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(Aos meus sete netos)
Oh! filhos de meus filhos,
meus tiranos,
que a casa me invadis,
alacremente,
na expansão natural dos tenros
anos,
como um bando de pássaros,
contente!
Não deixais sossegados móveis,
panos,
em tudo remexeis alegremente.
Sois meigos, vivos, bons, não
causais danos
e a tristeza espantais,
jocosamente!
E junto da avó, em grupo tagarela,
à larga expandis os corações,
formando um cromo, cândida
aquarela,
tal qual Branca de Neve e os sete
anões!
Adoro essa balbúrdia domingueira,
de brincos infantis e risos
castos,
de suave sabor patriarcal!
Vós me tornais feliz de tal
maneira
que, praza aos céus, na hora
derradeira,
ao fechar para sempre os olhos
gastos,
cerrando sobre a vida espesso véu,
ouça invadir a casa toda inteira,
vosso clamor;
fanfarra triunfal,
a conduzir-me à porta azul do céu!

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Poetas Cariocas em 400 Anos — Frederico Trotta, 1966, Casa Editora Vecchi, Rio de Janeiro — RJ; Frederico Trotta (1899 — 1980), carioca, formado em Direito, foi militar, político, escritor e poeta; colaborou nos periódicos O Jornal, Manhã e Diário do Povo, do Rio de Janeiro, e em A Tarde, de Curitiba — PR; escreveu e publicou Mãe — antologia sentimental (1957), O Talismã do Cabo Pierre (contos, 1957), Um roseiral para alegras a vista (poesias, 1957), Poetas Cariocas em 400 Anos (1966) etc.


