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terça-feira, 8 de agosto de 2017

Ernani Rosas: Ah! quando est'alma heróica e descontente . . . [soneto]

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Ah! quando est’alma heróica e descontente
Libertar-se da carne, que a reveste...
Ela, há de adejar incertamente
às paredes de um corpo, mais celeste...

Como uma C’ruja às horas do sol-poente...
entorno de uma torre esburacada,
que será nosso ser, macabramente,
nos assomos da carne desmanchada!...

Não ter ficado Eu, entre as ruínas!
expor à luz dos séculos hiantes...
oculto sob as heras e boninas;

E depois, percorrer meu próprio ser!
em adejos inúteis e inconstantes...
como a andorinha à "Torre-do-Não-Ser"!...

1918
Rio de Janeiro

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História do Gosto e Outros Poemas — Ernani Rosas, Organização de Ana Brancher e Biobibliografia de Iaponan Soares, 1997, Editora da UFSC, Florianópolis — SC; Ernani Salomão Rosas Ribeiro de Almeida (1886 1955), catarinense de Desterro, atual Florianópolis, foi poeta; desde os três anos de idade passou a residir na cidade do Rio de Janeiro e, depois, com a morte do pai (Oscar Rosas, político e também poeta, que basicamente lhe garantia as mesadas), mudou-se com a mãe e irmãs para Nova Iguaçu, também no Rio, onde morreu em difíceis condições; levou uma vida boêmia e sofreu discriminação pela sua gagueira e homossexualidade; foi um homem reservado que tentou ficar o máximo possível no anonimato; colaborou com os periódicos O Imparcial, Maçã e A Época; sua bibliografia: Certa Lenda numa Tarde — Paráfrasis de Narciso (assina Rictus da Cruz, 1917), Poemas do Ópio (1918) e Silêncios (sem data); após sua morte, houve o resgate de sua obra poética: em Panorama do Movimento Simbolista Brasileiro — Organização de Andrade Muricy (1952), foram incluídos vinte e sete de seus poemas e, em Poesias — Organização de Iaponan Soares e Dalila Carneiro da Cunha Luz Varella (1989), estão reunidos, em sua obra, todos os manuscritos e plaquetes * encontrados, já nos arquivos da Academia Catarinense de Letras; depois, vieram outros estudos: este História do Gosto e Outros Poemas (1997) e Cidade do Ócio — entre sonetos e retalhos, Organizadora: Zilma Gesser Nunes (2008).

* Notaplaquetes: este aprendiz de blogueiro faz constar que, conforme o História do Gosto e Outros Poemas, as plaquetes, em torno de trinta e sete, organizadas pelo poeta, são pequenos livros costurados à mão e com barbante, com capa de papel “de embrulho”, onde foi escrito à mão o título da plaquete; por elas tem-se que Ernani Rosas também fez uso de alguns pseudônimos para assiná-las: N. Cáspio, A. Luzo, N. Luzo, além do já anteriormente citado Rictus da Cruz.

sexta-feira, 28 de julho de 2017

Ernani Rosas: Monólogo das Coisas . . .

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Que vida religiosa, parecia
sonhar na paz d’aquele cemitério
as plantas tinham alma e a voz dizia
que falavam p’la boca do mistério!...

Tudo revela, misteriosamente...
As árvores eram numes, que falavam,
e num vago silêncio do inconsciente...
eram sonhos silentes, que rezavam?...

Sobre a Asa de um sonho, quero tê-las!
sim, oniricamente, comovidas...
ver a noite passar sobre as estrelas!...

E os Astros, repetir quase em segredo:
num músico murmúrio... porque a vida:
E um sussurro orquestral de vão degredo!...

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História do Gosto e Outros Poemas — Ernani Rosas, Organização de Ana Brancher e Biobbliografia de Iaponan Soares, 1997, Editora da UFSC, Florianópolis — SC; Ernani Salomão Rosas Ribeiro de Almeida (1886 1955), catarinense de Desterro, atual Florianópolis, foi poeta; desde os três anos de idade passou a residir na cidade do Rio de Janeiro e, depois, com a morte do pai (Oscar Rosas, político e também poeta, que basicamente lhe garantia as mesadas), mudou-se com a mãe e irmãs para Nova Iguaçu, também no Rio, onde morreu em difíceis condições; levou uma vida boêmia e sofreu discriminação pela sua gagueira e homossexualidade; foi um homem reservado que tentou ficar o máximo possível no anonimato; colaborou com os periódicos O Imparcial, Maçã e A Época; sua bibliografia: Certa Lenda numa Tarde — Paráfrasis de Narciso (assina Rictus da Cruz, 1917), Poemas do Ópio (1918) e Silêncios (sem data); após sua morte, houve o resgate de sua obra poética: em Panorama do Movimento Simbolista Brasileiro Organização de Andrade Muricy (1952) foram incluídos vinte e sete de seus poemas e em Poesias Organização de Iaponan Soares e Dalila Carneiro da Cunha Luz Varella (1989) estão reunidos oitenta e oito poemas, incluídos manuscritos e plaquetes * encontrados, já nos arquivos da Academia Catarinense de Letras; depois, vieram outros estudos: este História do Gosto e Outros Poemas (1997) e Cidade do Ócio entre sonetos e retalhos, Organizadora: Zilma Gesser Nunes (2008).

* Nota: plaquetes: este aprendiz de blogueiro faz constar que, conforme o História do Gosto e Outros Poemas, as plaquetes, em torno de trinta e sete, organizadas pelo poeta, são pequenos livros costurados à mão e com barbante, com capa de papel “de embrulho”, onde foi escrito à mão o título da plaquete; por elas tem-se que Ernani Rosas também fez uso de alguns pseudônimos para assiná-las: N. Cáspio, A. Luzo, N. Luzo, além do já anteriormente citado Rictus da Cruz.