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(traduzido
por Fernando Koproski)
eu lia os
seus poemas
ela lia
para os homens que esperavam na sua cama
aí os
rasgava
rindo
e caía na
cama
abrindo
as pernas pro pau mais próximo
e
oportuno.
mas Catulo
continuava a escrever poemas
de amor
para ela
enquanto
ela dava para escravos nos
becos, e
quando
eles estavam juntos
ela o
roubava quando ele ficava
bêbado,
zombava
de sua poesia e de seu
amor,
mijava no
seu
piso.
Catulo que
aliás
escreveu poemas
brilhantes
vacilou sob o encanto
dessa meretriz
a qual
dizem
ao envelhecer
escapou dele
criou uma vida nova numa ilha remota
onde ela acabou
suicida.
Catulo era como
a maioria dos poetas:
eu compreendo
e perdoo enquanto
o releio:
ele percebeu
à medida que a morte chegava
que é
melhor começar com uma
puta do que acabar
com uma.
the love poems of Catullus
she read his poems
she read them to the men waiting in her bed
then tore them up
laughing
and fell on the bed
opening her legs to the nearest convenient
cock.
but Catullus continued to write
love
poems to her
as she fucked slaves in back
alles, and
when they were together
she robbed him while he was
drunk,
mocked his verse and his
love,
pissed on his
floor.
Catullus who
otherwise
wrote brilliant
poems
faltered under the spell of
this wench
who
it is said
as she grew old
fled from him
begat a new life upon a far isle
where she ended up a
suicide.
Catullus was like
most poets:
I understand
and forgive as I
re-read him:
he knew
as death approached
that it's
better to start out with a
strumpet then to end up
with one.
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Amor é tudo
que nós dissemos que não era — Charles Bukowski, Seleção e tradução de Fernando
Koproski, edição bilíngue, 2012, Editora 7 Letras, Rio de Janeiro — RJ; Henry Charles
Bukowski Jr. (1920 — 1994), ou Heinrich Karl Bukowski, alemão de Andernach, que
desde os três anos de idade viveu nos Estados Unidos (inicialmente em Baltimore
e depois em Los Angeles), foi poeta, romancista e contista; em 1939, inicia o curso
de jornalismo e literatura pela Los Angeles City College; põe-se a escrever, é expulso
de casa, passa a morar em pensões e, sem emprego, desiste da faculdade; convivendo
com o alcoolismo, e com vida errante, passando por várias cidades americanas, trabalhou
em empregos temporários como faxineiro, frentista, motorista de caminhão; depois,
ingressou nos correios, trabalhando como carteiro por quatorze anos; aos 49 anos
largou o emprego para se dedicar à carreira de escritor; obras: Flower,
Fist, and Bestial Wail (coletânea de poesias, 1960), It Catches My Heart in its
Hands (coletânea de poesias, 1963), Confessions of a Man Insane Enough to Live Beasts
(1965), Post Office (Cartas na Rua, romance, 1971), Factótum (romance, 1975), Love
is a Dog from Hell (O amor é um cão dos diabos, poesias, 1977), Women (Mulheres,
romance, 1978), Shakespeare Never Did This (não-ficção, 1979) e tantos outros títulos
em verso e prosa e não-ficção; Bukowski, com Cartas na Rua, romance que o tornaria
famoso, passa a fazer uso de seu alterego Henry Chinaski que o acompanha na quase
totalidade de seus romances.












