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quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Helena Kolody: Jornada, e outros poemas

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ADVERTÊNCIA – 1951
É meio-dia em minha vida.
Um mensageiro inesperado
Vem preferir que apresse a lida,
Como se fosse anoitecer.

Vento da noite, ainda é cedo!
... e nem lavrei a terra agreste.

CISTERNA – 1964
Nem o bailado das avencas
Consola a água prisioneira.

CRIANÇAS – 1970
Brincam à margem da correnteza
Não indagam a origem do rio
Amam esta água necessária.
Aceitam o mistério sem surpresa.

PLETORA – 1980
Explode a vida numerosa,
a morte ceifa, o mal se atreve,
brota o amor, irrompe a greve,
nesse intervalo passageiro
em quem na rua rumorosa
muda de cor o sinaleiro.

ONDE? – 1986
Em que furna,
em que torre,
em que cisterna funda
dormia o poema
em mim?

JORNADA – 1993
Tão longa a jornada.
E a gente cai, de repente,
No abismo do nada.

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Sinfonia da vida — Helena Kolody (antologia), Organização de Tereza Hatue de Rezende, 1997, Editora Letraviva, Curitiba — PR; a poetisa Helena Kolody (1912 — 2004), paranaense de Cruz Machado, começou a escrever jovem e, em 1930, já em Curitiba, teve seus poemas publicados em jornais e revistas; professora, formou-se na Escola Normal de Curitiba (Instituto de Educação); publicou Paisagem Interior (1941), Música Submersa (1945), A Sombra no Rio (1951), Vida Breve (1965), Era Espacial e Trilha Sonora (1966), Tempo (1970), Infinito Presente (1980), Sempre Palavra (1985), Poesia Mínima (1986), Ontem, Agora (1991), Reika (1993), Caixinha de Música (1996), e outros títulos, além de reedições e coletâneas; em 1992 foi homenageada pelo cineasta Sylvio Back com o filme Babel de Luz, vencedor dos prêmios de melhor curta-metragem e melhor montagem no 25º Festival de Brasília.

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Helena Kolody: Poesia mínima, outros haicais e outros poemas

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ENSAIO — 1964
A solidão da vida.
longo ensaio
da solidão da morte.

APELIDOS  1973
Eram Jucás e Chiquinhos,
Ninas, Lolas, Mariquitas.
Apelidos que o amor
selava nas criaturas

Hoje são números.
(Computadores não programam ternura)

AREIA  1980
Da estátua de areia,
nada restará,
depois da maré cheia.

QUAL?  1986
Damos nomes aos astros...
Qual será nosso nome
nas estrelas distantes?

POESIA MÍNIMA  1986
Pintou estrelas no muro
e teve o céu
ao alcance das mãos.

EVASÃO — 1990
Despiu a roupa
de prisioneiro.
Fugiu do cárcere.

Os jornais disseram
que morreu.

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Sinfonia da vida — Helena Kolody (antologia), Organização de Tereza Hatue de Rezende, 1997, Editora Letraviva, Curitiba — PR; a poetisa Helena Kolody (1912  2004), paranaense de Cruz Machado, começou a escrever jovem e, em 1930, já em Curitiba, teve seus poemas publicados em jornais e revistas; professora, formou-se na Escola Normal de Curitiba (Instituto de Educação); publicou Paisagem Interior (1941), Música Submersa (1945), A Sombra no Rio (1951), Vida Breve (1965), Era Espacial e Trilha Sonora (1966), Tempo (1970), Infinito Presente (1980), Sempre Palavra (1985), Poesia Mínima (1986), Ontem, Agora (1991), Reika (1993), Caixinha de Música (1996), e outros títulos, além de reedições e coletâneas; em 1992 foi homenageada pelo cineasta Sylvio Back com o filme Babel de Luz, vencedor dos prêmios de melhor curta-metragem e melhor montagem no 25º Festival de Brasília.

domingo, 11 de setembro de 2016

Helena Kolody: Retrato antigo, e outros poemas

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SOMBRA NO MURO  1970
Persigo um pássaro
e alcanço, apenas,
no muro,
a sombra de um vôo.

ESQUIVAS  1980
Quem se propõe a escrever
enreda-se em bruxarias.
Sempre diz menos (ou mais)
do que pretende dizer.

LIÇÃO MODERNA — 1983
Em lugar do ABC
aprendem
BTN
FMI
UPC

RODEIO — 1986
Teve um combate sem tréguas
com palavras indomáveis.

AVISO — 1988
Sem aviso
o vento vira
uma página da vida.

CLONES — 1988
Seres programados:
as mesmas atitudes,
as mesmas idéias,
as mesmas decisões.

RETRATO ANTIGO  1988
Quem é essa
que me olha
de tão longe,
com olhos que foram meus?

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Sinfonia da vida — Helena Kolody (antologia), Organização de Tereza Hatue de Rezende, 1997, Editora Letraviva, Curitiba — PR; a poetisa Helena Kolody (1912  2004), paranaense de Cruz Machado, começou a escrever jovem e, em 1930, já em Curitiba, teve seus poemas publicados em jornais e revistas; professora, formou-se na Escola Normal de Curitiba (Instituto de Educação); publicou Paisagem Interior (1941), Música Submersa (1945), A Sombra no Rio (1951), Vida Breve (1965), Era Espacial e Trilha Sonora (1966), Tempo (1970), Infinito Presente (1980), Sempre Palavra (1985), Poesia Mínima (1986), Ontem, Agora (1991), Reika (1993), Caixinha de Música (1996), e outros títulos, além de reedições e coletâneas; em 1992 foi homenageada pelo cineasta Sylvio Back com o filme Babel de Luz, vencedor dos prêmios de melhor curta-metragem e melhor montagem no 25º Festival de Brasília.

domingo, 22 de fevereiro de 2015

Helena Kolody: dois haicais

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RESSONÂNCIA

Bate breve o gongo
Na amplidão do templo ecoa
o som lento e longo.


OS TRISTES

Em seus caramujos
os tristes sonham silêncios.
Que ausência os habita?



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Boa companhia — haicai (diversos poetas), Organização, Seleção e Introdução de Rodolfo Witzig Guttilla, 2009, primeira reimpressão, Companhia das Letras, São Paulo — SP; a poetisa Helena Kolody (1912 2004), paranaense de Cruz Machado, começou a escrever jovem e, em 1930, já em Curitiba, teve seus poemas publicados em jornais e revistas; professora, lecionou na Escola Normal de Curitiba (Instituto de Educação); publicou Paisagem Interior (1941), Música Submersa (1945), A Sombra no Rio (1951), Vida Breve (1965), Era Espacial e Trilha Sonora (1966), Tempo (1970), Infinito Presente (1980), Sempre Palavra (1985), Poesia Mínima (1986), Ontem, Agora (1991), Reika (1993), Caixinha de Música (1996), além de reedições e coletâneas; em 1992 foi homenageada pelo cineasta Sylvio Back com o filme Babel de Luz, vencedor dos prêmios de melhor curta-metragem e melhor montagem no 25º Festival de Brasília.

domingo, 11 de março de 2012

Helena Kolody: Sonhar


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Sonhar é transportar-se em asas de ouro e aço
Aos páramos azuis da luz e da harmonia;
É ambicionar o céu, é dominar o espaço
Num vôo poderoso e audaz da fantasia.


Fugir ao mundo vil, tão vil que sem cansaço
Engana, e menospreza, e zomba, e calunia;
Encastelar-se, enfim, no deslumbrante Paço
De um sonho puro e bom, de paz e de alegria.


É ver no lago um mar, nas nuvens um castelo,
Na luz de um pirilampo um sol pequeno e belo,
É alçar constantemente o olhar ao céu profundo.


Sonhar é ter um grande ideal na inglória lida:
Tão grande que não cabe inteiro nesta vida,
Tão puro que não vive em plagas deste mundo.
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Os Mais Belos Sonetos Brasileiros Seleção e Notas de Edgard Rezende, da Academia Fluminense de Letras Prefácio de Oliveira e Silva, segunda edição, 1947, Casa Editora Vecchi Ltda., Rio de Janeiro RJ; a poetisa Helena Kolody (1912 2004), paranaense de Cruz Machado, começou a escrever jovem e, em 1930, já em Curitiba, teve seus poemas publicados em jornais e revistas; professora, lecionou na Escola Normal de Curitiba (Instituto de Educação); publicou Paisagem Interior (1941), Música Submersa (1945), A Sombra no Rio (1951), Vida Breve (1965), Era Espacial e Trilha Sonora (1966), Tempo (1970), Infinito Presente (1980), Sempre Palavra (1985), Poesia Mínima (1986), Ontem, Agora (1991), Reika (1993), Caixinha de Música (1996), além de reedições e coletâneas; em 1992 foi homenageada pelo cineasta Sylvio Back com o filme Babel de Luz, vencedor dos prêmios de melhor curta-metragem e melhor montagem no 25º Festival de Brasília.