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segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Lino Guedes: Duro com duro...

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Coisa que nunca se viu
Um preto de outro gostar;
Por isso eu não me admiro
De você me abandonar
Por aquela deslambida,
Que vive o rosto a pintar.

Pinta sim, reboca mesmo:
Mas vocês por uma branca
Dão tudo, tudo, até a vida.
Seja boa ou seja tranca.
Só pelo gosto de ouvir:
 É casado c'uma branca.

 Não faz mal, da minha vida
Sorverei todo o seu travo,
Lamentando esse teu fraco
Meu único amor, meu bravo
Que deixa de ser senhor
Para viver como escravo!

(O canto do cisne preto  1927)

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Antologia de Poesia Afro-Brasileira — 150 anos de consciência negra no Brasil, Organização de Zilá Bernd, Coorganização de Emilene Corrêa Souza e Plínio Carlos Souza Corrêa Junior, 2011, Mazza Edições, Belo Horizonte — MG; Lino Pinto Guedes (1906  1951), paulista de Socorro, filho de ex-escravos, foi jornalista e poeta; após cursar a Escola Normal em Campinas  SP, iniciou-se na carreira jornalística colaborando com os jornais Diário do Povo e Correio Popular e, depois, no Jornal do Comércio, O Combate, Razão, São Paulo  Jornal, Correio de Campinas, Correio Paulistano e Diário de São Paulo; como militante do movimento negro, atuou no semanário Getulino, publicação que defendia os interesses da população negra; escreveu e publicou Luís Gama e sua individualidade literária (ensaio, 1924), Black (1926), O canto do cisne preto (1927), Ressurreição negra (1928), Negro preto cor da noite (1932), Urucungo (1936), Mestre Domingos (1937), O pequeno bandeirante (1937), Sorrisos do captiveiro (1937), Dictinha (1938), Vigília de Pae João (1938), Nova Inquilina do céu (1943), Suncristo (1951).