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sexta-feira, 22 de março de 2019

Bertholt Brecht: O vosso tanque, general, é um carro forte

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[Traduzido por Joaquim Cardozo]

O vosso tanque, general, é um carro forte.
Derruba uma floresta, esmaga cem homens.
Mas tem um defeito
 Precisa de um motorista.

O vosso bombardeiro, general, é poderoso:
Voa mais depressa do que a tempestade
E transporta mais carga do que um elefante.
Mas tem um defeito
 Precisa de um piloto.

O homem, meu general, é muito útil:
Sabe voar, e sabe matar.
Mas tem um defeito
 Sabe pensar.

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Bertholt Brecht

General, dein Tank ist ein starker Wagen

General, dein Tank ist ein starker Wagen.
Er bricht einen Wald nieder und zermalmt hundert Menschen.
Aber er hat einen Fehler:
Er braucht einen Fahrer.

General, dein Bombenflugzeug ist stark.
Es fliegt schneller als der Sturm und trägt mehr als ein Elefant.
Aber es hat einen Fehler:
Es braucht einen Monteur.

General, der Mensch ist sehr brauchbar.
Er kann fliegen, und er kann töten.
Aber er hat einen Fehler:
Er kann denken.
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O Livro de Ouro da Poesia Alemã — Antologias de Poetas da Língua Alemã, (diversos autores e tradutores), Apresentação e Seleção de Geir Campos, edição bilíngue, Clássicos de Bolso, 1985, Ediouro, Rio de Janeiro — RJ; Eugen Bertholt Friedrich Brecht (1898 1956), alemão de Augsburg Baviera, foi dramaturgo, encenador e poeta; em 1917 iniciou o curso de Medicina, em Munique, mas, tendo sido convocado pelo exército, na Primeira Guerra, trabalhou como enfermeiro em hospital militar; em 1933, com a ascensão de Hitler, deixa a Alemanha, exilando-se primeiro na Dinamarca, depois nos Estados Unidos e na Suiça; em 1948, de volta à Alemanha, funda a companhia teatral Berliner Ensemble; Brecht, atuante na poesia e na arte dramática, deixou-nos extensa produção artística, Baal (texto de 1918/produção em 1926), Trommein in der Nacht (Tambores na Noite, 1918/1920), Mann is Mann (Um Homem é um Homem, 1924-26/1926), Die Dreigroschenoper (A Ópera dos Três Vinténs, 1928/1928), Die Kleinbürgerhochzeit (O Casamento do Pequeno Burguês, 1919/1926), Die Ausnahme und die Regel (A Exceção e a Regra, 1930/1938) e tantos outros textos escritos e produzidos para o teatro; sua poesia não se dissocia da arte dramática, havendo em seus poemas o mesmo sentido épico e didático de suas peças teatrais.

terça-feira, 2 de outubro de 2018

Joaquim Cardozo: Soneto do Suicida

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Com minhas próprias mãos abro esta porta
Que dá para o jardim do esquecimento,
Onde vejo a cisterna e vejo a horta
De água e fruto inválidos. Movimento

De asas infinitas os ares corta,
E fecha o meu aberto pensamento
No ponto essencial da linha torta,
Que do ser é limite e acabamento.

Com minhas próprias mãos cultivo a terra
Da morte: a terra ex-terra, a finis terra,
E o adubo da Imemória manuseio.

O gesto de lançar uma semente
É como um gesto de adeus; só e ausente,
Neste jardim, eu próprio me semeio.

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De uma noite de festa — bumba-meu-boi, Joaquim Cardozo, sem data de edição, Círculo do Livro S.A., São Paulo — SP; Joaquim Cardozo (1897  — 1978), ou Joaquim Maria Moreira Cardozo, pernambucano de Recife, formado engenheiro civil pela Escola de Engenharia de Recife, foi poeta, contista, dramaturgo, engenheiro civil, desenhista, professor universitário e editor; na imprensa, fez charges para o Diário de Pernambuco, colaborou nas Revista do Norte (foi diretor), Revista do Patrimônio HistóricoPara Todos Módulo; foi professor de Teoria e Filosofia da Arquitetura na antiga Escola de Belas Artes de Pernambuco; bibliografia: Poemas  (1947), Signo estrelado (1960), Coronel de Macambira (1963), De uma noite de festa (bumba-meu-boi, 1971), Poesias Completas (1971), Os anjos e os demônios de Deus (1973), O capataz de SalemaAntonio Conselheiro, Marechal, boi de carro (1975), O interior da matéria (1976), Um livro aceso e nove canções sombrias (póstumo, 1981); como engenheiro civil, participou dos cálculos de projetos de obras monumentais de Oscar Niemeyer, o Conjunto Arquitetônico da Pampulha, em Minas Gerais, e do Palácio da Alvorada, Catedral Metropolitana, Cúpula do Congresso Nacional, Palácio Itamarati, todos em Brasília — DF, além de outros trabalhos.

quinta-feira, 13 de setembro de 2018

Joaquim Cardozo: Soneto de Vidro

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Este ser que se compõe de adjacências,
E de um cimento claro e matinal,
Tem nos seus nervos finos transparências,
De luz se alimenta. Fala cristal.

Por seu través mantendo as aparências,
Da limpidez é símbolo e sinal;
Meu coração, por essas excelências,
Nele se mira e se vê por igual,

Nele se ajusta, assim como vertida
Onda de anseios vagos e dispersos
Que um sopro dual juntasse em verbo e vida.

Lendo-o com precaução modesta e ágil
Cuidado tenham no seguir seus versos
Que este soneto é de matéria frágil.

Signo estrelado  1960

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Joaquim Cardozo — Poesias Completas, Apresentação de Antônio Houaiss,  1979, 2ª edição, Editora Civilização Brasileira, Rio de Janeiro — RJ;  Joaquim Cardozo (1897   1978), ou Joaquim Maria Moreira Cardozo, pernambucano de Recife, formado engenheiro civil pela Escola de Engenharia de Recife, foi poeta, contista, dramaturgo, engenheiro civil, desenhista, professor universitário e editor; na imprensa, fez charges para o Diário de Pernambuco, colaborou nas Revista do Norte (foi diretor), Revista do Patrimônio HistóricoPara Todos e Módulo; foi professor de Teoria e Filosofia da Arquitetura na antiga Escola de Belas Artes de Pernambuco; bibliografia: Poemas (1947), Signo estrelado (1960), Coronel de Macambira (1963), De uma noite de festa (bumba-meu-boi, 1971), Poesias Completas (1971), Os anjos e os demônios de Deus (1973), O capataz de SalemaAntonio ConselheiroMarechal, boi de carro (1975), O interior da matéria (1976), Um livro aceso e nove canções sombrias (póstumo, 1981); como engenheiro civil, participou dos cálculos de projetos de obras monumentais de Oscar Niemeyer, o Conjunto Arquitetônico da Pampulha, em Minas Gerais, e do Palácio da Alvorada, Catedral Metropolitana, Cúpula do Congresso Nacional, Palácio Itamarati, todos em Brasília  DF, além de outros trabalhos.

segunda-feira, 10 de setembro de 2018

Joaquim Cardozo: Cemitério da Infância

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               Semana da criança, 1953

No cemitério da Infância
Era manhã quando entrei,
Das plantas que vi florindo
De tantas me deslumbrei . . .
Era manhã reluzindo
Quando ao meu país cheguei,
Dos rostos que vi sorrindo
De poucos me lembrarei.

Vinha de largas distâncias
No meu cavalo veloz,
Pela noite, sobre a noite,
Na pesquisa de arrebóis;
E ouvia, sinistramente,
Longínqua, esquecida voz . . .
Galos cantavam, cantavam.
 Auroras de girassóis.

Por esses aléns de serras,
Pelas léguas de verão,
Quantos passos repetidos
Trilhados no mesmo chão;
Pelas margens das estradas:
Rosário, cruz, coração . . .
Mulheres rezando as lágrimas,
Passando as gotas na mão.

Aqui caíram as asas
Dos anjos. Rudes caminhos
Adornam covas pequenas
De urtiga branca e de espinhos;
Mais perto cheguei meus passos,
Mais e demais, de mansinho:
As almas do chão revoaram:
Um bando de passarinhos.

Oh! aflições pequeninas
Em corações de brinquedos;
Em sono se desfolharam
Tuas roseiras de medo . . .
Teus choros trazem relentos:
Ternuras de manhã cedo;
Oh! Cemitério da Infância
Abre a luz do teu segredo.

Carne, cinza, terra, adubo
Guardam mistérios mortais;
Meninos, depois adultos:
Os grandes canaviais . . .
 Crescem bagas nos arbustos,
Como riquezas reais,
Pasta o gado nas planuras
Dos vastos campos gerais.

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Joaquim Cardozo

[translated by Elizabeth Bishop]

Cemetery of Childhood

Children´s Week, 1953               

In the cemetery of Childhood
It was morning when I entered,
The flowers were in bloom,
So many I was dazzled . . .
It was morning, bright with dew,
When I reached my own country,
Of the smiling faces I saw
I´ll remember very few.

From wide distances
My horse travelled swiftly,
Through night, across the night,
Searching by after-glow;
And I heard, ominous,
A remote, forgotten voice . . .
And the roosters crow and crow
— Sunrise sunflowers.

From behind those mountains,
Through the leagues of summer,
How many repeated steps
Tracking the same ground;
And along the roadsides:
Rosary, cross, and heart . . .
Women praying tears,
Their hands telling the drops.

Here the wings of the angels
Fell off. Homely paths
Adorn the small graves
With thorns and white nettles;
My steps carne closer, closer,
Too close, stealthily:
The souls flew up from the ground:
A flock of little birds.

Oh! the small afflictions
In the hearts of toys!
Your sleeping rosebushes
Drop their leaves in fright . . .
Your grief brings evening dew,
Sweetness of early morning;
Oh! cemetery of Childhood,
Reveal your secret light.

Flesh, ash, and Earth
Feed mortal mysteries;
Children, then adults:
The big fields of cane . . .
Like a king's ransom
Berries load the trees,
Cattle graze the levels
Of the vast common plain.
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An Anthology of Twentieth-Century Brazilian Poetry — Edited, with Introduction, by Elizabeth Bishop and Emanuel Brasil, 1972, Wesleyan University Press, Middletown, Connecticut — USA; Joaquim Cardozo (1897  1978), ou Joaquim Maria Moreira Cardozo, pernambucano de Recife, formado engenheiro civil pela Escola de Engenharia de Recife, foi poeta, contista, dramaturgo, engenheiro civil, desenhista, professor universitário e editor; na imprensa, fez charges para o Diário de Pernambuco, colaborou nas Revista do Norte (foi diretor), Revista do Patrimônio HistóricoPara Todos e Módulo; foi professor de Teoria e Filosofia da Arquitetura na antiga Escola de Belas Artes de Pernambuco; bibliografia: Poemas (1947), Signo estrelado (1960), Coronel de Macambira (1963), De uma noite de festa (bumba-meu-boi, 1971), Poesias Completas (1971), Os anjos e os demônios de Deus (1973), O capataz de SalemaAntonio ConselheiroMarechal, boi de carro (1975), O interior da matéria (1976), Um livro aceso e nove canções sombrias (póstumo, 1981); como engenheiro civil, participou dos cálculos de projetos de obras monumentais de Oscar Niemeyer, o Conjunto Arquitetônico da Pampulha, em Minas Gerais, e do Palácio da Alvorada, Catedral Metropolitana, Cúpula do Congresso Nacional, Palácio Itamarati, todos em Brasília  DF, além de outros trabalhos.

sexta-feira, 7 de setembro de 2018

Joaquim Cardozo: Riscos Para um Cartão de Rendeira

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A Altamiro Cunha

Os bilros cantam, tecendo
Caprichos de renda branca,
Com meandros e meneios
De folha de mamoeiro;
Rastejos na areia solta,
Volteios de espuma branca.

Os bilros dançam, tecendo
Requebros de saia branca;
Pêndulos de sombra fina
Nas palmas de um dendezeiro:
Para o lá e para o aqui
Que leva e traz vela branca.

Os bilros cruzam, tecendo
Um voo de garça branca...
Tão leve! Um sonho? deixado
Na fronha de um travesseiro;
Um sonho. Linhas de sonho
Fiadas de uma nuvem branca.

Os bilros cantam, tecendo,
Segredos de moça branca
Que em sal se chorou no mar
De tanto amar marinheiro;
Tanto sal, tanto chorou
Que se fez salina branca.

Os bilros param. Tecendo
Durezas de pedra branca.
Gravando em letras vazadas
O mesmo adeus derradeiro;
 Vazio amanhã: sem dia
 Futuro: saudade branca.

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Joaquim Cardozo — Poesias Completas, Apresentação de Antônio Houaiss,  1979, 2ª edição, Editora Civilização Brasileira, Rio de Janeiro — RJ;  Joaquim Cardozo (1897  1978), ou Joaquim Maria Moreira Cardozo, pernambucano de Recife, formado engenheiro civil pela Escola de Engenharia de Recife, foi poeta, contista, dramaturgo, engenheiro civil, desenhista, professor universitário e editor; na imprensa, fez charges para o Diário de Pernambuco, colaborou nas Revista do Norte (foi diretor), Revista do Patrimônio HistóricoPara Todos e Módulo; foi professor de Teoria e Filosofia da Arquitetura na antiga Escola de Belas Artes de Pernambuco; bibliografia: Poemas (1947), Signo estrelado (1960), Coronel de Macambira (1963), De uma noite de festa (bumba-meu-boi, 1971), Poesias Completas (1971), Os anjos e os demônios de Deus (1973), O capataz de SalemaAntonio ConselheiroMarechal, boi de carro (1975), O interior da matéria (1976), Um livro aceso e nove canções sombrias (póstumo, 1981); como engenheiro civil, participou dos cálculos de projetos de obras monumentais de Oscar Niemeyer, o Conjunto Arquitetônico da Pampulha, em Minas Gerais, e do Palácio da Alvorada, Catedral Metropolitana, Cúpula do Congresso Nacional, Palácio Itamarati, todos em Brasília DF, além de outros trabalhos.

sexta-feira, 24 de agosto de 2018

Joaquim Cardozo: Figuras do vento

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Figure porte absence et présence...
Pascal

Figuras do vento
Nos ares divinos
São finos cabelos
Na luz. Movimento
De puras miragens,
Imagens, modelos
De formas vazias;
Sãs asas difusas,
São voos imensos,
Perdidos no espaço
Por noites e dias.

São ventos profanos
Rompendo, mugindo,
Lavrando no mar;
São ventos lavrando,
São bois de charrua,
São gênios que ceifam
Searas na lua
E animam sementes
Que irão germinar.

São ventos feridos,
São ventos antigos,
Saudades de amigos,
Lembranças, rumores;
São ventos irados
De pele gelada
Batendo em meu rosto
Marchando em rajada,
Rufando tambores.

São ventos, são vozes,
São queixas veladas
Nos vales de rosa,
Nos lagos de aurora
Nos golfos de mel;
Às vezes, as vozes
São mágoas passadas
E às vezes soturnas
Nas furnas rugindo
Encerram mistérios
Ungidas, sagradas
De sombra e de fel.

No entanto que importa
Que o vento que passa
Segredos me faça
De histórias bem feias
De fadas somente
Contadas a mim!
Eu quero é dormir
No frio das águas
Nos braços das algas
No amor das sereias
Dos mares sem fim.

1945
(Poemas  1947)

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Joaquim Cardozo  Poesias Completas, Apresentação de Antônio Houaiss, 1979, 2ª edição, Editora Civilização Brasileira, Rio de Janeiro  RJ; Joaquim Cardozo (1897  1978), ou Joaquim Maria Moreira Cardozo, pernambucano de Recife, formado engenheiro civil pela Escola de Engenharia de Recife, foi poeta, contista, dramaturgo, engenheiro civil, desenhista, professor universitário e editor; na imprensa, fez charges para o Diário de Pernambuco, colaborou nas Revista do Norte (foi diretor), Revista do Patrimônio HistóricoPara Todos e Módulo; foi professor de Teoria e Filosofia da Arquitetura na antiga Escola de Belas Artes de Pernambuco; bibliografia:  Poemas (1947), Signo estrelado (1960), Coronel de Macambira (1963), De uma noite de festa (bumba-meu-boi, 1971), Poesias Completas (1971), Os anjos e os demônios de Deus (1973), O capataz de SalemaAntonio Conselheiro, Marechal, boi de carro (1975), O interior da matéria (1976), Um livro aceso e nove canções sombrias (póstumo, 1981); como engenheiro civil, participou dos cálculos de projetos de obras monumentais de Oscar Niemeyer, o Conjunto Arquitetônico da Pampulha, em Minas Gerais, e do Palácio da Alvorada, Catedral Metropolitana, Cúpula do Congresso Nacional, Palácio Itamarati, todos em Brasília  DF, além de outros trabalhos.

quarta-feira, 8 de agosto de 2018

Joaquim Cardozo: Que as histórias calem, que mais não contem . . . [soneto]

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(soneto do raso)

Que as histórias calem, que mais não contem
As alturas da vida: imaginárias...
Pois tudo é chão, é linha de horizonte,
Em campos de fronteiras arbitrárias.

E se anule o que vai subindo o monte,
Em sombra, em luz, que são versões contrárias;
Ontem depois, futuramente ontem,
Presenças de passadas luminárias.

Sobre as vertentes há escuro e aurora;
Tudo, todo o existente é fundo, e aflora...
Eterna flor mantida neste vaso,

Onde se confundem o dentro e o fora;
Com o cheio, o vazio se evapora,
E o que resta é o fundo: o fundo raso.

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De uma noite de festa bumba-meu-boi, Joaquim Cardozo, sem data de edição, Círculo do Livro S.A., São Paulo SP; Joaquim Cardozo (1897 1978), ou Joaquim Maria Moreira Cardozo, pernambucano de Recife, formado engenheiro civil pela Escola de Engenharia de Recife, foi poeta, contista, dramaturgo, engenheiro civil, desenhista, professor universitário e editor; na imprensa, fez charges para o Diário de Pernambuco, colaborou nas Revista do Norte (foi diretor), Revista do Patrimônio Histórico, Para Todos e Módulo; foi professor de Teoria e Filosofia da Arquitetura na antiga Escola de Belas Artes de Pernambuco; bibliografia: Poemas (1947), Signo estrelado (1960), Coronel de Macambira (1963), De uma noite de festa (bumba-meu-boi, 1971), Poesias Completas (1971), Os anjos e os demônios de Deus (1973), O capataz de Salema, Antonio Conselheiro, Marechal, boi de carro (1975), O interior da matéria (1976), Um livro aceso e nove canções sombrias (póstumo, 1981); como engenheiro civil, participou dos cálculos de projetos de obras monumentais de Oscar Niemeyer, o Conjunto Arquitetônico da Pampulha, em Minas Gerais, e do Palácio da Alvorada, Catedral Metropolitana, Cúpula do Congresso Nacional, Palácio Itamarati, todos em Brasília DF, além de outros trabalhos.