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segunda-feira, 15 de abril de 2024

Cuti: Ingrata performance


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nas brumas da fantasia
vejo como se move a subserviência
de quem se quer escravo:

procura fazer-se engraçado
enquanto cata migalhas

caminha meio de lado
como se fosse um siri
exibindo faceiro o caricato de si

não morde ou ferroa
se fome, implora
violência, perdoa

mudar em prata
pensa
suas algemas de ferro
para sonhar no futuro
algemas de ouro

no extremo, se preciso, não mata
suicida-se
pela promessa barata de uma outra vida
mesmo que seja
um “foda-se! te vira!”

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Cadernos Negros: Poemas afro-brasileiros, Volume 41 [vários autores], Organização de Esmeralda Ribeiro e Márcio Barbosa, 2018, Quilombhoje, São Paulo — SP; Cuti, pseudônimo de Luiz Silva, nascido em 1951, paulista de Ourinhos, formado em Letras (Português e Francês) pela USPSP, com mestrado (Teoria da Literatura) e doutorado (Literatura Brasileira) pelo Instituto de Estudos da Linguagem UNICAMP, é poeta, ficcionista, dramaturgo, ensaísta e militante da causa negra; o poeta Cuti foi um dos fundadores e membro da ONG QuilombhojeLiteratura e um dos criadores e mantenedores da série Cadernos Negros; suas obras: Poemas da carapinha (1978), Batuque de tocaia (poesia, 1982), Suspensão (dramaturgia, 1983), Flash crioulo sobre o sangue e o sonho (poesia, 1987), Quizila (contos, 1987), A pelada peluda no Largo da Bola (infanto-juvenil, 1988), Dois nós na noite e outras peças de teatro negro-brasileiro (dramaturgia, 1991, 2ª edição revisada e ampliada, 2009), Negros em contos (1996), Castro, ouves a poesia negra? (não-ficção, 1997), Um desafio submerso: “Evocações”, de Cruz e Souza (dissertação de mestrado, 1999), Sanga (poesia, 2002), Negroesia — Antologia Poética (2007), Poemaryprosa (poesia, 2009), Contos crespos (2009), A consciência do impacto nas obras de Cruz e Souza e Lima Barreto (não-ficção, 2009), Literatura negro-brasileira (não-ficção, 2010), Lima Barreto (biografia, 2011), Kizomba de vento e nuvem (poesia, 2013), Contos escolhidos (coletânea, 2016) Negrhúmus líricos (poesia, 2017), além de publicação de textos em coautorias várias e participação em antologias poéticas e em prosa.

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2024

Cuti: Revela-som


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o chicote sempre se pretendeu erudito
ordenou e ordena em idiomas vários
o seu “tenho dito!”

em seu tom
a vida míngua
via mar de mágoa
incha a nossa língua

produziu tantas marcas
em nossas minhas costas
externas e internas
que elas agora
mantêm de pé
o punho deste grito uníssono
e o verdadeiro desenho
do mapa do brasil.

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Cadernos Negros: Poemas afro-brasileiros, Volume 41 [vários autores], Organização de Esmeralda Ribeiro e Márcio Barbosa, 2018, Quilombhoje, São Paulo — SP; Cuti, pseudônimo de Luiz Silva, nascido em 1951, paulista de Ourinhos, formado em Letras (Português e Francês) pela USPSP, com mestrado (Teoria da Literatura) e doutorado (Literatura Brasileira) pelo Instituto de Estudos da Linguagem UNICAMP, é poeta, ficcionista, dramaturgo, ensaísta e militante da causa negra; o poeta Cuti foi um dos fundadores e membro da ONG QuilombhojeLiteratura e um dos criadores e mantenedores da série Cadernos Negros; suas obras: Poemas da carapinha (1978), Batuque de tocaia (poesia, 1982), Suspensão (dramaturgia, 1983), Flash crioulo sobre o sangue e o sonho (poesia, 1987), Quizila (contos, 1987), A pelada peluda no Largo da Bola (infanto-juvenil, 1988), Dois nós na noite e outras peças de teatro negro-brasileiro (dramaturgia, 1991, 2ª edição revisada e ampliada, 2009), Negros em contos (1996), Castro, ouves a poesia negra? (não-ficção, 1997), Um desafio submerso: “Evocações”, de Cruz e Souza (dissertação de mestrado, 1999), Sanga (poesia, 2002), Negroesia— Antologia Poética (2007), Poemaryprosa (poesia, 2009), Contos crespos (2009), A consciência do impacto nas obras de Cruz e Souza e Lima Barreto (não-ficção, 2009), Literatura negro-brasileira (não-ficção, 2010), Lima Barreto (biografia, 2011), Kizomba de vento e nuvem (poesia, 2013), Contos escolhidos (coletânea, 2016) Negrhúmus líricos (poesia, 2017), além de publicação de textos em coautorias várias e participação em antologias poéticas e em prosa.

segunda-feira, 8 de janeiro de 2024

Cuti: Em questão

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ancestral é mais que antepassado
na comunal cadeia que do entusiasmo nos fez da vida centelha

não desconhecido que se tornou mito
que nos põe aflitos
ante a história comum
desde antes, bem antes...
centro da áfrica
raiz que se exuma
somos um...
ou melhor, uma!

antepassado passou com nome feito nuvem
ancestral se foi voltou
para habitar corações e mentes
feito semente e lúmen

antepassados são muitos
dispersos na sombra
ancestrais alguns
imersos no sol de seus feitos
pelo exemplo eleitos
egunguns.

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Cadernos Negros: Poemas afro-brasileiros, Volume 41 [vários autores], Organização de Esmeralda Ribeiro e Márcio Barbosa, 2018, Quilombhoje, São Paulo — SP; Cuti, pseudônimo de Luiz Silva, nascido em 1951, paulista de Ourinhos, formado em Letras (Português e Francês) pela USPSP, com mestrado (Teoria da Literatura) e doutorado (Literatura Brasileira) pelo Instituto de Estudos da Linguagem UNICAMP, é poeta, ficcionista, dramaturgo, ensaísta e militante da causa negra; o poeta Cuti foi um dos fundadores e membro da ONG QuilombhojeLiteratura e um dos criadores e mantenedores da série Cadernos Negros; suas obras: Poemas da carapinha (1978), Batuque de tocaia (poesia, 1982), Suspensão (dramaturgia, 1983), Flash crioulo sobre o sangue e o sonho (poesia, 1987), Quizila (contos, 1987), A pelada peluda no Largo da Bola (infanto-juvenil, 1988), Dois nós na noite e outras peças de teatro negro-brasileiro (dramaturgia, 1991, 2ª edição revisada e ampliada, 2009), Negros em contos (1996), Castro, ouves a poesia negra? (não-ficção, 1997), Um desafio submerso: “Evocações”, de Cruz e Souza (dissertação de mestrado, 1999), Sanga (poesia, 2002), Negroesia— Antologia Poética (2007), Poemaryprosa (poesia, 2009), Contos crespos (2009), A consciência do impacto nas obras de Cruz e Souza e Lima Barreto (não-ficção, 2009), Literatura negro-brasileira (não-ficção, 2010), Lima Barreto (biografia, 2011), Kizomba de vento e nuvem (poesia, 2013), Contos escolhidos (coletânea, 2016) Negrhúmus líricos (poesia, 2017), além de publicação de textos em coautorias várias e participação em antologias poéticas e em prosa.

sexta-feira, 22 de setembro de 2023

Cuti: Medotécnica


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a indiferença é o chicote
que muita gente usa
contra ameaças de beijo, abraço, toque

se chama também
quando a empáfia a conclama
desdém

coisa de quem ama
padrão, modelo, tipo
raça, gênero, grana, isso e aquilo

mas quando o verdadeiro amor vem a reboque pânico!
sabe: do mundo
completamente muda o enfoque.

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Cadernos Negros: Poemas afro-brasileiros, Volume 41 [vários autores], Organização de Esmeralda Ribeiro e Márcio Barbosa, 2018, Quilombhoje, São Paulo — SP; Cuti, pseudônimo de Luiz Silva, nascido em 1951, paulista de Ourinhos, formado em Letras (Português e Francês) pela USPSP, com mestrado (Teoria da Literatura) e doutorado (Literatura Brasileira) pelo Instituto de Estudos da Linguagem UNICAMP, é poeta, ficcionista, dramaturgo, ensaísta e militante da causa negra; o poeta Cuti foi um dos fundadores e membro da ONG QuilombhojeLiteratura e um dos criadores e mantenedores da série Cadernos Negros; suas obras: Poemas da carapinha (1978), Batuque de tocaia (poesia, 1982), Suspensão (dramaturgia, 1983), Flash crioulo sobre o sangue e o sonho (poesia, 1987), Quizila (contos, 1987), A pelada peluda no Largo da Bola (infanto-juvenil, 1988), Dois nós na noite e outras peças de teatro negro-brasileiro (dramaturgia, 1991, 2ª edição revisada e ampliada, 2009), Negros em contos (1996), Castro, ouves a poesia negra? (não-ficção, 1997), Um desafio submerso: “Evocações”, de Cruz e Souza (dissertação de mestrado, 1999), Sanga (poesia, 2002), Negroesia— Antologia Poética (2007), Poemaryprosa (poesia, 2009), Contos crespos (2009), A consciência do impacto nas obras de Cruz e Souza e Lima Barreto (não-ficção, 2009), Literatura negro-brasileira (não-ficção, 2010), Lima Barreto (biografia, 2011), Kizomba de vento e nuvem (poesia, 2013), Contos escolhidos (coletânea, 2016) Negrhúmus líricos (poesia, 2017), além de publicação de textos em coautorias várias e participação em antologias poéticas e em prosa.

sexta-feira, 18 de março de 2022

Cuti: Trincheira

 
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Falaram tanto que nosso cabelo era ruim
que a maioria acreditou
e pôs fim
(raspouqueimoualisoufrisouirelaxoucanecaloucuras)

ainda bem que as raízes continuam intactas
e há maravilhosos pelos
crespos
conscientes
no quilombo das regiões
íntimas
de cada um de nós.

Sanga — poesia, 2002

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Antologia de Poesia Afro-Brasileira — 150 anos de consciência negra no Brasil, Prefácio de Eduardo de Assis Duarte, Organização de Zilá Bernd, Coorganização de Emilene Corrêa Souza e Plínio Carlos Souza Corrêa Junior, 2011, Mazza Edições, Belo Horizonte — MG; Cuti, pseudônimo de Luiz Silva, nascido em 1951, paulista de Ourinhos, formado em Letras (Português e Francês) pela USPSP, com mestrado (Teoria da Literatura) e doutorado (Literatura Brasileira) pelo Instituto de Estudos da Linguagem UNICAMP, é poeta, ficcionista, dramaturgo, ensaísta e militante da causa negra; o poeta Cuti foi um dos fundadores e membro da ONG QuilombhojeLiteratura e um dos criadores e mantenedores da série Cadernos Negros; obras: Poemas da carapinha (1978), Batuque de tocaia (poesia, 1982), Suspensão (dramaturgia, 1983), Flash crioulo sobre o sangue e o sonho (poesia, 1987), Quizila (contos, 1987), A pelada peluda no Largo da Bola (infanto-juvenil, 1988), Dois nós na noite e outras peças de teatro negro-brasileiro (dramaturgia, 1991, 2ª edição revisada e ampliada, 2009), Negros em contos (1996), Castro, ouves a poesia negra? (não-ficção, 1997), Um desafio submerso: “Evocações”, de Cruz e Souza (dissertação de mestrado, 1999), Sanga (poesia, 2002), Negroesia — Antologia Poética (2007), Poemaryprosa (poesia, 2009), Contos crespos (2009), A consciência do impacto nas obras de Cruz e Souza e Lima Barreto (não-ficção, 2009), Literatura negro-brasileira (não-ficção, 2010), Lima Barreto (biografia, 2011), Kizomba de vento e nuvem (poesia, 2013), Negrhúmus líricos (poesia, 2017), além de publicação de textos em coautorias várias e participação em antologias poéticas e em prosa.

quinta-feira, 9 de julho de 2020

Cuti: Da agonia

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quilombos queimados...
hoje se dança uma alegria tonta
sobre a areia movediça da agonia

cachaça e mentira
enlameiam o terreiro
para o lucro alheio
e o samba bamboleia
meio bêbado

mulatas no picadeiro
showrando
um eterno fevereiro

pura necessidade: nossos ancestrais
vão acendendo seus olhos
nos porões de nossos poros.

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Cuti: Negroesia — Antologia Poética, Apresentação de Moema Parente Augel, 2ª edição, 2010, Mazza Edições, Belo Horizonte — MG; Cuti, pseudônimo de Luiz Silva, nascido em 1951, paulista de Ourinhos, formado em Letras (Português e Francês) pela USPSP, com mestrado (Teoria da Literatura) e doutorado (Literatura Brasileira) pelo Instituto de Estudos da Linguagem UNICAMP, é poeta, ficcionista, dramaturgo, ensaísta e militante da causa negra; o poeta Cuti foi um dos fundadores e membro da ONG QuilombhojeLiteratura e um dos criadores e mantenedores da série Cadernos Negros; bibliografia: Poemas da carapinha (1978), Batuque de tocaia (poesia, 1982), Suspensão (dramaturgia, 1983), Flash crioulo sobre o sangue e o sonho (poesia, 1987), Quizila (contos, 1987), A pelada peluda no Largo da Bola (infanto-juvenil, 1988), Dois nós na noite e outras peças de teatro negro-brasileiro (dramaturgia, 1991, 2ª edição revisada e ampliada, 2009), Negros em contos (1996), Castro, ouves a poesia negra? (não-ficção, 1997), Um desafio submerso: “Evocações”, de Cruz e Souza (dissertação de mestrado, 1999), Sanga (poesia, 2002), Negroesia — Antologia Poética (2007), Poemaryprosa (poesia, 2009), Contos crespos (2009), A consciência do impacto nas obras de Cruz e Souza e Lima Barreto (não-ficção, 2009), Literatura negro-brasileira (não-ficção, 2010), Lima Barreto (biografia, 2011), Kizomba de vento e nuvem (poesia, 2013), Negrhúmus líricos (poesia, 2017), além de publicação de textos em coautorias várias e participação em antologias poéticas e em prosa.

quinta-feira, 28 de maio de 2020

Cuti: Negroesia

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enxurrada de mágoas sobre os paralelepípedos
por onde passam carroções de palavras duras
com seus respectivos instrumentos de tortura

entre silêncios
augúrios de mar e rios
o poema acende seus pavios
e se desata
do vernáculo que mata

ao relento das estrofes
acolhe os risos afros
embriagados de esquecimento e suicídio
no horizonte do delírio

e do âmago do desencanto contesta as máscaras
lançando explosivas metáforas pelas brechas dos poesídios
contra o arsenal do genocídio.

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Cuti: Negroesia — Antologia Poética, Apresentação de Moema Parente Augel, 2ª edição, 2010, Mazza Edições, Belo Horizonte — MG; Cuti, pseudônimo de Luiz Silva, nascido em 1951, paulista de Ourinhos, formado em Letras (Português e Francês) pela USPSP, com mestrado (Teoria da Literatura) e doutorado (Literatura Brasileira) pelo Instituto de Estudos da Linguagem UNICAMP, é poeta, ficcionista, dramaturgo, ensaísta e militante da causa negra; o poeta Cuti foi um dos fundadores e membro da ONG QuilombhojeLiteratura e um dos criadores e mantenedores da série Cadernos Negros; bibliografia: Poemas da carapinha (1978), Batuque de tocaia (poesia, 1982), Suspensão (dramaturgia, 1983), Flash crioulo sobre o sangue e o sonho (poesia, 1987), Quizila (contos, 1987), A pelada peluda no Largo da Bola (infanto-juvenil, 1988), Dois nós na noite e outras peças de teatro negro-brasileiro (dramaturgia, 1991, 2ª edição revisada e ampliada, 2009), Negros em contos (1996), Castro, ouves a poesia negra? (não-ficção, 1997), Um desafio submerso: “Evocações”, de Cruz e Souza (dissertação de mestrado, 1999), Sanga (poesia, 2002), Negroesia — Antologia Poética (2007), Poemaryprosa (poesia, 2009), Contos crespos (2009), A consciência do impacto nas obras de Cruz e Souza e Lima Barreto (não-ficção, 2009), Literatura negro-brasileira (não-ficção, 2010), Lima Barreto (biografia, 2011), Kizomba de vento e nuvem (poesia, 2013), Negrhúmus líricos (poesia, 2017), além de publicação de textos em coautorias várias e participação em antologias poéticas e em prosa.

segunda-feira, 11 de maio de 2020

Cuti: Ela

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a minha poesia
sou eu que me desnudo
                   me descubro

sou eu que me acho
e me cato
nos cantos escondidos
do sorriso agachado

a minha poesia
sou eu rio que deságuo
nos teus olhos parados

sou eu vento no moinho
do meu grito entalado

a minha poesia
sou eu-fome-de-muitos
punhos punhais
sombras fatais
e a esperança do mundo
no sangue vivo
das palavras

a minha poesia
sou eu-pó
sendo pulverizado
sou eu-só
desatando o nó
que nos prende no descuido
e nos vitima no racismo astuto

a minha poesia
um susto que pula no pescoço
e procura
agarra esse medo
esse medo que nos espreita na lapela do riso

a minha poesia
é soul
tem ódio
e amor
e vem dizer revendo
que o ressentimento
é sinal de cura
contra todo o tempo
da cara falsa
da raça pura

a minha poesia
é som
é sã
é-sou
é soul

         é sam
                   ba
                       tendo no couro branco do papel.

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Cuti: Negroesia — Antologia Poética, Apresentação de Moema Parente Augel, 2ª edição, 2010, Mazza Edições, Belo Horizonte — MG; Cuti, pseudônimo de Luiz Silva, nascido em 1951, paulista de Ourinhos, formado em Letras (Português e Francês) pela USPSP, com mestrado (Teoria da Literatura) e doutorado (Literatura Brasileira) pelo Instituto de Estudos da Linguagem UNICAMP, é poeta, ficcionista, dramaturgo, ensaísta e militante da causa negra; o poeta Cuti foi um dos fundadores e membro da ONG QuilombhojeLiteratura e um dos criadores e mantenedores da série Cadernos Negros; bibliografia: Poemas da carapinha (1978), Batuque de tocaia (poesia, 1982), Suspensão (dramaturgia, 1983), Flash crioulo sobre o sangue e o sonho (poesia, 1987), Quizila (contos, 1987), A pelada peluda no Largo da Bola (infanto-juvenil, 1988), Dois nós na noite e outras peças de teatro negro-brasileiro (dramaturgia, 1991, 2ª edição revisada e ampliada, 2009), Negros em contos (1996), Castro, ouves a poesia negra? (não-ficção, 1997), Um desafio submerso: “Evocações”, de Cruz e Souza (dissertação de mestrado, 1999), Sanga (poesia, 2002), Negroesia — Antologia Poética (2007), Poemaryprosa (poesia, 2009), Contos crespos (2009), A consciência do impacto nas obras de Cruz e Souza e Lima Barreto (não-ficção, 2009), Literatura negro-brasileira (não-ficção, 2010), Lima Barreto (biografia, 2011), Kizomba de vento e nuvem (poesia, 2013), Negrhúmus líricos (poesia, 2017), além de publicação de textos em coautorias várias e participação em antologias poéticas e em prosa.

quinta-feira, 9 de abril de 2020

Cuti: Convite

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ouça bem o que parece silêncio
e sinta a unha o punho o porrete
o corte a faca o soco
na nossa vida vibrando há séculos
aqui

ouça bem o que parece silêncio
e sinta a dor o frio
o penetrante gemido
que nos picota as entranhas

e para saber melhor
entre
afaste de nosso rosto
o cipoal de desprezo sarcasmo e disfarce
que nos puseram na porta bem posto

e seja bem vindo
ao nosso quarto de achados e perdidos

tenha bondade
sente no meio da mocidade
ou se quiser
não se acanhe
sente no meio dos velhos e antepassados

ouça bem o que parece silêncio...
o choro da cantiga de ninar a dor...
ouça bem...
e pergunte se há racismo no brasil.

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Cuti: Negroesia — Antologia Poética, Apresentação de Moema Parente Augel, 2ª edição, 2010, Mazza Edições, Belo Horizonte — MG; Cuti, pseudônimo de Luiz Silva, nascido em 1951, paulista de Ourinhos, formado em Letras (Português e Francês) pela USPSP, com mestrado (Teoria da Literatura) e doutorado (Literatura Brasileira) pelo Instituto de Estudos da Linguagem UNICAMP, é poeta, ficcionista, dramaturgo, ensaísta e militante da causa negra; o poeta Cuti foi um dos fundadores e membro da ONG QuilombhojeLiteratura e um dos criadores e mantenedores da série Cadernos Negros; bibliografia: Poemas da carapinha (1978), Batuque de tocaia (poesia, 1982), Suspensão (dramaturgia, 1983), Flash crioulo sobre o sangue e o sonho (poesia, 1987), Quizila (contos, 1987), A pelada peluda no Largo da Bola (infanto-juvenil, 1988), Dois nós na noite e outras peças de teatro negro-brasileiro (dramaturgia, 1991, 2ª edição revisada e ampliada, 2009), Negros em contos (1996), Castro, ouves a poesia negra? (não-ficção, 1997), Um desafio submerso: “Evocações”, de Cruz e Souza (dissertação de mestrado, 1999), Sanga (poesia, 2002), Negroesia — Antologia Poética (2007), Poemaryprosa (poesia, 2009), Contos crespos (2009), A consciência do impacto nas obras de Cruz e Souza e Lima Barreto (não-ficção, 2009), Literatura negro-brasileira (não-ficção, 2010), Lima Barreto (biografia, 2011), Kizomba de vento e nuvem (poesia, 2013), Negrhúmus líricos (poesia, 2017), além de publicação de textos em coautorias várias e participação em antologias poéticas e em prosa.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2020

Cuti: Roda de poemas

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macumbamente poetas
quebramos a cerca
de arame farpado de receios
entre nós

atabaque no compasso
a palavra no corpo
gesticula no espaço

depois do chocalho
defumar a sala
com axé reencontrado

ponto vem
ponto sai
e a roda se constela
de ginga nas costelas
e poemas na voz.

Cuti
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Cuti: Negroesia — Antologia Poética, Apresentação de Moema Parente Augel, 2ª edição, 2010, Mazza Edições, Belo Horizonte — MG; Cuti, pseudônimo de Luiz Silva, nascido em 1951, paulista de Ourinhos, formado em Letras (Português e Francês) pela USPSP, com mestrado (Teoria da Literatura) e doutorado (Literatura Brasileira) pelo Instituto de Estudos da Linguagem UNICAMP, é poeta, ficcionista, dramaturgo, ensaísta e militante da causa negra; o poeta Cuti foi um dos fundadores e membro da ONG QuilombhojeLiteratura e um dos criadores e mantenedores da série Cadernos Negros; bibliografia: Poemas da carapinha (1978), Batuque de tocaia (poesia, 1982), Suspensão (dramaturgia, 1983), Flash crioulo sobre o sangue e o sonho (poesia, 1987), Quizila (contos, 1987), A pelada peluda no Largo da Bola (infanto-juvenil, 1988), Dois nós na noite e outras peças de teatro negro-brasileiro (dramaturgia, 1991, 2ª edição revisada e ampliada, 2009), Negros em contos (1996), Castro, ouves a poesia negra? (não-ficção, 1997), Um desafio submerso: “Evocações”, de Cruz e Souza (dissertação de mestrado, 1999), Sanga (poesia, 2002), Negroesia — Antologia Poética (2007), Poemaryprosa (poesia, 2009), Contos crespos (2009), A consciência do impacto nas obras de Cruz e Souza e Lima Barreto (não-ficção, 2009), Literatura negro-brasileira (não-ficção, 2010), Lima Barreto (biografia, 2011), Kizomba de vento e nuvem (poesia, 2013), Negrhúmus líricos (poesia, 2017), além de publicação de textos em coautorias várias e participação em antologias poéticas e em prosa.

quinta-feira, 23 de janeiro de 2020

Cuti: é tanto pavor e medo que o ódio se eleva cedo . . .

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[Sete poemas de paixão e volúpia]

II

é tanto pavor e medo
que o ódio se eleva cedo
antes do horizonte aceso
deixando sobre o lençol
pesadelos em nódoa
e pranto
nuvens de temporal

apega-se tanto ao ódio
que o amor
se nasce
já vem com face virada
para viver num impasse
e chegar ao pódio
solitário e mórbido
competitivo e irônico

no entanto a pedra se quebra
úmida flor se abre
e o coração se arregaça
cópula
(em face do que parecia óbvio)
em plena praça.

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Cuti: Negroesia — Antologia Poética, Apresentação de Moema Parente Augel, 2ª edição, 2010, Mazza Edições, Belo Horizonte — MG; Cuti, pseudônimo de Luiz Silva, nascido em 1951, paulista de Ourinhos, formado em Letras (Português e Francês) pela USPSP, com mestrado (Teoria da Literatura) e doutorado (Literatura Brasileira) pelo Instituto de Estudos da Linguagem UNICAMP, é poeta, ficcionista, dramaturgo, ensaísta e militante da causa negra; o poeta Cuti foi um dos fundadores e membro da ONG QuilombhojeLiteratura e um dos criadores e mantenedores da série Cadernos Negros; bibliografia: Poemas da carapinha (1978), Batuque de tocaia (poesia, 1982), Suspensão (dramaturgia, 1983), Flash crioulo sobre o sangue e o sonho (poesia, 1987), Quizila (contos, 1987), A pelada peluda no Largo da Bola (infanto-juvenil, 1988), Dois nós na noite e outras peças de teatro negro-brasileiro (dramaturgia, 1991, 2ª edição revisada e ampliada, 2009), Negros em contos (1996), Castro, ouves a poesia negra? (não-ficção, 1997), Um desafio submerso: “Evocações”, de Cruz e Souza (dissertação de mestrado, 1999), Sanga (poesia, 2002), Negroesia — Antologia Poética (2007), Poemaryprosa (poesia, 2009), Contos crespos (2009), A consciência do impacto nas obras de Cruz e Souza e Lima Barreto (não-ficção, 2009), Literatura negro-brasileira (não-ficção, 2010), Lima Barreto (biografia, 2011), Kizomba de vento e nuvem (poesia, 2013), Negrhúmus líricos (poesia, 2017), além de publicação de textos em coautorias várias e participação em antologias poéticas e em prosa.