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domingo, 28 de maio de 2017

António Nobre: Adeus!

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Por uma tempestade da costa de Inglaterra.

Adeus! Eu parto, mas volto, breve,
A tua casa que deixei lá!
Leva-me o Outono (não tarda a neve)
Leva-me o Outono (não tarda a neve)
No meu regresso, que sol fará!

Adeus! Na ausência meses são anos,
Dias são meses, que aí são ais;
Ah tu tens sonhos, eu tenho enganos,
Eu sou sozinho, tu tens teus Pais.

Adeus! Nas velas o Vento toca
“Aves” e “Paters” de imensa dor.
Enquanto rezas, fia na roca
Enquanto rezas, fia na roca
O linho branco do nosso amor.

Adeus! Paquete, que vais fugido
Com um Poeta lá dentro a orar!
Ai que destino tão parecido,
Andar aos ventos, ó Mar! ó Mar!

Adeus! Mar, quero que me respondas,
Aguas tão altas! dizei, dizei:
Quais mais salgadas? as vossas ondas
Quais mais salgadas? as vossas ondas
Ou as que eu choro, que eu chorarei?

Adeus! (Que é isto? treme o Paquete!)
Fiel me seja teu Coração;
Não que eu fechei-o num aloque-te *
E a chave é de oiro, trago-a na mão!

Adeus! O Vento soluça e geme,
O Mar, é negro, mas “lá” é azul...
Francês tão moço, que vais ao leme,
Francês tão moço, que vais ao leme,
Ah se pudesses voltar ao Sul!

Adeus (Piloto, que nuvens essas
Façamos juntos o “pio sinal!”),
Menina e Moça, nunca me esqueças,
Que eu tenho os olhos em Portugal!

Adeus! Um brigue de pano roto
Vede que passa, faz-nos sinais:
Tenha piedade, Sr. Piloto,
Tenha piedade, Sr. Piloto,
Seja pelas almas dos nossos Pais...

Adeus! “St. Jacques”, vai depressinha...
Meu Anjo, a esta hora, tu que farás?
O Mar faz medo (Salve, Rainha...)
E tu, meu Anjo, tão longe estás!

Adeus! Tão longe, tão longe a terra!
Longe de tudo, longe de ti!
A trinta milhas, fica a Inglaterra,
A trinta milhas, fica a Inglaterra,
A uma (ou menos) a Morte, ali...

Adeus! Na hora de me deixares,
Já pressentias o meu porvir:
“Meu Deus!” disseste, mostrando os ares...
Mas era urgente partir! partir!

Adeus! Já faltam os mantimentos,
Falta-nos água, falta-nos luz!
Morrer, à lua, sem sacramentos,
Morrer, à lua, sem sacramentos,
Morrer tão novo, Jesus! Jesus!

Adeus! E os dias nascem e morrem;
Tanta água e falta para beber!
E já puseram (rumores correm)
Sola de molho para comer. **

Adeus! Bons dias, meu Comandante,
A nossa sorte... morrer, talvez...
E o rude velho segue pra diante:
E o rude velho segue pra diante:
 Morrer, meu Amo, só uma vez!

Adeus!  Gajeiro!  boa criança!
Que vais em cima no mastaréu,
Vê lá se avistas terras de França...
 Ah nada avisto, só água e céu!

Adeus! Ó Lua, Lua dos Meses,
Lua dos Mares, ora por nós!...
O Mar antigo dos Portugueses,
O Mar antigo dos Portugueses,
O Mar antigo dos meus Avós!

Adeus! Ai triste de quem embarca
Sem ver a sorte que o espera ao fim!
Façamos vela prá Dinamarca,
Que Hamlet espera no Cais por mim.

Adeus! À Vida sinto-me preso,
(Morrer não custa) pelas paixões...
Vamos ao fundo, meu Anjo, ao peso
Vamos ao fundo, meu Anjo, ao peso
Das minhas trinta desilusões!

Adeus! Que estranha Visão é aquela
Que vem andando por sobre o mar?
Todos exclamam de mãos para ela:
“Nossa Senhora! que vens a andar!”

Adeus! A Virgem com um afago,
Pôs manso o Oceano, que assim o quis:
O Mar agora parece um lago,
O Mar agora parece um lago...
O rio Lima do meu País!

Adeus! Menina, que estás rezando,
Desceu a Virgem e já te ouviu:
Agora, quero ver-te cantando,
A Santa Virgem já me acudiu.

Adeus! Os Ventos são meigas brisas
E brilha a Lua como um farol!
Ponde nas vergas vossas camisas,
Ponde nas vergas vossas camisas,
Ó Marinheiros, que a Lua é o Sol!

Adeus! “St. Jacques” lá entra a barra,
Nossa Senhora vai indo a pé:
Com o seu cabelo fez uma amarra,
Lá vai puxando, que boa ela é!

Adeus! Eu parto, mas volto, breve,
A tua casa que deixei lá!
Leva-me o Outono (não tarda a neve)
Leva-me o Outono (não tarda a neve)
No meu regresso, que sol fará!

(Paris, 1893)

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Notas de Luís da Câmara Cascudo:
* Aloquete: Cadeado, ferrolho;
** Sola de molho: Reminiscência do romance Nau Catarineta.
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António Nobre — Poesia, Coleção Nossos Clássicos nº 41, por Luís da Câmara Cascudo, 1967, 2ª edição, Livraria Agir Editora, Rio de Janeiro — RJ; António Pereira Nobre (1867 1900), português do Porto, licenciado em Ciências Políticas pela École Libre des Sciences Politiques, de Paris, foi poeta decadentista e simbolista; colaborou com suas poesias nas revistas A Mocidade de Hoje e Boémia Nova, além de nos periódicos Branco e Negro, A Imprensa, A Leitura e Revista de turismo; escreveu e publicou (1892), sua única obra poética editada em vida e que consta constituir-se num dos marcos da poesia portuguesa do século XIX.

sábado, 22 de abril de 2017

António Nobre: Saudade

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Saudade, saudade! palavra tão triste,
E ouvi-la faz bem:
Meu caro Garrett, tu bem na sentiste,
Melhor que ninguém!

Saudades da virgem de ao pé do Mondego,
Saudades de tudo:
Ouvi-las caindo da boca dum Cego,
Dos olhos dum Mudo!

Saudades d’Aquela que, cheia de linhas,
De agulha e dedal,
Eu vejo bordando Galeões e andorinhas
No seu enxoval.

Saudades! e canta, na Torre deu a hora
Da sua novena:
Olhai-a! dá ares de Nossa Senhora,
Quando era pequena.

Saudades, saudades! E ouvide que canta
(E sempre a bordar)
Que linda! “Quem canta seus males espanta”
E eu vou-me a cantar...

Virgílio é estudante, levou-o o seu fado
A terras de França!
Mais leve que espuma, não tenho pecado,
Que o diga a balança.

Separam-me dele cem rios, cem pontes,
Mas isso que faz?
Atrás desses montes, ainda há outros montes,
E ainda outros, atrás!

Não tarda que volte por montes e praias,
Formado que esteja;
E iremos juntinhos, ah tem-te-não-caias!
Casar-nos à Igreja.

Virgílio é um anjo, não tem um defeito,
É altinho como eu;
Os lábios com lábios, o peito com peito...
Ah, Virgem do Céu!

O Amor, ai que enigma! consolo no Tédio,
Estrela do Norte!
O Amor é doença, que tem por remédio
Um beijo, ou a Morte.

Às vezes, eu quero dizer-lhe que o amo,
Mas, vou-lhe a dizer,
Irene não fala (Irene me chamo)
E fica a tremer...

Quando ia ao postigo falar-lhe, tão cedo,
(Tu, Lua, bem viste)
Ai que olhos aqueles! metiam-me medo...
E sempre tão triste!

Perfil de Teresa, velado na capa,
Lá passa por mim:
Ó noites da Estrada, tardinhas da Lapa,
Choupal e Jardim!

Cabelos caídos, a cara de cera,
Os olhos ao fundo!
E a voz de Virgílio, docinha que ela era,
Não é deste Mundo!

Saudades, saudades! Que valem as rezas,
Que serve pedir!
No altar continuam as velas acesas,
Mas ele sem vir!

Já choupos nasceram, já choupos cresceram,
Estou tão crescida!
Já choupos morreram, já outros nasceram...
Como é curta a Vida!

Ó rio de amores, que vens da Portela
Pró mar do Senhor,
Ah vê se na costa se avista uma vela,
Se vem o Vapor...

Meu Sto. Mondego, que voas e corres,
Não tenhas vagares!
Mondego dos Choupos, Mondego das Torres,
Mondego dos Mares!

Mas ai! o Mondego (Senhora da Graça,
Sou tão infeliz!)
Já foi e já volta, lá passa que passa,
E nada me diz...


(Paris, 1894)

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António Nobre  Poesia, Coleção Nossos Clássicos  41, por Luís da Câmara Cascudo, 1967, 2ª edição, Livraria Agir Editora, Rio de Janeiro — RJ; António Pereira Nobre (1867 1900), português do Porto, licenciado em Ciências Políticas pela École Libre des Sciences Politiques, de Paris, foi poeta decadentista e simbolista; colaborou com suas poesias nas revistas A Mocidade de Hoje e Boémia Nova, além de nos periódicos Branco e Negro, A Imprensa, A Leitura e Revista de turismo; escreveu e publicou (1892), sua única obra poética editada em vida e que consta constituir-se num dos marcos da poesia portuguesa do século XIX.

terça-feira, 27 de setembro de 2016

Caldas Barbosa: Esquecimento

Gentes, * que é isso?
Você não fala?
Por que se cala
Quando me vê?

     Eu bem sabia
     Q’estando ausente,
     Mui de repente
     Ia esquecer.

Tantos agrados
Faltam agora.
Diga, Senhora,
Diga por quê?

     Eu bem sabia
     Q’estando ausente,
     Mui de repente
     Ia esquecer.

Eu bem vi logo
Quando partia.
Que assim havia
De suceder.

     Eu bem sabia
     Q’estando ausente,
     Mui de repente
     Ia esquecer.

Eu não lhe disse?
Não tem lembrança?
Que esta mudança
Havia haver?

     Eu bem sabia
     Q’estando ausente
     Mui de repente
     Ia esquecer.

Seja mudável,
Seja traidora,
Que enfim, Senhora,
Sempre é mulher.

     Eu bem sabia
     Q’estando ausente
     Mui de repente
     Ia esquecer.

Deste seu modo
Já não me espanto.
E estou por quanto
Você quiser.

     Eu bem sabia
     Q’estando ausente
     Mui de repente
     Ia esquecer.

A causa disso,
Eu a adivinho.
O seu carinho
Já d’outrem é.

     Eu bem sabia
     Q’estando ausente
     Mui de repente
     Ia esquecer.

Sei com quem goza
Seu passatempo,
Lá virá tempo,
Q’eu lho direi

     Eu bem sabia
     Q’estando ausente
     Mui de repente
     Ia esquecer.

Dava-me o tempo
Por testemunha,
É o q’eu supunha
O tempo o vê.

     Eu bem sabia
     Q’estando ausente
     Mui de repente
     Ia esquecer.

Por experiência,
Sei com certeza,
Não há firmeza
Nunca em mulher.

     Eu bem sabia
     Q’estando ausente
     Mui de repente
     Ia esquecer.

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Nota de Câmara Cascudo:
* De notar-se o gentes, de sabor brasileiríssimo. Nada mais popular que esta locução interjetiva de surpresa, dúvida, admiração.
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Caldas Barbosa — poesia, Coleção Nossos Clássicos Volume 16, por Luís da Câmara Cascudo, 1972, 2ª. edição, Livraria Agir Editora, Rio de Janeiro — RJ; Domingos Caldas Barbosa (1738  1800), nascido no Rio de Janeiro, foi poeta, violonista, compositor e cantor de modinhas, teatrólogo e presbítero; fixou residência em Lisboa  Portugal, por volta de 1772, fez curso de formação religiosa e ordenou-se; fundou a Academia de Belas Artes, a Nova Arcádia, em Portugal, juntamente com Bocage e outros poetas; sob o pseudônimo de Lereno Selenuntino, aderiu à Arcádia Romana; o poeta árcade teve sua obra vinculada à canção popular; Viola de Lereno foi publicada em 1798.

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

António Nobre: Quisera ser um grande marinheiro; . . . [soneto]

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Quisera ser um grande marinheiro,
Um novo astro entre os milhões de sóis!
Ser de Albuquerque um filho aventureiro,
Pertencer à família dos Heróis!

Ou então ser um simples pegureiro,
Viver, ao sol, no monte com os bois...
Ou, antes, ser um pescador trigueiro;
Nascer no Oceano e ficar lá depois!

Quisera ser "alguém": para isso creio
Que vim ao mundo, a Humanidade veio,
E à vida nos lançaram nossos Pais:

Mas o que faço eu (e o tempo foge),
O que fazemos nós, rapazes de hoje?
Bebemos e fumamos, nada mais!...

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António Nobre Poesia, Coleção Nossos Clássicos 41, por Luís da Câmara Cascudo, 1967, edição, Livraria Agir Editora, Rio de Janeiro RJ; António Pereira Nobre (1867 1900), português do Porto, licenciado em Ciências Políticas pela École Libre des Sciences Politiques, de Paris, foi poeta decadentista e simbolista; colaborou com suas poesias nas revistas A Mocidade de Hoje e Boémia Nova, além de nos periódicos Branco e Negro, A Imprensa, A Leitura e Revista de turismo; escreveu e publicou (1892), sua única obra poética editada em vida e que consta constituir-se num dos marcos da poesia portuguesa do século XIX.

terça-feira, 20 de setembro de 2016

Caldas Barbosa: Sem acabar de morrer *

(Cantigas)

É a minha triste vida
Sempre penar, e sofrer:
Vou morrendo a todo instante
Sem acabar de morrer.

Sabes meu bem o q’eu sofro
Quando não te posso ver?
É morrer de saudades
Sem acabar de morrer.

Prometeu-me Amor doçuras:
Contentou-se em prometer:
E me faz viver morrendo
Sem acabar de morrer.

Lisonjeiras esperanças
Vêm minha morte empecer:
Vão-me sustentando a vida
Sem acabar de morrer.

Em mim tome um triste exemplo
Quem amando quer viver;
Saiba que é viver morrendo
Sem acabar de morrer.

Quando ponho a mão no peito
Sinto um lânguido bater:
É o coração que expira
Sem acabar de morrer.

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Nota de Câmara Cascudo:
* Foi uma das composições prediletas na empatia popular.
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Caldas Barbosa — poesia, Coleção Nossos Clássicos Volume 16, por Luís da Câmara Cascudo, 1972, 2ª. edição, Livraria Agir Editora, Rio de Janeiro — RJ; Domingos Caldas Barbosa (1738  1800), nascido no Rio de Janeiro, foi poeta, violonista, compositor e cantor de modinhas, teatrólogo e presbítero; fixou residência em Lisboa  Portugal, por volta de 1772, fez curso de formação religiosa e ordenou-se; fundou a Academia de Belas Artes, a Nova Arcádia, em Portugal, juntamente com Bocage e outros poetas; sob o pseudônimo de Lereno Selenuntino, aderiu à Arcádia Romana; o poeta árcade teve sua obra vinculada à canção popular; Viola de Lereno foi publicada em 1798.

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Caldas Barbosa: Vou morrendo devagar *

Eu sei cruel, que tu gostas,
Sim gostas de me matar;
Morro, e por dar-te mais gosto,
Vou morrendo devagar.

Eu gosto de morrer por ti;
Tu gostas de ver-me expirar;
Como isto é morte de gosto,
Vou morrendo devagar.

Amor nos uniu em vida,
Na morte nos quer juntar;
Eu, para ver como morres,
Vou morrendo devagar.

Perder a vida é perder-te;
Não tenho que me apressar;
Como te perco morrendo,
Vou morrendo devagar.

O veneno do ciúme
Já principia a lavrar;
Entre pungentes suspeitas
Vou morrendo devagar.

Já vai me calando ** as veias
Teu veneno de agradar;
E gostando eu de morrer,
Vou morrendo devagar.

Quando não vejo os teus olhos
Sinto-me então expirar;
Sustentado d'esperanças,
Vou morrendo devagar.

Os Ciúmes, e as Saudades
Cruel morte me vêm dar;
Eu vou morrendo aos pedaços,
Vou morrendo devagar.

É feliz entre as desgraças,
Quem logo pode acabar;
Eu, por ser mais desgraçado,
Vou morrendo devagar.

A morte, enfim, vem prender-me,
Já não lhe posso escapar;
Mas abrigado a teu Nome,
Vou morrendo devagar.

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Notas de Câmara Cascudo:
* Foi uma das modinhas mais populares do Pe. Caldas Barbosa. Meu pai (1863 — 1935), ouviu-a muitas vezes cantar, violão acompanhando em tonalidade menor, em várias vilas do interior da Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará, entre 1880 — 1890. Fossem estes versos escritos em francês e datados de Paris seriam uma pequenina obra-prima de sensualidade galante, maliciosa no duplo emprego do “morrendo devagar”, índice da finura amorosa e verbal, despedindo-se do séc. XVIII, nas vésperas da Revolução Francesa;
** Calando, penetrando.
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Caldas Barbosa — poesia, Coleção Nossos Clássicos Volume 16, por Luís da Câmara Cascudo, 1972, 2ª. edição, Livraria Agir Editora, Rio de Janeiro — RJ; Domingos Caldas Barbosa (1738 1800), nascido no Rio de Janeiro, foi poeta, violonista, compositor e cantor de modinhas, teatrólogo e presbítero; fixou residência em Lisboa  Portugal, por volta de 1772, fez curso de formação religiosa e ordenou-se; fundou a Academia de Belas Artes, a Nova Arcádia, em Portugal, juntamente com Bocage e outros poetas; sob o pseudônimo de Lereno Selenuntino, aderiu à Arcádia Romana; o poeta árcade teve sua obra vinculada à canção popular; Viola de Lereno foi publicada em 1798.