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sexta-feira, 4 de julho de 2014

Manuel Laranjeira: A Idéia e a Forma

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Deixo que o verso corra livremente
como a linfa que desce da montanha
na sua doce melodia estranha,
rumorosa e feliz da água corrente.

A forma há de ser sempre inconsciente,
frágil, medrosa, como a pobre aranha
que em suas próprias redes se emaranha
para vê-las partidas de repente.

Mas, fosse a forma linda teia de ouro:
— esse meu sonho, encantador besouro,
procura a luz, o sol, a claridade

porque, para os eleitos da beleza,
a idéia nunca pode ficar presa:
como o condor, procura a imensidade.
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Antologia de Poetas Fluminenses Rubens Falcão, Carta-Prefácio de Agripino Grieco, 1968, Gráfica Record Editora, Rio de Janeiro — RJ; Manuel Laranjeira (1898 1952), fluminense de Santa Maria Madalena, exerceu funções no comércio e em cartório, foi revisor e repórter de jornais cariocas e poeta; colaborou ativamente com o periódico A Semana; tencionava editar "Nau do Sonho", coletânea de poesias que, dispersas em jornais e revistas, foram conservadas por familiares.