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quinta-feira, 27 de julho de 2017

Antônio Rangel Bandeira: Fim do mundo

Resultado de imagem para Antologia da Poesia Brasileira Moderna Carlos Burlamaqui Kopke
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Todos os jornais darão edições especiais
E ainda um bonde terá tempo de colher um transeunte.
O Presidente dirá palavras de conforto à Nação.
Os bombeiros ficarão a postos
Como à espera dos grandes cataclismos.
À falta de luz elétrica os homens usarão querosene
Em candeiros alados.
O poeta se perderá em cogitações
De interesse particular.
Um telegrama esclarecerá pequenos detalhes:
— As agulhas das bússolas ficarão desnorteadas
E os sinais telegráficos perder-se-ão no espaço.
Além do mais algumas estrelas cairão sobre o mar
 Parnasianas.
E entre palmas e gritos dos espectadores
A ressurreição da carne será anunciada.

(In. Supl. Autores & Livros  Rio  1943)
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Antologia da Poesia Brasileira Moderna, Organização e Introdução de Carlos Burlamaqui Kopke — Clube da Poesia de São Paulo, 1953; Antônio Rangel Bandeira (1917 1988), nascido em Recife PE, foi advogado, jornalista, poeta, cronista e ensaísta; escreveu e publicou Poesias (1945), O Retrato Fantasma (1953), Jorge de Lima — o roteiro de uma contradição (1959), Diálogos no Espelho (1968).