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terça-feira, 16 de fevereiro de 2021

Olympio Monat da Fonseca: Canção


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I

Na janela dos afogados, sonho.
Ah, a morte, a noite em teus lábios,
Bela como uma flor!

Na janela dos afogados, sonho:
Os espelhos de poeira e cinzas
Emudecem tua chama de estio.

Na janela dos afogados, sonho:
O silêncio tece uma rosa de fogo
Na desolação de tuas ruínas.

II

Nos espelhos da tarde
Nenhuma face.

Apenas o verão.
Um lamento que se estende
E caminha com sua luz pálida
Nas sombras do tédio.

Nos espelhos da tarde
Minha chama arde
Em seu derradeiro canto.
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Livro de Poemas (1947 — 1957): Olympio Monat da Fonseca, Coleção “Rex” nº 12, 1957, “Organização Simões” Editora, Rio de Janeiro — RJ; sobre o autor poeta Olympio Monat da Fonseca, o aprendiz de blogueiro e pesquisador responsável por este Verso e Conversa (quase) nada encontrou em seus caminhos googleanos; porém, pelo Correio da Manhã (domingo, 25.12.1949, 4ª secção Vida Literária), ficamos sabendo que naquele ano houve a publicação do seu livro de estréia, Cantos (lançado pelo Jornal de Letras); ainda, pela estante virtual, encontrou-se também a edição de Poemas (Editora Guanabara, 1950) e, pelo books.google, Um homem sem rosto e Passeio de cavalo morto (romances, de 1964 e 1978, respectivamente); Olympio Monat da Fonseca traduziu poemas de Georg Trakl, Stefan George e Friedrich Georg Jünger, é o que constatamos em O Livro de Ouro da Poesia Alemã — Antologia, edição bilíngüe (seleção de Geir Campos, Ediouro, 1985), traduções estas que fazem parte do acervo deste Verso e Conversa (clique aqui); quem souber de outras notícias a respeito do autor, e/ou de sua vida literária, e puder/quiser compartilhar com este blogue, fica o agradecimento público.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2020

Olympio Monat da Fonseca: A cidade e o rio

 

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I

Mas que águas, que canções
Fluem nesta cidade turva
E pesada de inverno
Vaga entre brumas?

Ah, toda cidade deveria ter um rio,
Um rio que a pudesse embalar
Entre ruínas e sonhos.
Porque tudo é leve e passageiro
Como um gesto,
E nada feito o rio para nos lembrar
O que perdemos
Beste fogo que consome
Sem consumir.
Porque nenhum fogo nos renova,
Mas descobre.

II

Os lampiões de bronze
Iluminam as últimas glórias da noite,
As límpidas lágrimas
E tristezas.
Os lampiões de bronze
Brilham nas águas turvas
E se juntam ao pranto sereno
De velhas pedras e arcadas de mármore e melancolia,
Verdes na bruma.

Ah, toda cidade deveria ter um rio.
Um rio para se mirar
Como cortesã
Entre candelabros e prata,
Amor e ódio.

III

Assim eu teria erguido
Uma cidade às margens do rio
Longe do fogo, perto das colinas.
Assim eu a teria amado,
Longe do deserto,
A cidade e o rio
Serenamente esposos,
Malgrado a chama e as ruínas.
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Livro de Poemas (1947 — 1957): Olympio Monat da Fonseca, Coleção “Rex” nº 12, 1957, “Organização Simões” Editora, Rio de Janeiro — RJ; sobre o autor poeta Olympio Monat da Fonseca, o aprendiz de blogueiro e pesquisador responsável por este Verso e Conversa (quase) nada encontrou em seus caminhos googleanos; porém, pelo Correio da Manhã (domingo, 25.12.1949, 4ª secção Vida Literária), ficamos sabendo que naquele ano houve a publicação do seu livro de estréia, Cantos (lançado pelo Jornal de Letras); ainda, pela estante virtual, encontrou-se também a edição de Poemas (Editora Guanabara, 1950) e, pelo books.google, Um homem sem rosto e Passeio de cavalo morto (romances, de 1964 e 1978, respectivamente); Olympio Monat da Fonseca traduziu poemas de Georg Trakl, Stefan George e Friedrich Georg Jünger, é o que constatamos em O Livro de Ouro da Poesia Alemã — Antologia, edição bilíngüe (seleção de Geir Campos, Ediouro, 1985), traduções estas que fazem parte do acervo deste Verso e Conversa (clique aqui); quem souber de outras notícias a respeito do autor, e/ou de sua vida literária, e puder/quiser compartilhar com este blogue, fica o agradecimento público.

terça-feira, 8 de dezembro de 2020

Olympio Monat da Fonseca: Estampa & A janela

 
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Estampa

(Mei Sheng, 140aC., pintor e poeta)

Agora que a grama é de novo azul,
A grama que acompanha este rio,
Surpreende-me hesitante tua silhueta esguia,
Branca, ó amante, de tua juventude.

Outrora eras uma cortezã
E te uniste a um parvo
Que hoje segue bêbado por estradas de chuva,
Deixando-te muito só.

A janela

Como estava presente aquela janela, recortando com violência, a tarde ou a noite em sua rigidez de pedra.

Poderíamos sentir o arfar das folhagens naquele crepúsculo.

Cuidado. Se baixarmos as pálpebras, os ruídos entrarão pelos cômodos a dentro, como pássaros tontos. A princípio tímidos, alguns tenuemente metálicos e frios, trazendo ás vezes o eco dalguma voz ríspida.

Lá fora o verão agita suas incandescidas e terríveis flamas.

Súbito, ela se fecha ao vento tardio, ao vento inesperado.
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Livro de Poemas (1947 — 1957): Olympio Monat da Fonseca, Coleção “Rex”, 1957, “Organização Simões” Editora, Rio de Janeiro — RJ; acerca do autor Olympio Monat da Fonseca, o aprendiz de blogueiro e pesquisador responsável por este Verso e Conversa (quase) nada encontrou em seus caminhos googleanos; porém, pelo Correio da Manhã (domingo, 25.12.1949, 4ª secção Vida Literária), ficamos sabendo que naquele ano houve a publicação do seu livro de estréia, Cantos (lançado pelo Jornal de Letras); ainda, pela estante virtual, encontrou-se também a edição de Poemas (Editora Guanabara, 1950) e, pelo books.google, Um homem sem rosto e Passeio de cavalo morto (romances, de 1964 e 1978, respectivamente); Olympio Monat da Fonseca traduziu poemas de Georg Trakl, Stefan George e Friedrich Georg Jünger, é o que constatamos em O Livro de Ouro da Poesia Alemã — Antologia, edição bilíngue (seleção de Geir Campos, Ediouro, 1985), traduções estas que fazem parte do acervo deste Verso e Conversa (clique aqui); quem souber de outras notícias a respeito do autor, e/ou de sua vida literária, e puder/quiser dividir com este blogue, fica o agradecimento público.

domingo, 25 de outubro de 2020

Olympio Monat da Fonseca: A noite & Quase canção

 
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A noite

Escuta,
Não ouves algum rumor?
É apenas o mar, o vento
Escavando silêncios.

O mar.
Então verás, ele é belo
Em suas insônias de lua,
Em seus anseios.
Tal uma jovem
Estendida ao amor.

Ah, o mar, o mar,
Amar, sempre renovando,
Ó destroçada noite.

Quase canção

Deixa,
Deixa vir o outono.
Com profundas lembranças
De tardes desfolhadas no tempo.

Deixa,
Deixa vir o outono.
Seu grito quase silêncio
Amargamente esconde
Uma primavera livre das sementes.
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Livro de Poemas (1947 — 1957): Olympio Monat da Fonseca, Coleção “Rex”, 1957, “Organização Simões” Editora, Rio de Janeiro — RJ; sobre o autor Olympio Monat da Fonseca, o aprendiz de blogueiro e pesquisador responsável por este Verso e Conversa (quase) nada encontrou em seus caminhos googleanos; porém, pelo Correio da Manhã (domingo, 25.12.1949, 4ª secção Vida Literária), ficamos sabendo que naquele ano houve a publicação do seu livro de estréia, Cantos (lançado pelo Jornal de Letras); ainda, pela estante virtual, encontrou-se também a edição de Poemas (Editora Guanabara, 1950) e, pelo books.google, Um homem sem rosto e Passeio de cavalo morto (romances, de 1964 e 1978, respectivamente); Olympio Monat da Fonseca traduziu poemas de Georg Trakl, Stefan George e Friedrich Georg Jünger, é o que constatamos em O Livro de Ouro da Poesia Alemã — Antologia, edição bilíngue (seleção de Geir Campos, Ediouro, 1985), traduções estas que fazem parte do acervo deste Verso e Conversa (clique aqui); quem souber de outras notícias a respeito do autor, e/ou de sua vida literária, e puder/quiser dividir com este blogue, fica o agradecimento público.

segunda-feira, 12 de outubro de 2020

Olympio Monat da Fonseca: O repouso dos amantes I e II

Franklin Levy - Leiloeiro Oficial
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I

Nada mais vos perturba
Nem mesmo a memória
Que limita e traz a dor.
Nada mais vos assoma
Na argila frágil, na noite frágil
De vossas carnes.
Apenas o silêncio vos guarda
E o meu cuidado, e o vosso amor.
Ah, e como ele palpita
Em vossos olhares,
Sol antigo, murmúrio de fontes perdidas,
Argila de campo sereno!
Mas, contempla aqueles jacintos,
Os mesmos que ainda florescem,
Os jacintos azuis que outrora havíeis colhido
Num simples dia de abril ou maio.
E tudo vos pertence terrivelmente,
Vós que habitais, que viveis apenas
Na ausência.
Não, não vos esforceis por voltar ao passado,
Vós, a quem a morte levou.
As coisas que vos cercam, ainda são as mesmas,
E nos vencem,
E o acidente é tão velho.
A noite vos guarda, nenhum lamento, nenhum gesto.
Vós, argila e silêncio.

II

Ah, a noite, a noite em vossos olhos,
Quando é vinda a hora do esquecimento
E do tédio. Quando tudo é abandono!
Nada mais vos consola, enfim,
Nem mesmo um aceno, vós que cingistes a morte
Como o guerreiro, um elmo,
O campo é sereno, nenhuma brisa.
Nenhum ruído de cascos na relva
Ou nos campos de trigo.
Apenas o céu que nos ameaça
Com seu manto de cinza e melancolia
E a mandrágora oculta,
Germinando na terra.
E desejaríeis contemplar mais uma vez,
O vosso jardim, sob a colina e os pinheiros.
Não era lá então, que fartos de saber tudo.
E usados pelas coisas
Implorastes um pouco mais de mistério
Em vossas vidas?
Ah, como a posse é ingrata,
Como ela nos corrói e nos vence.
A posse, feita de morte e tédio!
E assim, pobres amantes de argila,
Sem memória,
Vós que haveis queimado
Em vossos corações, vosso amor,
Num desejo cego. Ah! força é redimi-lo,
É estar presente, contemplando.
Pois a morte é tudo (e qualquer coisa),
Talvez aquele estandarte ao vento, um canto,
Talvez a onda que nasce na onda,
Ou o vosso amor.
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Livro de Poemas (1947 1957): Olympio Monat da Fonseca, Coleção “Rex”, 1957, “Organização Simões” Editora, Rio de Janeiro RJ; sobre o autor Olympio Monat da Fonseca, o aprendiz de blogueiro e pesquisador responsável por este Verso e Conversa (quase) nada encontrou em seus caminhos googleanos; porém, pelo Correio da Manhã (domingo, 25.12.1949, 4ª secção Vida Literária), ficamos sabendo que naquele ano houve a publicação do seu livro de estréia, Cantos (lançado pelo Jornal de Letras); ainda, pela estante virtual, encontrou-se também a edição de Poemas (Editora Guanabara, 1950) e, pelo books.google, Um homem sem rosto e Passeio de cavalo morto (romances, de 1964 e 1978, respectivamente); Olympio Monat da Fonseca traduziu poemas de Georg Trakl, Stefan George e Friedrich Georg Jünger, é o que constatamos em O Livro de Ouro da Poesia Alemã Antologia, edição bilíngüe (seleção de Geir Campos, Ediouro, 1985), traduções estas que fazem parte do acervo deste Verso e Conversa (clique aqui); quem souber de outras notícias a respeito do autor, e/ou de sua vida literária, e puder/quiser dividir com este blogue, fica o agradecimento público.

segunda-feira, 28 de setembro de 2020

Georg Trakl: Música em Mirabell

Resultado de imagem para o livro de ouro da poesia alemã (em alemão e português) ediouro
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[traduzido por Olympio Monat da Fonseca]

Uma fonte canta. As nuvens pairam
Ao claro azul, brancas e suaves.
Com passos lentos e graves as pessoas
À tarde cruzam o velho jardim.

Cinza é agora o mármore antigo.
Um bando de pássaros busca o longínquo.
Um fauno com seus olhos mortos contempla
As sombras que se perdem na escuridão.

A folhagem cai rubra das velhas árvores
E paira e penetra pelas janelas abertas.
Um fulgor de incêndio brilha em todo o cômodo,
Traçando confusos fantasmas de angústia.

Um estranho todo de branco penetra na casa.
Um cão se precipita pelos velhos corredores.
A criada apaga uma luz.
É noite então, e ouvimos os acordes de uma sonata.

Templo Cultural Delfos: Georg Trakl - poeta expressionista austríaco
Georg Trakl

Musik im Mirabell

Ein Brunnen singt. Die Wolken stehn
Im klaren Blau, die weissen, zarten.
Bedächtig stille Menschen gehn
Am Abend durch den alten Garten.

Der Ahnen Marmor ist ergraut.
Ein Vogelzug streift in die Weiten.
Ein Faun mit toten Augen schaut
Nach Schatten, die ins Dunkel gleiten.

Das laub fällt rot vom alten Baum
Und kreist herein durchs offne Fenster.
Ein Feuerschein glüht auf im Raum
Und malet trübe Angstgespenster.

Ein weisser Fremdling tritt ins Haus.
Ein Hund stürzt durch verfallene Gänge.
Die Magd löscht eine Lampe aus.
Das Ohr hört nachts Sonatenklänge.
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O Livro de Ouro da Poesia Alemã — Antologia de Poetas da Língua Alemã, (diversos autores e tradutores), Apresentação e Seleção de Geir Campos, edição bilíngue, Clássicos de Bolso, 1985, Ediouro, Rio de Janeiro — RJ; Georg Trakl (1887 1914), austríaco de Salzburgo (antigo Império Austríaco), mestre em Farmácia, foi poeta expressionista; na Primeira Guerra, voluntariou-se e exerceu o ofício de farmacêutico em Hospital Militar; Georg Trakl publicou em vida apenas um livro, Poemas (1913), além de textos esparsos em edições da revista Der Brenner e em outros jornais; logo após sua morte, publicou-se Sebastião no Sonho (Sebastian im Traum,1915); de sua curta biografia, consta que o poeta nutria uma paixão desmedida por sua irmã mais nova, Gretl, personagem presente em grande parte de sua poesia, sentimento esse também compartilhado por ela, a quem se atribui uma forte personalidade e a decidida condução da relação incestuosa; Georg e Gretl, ambos dependentes de narcóticos, cometeram suicídio: ele em agosto de 1914, e ela, já mentalmente transtornada, em 1917.

Olympio Monat da Fonseca: O alquimista

Franklin Levy - Leiloeiro Oficial
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Assim, após tantos anos
E desenganos
Eu teria enfim todo aquele ouro
Para comprar as pompas do mundo,
Para comprar todas as virtudes,
Para comprar todas as esperanças,
Para comprar qualquer eunuco
Que nos governa,
Para comprar o triunfo semanal
Do beletrista-colunista.
Para comprar as leis que os juristas improvisados
Nos oferecem.
Ah, com um simples filtro e esse pó
Da Assíria...
Adonai! Adonai!
Belphagor, sete vezes.
Astaroth, Asmodeu!

Sobretudo comprar e destruir.
Destruir para possuir.
E cantemos então agora, já.
Nesse momento que passa
E não volta mais,
Os inocentes, os loucos, os bêbados,
E as semi-virgens,
Nesse momento que passa,
(Sem um pranto),
E que não volta mais.
E será preciso então morrer
Lucidamente, cada dia
Porque o homem só vive após
Algum dano.
E cantemos de novo
Cinicamente o suicídio do amor
Na cidade dos homens.
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Livro de Poemas (1947 — 1957): Olympio Monat da Fonseca, Coleção “Rex” nº 12, 1957, “Organização Simões” Editora, Rio de Janeiro — RJ; sobre o autor poeta Olympio Monat da Fonseca, o aprendiz de blogueiro e pesquisador responsável por este Verso e Conversa [quase] nada encontrou em seus caminhos googleanos; porém, pelo Correio da Manhã (domingo, 25.12.1949, 4ª secção Vida Literária), ficamos sabendo que naquele ano houve a publicação do seu livro de estréia, Cantos (lançado pelo Jornal de Letras); ainda, pela estante virtual, encontrou-se também a edição de Poemas (Editora Guanabara, 1950) e, pelo books.google, Um homem sem rosto e Passeio de cavalo morto (romances, de 1964 e 1978, respectivamente); Olympio Monat da Fonseca traduziu poemas de Georg Trakl, Stefan George e Friedrich Georg Jünger, é o que constatamos em O Livro de Ouro da Poesia Alemã — Antologia, edição bilíngüe (seleção de Geir Campos, Ediouro, 1985), traduções estas que fazem parte do acervo deste Verso e Conversa (clique aqui); quem souber de outras notícias a respeito do autor, e/ou de sua vida literária, e puder/quiser compartilhar com este blogue, fica o agradecimento público.

quarta-feira, 9 de setembro de 2020

Olympio Monat da Fonseca: Inverno I e II

Franklin Levy - Leiloeiro Oficial
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I

O inverno é belo quando é apenas sonho.

Que faremos quando ele chegar,
O inverno, quase uma presença,
Um prenúncio no limo verde destas ruínas?
      Os flocos de neve cairão como chamas
Crestando a minha, a tua paisagem metálica e árida,
Sem um murmúrio,
Vagamente, na morte.
Os campos serão desertos,
Os campos, onde o vento tem muitas vozes
E a manhã é cada vez mais fria
E a erva amanhece rígida
Entre cadáveres esquecidos,
Frutos derradeiros para uma estação que morre.
Ah, que canção os faria acordar,
Senão este desejo na ausência?
Pois, tudo é inverno,
Estação da espera.

II

E eis me aqui ao redor do fogo,
Para conjurar este tempo
Que nos foge e usa,
Para conjurar o excesso de branco e cinza
Que nos envolve,
Cuidando que ele não se apague
Ou se queime num demasiado ardor.
Nós que aqui buscamos novos jogos
E manejos,
Porque o inverno é longo
E o fogo nos renova.
(Então dirás que eu repito
   O que já dissera antes)
O inverno, desesperadamente silêncio
É só espera.
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Livro de Poemas (1947 1957): Olympio Monat da Fonseca, Coleção “Rex”, 1957, “Organização Simões” Editora, Rio de Janeiro RJ; sobre o autor poeta Olympio Monat da Fonseca, o aprendiz de blogueiro e pesquisador responsável por este Verso e Conversa (quase) nada encontrou em seus caminhos googleanos; porém, pelo Correio da Manhã (domingo, 25.12.1949, 4ª secção Vida Literária), ficamos sabendo que naquele ano houve a publicação do seu livro de estréia, Cantos (lançado pelo Jornal de Letras); ainda, pela estante virtual, encontrou-se também a edição de Poemas (Editora Guanabara, 1950) e, pelo books.google, Um homem sem rosto e Passeio de cavalo morto (romances, de 1964 e 1978, respectivamente); Olympio Monat da Fonseca traduziu poemas de Georg Trakl, Stefan George e Friedrich Georg Jünger, é o que constatamos em O Livro de Ouro da Poesia Alemã Antologia, edição bilíngüe (seleção de Geir Campos, Ediouro, 1985), traduções estas que fazem parte do acervo deste Verso e Conversa (clique aqui); quem souber de outras notícias a respeito do autor, e/ou de sua vida literária, e puder/quiser dividir com este blogue, fica o agradecimento público.

quinta-feira, 27 de agosto de 2020

Stefan George: Cantiga

Resultado de imagem para o livro de ouro da poesia alemã (em alemão e português) ediouro
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[traduzido por Olympio Monat da Fonseca]

Nas janelas onde outrora contigo
A paisagem da noite contemplava,
Brilham estranhos lumes.
O caminho ainda começa da porta

Onde, sem olhares para trás,
Um dia rumaste ao vale.
Mas a lua, quando tornou,
Tua pálida face fez erguer:

Então, era já demasiado tarde para um apelo.
Sombras, silêncio, ar pesado 
Afogam minha casa.
Levaste contigo toda a alegria.

File:Max Klein - Stefan-George-Büste.jpg - Wikimedia Commons
Stefan George

Lied

Fenster wo ich einst mit dir
Abends in die landschaft sah
Sind nun hell mit fremdem licht.

Pfad noch läuft vom tor wo du
Standest ohne umzuschaun
Dann ins tal hinunterbogst.

Bei der kehr warf nochmals auf
Mond dein bleiches angesicht...
Doch es war zu spät zum ruf.

Dunkel — schweigen — starre luft
Sinkt wie damals um das haus.
Alle freude nahmst du mit.
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O Livro de Ouro da Poesia Alemã — Antologia de Poetas da Língua Alemã, (diversos autores e tradutores), Apresentação e Seleção de Geir Campos, edição bilíngue, Clássicos de Bolso, 1985, Ediouro, Rio de Janeiro — RJ; Stefan Anton George (1868 1933), alemão de Büdesheim, região do Reno, foi tradutor e poeta maior do Simbolismo; fez seus estudos secundários no Ludwig-Georgs-Gymnasium, em Darmstadt, e ali passou a se interessar por teatro e poesia; editou um jornalzinho escolar de literatura, o Rosen und Disteln (Rosas e Cardos); a partir daí, toma contato com o mundo exterior, viajando a Londres, Montreux, na Suiça, Milão, Turim e, depois, Paris, onde se encontra com o poeta Albert Saint-Paul, que o apresenta a Stéphane Mallarmé; dedicando-se ao Simbolismo, as portas são abertas para um mundo novo da experiência poética, a arte pela arte, o que o faz tomar impulso na produção de versos e na tradução de textos de Baudelaire, Rimbaud, Verlaine, Mallarmé e outros tantos poetas contemporâneos; faz cursos de literatura e filosofia na Universidade de Berlim, cria a revista literária Blätter für die Kunst (Folhas de Arte), publicada de 1892 a 1919, isso fazendo com que o poeta passe mesmo a ser referência de um círculo literário e acadêmico denominado George-Kreis; neste período, sua roda de amigos inclui franceses, italianos e mexicanos, o que lhe possibilita falar francês e ouvir espanhol com mais assiduidade do que alemão; bibliografia: Hymnen (Hinos, 17 poemas, 1890), Algabal (1892) Die Bücher der Hirten- und Preisgedichte, der Sagen und Sänge und der hängenden Gärten, (Livros de Poemas Pastoris e de Louvor Sagas e Canções e dos Jardins Suspensos, 1895), Das Jahr des Seele (O ano da alma, 1897), Der Teppich des Lebens und die Lieder von Traum und Tod mit einem Vorspiel (Tapete da Vida e Canções de Sonho e Morte com um Prelúdio, 1899), Der siebente Ring (O sétimo Anel, 1907), Der Stern des Bundes (A estrela da Aliança, 1914), Das neue Reich (O novo Reino, 1928) e outros; Roger Bastide (1898 1974), estudioso francês, nos propõe uma "tríade sagrada do Simbolismo" e cita o poeta Stefan George ao lado de Stéphane Mallarmé e do nosso Cruz e Sousa.

Olympio Monat da Fonseca: Passeio crepuscular

Franklin Levy - Leiloeiro Oficial
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Vem, vem caminhar comigo, Amada,
Entre os escombros,
Pois lá fora, no mundo, mata-se ternamente!
Vamos, vamos ver estes belos, estes caros
Senadores, generais, ministros,
Banqueiros, juristas,
Profissionais do comunismo e do fascismo,
Nacionalistas de todas os matizes,
Oportunistas de toda sorte, sodomitas, cambistas,
Prostitutas (oficiais ou não), filólogos, lésbicas e antropófagos.
Ah, tão falantes, tão ensinados
Que parecem vivos...
Basta de sonhos!... de primaveras pré-fabricadas!
Vamos rir que é o melhor remédio.
Vem, vem caminhar comigo.
De longe, veremos melhor.
Nos jardins, agora, as estátuas são irremediavelmente mudas
E os girassóis imensos estremecem sob a fresca aragem.

Do salão, vinham vozes e sons abafados
De copos e metais frios.
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Livro de Poemas (1947 1957): Olympio Monat da Fonseca, Coleção “Rex”, 1957, “Organização Simões” Editora, Rio de Janeiro RJ; sobre o autor poeta Olympio Monat da Fonseca, o aprendiz de blogueiro e pesquisador responsável por este Verso e Conversa (quase) nada encontrou em seus caminhos googleanos; porém ficamos sabendo, pelo Correio da Manhã (domingo, 25.12.1949, 4ª secção Vida Literária), que naquele ano houve a publicação do seu livro de estréia, Cantos (lançado pelo Jornal de Letras); ainda, pela estante virtual, encontrou-se também a edição de Poemas (Editora Guanabara, 1950) e, pelo books.google, Um homem sem rosto (romance, 1964) e Passeio de cavalo morto (romance, 1978); Olympio Monat da Fonseca traduziu poemas de Georg Trakl, Stefan George e Friedrich Georg Jünger, é o que constatamos em O Livro de Ouro da Poesia Alemã Antologia, edição bilíngue (seleção de Geir Campos, Ediouro, 1985), traduções estas que fazem parte do acervo deste Verso e Conversa (clique aqui); quem souber de outras notícias a respeito do autor, e/ou de sua vida literária, e puder/quiser compartilhar com este blogue, fica o agradecimento público.