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terça-feira, 4 de fevereiro de 2025

Oswald de Andrade: Alerta & Mea culpa, Lear

 
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[fragmentos do longo poema Cântico dos cânticos para flauta
e violão, composto de quinze estrofes com diferentes
quantidades de versos e cada uma com título próprio]

Alerta

Lá vem o lança-chamas
Pega a garrafa de gasolina
Atira
Eles querem matar todo amor
Corromper o pólo
Estancar a sede que eu tenho doutro ser
Vem de flanco, de lado
Por cima, por trás
Atira
Atira
Resiste
Defende
De pé
De pé
De pé
O futuro será de toda a humanidade

— o —

Mea culpa, Lear

Na hora do fantasma
Entre corujas
Jocasta soluçou
O palácio de fósforo
Múltiplas janelas
Desmaiou

 Por que calaste os sinos?
Meu filho, filho meu!
 — Dei, dei, dei
— Onde puseste os reinos e as vitórias
Que minha estranha serenidade prometia?
— Era usurpação. Paguei
— Passaste fome?
— Muitas vezes comi as marés de meu cérebro

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Oswald de Andrade — Cadernos de Poesia do Aluno Oswald (Poesias reunidas), Ensaios & Apresentação: Uma poética da radicalidade, por Haroldo de Campos, e Poesia Pau-Brasil, por Paulo Prado, sem data [1985?], Círculo do Livro, São Paulo — SP; José Oswald de Sousa Andrade (1890 1954), paulista e paulistano, bacharel em Humanidades e em Direito, foi jornalista, redator, poeta, dramaturgo, escritor, crítico teatral, e um dos expoentes do Modernismo e da Semana de Arte Moderna de 1922 levada a efeito no Teatro Municipal de São Paulo; iniciou-se no jornalismo como redator e crítico teatral do Diário Popular, fez parte do grupo da revista Klaxon (1922 a 1923) e da Revista de Antropofagia (1928 a 1929); colaborou e publicou seus textos em diversos periódicos de sua época: revista A Cigarra, A Vida Moderna, Jornal do Comércio, O Jornal, A Gazeta, Correio Paulistano, Revista do Brasil, Diário de São Paulo, Correio da Manhã, entre outros, e fundou a revista O Pirralho, e, depois, Papel e Tinta, Terra Roxa, juntamente com outros modernistas; percurso literário: revista O Pirralho (humor em português macarrônico, 1912 1917), A recusa (teatro, 1913), Théâtre Brésilien — Mon coeur balance e Leur Âme (com Guilherme de Almeida, 1916), A trilogia do Exílio: I — Os Condenados, II — A estrela de absinto, III — A escada vermelha (romances, de 1922 1934), Memórias sentimentais de João Miramar (romance, 1924), Pau-Brasil (poesia, 1925), Primeiro caderno do aluno de poesia Oswald de Andrade (1927), Serafim Ponte Grande (romance, 1933), O homem e o cavalo (teatro, 1934), O rei da vela (teatro, 1937), Marco Zero: I — A revolução melancólica, II — Chão (romances, ambos em 1943), Cântico dos Cânticos para flauta e violão (1945), O escaravelho de ouro (1946), além de manifestos e conferências, e outros textos em verso e prosa e para teatro; de família abastada, Oswald viveu entre o Brasil e a Europa, onde transitou por diversos países.

terça-feira, 24 de dezembro de 2024

Oswald de Andrade: Anacronismo & Brinquedo

 
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ANACRONISMO

O português ficou comovido de achar
Um mundo inesperado nas águas
E disse: Estados Unidos do Brasil

— 

BRINQUEDO

Roda roda São Paulo
Mando tiro tiro lá

Da minha janela eu avistava
Uma cidade pequena
Pouca gente passava
Nas ruas. Era uma pena

Desceram das montanhas
Carochinhas e pastoras
Por dormir em meus olhos
Me levaram pra abrolhos

Os bondes da Light bateram
Telefones na ciranda
Os automóveis correram
Em redor da varanda

Roda roda São Paulo
Mando tiro tiro lá

Brinquedos de comadre
Começaram pela vida
Pela vida começaram
Comadres e mexericos

Roda roda São Paulo
Mando tiro tiro lá

Depois entrou no brinquedo
Um menino grandão
Foi o primeiro arranha-céu
Que rodou no meu céu

Do quintal eu avistei
Casas torres e pontes
Rodaram como gigantes
Até que enfim parei

Roda roda São Paulo
Mando tiro tiro lá

Hoje a roda cresceu
Até que bateu no céu
É gente grande que roda
Mando tiro tiro lá

(Primeiro caderno do aluno de
poesia Oswald de Andrade — 1927)

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Oswald de Andrade — Cadernos de Poesia do Aluno Oswald (Poesias reunidas), Ensaios & Apresentação: Uma poética da radicalidade, por Haroldo de Campos, e Poesia Pau-Brasil, por Paulo Prado, sem data [1985?], Círculo do Livro, São Paulo — SP; José Oswald de Sousa Andrade (1890 1954), paulista e paulistano, bacharel em Humanidades e em Direito, foi jornalista, redator, poeta, dramaturgo, escritor, crítico teatral, e um dos expoentes do Modernismo e da Semana de Arte Moderna de 1922 levada a efeito no Teatro Municipal de São Paulo; iniciou-se no jornalismo como redator e crítico teatral do Diário Popular, fez parte do grupo da revista Klaxon (1922 a 1923) e da Revista de Antropofagia (1928 a 1929); colaborou e publicou seus textos em diversos periódicos de sua época: revista A Cigarra, A Vida Moderna, Jornal do Comércio, O Jornal, A Gazeta, Correio Paulistano, Revista do Brasil, Diário de São Paulo, Correio da Manhã, entre outros, e fundou a revista O Pirralho, e, depois, Papel e Tinta, Terra Roxa, juntamente com outros modernistas; percurso literário: revista O Pirralho (humor em português macarrônico, 1912 1917), A recusa (teatro, 1913), Théâtre Brésilien — Mon coeur balance e Leur Âme (com Guilherme de Almeida, 1916), A trilogia do Exílio: I — Os Condenados, II — A estrela de absinto, III — A escada vermelha (romances, de 1922 1934), Memórias sentimentais de João Miramar (romance, 1924), Pau-Brasil (poesia, 1925), Primeiro caderno do aluno de poesia Oswald de Andrade (1927), Serafim Ponte Grande (romance, 1933), O homem e o cavalo (teatro, 1934), O rei da vela (teatro, 1937), Marco Zero: I — A revolução melancólica, II — Chão (romances, ambos em 1943), Cântico dos Cânticos para flauta e violão (1945), O escaravelho de ouro (1946), além de manifestos e conferências, e outros textos em verso e prosa e para teatro; de família abastada, Oswald viveu entre o Brasil e a Europa, onde transitou por diversos países.

quinta-feira, 10 de outubro de 2024

Oswald de Andrade: Convite & Relógio & outros fragmentos

 
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[fragmentos do longo poema Cântico dos cânticos para flauta
e violãocomposto de quinze estrofes com diferentes
quantidades de versos e cada estrofe com título próprio]

Oferta

Saibam quantos este meu verso virem
Que te amo
Do amor maior
Que possível for

— o —

Convite

Escuta este verso
Qu’eu fiz pra você
Pra que todos saibam
Qu’eu quero você

— o —

Fabulário familiar

Se eu perdesse a vida
No mar
Não podia hoje
T’a ofertar
Os nevoeiros, as forjas, os Baependis

— o —

Relógio

As coisas são
As coisas vêm
As coisas vão
As coisas
Vão e vêm
Não em vão
As horas
Vão e vêm
Não em vão

— o —

Himeneu

Para teu corpo
Construirei o dossel
Abrirei a porta submissa
Ligarei o rádio
Amassarei o pão

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Oswald de Andrade — Cadernos de Poesia do Aluno Oswald (Poesias reunidas), Ensaios & Apresentação: Uma poética da radicalidade, por Haroldo de Campos, e Poesia Pau-Brasil, por Paulo Prado, sem data [1985?], Círculo do Livro, São Paulo — SP; José Oswald de Sousa Andrade (1890 1954), paulista e paulistano, bacharel em Humanidades e em Direito, foi jornalista, redator, poeta, dramaturgo, escritor, crítico teatral, e um dos expoentes do Modernismo e da Semana de Arte Moderna de 1922 levada a efeito no Teatro Municipal de São Paulo; iniciou-se no jornalismo como redator e crítico teatral do Diário Popular, fez parte do grupo da revista Klaxon (1922 a 1923) e da Revista de Antropofagia (1928 a 1929); colaborou e publicou seus textos em diversos periódicos de sua época: revista A Cigarra, A Vida Moderna, Jornal do Comércio, O Jornal, A Gazeta, Correio Paulistano, Revista do Brasil, Diário de São Paulo, Correio da Manhã, entre outros, e fundou a revista O Pirralho, e, depois, Papel e Tinta, Terra Roxa, juntamente com outros modernistas; percurso literário: revista O Pirralho (humor em português macarrônico, 1912 1917), A recusa (teatro, 1913), Théâtre Brésilien — Mon coeur balance e Leur Âme (com Guilherme de Almeida, 1916), A trilogia do Exílio: I — Os Condenados, II — A estrela de absinto, III — A escada vermelha (romances, de 1922 1934), Memórias sentimentais de João Miramar (romance, 1924), Pau-Brasil (poesia, 1925), Primeiro caderno do aluno de poesia Oswald de Andrade (1927), Serafim Ponte Grande (romance, 1933), O homem e o cavalo (teatro, 1934), O rei da vela (teatro, 1937), Marco Zero: I — A revolução melancólica, II — Chão (romances, ambos em 1943), Cântico dos Cânticos para flauta e violão (1945), O escaravelho de ouro (1946), além de manifestos e conferências, e outros textos em verso e prosa e para teatro; de família abastada, Oswald viveu entre o Brasil e a Europa, onde transitou por diversos países.

terça-feira, 16 de julho de 2024

Oswald de Andrade: Pero Vaz Caminha

 
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A DESCOBERTA

Seguimos nosso caminho por este mar de longo
Até a oitava da Páscoa
Topamos aves
E houvemos vista de terra

OS SELVAGENS

Mostraram-lhes uma galinha
Quase haviam medo dela
E não queriam pôr a mão
E depois a tomaram como espantados

PRIMEIRO CHÁ

Depois de dançarem
Diogo Dias
Fez o salto real

AS MENINAS DA GARE

Eram três ou quatro moças bem moças e bem gentis
Com cabelos mui pretos pelas espáduas
E suas vergonhas tão altas e tão saradinhas
Que de nós as muito bem olharmos
Não tínhamos nenhuma vergonha

[Pau-Brasil —  1925]

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Oswald de Andrade — Cadernos de Poesia do Aluno Oswald (Poesias reunidas), Ensaios & Apresentação: Uma poética da radicalidade, por Haroldo de Campos, e Poesia Pau-Brasil, por Paulo Prado, sem data [1985?], Círculo do Livro, São Paulo — SP; José Oswald de Sousa Andrade (1890 1954), paulista e paulistano, bacharel em Humanidades e em Direito, foi jornalista, redator, poeta, dramaturgo, escritor, crítico teatral, e um dos expoentes do Modernismo e da Semana de Arte Moderna de 1922 levada a efeito no Teatro Municipal de São Paulo; iniciou-se no jornalismo como redator e crítico teatral do Diário Popular, fez parte do grupo da revista Klaxon (1922 a 1923) e da Revista de Antropofagia (1928 a 1929); colaborou e publicou seus textos em diversos periódicos de sua época: revista A Cigarra, A Vida Moderna, Jornal do Comércio, O Jornal, A Gazeta, Correio Paulistano, Revista do Brasil, Diário de São Paulo, Correio da Manhã, entre outros, e fundou a revista O Pirralho, e, depois, Papel e Tinta, Terra Roxa, juntamente com outros modernistas; percurso literário: revista O Pirralho (humor em português macarrônico, 1912 1917), A recusa (teatro, 1913), Théâtre Brésilien — Mon coeur balance e Leur Âme (com Guilherme de Almeida, 1916), A trilogia do Exílio: I — Os Condenados, II — A estrela de absinto, III — A escada vermelha (romances, de 1922 1934), Memórias sentimentais de João Miramar (romance, 1924), Pau-Brasil (poesia, 1925), Primeiro caderno do aluno de poesia Oswald de Andrade (1927), Serafim Ponte Grande (romance, 1933), O homem e o cavalo (teatro, 1934), O rei da vela (teatro, 1937), Marco Zero: I — A revolução melancólica, II — Chão (romances, ambos em 1943), Cântico dos Cânticos para flauta e violão (1945), O escaravelho de ouro (1946), além de manifestos e conferências, e outros textos em verso e prosa e para teatro; de família abastada, Oswald viveu entre o Brasil e a Europa, onde transitou por diversos países.

terça-feira, 14 de março de 2023

Oswald de Andrade: A transação & Relicário


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A transação

O fazendeiro criara filhos
Escravos escravas
Nos terreiros de pitangas e jabuticabas
Mas um dia trocou
O ouro da carne preta e musculosa
As gabirobas e os coqueiros
Os monjolos e os bois
Por terras imaginárias
Onde nasceria a lavoura verde do café

— o —

Relicário

No baile da Corte
Foi o Conde d’Eu quem disse
Pra Dona Benvinda
Que farinha de Suruí
Pinga de Parati
Fumo de Baependi
É comê bebê pitá e caí.

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232 Poetas Paulistas — Antologia, por Pedro de Alcântara Worms, 1968, Editora Conquista, Rio de Janeiro — RJ; José Oswald de Sousa Andrade (1890 1954), paulista e paulistano, bacharel em Humanidades e em Direito, foi jornalista, redator, poeta, dramaturgo, escritor, crítico teatral, e um dos expoentes do Modernismo e da Semana de Arte Moderna de 1922 levada a efeito no Teatro Municipal de São Paulo; iniciou-se no jornalismo como redator e crítico teatral do Diário Popular, fez parte do grupo da revista Klaxon (1922 a 1923) e da Revista de Antropofagia (1928 a 1929); colaborou e publicou seus textos em diversos periódicos de sua época: revista A Cigarra, A Vida Moderna, Jornal do Comércio, O Jornal, A Gazeta, Correio Paulistano, Revista do Brasil, Diário de São Paulo, Correio da Manhã, entre outros, e fundou a revista O Pirralho, e, depois, Papel e Tinta, Terra Roxa, juntamente com outros modernistas; percurso literário: revista O Pirralho (humor em português macarrônico, 1912 1917), A recusa (teatro, 1913), Théâtre Brésilien — Mon coeur balance e Leur Âme (com Guilherme de Almeida, 1916), A trilogia do Exílio: I — Os Condenados, II — A estrela de absinto, III — A escada vermelha (romances, de 1922 1934), Memórias sentimentais de João Miramar (romance, 1924), Pau-Brasil (poesia, 1925), Primeiro caderno do aluno de poesia Oswald de Andrade (1927), Serafim Ponte Grande (romance, 1933), O homem e o cavalo (teatro, 1934), O rei da vela (teatro, 1937), Marco Zero: I — A revolução melancólica, II — Chão (romances, ambos em 1943), Cântico dos Cânticos para flauta e violão (1945), O escaravelho de ouro (1946), além de manifestos e conferências, e outros textos em verso e prosa e para teatro; de família abastada, Oswald viveu entre o Brasil e a Europa, onde transitou por diversos países.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2023

Oswald de Andrade: Negro fugido & Azorrague e Senhor feudal


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Negro fugido

O Jerônimo estava numa outra fazenda
Socando pilão na cozinha
Entraram
Grudaram nele
O pilão tombou
Ele tropeçou
E caiu
Montaram nele.

— o —

Azorrague

Chega! Perdoa!
Amarrados na escada
A chibata preparava os cortes
Para a salmoura.

— o —

Senhor feudal

Se Pedro Segundo
Vier aqui
Com história
Eu boto ele na cadeia.

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232 Poetas Paulistas — Antologia, por Pedro de Alcântara Worms, 1968, Editora Conquista, Rio de Janeiro — RJ; José Oswald de Sousa Andrade (1890 1954), paulista e paulistano, bacharel em Humanidades e em Direito, foi jornalista, redator, poeta, dramaturgo, escritor, crítico teatral, e um dos expoentes do Modernismo e da Semana de Arte Moderna de 1922 levada a efeito no Teatro Municipal de São Paulo; iniciou-se no jornalismo como redator e crítico teatral do Diário Popular, fez parte do grupo da revista Klaxon (1922 a 1923) e da Revista de Antropofagia (1928 a 1929); colaborou e publicou seus textos em diversos periódicos de sua época: revista A Cigarra, A Vida Moderna, Jornal do Comércio, O Jornal, A Gazeta, Correio Paulistano, Revista do Brasil, Diário de São Paulo, Correio da Manhã, entre outros, e fundou a revista O Pirralho, e, depois, Papel e Tinta, Terra Roxa, juntamente com outros modernistas; percurso literário: revista O Pirralho (humor em português macarrônico, 1912 1917), A recusa (teatro, 1913), Théâtre Brésilien — Mon coeur balance e Leur Âme (com Guilherme de Almeida, 1916), A trilogia do Exílio: I — Os Condenados, II — A estrela de absinto, III — A escada vermelha (romances, de 1922 1934), Memórias sentimentais de João Miramar (romance, 1924), Pau-Brasil (poesia, 1925), Primeiro caderno do aluno de poesia Oswald de Andrade (1927), Serafim Ponte Grande (romance, 1933), O homem e o cavalo (teatro, 1934), O rei da vela (teatro, 1937), Marco Zero: I — A revolução melancólica, II — Chão (romances, ambos em 1943), Cântico dos Cânticos para flauta e violão (1945), O escaravelho de ouro (1946), além de manifestos e conferências, e outros textos em verso e prosa e para teatro; de família abastada, Oswald viveu entre o Brasil e a Europa, onde transitou por diversos países.

domingo, 25 de setembro de 2022

Oswald de Andrade: História pátria

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Lá vai uma barquinha carregada de
                                                 Aventureiros
Lá vai uma barquinha carregada de
                                                 Bacharéis
Lá vai uma barquinha carregada de
                                                 Cruzes de Cristo
Lá vai uma barquinha carregada de
                                                 Donatários
Lá vai uma barquinha carregada de
                                                 Espanhóis
                                                 Paga prenda
                                                 Prenda os espanhóis!
Lá vai uma barquinha carregada de
                                                 Flibusteiros
Lá vai uma barquinha carregada de
                                                 Governadores
Lá vai uma barquinha carregada de
                                                 Holandeses
Lá vai uma barquinha cheinha de índios
Outra de degredados
Outra de pau de tinta

         Até que o mar inteiro
         Se coalhou de transatlânticos
         E as barquinhas ficaram
         Jogando prenda com raça misturada
         No litoral azul do meu Brasil.

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232 Poetas Paulistas — Antologia, por Pedro de Alcântara Worms, 1968, Editora Conquista, Rio de Janeiro — RJ; José Oswald de Sousa Andrade (1890 1954), paulista e paulistano, bacharel em Humanidades e em Direito, foi jornalista, redator, poeta, dramaturgo, escritor, crítico teatral, e um dos expoentes do Modernismo e da Semana de Arte Moderna de 1922 levada a efeito no Teatro Municipal de São Paulo; iniciou-se no jornalismo como redator e crítico teatral do Diário Popular, fez parte do grupo da revista Klaxon (1922 a 1923) e da Revista de Antropofagia (1928 a 1929); colaborou e publicou seus textos em diversos periódicos de sua época: revista A Cigarra, A Vida Moderna, Jornal do Comércio, O Jornal, A Gazeta, Correio Paulistano, Revista do Brasil, Diário de São Paulo, Correio da Manhã, entre outros, e fundou a revista O Pirralho, e, depois, Papel e Tinta, Terra Roxa, juntamente com outros modernistas; percurso literário: revista O Pirralho (humor em português macarrônico, 1912 1917), A recusa (teatro, 1913), Théâtre Brésilien — Mon coeur balance e Leur Âme (com Guilherme de Almeida, 1916), A trilogia do Exílio: I — Os Condenados, II — A estrela de absinto, III — A escada vermelha (romances, de 1922 1934), Memórias sentimentais de João Miramar (romance, 1924), Pau-Brasil (poesia, 1925), Primeiro caderno do aluno de poesia Oswald de Andrade (1927), Serafim Ponte Grande (romance, 1933), O homem e o cavalo (teatro, 1934), O rei da vela (teatro, 1937), Marco Zero: I — A revolução melancólica, II — Chão (romances, ambos em 1943), Cântico dos Cânticos para flauta e violão (1945), O escaravelho de ouro (1946), além de manifestos e conferências, e outros textos em verso e prosa e para teatro; de família abastada, Oswald viveu entre o Brasil e a Europa, onde transitou por diversos países.