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Que me importa o ruído da glóriaSobre o carro doirado correndo,
E dos homens viver na memória,
Quando estou mesmo vivo morrendo?
Essa glória que vedes fulgindo
É a morte trajada de brilhos.
Sobre a campa sorrisos fingindo
E chamando os heróis por seus filhos.
Venha a morte, eu não vou procurá-la;
Mas coa vida o meu nome devore;
Um fantasma vestido de gala
Minha urna de cinzas não chore.
Que me importa o ruído da glória?...
Antes quero o silêncio da campa...
Ah! dos meus sofrimentos a história
Em que peito, em que livro s'estampa?!
Sempre aos deuses pediram meus votos
Pouca sombra, o silêncio, uma lira,
Uma gruta em lugares remotos,
E o amor qu'estes votos me inspira...
Mas em vão busca amor a minha alma;
Em seu ermo ela está merencória...
A mim, pois, que feneço na calma,
Que me importa o ruído da glória?
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Poesia
Romântica — Antologia, Introdução, Seleção e Notas de Péricles
Eugênio da Silva Ramos (vários autores), 1965, Edições Melhoramentos,
São Paulo — SP; Aureliano José Lessa (1828 — 1861), mineiro de
Diamantina, formado bacharel em Direito pela Faculdade de Olinda — PE, foi
advogado e poeta da segunda geração do Romantismo; não publicou livros em vida,
sua obra ficou dispersa pelos jornais de seus tempos de estudante ou em cópias
pelas mãos dos colegas; teve seus poemas reunidos e publicados no volume Poesias
Póstumas (1873, e, em segunda edição, 1909).