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quinta-feira, 20 de maio de 2021

Lúcio de Mendonça: A um púlpito quebrado

 
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Estás inofensivo, estás vazio,
              Velho caixão malvado,
Que trazias de Roma, consignado
              Às multidões beatas
O preconceito estúpido e sombrio
E o dogma bestial, de quatro patas.

      Tu nunca foste compassivo e terno:
              Ao pobre, quase nu,
              Que lhe dizias tu?
      Os terrores dramáticos do inferno!

      Por todos os três lados,
Blasfemavas feroz contra o “Progresso”,
Que foi 93? Foi um possesso,
              Crivado de pecados;
A Liberdade, um sonho sedicioso;
A Ciência, uma cínica atrevida;
Só a Religião é que é a vida,
E a reza, o largo porto bonançoso.

      Da Imprensa tu disseste mais horrores
      Do que Mafoma disse do toucinho...
              É o pestífero ninho
      Dos abutres do mal e da impiedade,
              Covil de pecadores
      Que têm de arder por toda a eternidade.

Hoje, caída em ruínas a capela,
Estás à chuva e ao vento e ao sol aberto...
      Estás melhor, decerto.
Hoje, em lugar do círio, vês a estrela.
Do mau cheiro de incenso desinfeto,
      Agora perfumou-te
A viva aragem fresca da campina;
E tens por vasto, esplendoroso teto
      A cúpula divina,
A constelada abóbada da noite.

      Em vez do órgão fanhoso, ouves agora
              O cântico das aves,
              As músicas da aurora.
              E sobre as tuas traves,
      Donde escorria a onda das asneiras,
      Gemem de amor as pombas forasteiras.

Novo padre Jacinto, sacudiste
O teu jugo católico romano,
E em vez de velho púlpito tão triste,
És um digno caixão, livre e profano.
      E, pois te restituíste
À grande comunhão da natureza,
      Acharás, com certeza,
Um fim mais nobre, donde te provenha
De ser útil a esplêndida alegria:
      Acabarás em lenha
Para aquecer de um pobre a noite fria.

[1882]
[Murmúrios e Clamores — poesias completas (1902)]


* Nota de Yara Aun Khoury, historiadora e autora do Texto/Documento A Poesia Anarquista, neste Sociedade & Cultura — Revista Brasileira de História Nº 15: Publicado em “A Lanterna", São Paulo, 15/11/1913; no texto/documento A Poesia Anarquista [págs 215-247 da referida revista] no qual a historiadora apresenta 40 poemas de vários autores libertários, lê-se o seguinte: ... “Na construção diária da revolução, seguindo tantos caminhos quantos forem os indícios da opressão e da exploração e quantas forem as saídas encontradas, os militantes cruzam e interseccionam suas ações com as de outros sujeitos sociais com os quais identificam propósitos comuns. Muitos deles permeiam a arte e a poesia e são expressos por elas. Com sua sensibilidade o poeta apercebe-se da dor humana e a expressa em versos; celebra a natureza, as riquezas e as possibilidades de vida e dos homens. Comprometido ou não com as lutas sociais, ao exprimir a injustiça, a tirania, a opressão, os desejos e as ansiedades humanas, é considerado um combatente pelos libertários. Segundo eles, muitas passagens da História são expressões da luta dos homens pela liberdade, ou em nome dela, e a poesia as canta.” ...
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Sociedade & Cultura — Revista Brasileira de História Nº 15 — Órgão da ANPUH — Associação Nacional dos Professores Universitários de História, Volume 8, setembro de 1987 / fevereiro de 1988, vários autores, Editora Marco Zero — São Paulo — SP; Lúcio Eugênio de Meneses e Vasconcelos Drummond Furtado de Mendonça (1854 1909), fluminense de Piraí, formado pela Faculdade de Direito de São Paulo atual USP do Largo de São Francisco , foi advogado, magistrado, jornalista, contista e poeta; colaborou em diversos periódicos da época, entre os quais O Ipiranga e A Província, de São Paulo, A República, do Rio de Janeiro e Colombo, de Campanha  —  MG; escreveu e publicou Névoas Matutinas (1872), Alvoradas (1875), O Marido da Adúltera (1882), Visões do Abismo (1888), Esboços e Perfis (1889), Vergastas (poesia, 1889), Canções de Outono (1896), Horas do bom tempo (1901), Murmúrios e Clamores — poesias completas (1902), Páginas Jurídicas (1903), A Caminho (1903); Lúcio de Mendonça foi o “pai” da idéia de criação de uma academia de letras, levando-a a efeito; como um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras, coube-lhe a cadeira nº 11, cujo patrono é o poeta Fagundes Varela.

terça-feira, 11 de maio de 2021

Neno Vasco: A chama canta, salta e corre, * . . .

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A chama canta, salta e corre,
O velho burgo tomba enfim...
Oh! Quanto abutre cai e morre!
Oh! Quanto abutre em seu festim!
De face a arder, que a chama cresta!
Ó párias nus, vindes dançar,
Dançar em roda, correr, cantar,
Que esta fogueira é vossa festa!
            A chama a crepitar!
Em círculo formai!
            Dançai!
            Dançai!
De archote aceso, o mundo iluminai!


* Notas de Yara Aun Khoury, historiadora e autora do Texto/Documento A Poesia Anarquista, neste Sociedade & Cultura — Revista Brasileira de História Nº 15: Recorte impresso, sem título nem outras referências; no texto/documento A Poesia Anarquista [págs 215-247 da referida revista] no qual a historiadora apresenta 40 poemas de vários autores libertários, lê-se o seguinte trecho: ... “Os amantes da poesia, habituados a obras requintadas, poderão, muitas vezes, se frustrar ao lê-las. São, entretanto, um material rico para o pesquisador dedicado a recuperar as problemáticas vividas pelos sujeitos sociais, suas formas de pensar, seus valores e aspirações. Para um observador atento, acompanhar os nomes dos autores, seus dados biográficos, relacioná-los com informações que seguem as poesias e com outros registros deste acervo é obter subsídios para construir aspectos da militância anarquista, numa multiplicidade de práticas e de relações que os combatentes estabelecem com outros sujeitos sociais. É agradável deparar com poesias de libertários famosos como Gigi Damiani, Neno Vasco, José Oiticica;” ...
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Sociedade & Cultura — Revista Brasileira de História Nº 15 — Órgão da ANPUH — Associação Nacional dos Professores Universitários de História, [vários autores], Volume 8, setembro de 1987 / fevereiro de 1988, Editora Marco Zero — São Paulo — SP; Neno Vasco (1878 1920) ou Gregório Nazianzeno Moreira de Queirós Vasconcelos, português de Penafiel, distrito do Porto, formado pela Faculdade de Direito do Liceu, foi advogado, jornalista, poeta, escritor, dramaturgo e militante anarco-sindicalista; colaborou com o jornal lisboeta O Mundo, a revista A Sementeira, também portuguesa, A Voz do Trabalhador, em São Paulo, tendo sido fundador dos jornais Amigo do Povo, A Terra Livre, e lançado a revista Aurora, periódicos de ideário anarquista; Neno Vasco viveu parte de sua vida e militância no Brasil; suas obras: A Academia de Coimbra ao Povo Português (1901), Pecado de Simonia (peça teatral, 1907), Anedota em 1 acto (peça teatral, 1911), Geórgias: ao trabalhador rural (1913), Da Porta da Europa — factos e idéias: a questão religiosa, a questão política, a questão econômica 1911 — 1912 (1913), A Concepção Anarquista do Sindicalismo (1920), Greve de inquilinos (farsa teatral em 1 acto, 1923); como tradutor, verteu para a língua portuguesa Élizée Reclus — Evolução, Revolução e Ideal Anarquista (1904) e o hino A Internacional (1909).

sábado, 1 de maio de 2021

Lírio Rezende: Aos heróis de Chicago *

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Parsons, Fischer, Spies, Engel, Lingg, Fieldem, Schwab, Neeb.

Para corporizar em versos cristalinos
A suprema visão dos oito semeadores
Que sobranceiramente uniram seus destinos
Em prol da refeição dos povos sofredores;
Para se causticar a fronte dos tratantes
Que fizeram tolher o passo aos bandeirantes
Paladinos do bem, dos mundos superiores,
É preciso verter as lágrimas do triste,
Suportar e reagir aos aguilhões da fome;
É preciso enfrentar a causa que persiste
Na missão de manter o mal que nos consome
É preciso pairar acima da opulência,
Ter nobre sentimento e ser puro altruísta,
É preciso sentir, amar, ter complacência,
Pensar e refletir, ser algo mais que artista;
Definir e mostrar por atos de verdade
Tudo quanto elevar a causa da igualdade!
Pelos tempos afora
Desde o riso pagão à loucura cristã,
Existiu a pletora
Das leis a constituir uma justiça vã...
Tal como antigamente o mesmo existe agora!
Mas apesar das leis serem frutos da força
Existe uma outra lei que jamais há quem torça
É a lei da vontade
O desejo aguilhão que impele a humanidade!

Arautos decididos,
Ousando conquistar nas praças de Chicago
Oito horas de labor em bem dos oprimidos,
Não poderão gozar do sonho o belo afago.

Presos foram sofrer sem culpa, nas prisões!...

Embora quatro heróis tenham sido enforcados,
Alguém fez prosseguir seus gestos e ações
E disto a prova está nas reivindicações
Que desde 86 são fatos confirmados!

Oito horas de labor para cada operário,
Valem por uma luz na treva de um calvário!
Faz avançar um grau na estrada que conduz,
Ao éden da eqüidade o povo que produz.

Irmãos que me escutais: se em vossos corações
Arde a chama do amor em novas concepções,
Deixai que se irradie esse calor fecundo
Até se transformar em sol de novo mundo!

[jornal (“Renovação”, novembro de 1921.)]

* Notas de Yara Aun Khoury, historiadora e autora do Texto/Documento A Poesia Anarquista, neste Sociedade & Cultura — Revista Brasileira de História Nº 15: Publicado em “Renovação”, em novembro de 1921; no texto/documento A Poesia Anarquista [págs 215-247 da referida revista] no qual a historiadora apresenta 40 poemas de vários autores libertários, lê-se o seguinte trecho: ... “Edgard Leuenroth, velho militante libertário paulista [...] Gostava de uma frase que dizia: ‘o pensar faz os homens humanos, a leitura os torna completos, a história os converte em sábios e prudentes, a poesia “espirituais”, sensíveis’. À medida em que nos familiarizamos com a militância anarquista nos damos conta do significado dessas palavras. A Anarquia, na perspectiva militante, é a doutrina que leva à verdadeira libertação, porque valoriza os indivíduos como “forças conscientes” capazes de construir os caminhos libertários por sua própria experiência e vontade. No entender libertário, são muitos os caminhos para a felicidade suprema, que está na liberdade completa, na perfeita harmonia com a natureza e dos homens entre si. Esses são construídos no dia-a-dia, com base na liberdade, na igualdade e na solidariedade, segundo e como queiram os sujeitos em ação, na vida diária, na família, no trabalho ou no lazer. Livremente organizados, eles forjam a revolução, enfrentando a exploração e a autoridade em todas as situações onde elas se manifestam. [...] Dentro dessa perspectiva, as leituras, os estudos, e a reflexão ocupam lugar de destaque na militância anarquista. Seus protagonistas organizam jornais e outras publicações, centros culturais, conferências e festivais artísticos, criam escolas, por meio das quais procuram aprofundar e debater assuntos sociais, divulgar a doutrina libertária e o ensino racionalista que a acompanha.” ...
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Sociedade & Cultura — Revista Brasileira de História Nº 15 — Órgão da ANPUH — Associação Nacional dos Professores Universitários de História [vários autores], Volume 8, setembro de 1987 / fevereiro de 1988, Editora Marco Zero — São Paulo — SP; sobre Lirio de Rezende, poeta, livreiro e militante anarquista, pouco se sabe; Edgar Rodrigues, em Rebeldias 2, faz o registro de mais de uma centena de “pedreiros da anarquia”, “colaboradores na imprensa ácrata, e só em A Voz do Trabalhador (19081915), órgão da Confederação Operária Brasileira, 48 militantes (homens e mulheres) anarquistas escreviam em suas páginas. Nos anos 1910 e 1920 muitos operários já tinham vencido a falta de instrução das escolas oficiais e adquirido conhecimento invejável nos sindicatos, nos centros de cultura e nas escolas de teatro social, eram formados na universidade da vida. Escreviam poesias revolucionárias, romances, obras de idéias avançadas, de história, dirigiam jornais como se jornalistas profissionais fossem. [...], Lírio de Rezende, entre outros.”; já Angela Maria Roberti Martins, doutora em História Social pela PUC-SP, no texto O gênero na composição poética anarquista nos relata que Lírio de Rezende, poeta-militante, foi autor do livreto de poesias Mundo Agonizante (1920), cuja edição teve a responsabilidade do grupo idealista ‘Paladinos do Porvir’ que “esclarecia que o preço cobrado pelo folheto destinava-se a cobrir o custo do trabalho gráfico e que a publicação do opúsculo servia para garantir a 'propaganda exclusivamente libertária'”; neste texto (O gênero na composição...) há o relato de que Lírio de Rezende “desde muito jovem ingressou no movimento anarquista e que na idade adulta teria exercido a atividade de livreiro"; por sua vez, em Memória Anarquista do Centro Galego do Rio de Janeiro (1903-1922), o autor Mílton Lopes, da Federação Anarquista do Rio de Janeiro, nos conta que, de fato, na Rua da Constituição, antiga Rua dos Ciganos nº 14, “funcionou a livraria de Lírio de Rezende [...], a primeira especializada em literatura anarquista”; o poeta-militante teve seus poemas publicados especialmente pela imprensa operária e anarquista (periódicos Liberdade, Voz Cosmopolita, A Razão, todos do Rio de Janeiro, Renovação, entre outros...).

quarta-feira, 28 de abril de 2021

Autoria desconhecida: Aos Poetas — Miséria *

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Artista! Se te oprime a esquálida miséria,
Se a grande falta de ouro amarra as tuas asas,
Rojando-te no chão, na lama da matéria,
Mesclando a fome vil ao sonho em que te abrasas,

Não te importe o clamor dessas turbas tão rasas,
Não te importe o pungir da carne deletéria;
Num solo de veludo ou num solo de brasas,
Caminha, fito o olhar numa esperança etérea.

Que te importa o banal? A propriedade? O mundo?
Se te negam o pão, usa a força, expropria;
Em vez de te humilhar, faze-te vagabundo!

Vibra o plectro de luz por esse mundo afora,
Mas lega, quando morto, à multidão sombria,
Um grito de revolta e uma estrofe sonora.

* Notas de Yara Aun Khoury, historiadora e autora do Texto/Documento A Poesia Anarquista, neste Sociedade & Cultura — Revista Brasileira de História Nº 15: Soneto impresso, sem nome do autor nem outra referência; no texto/documento A Poesia Anarquista [págs 215-247 da referida revista] no qual a historiadora apresenta 40 poemas de vários autores libertários, lê-se o seguinte trecho: ...Edgard Leuenroth, num trabalho metódico e minucioso, reuniu, sobretudo na imprensa operária e livre-pensadora, poesias de várias regiões do país publicadas ao longo dos anos 1900. Nelas e por elas lamentam-se as condições de vida e de trabalho do assalariado, as misérias dos vícios e das guerras, as resignações e as crendices religiosas; denunciam-se as tiranias e as injustiças das instituições autoritárias. Em oposição, são enaltecidos o uso da razão e o livre-pensar e o trabalhador é alentado para a luta, apesar dos sofrimentos e das desilusões. Curiosamente, raramente as poesias se referem às formas de organização do movimento ou da sociedade futura propostas pelos anarquistas; reportam-se mais ao valor da instrução racionalista e à importância do saber e da cultura; exaltam o trabalho como elemento fundamental na edificação da futura sociedade anárquica e o próprio lazer como meio de educação e de luta. Muitas das poesias coletadas por Edgard são manuscritas, outras datilografadas, algumas impressas; umas são acompanhadas de cartas explicativas; outras são delicadas a algum militante ou enviadas para serem incorporadas ao documento em elaboração pelo velho militante.” ...
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Sociedade & Cultura — Revista Brasileira de História Nº 15 — Órgão da ANPUH — Associação Nacional dos Professores Universitários de História [vários autores], Volume 8, setembro de 1987 / fevereiro de 1988, Editora Marco Zero — São Paulo — SP; sobre a autoria do poema Aos Poetas Miséria, nada se sabe, o que de resto está explicitado no trecho do texto/documento A Poesia Anarquista, da historiadora Yara Aun Khoury, acima transcrito.

sexta-feira, 23 de abril de 2021

Afonso Schmidt: A nossa fogueira

 
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A fim de festejar o nosso dia,
Pois o dia dos míseros não tarda,
Vamos fazer uma vermelha orgia
Para que o mundo das mentiras arda.

Fogo na lei parcial que nos mentia
E que se impunha a tiros de espingarda,
Fogo nos santarrões de sacristia,
Fogo na toga, no burel, na farda!

Fogo nos bairros proletários onde
A vergonha dos míseros se esconde;
Que o conforto pertence a quem trabalha.

A nova máquina social, do povo,
Precisa ser como um alfange novo
Que sai do coração de uma fornalha.

(Cottin * [Afonso Schmidt])


* Notas de Yara Aun Khoury, historiadora e autora do Texto/Documento A Poesia Anarquista, neste Sociedade & Cultura  Revista Brasileira de História Nº 15: Recorte impresso, sem referências. Cottin é um pseudônimo de Afonso Schmidt, literato, simpatizante libertário. “A Plebe” publica poesias e artigos seus; no texto/documento A Poesia Anarquista [págs 215-247 da referida revista] no qual a historiadora apresenta 40 poemas de autores libertários, lê-se o seguinte: ... “É agradável deparar com poesias de libertários famosos como Gigi Damiani, Neno Vasco, José Oiticica; é instigante descobrir pseudônimos, saber que Souza Passos é também Felipe Gil, escrevendo em “A Plebe”. que Afonso Schmidt assina por vezes Cottin, no mesmo jornal; é desafiante perceber Adalberto Viana, Albino Bastos, Raymundo Reis, Andrade Cadete exercendo atividades variadas e se pronunciando sobre assuntos diversificados, como expressão de uma única militância;” ...
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Sociedade & Cultura — Revista Brasileira de História Nº 15 — Órgão da ANPUH — Associação Nacional dos Professores Universitários de História, Volume 8, setembro de 1987 / fevereiro de 1988, vários autores, Editora Marco Zero — São Paulo — SP; Afonso Frederico Schmidt (1890 1964), paulista de Cubatão, foi jornalista, contista, romancista, dramaturgo e ativista do anarquismo brasileiro; fundou os jornais Vésper (Cubatão), Voz do Povo (Rio de Janeiro) que a seu tempo tornou-se o órgão de imprensa da Federação Operária , fez parte da redação dos importantes periódicos libertários A Plebe e A Lanterna (ambos em São Paulo), ao lado de pessoas lendárias do movimento anarquista como Edgard Leuenroth e Oreste Ristori, e, também como redator, ocupou posições nos jornais Folha de São Paulo e O Estado de São Paulo; entre outros títulos, escreveu e publicou, em poesia, Lírios Roxos (1907), Janelas Abertas (1911), Mocidade (1921), Garoa (1932), Poesias (1934), Poesia (edição definitiva, 1945) e, em prosa, Brutalidade, Os impunes, O Dragão e as Virgens (fantasia), Pirapora, As levianas, Passarinho verde, A revolução brasileira (crônicas), A nova conflagração, O evangelho dos livros, Os negros, A sombra de Júlio Frank (romance), Colônia Cecília (romance), A vida de Paulo Eiró (crônicas), São Paulo de meus amores (crônicas), Zanzalá (novela, 1938), A primeira viagem (autobiografia); ganhou destaque também pelas diversas campanhas que realizou contra o fascismo e o clericalismo e foi preso em várias ocasiões por expressar o que pensava como ativista libertário; por vezes, Afonso Schmidt assinava seus textos em A Plebe com o pseudônimo Cottin.