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sexta-feira, 20 de junho de 2025

Maiacovski: O amor [fragmento do longo poema ‘A propósito disto’]

 
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[. . . ]

[traduzido por Emilio Carrera Guerra]

Um dia, quem sabe,
ela, que também gostava de bichos,
apareça
         numa alameda do zoo,
sorridente,
                tal como agora está
                   no retrato sobre a mesa.
Ela é tão bela,
         que, por certo, hão de ressuscitá-la.
Vosso Trigésimo Século
                             ultrapassará o enxame
de mil nadas,
                        que dilaceravam o coração.
Então,
         de todo amor não terminado
seremos pagos
                        em inumeráveis noites de estrelas.
Ressuscita-me,
                        nem que seja só porque te esperava
                                                           como um poeta,
repelindo o absurdo quotidiano!
Ressuscita-me,
                        nem que seja só por isso!
Ressuscita-me!
                        Quero viver até o fim o que me cabe!
Para que o amor não seja mais escravo
de casamentos,
        concupiscência,
                                salários.
Para que, maldizendo os leitos,
                                    saltando dos coxins,
o amor se vá pelo universo inteiro.
Para que o dia,
                           que o sofrimento degrada,
não vos seja chorado, mendigado.
E que, ao primeiro apelo:
                                        Camaradas!
atenta se volte a terra inteira.
Para viver
                livre dos nichos das casas.
Para que
                doravante
                            a família
                                         seja
o pai,
        pelo menos o Universo;
a mãe,
        pelo menos a Terra.

(1923)

Maiacovski

[ . . . ]

Любовь

Может,
            может быть,
                                 когда-нибудь
                                                       дорожкой зоологических аллей
и она
            она зверей любила
                                                тоже ступит в сад,
улыбаясь,
                 вот такая,
                                   как на карточке в столе.
Она красивая
                              её, наверно, воскресят.
Ваш
        тридцатый век
                                   обгонит стаи
сердце раздиравших мелочей.
Нынче недолюбленное
                                         наверстаем
звёздностью бесчисленных ночей.
Воскреси
                 хотя б за то,
                                        что я
                                                 поэтом
ждал тебя,
                  откинул будничную чушь!
Воскреси меня
                          хотя б за это!
Воскреси
                      своё дожить хочу!
Чтоб не было любви — служанки
замужеств,
                      похоти,
                                   хлебов.
Постели прокляв,
                              встав с лежанки,
чтоб всей вселенной шла любовь.
Чтоб день,
                     который горем старящ,
не христарадничать, моля.
Чтоб вся
                 на первый крик:
                                            Товарищ!
оборачивалась земля.
Чтоб жить
                    не в жертву дома дырам.
Чтоб мог
                 в родне
                               отныне
                                            стать
отец,
          по крайней мере, миром,
землёй по крайней мере мать.

(1923)
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Maiacovski — Antologia Poética, Prefácio [datado de 30.11.1956], Estudo biográfico e Tradução de Emilio Carrera Guerra, 3ª edição [1ª pela Max Limonad], 1981, Editora Max Limonad, São Paulo — SP; Vladímir Vladimirovitch Maiakóvski (1893 1930), nascido em Baghdati, Geórgia (Império Russo), considerado um dos expoentes da poesia do século XX, foi poeta, dramaturgo e teórico; aos 15 anos de idade filiou-se ao partido bolchevique, foi preso algumas vezes e “no cárcere começou a escrever poemas e se dedicou à leitura de romances e poesia russa”; seu primeiro poema, Noite, data de 1912; em 1911, iniciava seus estudos na Escola de Pintura, Escultura e Arquitetura de Moscou e, aluno, fez parte do grupo artístico fundador do então chamado cubo-futurismo russo, tornando-se “célebre por sua atitude irreverente e por suas polêmicas”; em 1914, o poeta sofreu expulsão da escola, “por sua ligação com o movimento futurista”; após serem expulsos, ele e outros alunos do grupo, viajaram pela Rússia objetivando difundir suas concepções artísticas; em 1915, em temporada na Finlândia, concluiu Nuvem de calças, o primeiro de seus poemas longos, tal obra o consagrou em definitivo entre seus pares e no ambiente literário russo; teve presença ativa no movimento revolucionário russo de 1917; durante a Guerra Civil, o poeta dedicou-se a criar desenhos e legendas para cartazes de propaganda e, no início do novo Estado, exaltou campanhas sanitárias, fez publicidade de produtos diversos, etc.; participou ativamente de conferências, recitais e debates; colaborou com os jornais Izvestia, Pravda, O Trabalho, com seus textos sendo divulgados diariamente em jornais e revistas; em 1923, fundou a revista LEF (de Liévi Front, Frente de Esquerda), na qual agrupava escritores e artistas com a intenção de aliar a forma revolucionária a um conteúdo de renovação social; por razões estéticas, e na defesa de suas concepções artístico-literárias, polemizou com outros grupos de intelectuais e também com a burocracia do governo que se iniciava; suas obras: livros de poesia, de viagens e memórias, A Flauta Vertebrada (1915), A Nuvem de Calças (1916), O Homem (1917), Guerra e Paz (1918), 150 Milhões (1920), Amo (1922), Sobre Isto (1923), Lênin (1925), Muito Bem! (1927), A Plenos pulmões (1930), longos poemas líricos e épicos, cada qual formando, por si só, um livro; para o teatro, publicou Eu (1913), O Mistério Bufo (1921), O Percevejo (1928), O Banho (1929), e tantos outros textos, além de trabalhos para circo, argumentos para cinema e mais de mil páginas de poesia para crianças; suicidou-se em 14 de abril de 1930.

sexta-feira, 1 de novembro de 2024

Maiacovski: A fé [fragmento do longo poema ‘A propósito disto’]

 
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[traduzido por Emilio Carrera Guerra]

Distendei vossa espera o quanto quiserdes
tão clara,
duma clareza tão alucinante
é minha visão
que, dir-se-ia,
bastava o tempo de liquidar esta rima,
para, grimpando ao longo dum verso,
entrar numa vida maravilhosa.
Eu não preciso indagar
o que e como.
Vejo-o,
nítido,
até os últimos detalhes,
no ar,
camada cobre camada,
como pedra sobre pedra.
Vejo erguer-se,
fulgurando no pináculo dos séculos,
isento de podridões ou poeira,
o laboratório das ressurreições humanas.
Eis o calmo químico,
a vasta fronte
franzida
em meio à experiência.
Num livro, “Toda a Terra”,
procura ele um nome.
“O Século Vinte... vejamos,
a quem ressuscitar?
A Maiacovski talvez...
Não, busquemos matéria mais interessante!
Não era bastante belo esse poeta”.
Será então minha vez de gritar
daqui mesmo,
desta página de hoje:
“Pára, não folheies mais!
É a mim que deves ressuscitar!”

(1923)

Maiakóvski

Вера

Пусть во что хотите жданья удлинятся
вижу ясно,
ясно до галлюцинаций.
До того,
что кажется
вот только с этой рифмой развяжись,
и вбежишь
по строчке
в изумительную жизнь.
Мне ли спрашивать
да эта ли?
Да та ли?!
Вижу,
вижу ясно, до деталей.
Воздух в воздух,
будто камень в камень,
недоступная для тленов и крошений,
рассиявшись,
высится веками
мастерская человечьих воскрешений.
Вот он,
большелобый
тихий химик,
перед опытом наморщил лоб.
Книга
«Вся земля»,
выискивает имя.
Век двадцатый.
Воскресить кого б?
Маяковский вот...
Поищем ярче лица
недостаточно поэт красив.
Крикну я
вот с этой,
с нынешней страницы:
Не листай страницы!
Воскреси!

(1923)
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Maiacovski — Antologia Poética, Prefácio [datado de 30.11.1956], Estudo biográfico e Tradução de Emilio Carrera Guerra, 3ª edição [1ª pela Max Limonad], 1981, Editora Max Limonad, São Paulo — SP; Vladímir Vladimirovitch Maiakóvski (1893 1930), nascido em Baghdati, Geórgia (Império Russo), considerado um dos expoentes da poesia do século XX, foi poeta, dramaturgo e teórico; aos 15 anos de idade filiou-se ao partido bolchevique, foi preso algumas vezes e “no cárcere começou a escrever poemas e se dedicou à leitura de romances e poesia russa”; seu primeiro poema, Noite, data de 1912; em 1911, iniciava seus estudos na Escola de Pintura, Escultura e Arquitetura de Moscou e, aluno, fez parte do grupo artístico fundador do então chamado cubo-futurismo russo, tornando-se “célebre por sua atitude irreverente e por suas polêmicas”; em 1914, o poeta sofreu expulsão da escola, “por sua ligação com o movimento futurista”; após serem expulsos, ele e outros alunos do grupo, viajaram pela Rússia objetivando difundir suas concepções artísticas; em 1915, em temporada na Finlândia, concluiu Nuvem de calças, o primeiro de seus poemas longos, tal obra o consagrou em definitivo entre seus pares e no ambiente literário russo; teve presença ativa no movimento revolucionário russo de 1917; durante a Guerra Civil, o poeta dedicou-se a criar desenhos e legendas para cartazes de propaganda e, no início do novo Estado, exaltou campanhas sanitárias, fez publicidade de produtos diversos, etc.; participou ativamente de conferências, recitais e debates; colaborou com os jornais Izvestia, Pravda, O Trabalho, com seus textos sendo divulgados diariamente em jornais e revistas; em 1923, fundou a revista LEF (de Liévi Front, Frente de Esquerda), na qual agrupava escritores e artistas com a intenção de aliar a forma revolucionária a um conteúdo de renovação social; por razões estéticas, e na defesa de suas concepções artístico-literárias, polemizou com outros grupos de intelectuais e também com a burocracia do governo que se iniciava; suas obras: livros de poesia, de viagens e memórias, A Flauta Vertebrada (1915), A Nuvem de Calças (1916), O Homem (1917), Guerra e Paz (1918), 150 Milhões (1920), Amo (1922), Sobre Isto (1923), Lênin (1925), Muito Bem! (1927), A Plenos pulmões (1930), longos poemas líricos e épicos, cada qual formando, por si só, um livro; para o teatro, publicou Eu (1913), O Mistério Bufo (1921), O Percevejo (1928), O Banho (1929), e tantos outros textos, ialém de trabalhos para circo, argumentos para cinema e mais de mil páginas de poesia para crianças; suicidou-se em 14 de abril de 1930.

terça-feira, 15 de outubro de 2024

Maiacovski: A esperança [fragmento do longo poema ‘A propósito disto’]

 
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[traduzido por Emilio Carrera Guerra]

Injeta sangue
no meu coração,
enche-me até o bordo as veias!
Mete-me no crânio pensamentos!
Não vivi até o fim o meu bocado terrestre,
sobre a terra.
não vivi o meu bocado de amor,
Eu era gigante de porte,
mas para que este tamanho?
Para tal trabalho bastava uma polegada.
Com um toco de pena, eu rabiscava papel,
num canto do quarto, encolhido,
como um par de óculos dobrado dentro do estojo.
Mas tudo que quiserdes eu o farei de graça:
esfregar,
lavar,
escovar,
flanar,
montar guarda.
Posso, se vos agradar,
servir-vos de porteiro.
Há, entre vós, bastantes porteiros?
Eu era um tipo alegre,
mas que fazer da alegria,
quando a dor é um rio sem vau?
Em nossos dias,
se os dentes vos mostrarem
não é senão para vos morder
ou dilacerar.
O que quer que aconteça,
nas aflições,
pesares...
Chamai-me!
Um sujeito engraçado pode ser útil.
Eu  vos proporei charadas, hipérboles
e alegorias,
malabares dar vos-ei
em versos.
Eu amei...
mas é melhor não mexer nisso.
Te sentes mal?
Tanto pior...
Gosta-se, afinal, da própria dor.
Vejamos... Amo também os bichos
vós o criais,
em vossos parques?
Pois, tomai-me para guarda dos bichos.
Gosto deles.
Basta-me ver um desses cães vadios,
como aquele de junto à padaria,
um verdadeiro vira-lata!
e no entanto,
por ele,
arrancaria meu próprio fígado:
“Toma, querido, sem cerimônia, come!”

(1923)

Maiacovski

Надежда

Сердце мне вложи!
КровИщу
до последних жил.
В череп мысль вдолби!
Я своё, земное, не дожИл,
на земле
своё не долюбил.
Был я сажень ростом.
А на что мне сажень?
Для таких работ годна и тля.
Пёрышком скрипел я, в комнатёнку всажен,
вплющился очками в комнатный футляр.
Что хотите, буду делать даром
чистить,
мыть,
стеречь,
мотаться,
месть.
Я могу служить у вас
хотя б швейцаром.
Швейцары у вас есть?
Был я весел
толк весёлым есть ли,
если горе наше непролазно?
Нынче
обнажают зубы если,
только, чтоб хватить,
чтоб лязгнуть.
Мало ль что бывает
тяжесть
или горе...
Позовите!
Пригодится шутка дурья.
Я шарадами гипербол,
аллегорий
буду развлекать,
стихами балагуря.
Я любил...
Не стоит в старом рыться.
Больно?
Пусть...
Живёшь и болью дорожась.
Я зверьё ещё люблю —
у вас
зверинцы
есть?
Пустите к зверю в сторожа.
Я люблю зверьё.
Увидишь собачонку
тут у булочной одна
сплошная плешь,
из себя
и то готов достать печёнку.
Мне не жалко, дорогая,
ешь!

(1923)
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Maiacovski — Antologia Poética, Prefácio [datado de 30.11.1956], Estudo biográfico e Tradução de Emilio Carrera Guerra, 3ª edição [1ª pela Max Limonad], 1981, Editora Max Limonad, São Paulo — SP; Vladímir Vladimirovitch Maiakóvski (1893 1930), nascido em Baghdati, Geórgia (Império Russo), considerado um dos expoentes da poesia do século XX, foi poeta, dramaturgo e teórico; aos 15 anos de idade filiou-se ao partido bolchevique, foi preso algumas vezes e “no cárcere começou a escrever poemas e se dedicou à leitura de romances e poesia russa”; seu primeiro poema, Noite, data de 1912; em 1911, iniciava seus estudos na Escola de Pintura, Escultura e Arquitetura de Moscou e, aluno, fez parte do grupo artístico fundador do então chamado cubo-futurismo russo, tornando-se “célebre por sua atitude irreverente e por suas polêmicas”; em 1914, o poeta sofreu expulsão da escola, “por sua ligação com o movimento futurista”; após serem expulsos, ele e outros alunos do grupo, viajaram pela Rússia objetivando difundir suas concepções artísticas; em 1915, em temporada na Finlândia, concluiu Nuvem de calças, o primeiro de seus poemas longos, tal obra o consagrou em definitivo entre seus pares e no ambiente literário russo; teve presença ativa no movimento revolucionário russo de 1917; durante a Guerra Civil, o poeta dedicou-se a criar desenhos e legendas para cartazes de propaganda e, no início do novo Estado, exaltou campanhas sanitárias, fez publicidade de produtos diversos, etc.; participou ativamente de conferências, recitais e debates; colaborou com os jornais Izvestia, Pravda, O Trabalho, com seus textos sendo divulgados diariamente em jornais e revistas; em 1923, fundou a revista LEF (de Liévi Front, Frente de Esquerda), na qual agrupava escritores e artistas com a intenção de aliar a forma revolucionária a um conteúdo de renovação social; por razões estéticas, e na defesa de suas concepções artístico-literárias, polemizou com outros grupos de intelectuais e também com a burocracia do governo que se iniciava; suas obras: livros de poesia, de viagens e memórias, A Flauta Vertebrada (1915), A Nuvem de Calças (1916), O Homem (1917), Guerra e Paz (1918), 150 Milhões (1920), Amo (1922), Sobre Isto (1923), Lênin (1925), Muito Bem! (1927), A Plenos pulmões (1930), longos poemas líricos e épicos, cada qual formando, por si só, um livro; para o teatro, publicou Eu (1913), O Mistério Bufo (1921), O Percevejo (1928), O Banho (1929), e tantos outros textos, além de trabalhos para circo, argumentos para cinema e mais de mil páginas de poesia para crianças; suicidou-se em 14 de abril de 1930.

sexta-feira, 29 de setembro de 2023

Maiacovski: Comumente é assim


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[traduzido por Emilio Carrera Guerra]

[trecho do poema “Eu amo”]

Cada um ao nascer
traz sua dose de amor,
mas os empregos,
o dinheiro,
tudo isso,
nos resseca o solo do coração.
Sobre o coração levamos o corpo,
sobre o corpo a camisa,
mas isto é pouco.
Alguém
Imbecilmente
inventou os punhos
e sobre os peitos
fez correr o amido de engomar.
Quando velhos se arrependem.
A mulher se pinta.
O homem faz ginástica
pelo sistema Muller.
Mas é tarde.
A pele enche-se de rugas.
O amor floresce,
floresce,
e depois desfolha.

[1922]

Maiacovski

Обыкновенно так

[отрывок из поэмы «Люблю»]

Любовь любому рожденному дадена,
но между служб,
доходов
и прочего
со дня на день
очерствевает сердечная почва.
На сердце тело надето,
на тело  рубаха.
Но и этого мало!
Один
идиот!
манжеты наделал
и груди стал заливать крахмалом.
Под старость спохватятся.
Женщина мажется.
Мужчина по Мюллеру мельницей машется.
Но поздно.
Морщинами множится кожица.
Любовь поцветет,
поцветет
и скукожится.

[1922]
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Maiacovski: Antologia Poética — Estudo biográfico, Tradução e Notas de Emilio Carrera Guerra, 1981, 3ª edição, (1ª edição pela) Editora Max Limonad, São Paulo — SP; Vladímir Vladimirovitch Maiakóvski (1893 1930), nascido em Baghdati, Geórgia (Império Russo), considerado um dos expoentes da poesia do século XX, foi poeta, dramaturgo e teórico; aos 15 anos de idade filiou-se ao partido bolchevique e teve presença ativa no movimento revolucionário russo de 1917; em Moscou, ingressou na Escola de Belas Artes e fez parte do grupo artístico fundador do então chamado cubo-futurismo russo; ao serem expulsos da Escola, ele e outros alunos do grupo, viajaram pela Rússia objetivando difundir suas concepções artísticas; durante a Guerra Civil, o poeta dedicou-se a criar desenhos e legendas para cartazes de propaganda e, no início do novo Estado, exaltou campanhas sanitárias, fez publicidade de produtos diversos, etc.; participou ativamente de conferências, recitais e debates; colaborou com os jornais Izvestia, Pravda, O Trabalho, com seus textos sendo divulgados diariamente em jornais e revistas; em 1923, fundou a revista LEF (de Liévi Front, Frente de Esquerda), na qual agrupava escritores e artistas com a intenção de aliar a forma revolucionária a um conteúdo de renovação social; por razões estéticas e na defesa de suas concepções artístico-literárias, polemizou com outros grupos de intelectuais e também com a burocracia do governo que se iniciava; suas obras: livros de poesia, de viagens e memórias, A Flauta Vertebrada (1915), A Nuvem de Calças (1916), O Homem (1917), Guerra e Paz (1918), 150 Milhões (1920), Amo (1922), A propósito disto (1923), Lênin (1925), Muito Bem! (1927), À Plena Voz (1930), longos poemas líricos e épicos, cada qual formando, por si só, um livro; para o teatro, publica Eu (1913), O Mistério Bufo (1921), O Percevejo (1928), O Banho (1929), e tantos outros textos, para circo, argumentos para cinema e mais de mil páginas de poesia para crianças; suicidou-se em 14 de abril de 1930.