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sábado, 31 de agosto de 2019

Félix Araújo: Meu coração

60 poetas trágicos | Amazon.com.br
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Meu coração, este país medonho,
em que Deus periclita e o Inferno avança,
tem as florestas negras do meu sonho
e as cordilheiras verdes da esperança.

Doura-o, às vezes, um clarão risonho:
é a crença morta que ressurge, mansa...
Mas sobrevém o temporal tristonho
da dúvida cruel brandindo a lança.

Brilham, no céu, os astros em delírio.
No meu país, de onde fugiu a calma,
brotam, chorando, as rosas do martírio.

Maldito coração, que Deus te açoite!
De que valem os sóis que tenho n´alma
se existe em mim a maldição da noite?

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60 Poetas Trágicos — Organização, seleção, nota de apresentação e traços biobibliográficos de Sergio Faraco, 2016, L&PM Editores, Porto Alegre — RS; Félix de Sousa Araújo (1922 1953), paraibano de Cabaceiras, estudou no Colégio Diocesano Pio XI Campina Grande, fez o curso clássico no Liceu Paraibano João Pessoa e ingressou na Faculdade de Direito de Recife, sem ter tido tempo de concluir o bacharelado; Félix Araújo foi poeta, escritor, livreiro, radialista, jornalista e político municipal e regional; já aos 16 anos tinha seus textos publicados na imprensa, depois fundou os jornais Cruzeiro, em Cabaceiras, Cruzeiro do Sul, em Campina Grande, foi correspondente de guerra em campos italianos, contra o nazi-fascismo; criou programa na Rádio Borborema e manteve programa diário de leitura de crônicas na Rádio Caturité, ambas em Campina Grande PB; também em Campina Grande, instalou a Livraria do Povo que sofreu atentado e foi destruída em incêndio criminoso, por adversários políticos; filiou-se ao PCB e disputou eleições por este partido; depois foi eleito vereador pelo Partido Libertador; Félix Araújo, identificado com causas populares, movimentos sociais e manifestações nacionalistas, foi baleado em um atentado e, em decorrência dos ferimentos, veio a falecer em 27 de julho de 1953, ainda aluno de direito em Recife.