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quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Ernâni Sátiro *: O Instante

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O instante, nem sempre é agora.
Às vezes já passou,
Às vezes está para vir.
Em certos casos não virá nunca.
Mas é necessário cultivar o instante,
Estar preparado para que,
Quando vier,
Não seja recebido como um estranho.
Sim, porque o instante é caprichoso,
Caprichoso e rebelde, embora também seja doce e amigo.
Cultivemos o instante e não nos arrependeremos.
Se não vier, contentemo-nos com a alegria de tê-lo esperado.
Deixemos o instante em falta
Embora sem nos orgulharmos.
Não sejamos com ele nem orgulhosos nem humildes – sejamos naturais.
Se ele passar apenas como um sopro
Quase imperceptível,
Nem por isso deixará de ter sido o Instante.
Às vezes demora, senta-se, conversa. Convive.
Cultivemos o instante e não nos arrependeremos.



* No Prefácio da 1ª. edição desta Antologia, o poeta Vinícius de Moraes escreveu a propósito dos bissextos: “... poetas que nós, seus íntimos, chamamos cordialmente de bissextos — poetas sem livros de versos — bissextos pela escassez de sua produção, cuja excelência sem embargo os coloca ao lado dos mais citados
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Antologia dos Poetas Brasileiros — Bissextos Contemporâneos, Organização de Manuel Bandeira, 1996, Editora Nova Fronteira, Rio de Janeiro — RJ; Ernâni Aires Sátiro e Sousa (1911  1986), paraibano de Patos, formado pela Faculdade de Direito de Recife, foi fazendeiro, cronista, romancista, ensaísta, político e poeta bissexto *; escreveu O Quadro-Negro (romance, 1954), Mariana (romance, 1957), O Canto do retardatário (poesias, inédito).