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(O Amor e a Morte)
Corpo de ânsia.
Eu sonhei que te prostrava,
E te enleava
Aos meus músculos!
Olhos de êxtase,
Eu sonhei que em vós bebia
Melancolia
De há séculos!
Boca sôfrega,
Rosa brava,
Eu sonhei que te esfolhava
Pétala a pétala!
Seios rígidos,
Eu sonhei que vos mordia
Até que sentia
Vómitos!
Ventre de mármore,
Eu sonhei que te sugava,
E esgotava
Como a um cálice!
Pernas de estátua,
Eu sonhei que vos abria,
Na fantasia,
Como pórticos!
Pés de sílfide,
Eu sonhei que vos queimava
Na lava
Destas mãos ávidas!
Corpo de ânsia,
Flor de volúpia sem lei!
Não te apagues, sonho! mata-me
Como eu sonhei.
[Poemas de Deus e do Diabo —
1925]
(Filho do Homem — 1961)
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Poesia portuguesa contemporânea [várias autorias] — Seleção
de autorias, Organização, Nota inicial e Traços biobibliográficos por Carlos
Nejar, 1982, Massao Ohno & Roswitha Kempf Editores, São Paulo — SP; José
Régio, pseudônimo de José Maria dos Reis Pereira (1901 — 1969), português de
Vila do Conde, fez seus primeiros estudos no liceu da cidade natal, formado em
Filologia Românica pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, foi
escritor, poeta, professor, dramaturgo, romancista, contista, ensaísta,
memorialista, epistológrafo, historiador de literatura, editor e diretor de
revista; ainda jovem, publicou seus primeiros poemas nos jornais vilacondenses
A República e O Democrático; em sua trajetória literária colaborou com seus
textos nas revistas portuenses Crisálida e A Nossa Revista e nas coimbrãs
Bisâncio e Tríptico, além de em outros periódicos “nacionais, ultramarinos,
regionais e locais”, revista luso-brasileira Atlântico entre os quais; foi
co-fundador da revista Presença, na companhia de João Gaspar Simões e
Branquinho da Fonseca; lecionou no Liceu Alexandre Herculano, no Porto, e no
Liceu de Portalegre, no qual veio a se aposentar; suas obras: em poesia: Poemas
de Deus e do Diabo (1925), Biografia (1929), As Encruzilhadas de Deus (1936),
Fado (1941), A Chaga do Lado (1954), Filho do Homem (1961), Cântico Suspenso
(1968), ... em prosa: Jogo da Cabra Cega (romance, 1934), O Príncipe com
Orelhas de Burro (romance, 1942), A Velha Casa I — Uma gota de sangue (romance,
1945), depois vieram A Velha Casa II, III, IV e V, de 1947 a 1966, Histórias de
Mulheres (novelas, 1946), Há Mais Mundos (contos, 1962), Ensaios de
Interpretação Crítica (1964), Três Ensaios sobre Arte (1967), ... para teatro:
Jacob e o Anjo (1940), Benilde ou a Virgem Maria (1947), El-Rei Sebastião
(1949), ... e outros textos, parte deles em edição póstuma, tais como epistolografias
e memória; José Régio, além deste seu pseudônimo incorporado em sua biografia,
também fez uso dos alterônimos literários João Bensaúde, Pedro Serra e Lelito.