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sexta-feira, 18 de novembro de 2016

V. Moojen de Oliveira *: Minha Rua

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Minha rua era tão minha
em sua simplicidade...
Não sei de onde é que ela vinha,
mas ia para a cidade.
Com suas pedras redondas
e duas magras calçadas,
não tinha praia nem ondas,
mas como tinha enxurradas!

Era alegre, era risonha,
tinha orquestra de pardais,
e a cantilena enfadonha
de mil pregões matinais.

Ali cresci, me fiz homem,
e a minha rua, coitada...
qual as mães que se consomem,
foi tudo, sem querer nada.

Foi pista dos meus brinquedos,
de jogos de correrias...
Foi dona dos meus segredos,
viu tristezas, alegrias...

Viu meus passos imprecisos,
viu-me garoto, um traquinas,
e viu-me trocar sorrisos
nas rondas pelas esquinas.

Viu-me também, certo dia,
sair de lá, nem sei quando...
Por fora sei que sorria,
por dentro estava chorando...

Guardei, porém, na lembrança
aquele encanto que tinha
a rua em que fui criança,
a rua que foi tão minha.


* No Prefácio da 1ª. edição desta Antologia (1946), o poeta Vinícius de Moraes escreveu a propósito dos bissextos: “... poetas que nós, seus íntimos, chamamos cordialmente de bissextos — poetas sem livros de versos — bissextos pela escassez de sua produção, cuja excelência sem embargo os coloca ao lado dos mais citados”.
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Antologia dos Poetas Brasileiros — Bissextos Contemporâneos, Organização de Manuel Bandeira, 1996, Editora Nova Fronteira, Rio de Janeiro — RJ; V. Moojen de Oliveira ou Virgílio Moojen de Oliveira (1902 — 1980), mineiro de Leopoldina, fez seus estudos secundários no Colégio Brasil, em Niterói, cursou a Escola Politécnica, desistiu, formou-se em Odontologia e Medicina e, além de ter exercido estes ofícios, foi professor e poeta bissexto; nos traços bio-bibliográficos sobre o poeta, nesta Antologia, consta que, ele, “Em 1945, imprimiu numa tiragem de 250 exemplares , que não foram expostos à venda, uma brochura de vinte e dois poemas sob o título de Folhas caídas. O livrinho é dedicado a Afrânio Peixoto...”

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

V. Moojen de Oliveira *: Qualquer coisa

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Não sei se já notaste, mas existe
Qualquer coisa entre nós; um sentimento,
Uma força sutil mas que resiste
Ao tempo e às convenções. Por vezes tento

Explicar a mim mesmo em que consiste
Essa coisa qualquer: encantamento?
Afinidade? Amor? O pensamento
Em vão busca dizer, debalde insiste

Em sondar a verdade dentro d’alma.
Mas esse doce enlevo, e a doce calma
Que eu sinto que me envolvem se te vejo...

E depois essa angústia, esse desejo
De tudo, essa aflição, não sendo amor...
Deve ser qualquer coisa ainda maior.



* No Prefácio da 1ª. edição desta Antologia, o poeta Vinícius de Moraes escreveu a propósito dos bissextos: “... poetas que nós, seus íntimos, chamamos cordialmente de bissextos — poetas sem livros de versos — bissextos pela escassez de sua produção, cuja excelência sem embargo os coloca ao lado dos mais citados”.
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Antologia dos Poetas Brasileiros — Bissextos Contemporâneos, Organização de Manuel Bandeira, 1996, Editora Nova Fronteira, Rio de Janeiro — RJ; V. Moojen de Oliveira ou Virgílio Moojen de Oliveira (1902  1980), mineiro de Leopoldina, fez seus estudos secundários no Colégio Brasil, em Niterói, cursou a Escola Politécnica, desistiu, foi dentista, médico, professor e poeta bissexto; nos traços bio-bibliográficos sobre o poeta, nesta Antologia, consta que, ele, “Em 1945, imprimiu numa tiragem de 250 exemplares , que não foram expostos à venda, uma brochura de vinte e dois poemas sob o título de Folhas caídas. O livrinho é dedicado a Afrânio Peixoto...