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quarta-feira, 10 de junho de 2015

Cleómenes Campos: Fábula

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No começo do mundo,
quando tudo falava, um Monte, certo dia,
interrogou a um Vale, a quem mal conhecia:
 "Quem é mais alto de nós dois?"

O Vale respondeu-lhe admirado, depois:
 "Eu só te sei dizer quem é o mais profundo..."

(Humildade, 1931, Cia. Editora
 Nacional, São Paulo, pág 131.)

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Panorama da Poesia Brasileira, Volume V — Pré-Modernismo, por Fernando Góes, 1960, Editora Civilização Brasileira, Rio de Janeiro — RJ; Cleómenes Campos de Oliveira (1895 1968), sergipense de Maruim, foi poeta, teatrólogo e funcionário público; ainda jovem, abandonou os estudos e ingressou na vida comercial; na década de 1920, em São Paulo, fundou a revista literária A Garoa (1921  1924) e trabalhou na redação da Folha da Tarde; escreveu e publicou Coração Encantado, poesias (1923, premiado pela Academia Brasileira de Letras), De mãos postas (1926, premiado pela Academia Brasileira de Letras), Humildade, poesias (1931), Meu Livro de Amor (1931), Canção da Felicidade (1934), Zabelê, poesias (1940), Mascote, comédia (peça teatral, em colaboração com Oduvaldo Vianna) Sonata do Desencanto, quase uma fantasia (1950), O Segredo de Nós Dois (1969) e outros títulos em verso e prosa e para teatro, inclusive inéditos; na vida literária também usou o pseudônimo Ariel; trabalhou nos Correios e Telégrafos de São Paulo e no Ministério da Fazenda.

quarta-feira, 20 de maio de 2015

Cleómenes Campos: Eu Tinha um Beijo Para Sua Boca

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a Humberto Cozzo

Eu tinha um beijo para sua boca.
Ela estava, porém, tão alta, que em verdade
não podia jamais florir em realidade
a minha idéia louca.

Era linda! Cantava... Uma voz harmoniosa!

Certa vez, por acaso, olhou-me lá de cima,
e eu fiz uma canção bem simples, amorosa,
em que deixei meu beijo ardente, numa rima,
como um pequeno pirilampo numa rosa...

A canção correu mundo, ágil e colorida,
a espalhar pelo mundo a minha idéia louca.

Um dia, ela também a cantou, distraída...

— Foi assim que beijei a sua boca...

(Meu Livro de Amor, 1931,  Cia. Editora
 Nacional,  S. Paulo, págs. 27 a 29)

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Panorama da Poesia Brasileira, Volume V — Pré-Modernismo, por Fernando Góes, 1960, Editora Civilização Brasileira, Rio de Janeiro — RJ; Cleómenes Campos de Oliveira (1895 1968), sergipense de Maruim, foi poeta, teatrólogo e funcionário público; ainda jovem, abandonou os estudos e ingressou na vida comercial; na década de 1920, em São Paulo, fundou a revista literária A Garoa (1921 1924) e trabalhou na redação da Folha da Tarde; escreveu e publicou Coração Encantado, poesias (1923, premiado pela Academia Brasileira de Letras), De mãos postas (1926, premiado pela Academia Brasileira de Letras), Humildade, poesias (1931), Meu Livro de Amor (1931), Canção da Felicidade (1934), Zabelê, poesias (1940), Mascote, comédia (peça teatral, em colaboração com Oduvaldo Vianna) Sonata do Desencanto, quase uma fantasia (1950), O Segredo de Nós Dois (1969) e outros títulos em verso e prosa e para teatro, inclusive inéditos; na vida literária também usou o pseudônimo Ariel; trabalhou nos Correios e Telégrafos de São Paulo e no Ministério da Fazenda.