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Oh! meu amor, escuta, estou
aqui.
Pois o teu coração bem me conhece:
eu sou aquela voz que, em tanta prece,
endoideceu, chorou, gemeu por ti!
Sou eu, sou eu que ainda não morri
— nem a morte me quer, ao que
parece —
e vinha renovar, se inda pudesse,
as horas dolorosas que vivi.
Oh! que insensato e louco é quem se ilude!
Quis fugir, esquecer-te, mas não pude...
Vê lá do que teus olhos são capazes!
Deitando a vista pelo mundo além,
desisto de encontrar na vida um bem
que valha todo o mal que tu me fazes!

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Sonetos de Amor & Desamor (vários autores), Organização de Ivan Pinheiro Machado e Notas de Sergio Faraco, Coleção L&PM Pocket, vol. 1095, 2016, Porto Alegre — RS; Marta de Mesquita da Câmara (1895 — 1980), portuguesa do Porto, foi professora, poetisa, jornalista e autora de literatura infantil; colaborou nos periódicos portugueses O Século, Diário de Notícias, O Primeiro de Janeiro, Mulheres do Norte e Mensário de Arte e Literatura; bibliografia: Triste (1924), Arco Íris (1925), Pó do teu caminho (1926), Triste: versos (2ª edição aumentada de muitos poemas inéditos, 1934), Conte uma história (contos infantis, 1940), Poemas (1952), Era uma vez... (1ª edição, 1954; 2ª edição, 1957), Poesias Completas (1960), Canteiro dos meus amores (contos, 1958 e 1962), Recreio (contos, 1960); em seus textos, também fez uso do pseudônimo Tia Madalena.