____________________
[traduzido
por Olga Savary]
XLVIII
São os
seios das sereias
os
redondos caracóis?
Ou são
ondas petrificadas
ou jogo
imóvel da espuma?
Não se incendiou
a pradaria
com os
vaga-lumes selvagens?
Os cabeleireiros
do outono
despentearam
os crisântemos?
XLIX
Quando de
novo vejo o mar
o mar me
viu ou não me viu?
Por que
me perguntam as ondas
o mesmo que
lhes pergunto?
E por que
golpeiam a rocha
com tanto
entusiasmo perdido?
Não se
cansam de repetir
sua declaração
à areia?
L
Quem pode
convencer o mar
para que
seja razoável?
De que
lhe serve demolir
âmbar
azul, granito verde?
E para
que tantas marcas
e tantos sulcos
no rochedo?
Cheguei de
detrás do mar
e onde vou
quando me atalha?
Por que
encerrei meu caminho
caindo no
ardil do mar?
XLVIII
¿Son los senos de las sirenas
las redondescas caracolas?
¿O son olas petrificadas
o juego inmóvil de la espuma?
¿No se ha incendiado la pradera
con las luciérnagas salvajes?
¿Los peluqueros del otoño
despeinaron los crisantemos?
XLIX
¿Cuando veo de nuevo el mar
el mar me ha visto o no me ha visto?
¿Por qué me preguntan las olas
lo mismo que yo les pregunto?
¿Y por qué golpean la roca
con tanto entusiasmo perdido?
¿No se cansan de repetir
su declaración a la arena?
L
¿Quién puede convencer al mar
para que sea razonable?
¿De qué le sirve demoler
ámbar azul, granito verde?
¿Y para qué tantas arrugas
y tanto agujero en la roca?
¿Yo llegué de detrás del mar
y dónde voy cuando me ataja?
¿Por qué me he cerrado el caminho
cayendo en la trampa del mar?
Libro de las preguntas (1974)
* Nota
do blogue Verso e Conversa: Este atrevido aprendiz de blogueiro expõe que
o Livro das perguntas (Libro de las preguntas) é composto de 74
poemas, sendo todos seus versos feitos em forma de perguntas.
____________________
Livro das
Perguntas — Pablo Neruda, edição bilíngüe, Tradução e Introdução de Olga Savary,
volume 360 da Coleção L&PM Pocket (1ª edição na coleção: maio de 2004), reimpressão
de 2019, L&PM Editores, Porto Alegre — RS; Pablo Neruda (1904 — 1973), nascido
Ricardo Eliécer Neftalí Reyes Basoalto, chileno de Parral, estudou Pedagogia e Francês
na Universidade do Chile, foi diplomata e poeta; aos treze anos começa a contribuir
com alguns textos para o jornal La Montaña; em 1920, já como Pablo Neruda, publicou
poemas no periódico literário Selva Austral; considerado um dos mais importantes
poetas de língua castelhana do século XX, escreveu e publicou Crepusculario (1923),
Veinte poemas de amor y uma canción desesperada (1924), Tentativa del hombre infinito
(1926), El habitante y su esperanza (novela, 1926), Canto general (1950), Los versos
del Capitán (1952), Todo el amor (1953), Las uvas y el viento (1954), Estravagario
(1958), Cien sonetos de amor (1959), Cantos ceremoniales (1961), Las piedras de
Chile (1961), La Barcarola (1967), Las manos del día (1968), Fin del mundo (1969),
Maremoto (1970), La espada escendida (1970), Libro de las preguntas (1974), Confieso
que he vivido (1974) e outros títulos; foi laureado com o Prêmio Nacional de Literatura
do Chile (1945), Prêmio Lênin da Paz (1953) e Prêmio Nobel de Literatura (1971);
como diplomata do governo chileno, viveu em Burma, Ceilão, Java, Cingapura, Buenos
Aires, Barcelona e Madri.

















