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ADVERTÊNCIA –
1951
É meio-dia em minha vida.
Um mensageiro inesperado
Vem preferir que apresse a lida,
Como se fosse anoitecer.
Vento da noite, ainda é cedo!
... e nem lavrei a terra agreste.
CISTERNA – 1964
Nem o bailado das avencas
Consola a água prisioneira.
CRIANÇAS – 1970
Brincam à margem da correnteza
Não indagam a origem do rio
Amam esta água necessária.
Aceitam o mistério sem surpresa.
PLETORA – 1980
Explode a vida numerosa,
a morte ceifa, o mal se atreve,
brota o amor, irrompe a greve,
nesse intervalo passageiro
em quem na rua rumorosa
muda de cor o sinaleiro.
ONDE? – 1986
Em que furna,
em que torre,
em que cisterna funda
dormia o poema
em mim?
JORNADA – 1993
Tão longa a jornada.
E a gente cai, de repente,
No abismo do nada.

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Sinfonia da
vida — Helena Kolody (antologia), Organização de Tereza Hatue de
Rezende, 1997, Editora Letraviva, Curitiba — PR; a poetisa
Helena Kolody (1912 — 2004), paranaense de Cruz
Machado, começou a escrever jovem e, em 1930, já em Curitiba, teve seus
poemas publicados em jornais e revistas; professora, formou-se na Escola
Normal de Curitiba (Instituto de Educação); publicou Paisagem
Interior (1941), Música Submersa (1945), A Sombra no Rio (1951),
Vida Breve (1965), Era Espacial e Trilha
Sonora (1966), Tempo (1970), Infinito Presente (1980),
Sempre Palavra (1985), Poesia Mínima (1986), Ontem,
Agora (1991), Reika (1993), Caixinha de
Música (1996), e outros títulos, além de reedições e coletâneas; em
1992 foi homenageada pelo cineasta Sylvio Back com o filme Babel de Luz, vencedor dos prêmios de melhor curta-metragem e melhor
montagem no 25º Festival de Brasília.


