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[traduzido por Paulo César de Souza]
Não se dirá: Quando a nogueira
balançou no vento
Mas sim: Quando o pintor de
paredes esmagou os trabalhadores.
Não se dirá: Quando o menino
fez deslizar a pedra lisa pela superfície
da correnteza
Mas sim: Quando prepararam as
grandes guerras.
Não se dirá: Quando a mulher
foi para o quarto
Mas sim: Quando os grandes
poderes se uniram contra os
trabalhadores.
Mas não se dirá: Os tempos
eram negros
E sim: Por que seus poetas
silenciaram?
"In finsteren Zeiten"
Die werden nicht sagen: als
der Walnussbaum im Wind bebte
Sondern: als der Hausmaler die
Arbeiter plattmachte.
Die werden nicht sagen: als
das Kind einen flachen Stein über die
Stromschnellen schob
Sondern: als die großen Kriege
vorbereitet wurden.
Die werden nicht sagen: als
die Frau in den Raum kam
Sondern: als die Großmächte
sich gegen die Arbeiter verbündeten.
Aber sie werden nicht sagen:
die Zeiten waren finster
Sondern: warum schwiegen ihre
Dichter?
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Bertolt Brecht, poemas 1913—1956, Seleção e Tradução de Paulo César de Souza,
2016 (7ª edição, 1ª reimpressão), Editora 34, São Paulo — SP; Eugen Berthold Friedrich
Brecht (1898 — 1956), alemão de Augsburg — Baviera, estudou na Escola Real de Augsburg,
formou-se em 1917 e iniciou curso de Medicina, em Munique, abandonando-o para trabalhar
em direção teatral e dramaturgia, foi poeta, dramaturgo, encenador, enfermeiro em
Hospital Militar; ainda estudante, deu início à produção de textos literários; ao
ser convocado pelo exército, na Primeira Guerra, serviu como enfermeiro em hospital
militar; desde 1921 dirigiu e se envolveu em dramaturgia em Munique e, a partir
de 1924, em Berlim; em 1933, com a ascensão de Hitler, deixou a Alemanha, exilando-se
primeiro na Dinamarca, depois nos Estados Unidos e na Suiça; em 1948, de volta à
Alemanha, fundou a companhia teatral Berliner Ensemble; Brecht, atuante na poesia
e na arte dramática, deixou-nos extensa produção: em arte dramática, Baal (texto
de 1918/produção em 1923), Trommein in der Nacht (Tambores na Noite, 1919/1922),
Mann is Mann (Um Homem é um Homem, 1924-26/1926), Die Dreigroschenoper (A Ópera
dos Três Vinténs, 1928/1928), Die Kleinbürgerhochzeit (O Casamento do Pequeno Burguês,
1919/1926), Die Ausnahme und die Regel (A Exceção e a Regra, 1930/1938), em poesia:
Psalmen (Salmos, texto de 1926, publicado em 1960), Bertolt Brechts Hauspostille
(Breviário Doméstico de Bertolt Brecht, 1916-25/1926), Die Augsburger Sonette (Os
Sonetos de Augsburgo, 1925-27/1982), Sonette (Sonetos, 1932-34/1951), Englische
Sonette (sonetos Ingleses, 1934), Lieder Gedichte Chöre (Canções, poemas, coros,
1918-33/1934), Chinesische Gedichte (Poemas chineses, 1938-1949), Svendborger Gedichte
(Poemas de Svendborger, 1934-38/1939), Gedichte im Exil (Poemas no Exílio, 1936-44/1988),
Deutsche Satiren — zweiter Teil (Sátiras alemãs — parte dois, 1945/1988), Gedichte
über die Liebe (Poemas sobre o amor, 1917-56/1982), Hundert Gedichte: 1918 bis 1950
(Cem Poemas: 1918 a 1950, 1958) e tantos outros textos em verso e prosa, escritos
e produzidos para o teatro; sua poesia não se dissocia da arte dramática, havendo
em seus poemas o mesmo sentido épico e didático de suas peças teatrais.
