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Não sei palavras dúbias. Meu sermão
Chama ao lobo verdugo e ao cordeiro irmão.
Com duas mãos fraternas, cumplicio
A ilha prometida à proa do navio.
A posse é-me aventura sem sentido.
Só compreendo o pão se dividido.
Não brinco de juiz, não me disfarço de réu.
Aceito meu inferno, mas falo do meu céu.
Epigramas, 1958
Um ironismo
como outro qualquer: A ironia na poesia de José Paulo Paes — João Carlos Biella,
Prefácio de Sylvia Helena Telarolli de Almeida Leite, 2008, Editora UNESP, São Paulo
— SP; José Paulo Paes (1926 — 1998), paulista de Taquaritinga, foi poeta, tradutor,
editor, jornalista, ensaísta e crítico literário; formado em Química Industrial,
durante anos trabalhou em laboratório farmacêutico (Curitiba — PR), sem jamais ter
deixado de lado a literatura, gosto adquirido através de seu avô que era livreiro;
na cidade paranaense colaborou com a revista Joaquim (1946 — 1948), dirigida por
Dalton Trevisan; transferindo-se para São Paulo, passou a colaborar com os jornais
Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo, O Tempo, Jornal de Notícias e Revista
Brasiliense; escreveu e publicou: O Aluno (1947), Cúmplices (1951), Novas Cartas
Chilenas (1954), Epigramas (1958), Mistério em Casa (1961), Anatomias (1967), Resíduo
(1973), Calendário Perplexo (1983), É isso Ali (1984), Gregos & Baianos (ensaio,
1985), Um por Todos (poesia reunida, 1988), A Poesia Está Morta Mas Juro Que Não
Fui Eu (1988), Poemas para brincar (infantil, 1989), Prosas Seguidas de Odes Mínimas
(1992), Lé com Cré (1993), A Meu Esmo (1995), De Ontem Para Hoje (1996), Um passarinho
me contou (1997), Melhores poemas (1998), Uma Letra Puxa a Outra (1998), Ri Melhor
Quem Ri Primeiro (1999), O Lugar do Outro (1999), Socráticas (livro inédito, edição
póstuma, 2001) e tantos outros títulos em parceria com poetas e escritores, no gênero
poesia infantil e infanto-juvenil; como editor e tradutor, verteu para o português
autores gregos, ingleses, dinamarqueses, italianos, norte-americanos etc. etc.,
tais como Charles Dickens, Joseph Conrad, Pietro Aretino, Konstantínos Kaváfis,
Laurence Sterne, W. H. Auden, William Carlos Williams, J. K. Huysmans, Paul Éluard,
Hölderlin, Paladas de Alexandria, Edward Lear, Rilke, Seféris, Lewis Carroll, Níkos
Kazantzákis, Ovídio etc.; foi laureado com diversos prêmios literários nas categorias
poesia, literatura infanto-juvenil e tradução.















