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quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012
segunda-feira, 20 de julho de 2009
Cornélio Pires: O dia da inleição

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— Muita gente na cidade?
— Nem fale, primo Bastião...
mais de tuda qualidade
tinha gente na inleição!
Fiquei meio atrapaiado:
fui votá co Coroné
que pagô o dotô formado
que curô minha muié,
quando chegô Nhô Travasso,
pa quem devo treis favô,
e me pegano po braço,
disse: "Este é meu inleitô!",
Votei co'ele, que fazê!?
Mais porém, nôtra inleição,
o Coroné há de vê
que eu tô no seu bataião.
De tardinha, quano eu sube
que ia havê úa cervejada
na casa grande do crube
fui pra lá vê a rapaziada.
Ôta povo! Mais que terno!
Tudo era ali bem tratado...
Êta baruio do inferno!
Fiquei meio turtuviado.
A gente ganha sapato,
ganha rôpa de argodão,
come frango, come pato,
quano é dia de inleição.
O tár crube é um bão cevêro,
os chefe são cevadô,
é gente que tem dinhêro
pa garantí o inleitô.
Pa vancê sê visitado
nos tempo das inleição,
é perciso sê alistado...
Se aliste, primo Bastião.

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Musa Caipira — As estrambóticas aventuras do Joaquim Bentinho (o Queima-campo), edição comemorativa do centenário do nascimento de Cornélio Pires, editado pela Prefeitura Municipal de Tietê — SP; Cornélio Pires (1884 — 1958), paulista de Tietê, autodidata, foi jornalista, escritor, folclorista, etnógrafo, ativista cultural, conferencista, poeta, contador de causos e cantador, enfim, um estudioso da cultura e dialeto caipiras; teve sua estréia na imprensa como aprendiz de tipógrafo em O Tietê (1905); trabalhou e/ou colaborou com os jornais O Comércio de São Paulo, O Estado de São Paulo, A Cidade de Santos, e também com as revistas O Pirralho, dirigida por Oswald de Andrade, A Careta, do Rio de Janeiro, A Farpa, de São Paulo, além de em outras publicações; dirigiu o hebdomadário O Movimento, de São Manuel — SP; em Piracicaba, colaborou com O Jornal e Jornal de Piracicaba; fundou com o caricaturista e desenhista Voltolino, o semanário humorístico O Sacy (1926); em 1909 teve suas poesias publicadas no Almanaque d’O Malho; escreveu e publicou Musa Caipira (1910), O Monturo (poemetos, 1911), Versos (1912), Tragédia Cabocla (novela, 1914), Quem conta um conto... (1916), Conversas ao Pé do Fogo (1921), Cenas e Paisagens da minha terra (reunião de sua obra poética, 1921), As Estrambóticas Aventuras de Joaquim Bentinho — o Queima-Campo (1924), Seleta Caipira (1926), Continuação das Estrambóticas Aventuras de Joaquim Bentinho — o Queima-Campo (1929), Sambas e Cateretês (folclore, 1932), Tá no Bocó (1935) e outros; realizou os filmes Brasil Pitoresco (com auxílio técnico do cineasta paulista Flamínio de Campos Gatti, 1923) e Vamos passear? (documentário, 1934); o ativista cultural Cornélio Pires viajou pelo país afora divulgando e apresentando o que pesquisava, também produziu e deixou registrado seus causos e outros achados caipiras (modas de viola, anedotas, cururus e outros ritmos caipiras...) em dezenas de discos gravados nos anos 29 e 30 com duplas caipiras e artistas por ele descobertos.
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