via marítima, cometeu suicídio atirando-se às águas.”
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50 poemas
macabros [inclui poemas inéditos]: Vinicius de Moraes, Organização e Posfácio
de Daniel Gil, Ilustrações de Alex Cerveny, 2023, Companhia das Letras, São
Paulo — SP; Vinicius de Moraes (1913 — 1980),
carioca, estudou no Colégio Santo Inácio, na Faculdade Nacional de Direito (atual
UFRJ) e língua e literatura inglesas na Universidade de Oxford — Inglaterra;
foi poeta, crítico de cinema, autor teatral (escreveu Orfeu da Conceição, que serviu
de roteiro para o filme Orfeu Negro, que se tornaria premiado), letrista concorrido
da Música Popular Brasileira e diplomata; seus principais parceiros na música:
Tom Jobim, Toquinho, Baden Powell, João Gilberto, Chico Buarque, Carlos Lyra
...; como crítico de cinema, trabalhou no jornal A Manhã; foi colaborador da
revista Clima e dirigiu o suplemento literário de O Jornal; obras poéticas: O caminho
para a distância (1933), Forma e exegese (1935), Ariana, a mulher (1936), Novos
Poemas (1938), Poemas, Sonetos e Baladas (1946), Novos Poemas II (1959), Para viver
um grande amor (1964) etc.; produção musical, discografia: Orfeu da Conceição
(1956), Vinicius e Odette Lara (1963), Vinicius e Caymmi (1965), Os
Afro-Sambas: Baden e Vinicius (1966), Vinicius: poesia e canção (volumes I e
II, 1966), Vinicius em Portugal (1969), Como dizia o poeta: Vinicius, Marilia Medalha
e Toquinho (1971), Vinicius, Bethânia e Toquinho: En La Fusa — Mar del Plata (1971), Poeta, moça e violão: Vinicius, Clara Nunes e Toquinho (1973), O Poeta e
o Violão: Toquinho e Vinicius (1975), A Arca de Noé (músicas para crianças,
1980), Um pouco de ilusão: Toquinho e Vinicius (1980) ...; como diplomata,
atuou em Los Angeles — Estados Unidos, Paris — França, Roma — Itália e
Montevidéu — Uruguai; em 1968, período de ditadura militar, foi afastado da
carreira diplomática e aposentado compulsoriamente pelo Ato Institucional nº 5,
com a alegação de ter comportamento boêmio, e que isso o impedia de cumprir
funções diplomáticas; em 1998, o poeta foi anistiado (post-mortem) pela Justiça
brasileira.










