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sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Juvenal Paiva Pereira: Abílio Victor (Nhô Bentico)

[O professor Juvenal Paiva Pereira, prefaciou Poemas Sertanejos, de Abílio Víctor ou 'Nhô Bentico', reedição de 1980. Eis abaixo sua consideração acerca do autor itapetiningano e de sua obra.]

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                    Conheci Abílio Víctor no convívio do trabalho de tipografia, na composição do jornal O Democrata. Era um boêmio que encarava a vida, sem queixas amargas, sem azedume, sem revolta. Ao contrário,com um acentuado sorriso de leve tristeza no rosto magro e doentio.
                    Disse-me algumas vezes sentir no seu destino um colorido apagado de violeta e rosa, entre engraçado e trágico, no qual ele preferia ver mais a matriz da pilhéria, e ris sempre para o mundo com velada ironia.
                    Era poeta por dom e temperamento.
                    No labor de seu ofício havia de ter, sem dúvida, aprimorado a redação verbal pelo contato diuturno com a letra da imprensa. Poderia fazer versos em bom vernáculo. Mas detestava o linguajar gramatical prosaico.
                    É que ele vivia a poesia na sua essência; a poesia da natureza, que viceja no ambiente; e preferiu vazar na linguagem caipira a beleza de pensamentos que brotavam no seu talento poético.
                    Folhas do Mato, Favas do Ingá e Poemas Sertanejos não são simplesmente versos rimados; são um repertório de poesia autêntica; de sentimentos, idéias, imagens e emoções. em que se diria plasmada uma resignada filosofia de ternura e humanidade, de realismo, de aceitação crítica das contingências do mundo.
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Itapetininga: ontem — hoje, Carlos Fidêncio, 1986, Editora Cehon, Itapetininga — SP; Juvenal Paiva Pereira (1899 1984), paulista e itapetiningano, iniciou sua vida laboral como tipógrafo e representante comercial viajante na Tipografia Camilo Léllis; fez seus estudos primário, secundário e de normalista na antiga Escola Normal Peixoto Gomide (hoje E.E. Peixoto Gomide Itapetininga) e formou-se em Educação e Odontologia (cirurgião-dentista); foi professor de Sociologia e diretor da 'Peixoto' e professor da Escola de Farmácia e Odontologia, instituições onde estudara; colaborou em revistas e jornais, especialmente em assuntos educacionais na Revista Educação; é de sua autoria o livro Um esquema de Sociologia Geral (obra didática, 1946); foi fundador de estabelecimentos de ensino em Itapetininga e professor em escolas daquela região (Capão Bonito e Angatuba).

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Abílio Victor (Nhô Bentico): Briga Feia

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A muié do Sêo Barbosa
pegô fama de valente,
tem corage, é pirigosa,
briga inté de faca i dente.

Numa festa de Itaóca
feis corrê muitos caiçara,
pegô no Juão da Maróca,
incheu de tapa na cara;
Pegô no Chico Turiba
que tava ingravatadinho
i jugô mermo porriba
duma mesa de bolinho.

O Lipordo, muito prosa,
quis bancá o valentão
i a muié do Barbosa
que num vai nos arrastão,
atirõ ele sentado
numa lata de quentão.

I quano o Barbosa veio
pra fazê paziguação,
entrõ no cabo de reio,
ponta-pé i pescoção.

Foi um bruto pereréco,
foi um frége desgranhido,
rebentava os peteléco,
estralava os pé-do-vido.

Quano erguêro os dois do chão
pra levá lá pra cadeia
tavam no traje de Adão!
Nunca vi briga mais feia.

Abílio Victor
(Nhô Bentico)
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Itapetininga: ontem — hoje, Carlos Fidêncio, 1986, Editora Cehon, Itapetininga — SP; Nhô Bentico e Abílio Soares Víctor (1899  1952) foram uma só pessoa, um só poeta, caipira, gráfico e radialista itapetiningano; pioneiro dos reclames rimados para o comércio, Abílio Víctor, poeta dialetal, escreveu e publicou Folhas do Mato (1938, 2a. edição em 1940), Versos Humorísticos, Favas de Ingá (1950) Poemas Sertanejos.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Zalina Rolim: Gozo Pungente

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Eu não sei se o detesto ou se o adoro,
Não sei é isto amor ou se é loucura:
Junto dele eu não vejo a noite escura,
Se ele foge de mim definho e choro.

Quero afastar-me  e o seu olhar imploro
Falar-lhe tento  e minha voz murmura;
Se ele, sorrindo, os olhos meu procura,
Inclino a fronte e estremecendo coro...

Como é pungente e dura esta incerteza...!
Mas a curar-me a dor desta agonia,
Que tem laivos de riso e de tristeza,

Quantas vezes, meu Deus, preferiria
Viver cativa, eternamente presa
Deste mal que me fere e acaricia!...

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Itapetininga: ontem hoje, Carlos Fidêncio, 1986, Editora Cehon, Itapetininga SP; Maria Zalina Rolim Xavier de Toledo (1869 1961), paulista de Botucatu, foi professora alfabetizadora, educadora, poeta e uma das precursoras na difusão de poesias para crianças no país; como educadora do Jardim da Infância de São Paulo, traduziu obras dos idiomas inglês e italiano e colaborou com a Revista do Jardim da Infância com traduções, adaptações e produções originais de pedagogia, ficção e poesia; escreveu para a revista feminina A Mensageira (1897 1900) e para os jornais O Itapetininga, Correio Paulistano e A Província de São Paulo; são de sua autoria O Coração (1893), Livro das Crianças (1897) e Livro da Saudade (organizado em 1903 para publicação póstuma e se extraviou); viveu em Itapetininga durante parte de sua vida, inicialmente acompanhando o pai, juiz de Direito que para ali fora nomeado; viveu também em São Paulo.