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segunda-feira, 31 de agosto de 2026

Tristan Corbière: Gritos de cego *

 
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[traduzido por Marcos Antônio Siscar]

(Sobre motivo baixo-bretão Ann hini goz.)

   No olho matado há calor
   Uma cunha dá-lhe cor
Cravejado eu estou sem um caixão
Vazaram meu olho sem compaixão
   No olho vazado há calor
   E a cunha turva a cor

   Deus misericors
   Deus misericors
Bate em minha cabeça de pau
O martelo do suplício final
   Deus misericors
   Deus misericors

   Os urubus têm pavor
   De provar do meu odor
Abreviar meu Gólgota é uma vã
Esperança, Lamma sabacthani
   Pombas da morte sem pavor
   Molhai o bico desse odor

   Vermelha como uma flor
   A chaga é prova de amor1.
Vermelha como a gengiva babada
No riso de uma velha desdentada
   A chaga é prova de amor
   Vermelha como uma flor

   Vejo círculos de cor
   E o sol branco mordedor
Na água dos meus olhos se retempera
O ferro cozido no fogo do inferno
   Vejo um círculo de cor
   E o sol branco mordedor

   Brota em meu interior
   Uma gota de humor
Eu vejo o paraíso que se esconde
Lá dentro, Miserere, De Profundis
   O enxofre do interior
   Do crânio é todo meu humor

   Aquele que morto for
   Dê graças ao criador
Sejam gratos o mártir e o eleito
Com Jesus e a Virgem sem defeito
   Se morto e julgado for
   Que agradeça ao criador

   Um cavaleiro ao redor
   Repousa sem rancor
Descansa no cemitério bendito
Dormindo sua sesta de granito
   O homem de pedra ao redor
   Tem dois olhos sem rancor

   Oh sinto ainda tua cor
   Terra amarela d’Armor
Entre os meus dedos sinto o rosário
Cristo de osso no lenho do Calvário
   Boquiaberto com tua cor
   Ó céu defunto d’Armor

   Perdão por orar em dor
   Senhor, contra teu favor
Meus olhos são furos em vermelhidão
Que o capeta fez com a própria mão
   Perdão por gritar de dor
   Senhor, se este é teu favor

   Ouço o vento em furor
   Com seu corne zumbidor
Esse é o halali dos trespassados
Eu ladro após minha hora demasiado
   Ouço o vento em furor
   Já sinto o zumbi da dor

                                             Menez-Arrez.

Tristan Corbière

Cris d’Aveugle

(Sur l’air bas-breton Ann hini goz.)

   L’œil tué n’est pas mort
   Un coin le fend encor
Encloué je suis sans cercueil
On m’a planté le clou dans l’œil
   L’œil cloué n’est pas mort
   Et le coin entre encor

   Deus misericors
   Deus misericors
Le marteau bat ma tête en bois
Le marteau qui ferra la croix
   Deus misericors
   Deus misericors

   Les oiseaux croque-morts
   Ont donc peur à mon corps
Mon Golgotha n’est pas fini
Lamma lamma sabacthani
   Colombes de la Mort
   Soiffez après mon corps

   Rouge comme un sabord
   La plaie est sur le bord
Comme la gencive bavant
D’une vieille qui rit sans dent
   La plaie est sur le bord
   Rouge comme un sabord

   Je vois des cercles d’or
   Le soleil blanc me mord
J’ai deux trous percés par un fer
Rougi dans la forge d’enfer
   Je vois un cercle d’or
   Le feu d’en haut me mord

   Dans la moelle se tord
   Une larme qui sort
Je vois dedans le paradis
Miserere, De profundis
   Dans mon crâne se tord
   Du soufre en pleur qui sort

   Bienheureux le bon mort
   Le mort sauvé qui dort
Heureux les martyrs, les élus
Avec la Vierge et son Jésus
   Ô bienheureux le mort
   Le mort jugé qui dort

   Un Chevalier dehors
   Repose sans remords
Dans le cimetière bénit
Dans sa sieste de granit
   L’homme en pierre dehors
   A deux yeux sans remords

   Ho je vous sens encor
   Landes jaunes d’Armor
Je sens mon rosaire à mes doigts
Et le Christ en os sur le bois
   À toi je baye encor
   Ô ciel défunt d’Armor

   Pardon de prier fort
   Seigneur si c’est le sort
Mes yeux, deux bénitiers ardents
Le diable a mis ses doigts dedans
   Pardon de crier fort
   Seigneur contre le sort

   J’entends le vent du nord
   Qui bugle comme un cor
C’est l’hallali des trépassés
J’aboie après mon tour assez
   J’entends le vent du nord
   J’entends le glas du cor

                                         Menez-Arrez.

Notas do tradutor Marcos Antônio Siscar:
     * ‘O poema é uma descrição dos martírios do morto-vivo evitado até pelos urubus. Não é por acaso que esse poema faz parte da seção “bretã” do livro: a presença da morte é constante na cultura e mesmo na paisagem da Bretanha, em suas igrejas, em seus menires. Notar a ausência quase completa de pontuação desse poema, bem anterior a Mallarmé e a Apollinaire.
     “Ann hini goz” (em bretão, “la vieille femme”, a velha) era uma espécie de canto nacional bretão, entoado em geral por mendicantes.
     1. versos 19-20 — Substituímos a imagem da escotilha (“sabord”), pela da flor: a chaga está no flanco do navio (ou no flanco de Cristo crucificado) da mesma forma que é uma “prova de amor” (pela humanidade, no caso de Cristo). O registro no caso é irônico, dado o contexto dantesco do poema.’
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Os Amores amarelos — Tristan Corbière, edição bilíngue, Introdução, Tradução e Notas de Marcos Antônio Siscar, Apresentação texto/orelha de Iumna Maria Simon, 1996, Editora Iluminuras Ltda., São Paulo — SP; Tristan Corbière, ou Édouard-Joachim Corbière (1845 — 1875), francês de Morlaix — Finistère-Bretagne, estudou no Lycée de Saint-Brieuc [internato], na Bretanha [região noroeste francesa], transferiu-se para um liceu em Nantes [como aluno externo], abandonou os estudos motivado por doença, foi poeta simbolista e caricaturista; desde 1859, saúde frágil, foi acometido por febre reumática; de sua biografia, consta que seus primeiros poemas e caricaturas vieram à luz durante o período em que foi aluno interno, e que seu mais antigo poema, datado de 1860, satirizava um professor de história; escreveu e publicou um único livro em vida, Les Amours jaunes (Os Amores amarelos, 1873), a revista La Vie Parisienne registrou alguns de seus poemas; a obra, considerada um fracasso total, não obteve aceitação pública, só tendo sido valorizada dez anos depois quando Paul Verlaine a incluiu em Les Poètes maudits (1883), recomendando-a; consta que tal citação bastou para trazer o nome Tristan Corbière à tona, firmando-o como um dos mestres reconhecidos do Simbolismo; sua poética é considerada precursora do Surrealismo; em 1891, pelas mãos do editor Léon Vanier, veio a público a 2ª edição de Os Amores amarelos e, desta vez, foi absorvida e benquista nos meios literários; depois, vieram outras edições e reimpressões; muito anteriormente, em 1874 Corbière ainda vivo, haviam sido publicados dois textos em prosa: Casino des trépassés (Cassino dos finados) e L’Americaine (A Americana); a poesia de Tristan Corbière influenciou Jules Laforgue, e já no século 20, Ezra Pound (1885 — 1972) consagrou Corbière definitivamente “como um dos maiores versificadores [da língua francesa], mediante os contextos originais, satíricos, as estruturas coloquiais e seus jogos de palavras em rimas ricas” [conforme o tradutor e estudioso José Lino Grümewald]; debilitado, o poeta morreu de tuberculose aos 29 anos de idade.

terça-feira, 30 de junho de 2026

Tristan Corbière: Pária *

 
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[traduzido por Marcos Antônio Siscar]

Que repúblicas os contentem,
Homens livres! — rebanho preso —
Que suas proles amamentem!…
— Sou um cuco magro de desprezo.

— Coração eunuco, amputado
Daquilo que molhe ou que vibra…
Da Liberdade libertado
Estou! sempre só. Sempre livre.

— Minha Pátria… é o mundo afora;
Logo, não temo achar-me fora,
Pois que redondo o mundo é…
Minha pátria está onde a planta
— Em terra ou em mar — a planta
Dos meus pés — quando estou de pé.

— Quando deito: é a cama amada
Minha pátria, amarrotada,
Onde eu aperto contra o peito
Minha outra parte, desalmada;
É a mulher não encontrada,
Essa outra parte que estreito.

— O meu ideal: é um sonho
Oco; horizonte — o imprevisto —
E eu padeço de um mal medonho:
Saudade de algo nunca visto.

Que o rebanho siga a trilha,
De Carcassona a Tombuctu…
— Minha trilha me segue, milha
A milha, de norte a sul.

Meu bastão sobre mim revoa,
E tem o céu como coroa:
É meu cabelo contra o vento…
Não importa a língua falada,
Posso manter a boca fechada
Ou parlamentar com talento.

É um sopro árido o que penso:
É o ar. É o ar imenso.
Minha palavra é o eco mudo
Que não diz nada — e isso é tudo.

Meu passado: é o esquecido.
Só o que me mantém unido
São minhas mãos se dando, irmãs.
Lembrança — Nada. — Só a marca.
Presente — é tudo isso que passa
Futuro — Amanhã… amanhã.

Meu próximo não me é afim;
Sou aquilo que faço de mim.
— Odioso é o Eu humano…
— Não me odeio nem me amo.

— Vamos… a vida é uma dama
E ao seu bel-prazer fui posto…
O meu é: jogá-la na lama,
Prostituí-la a contragosto.

— Deuses?… — Vim por acaso a nascer;
Talvez existam — por acaso…
Se eles querem me conhecer,
Estou por aí, em todo caso.

— Morto, da minha pátria ganho
A mortalha de bom tamanho,
De um lado a outro do caminho…
Mas pra quê?… Se o que me encerra
É minha pátria que está na terra
Meus ossos irão bem sozinhos…

Tristan Corbière

Paria

Qu’ils se payent des républiques,
Hommes libres! — carcan au cou —
Qu’ils peuplent leurs nids domestiques!…
— Moi je suis le maigre coucou.

— Moi, — coeur eunuque, dératé
De ce qui mouille et ce qui vibre…
Que me chante leur Liberté,
A moi: toujours seul. Toujours libre.

— Ma Patrie… elle est par le monde;
Et, puisque la planète est ronde,
Je ne crains pas d’en voir le bout…
Ma patrie est où je la plante:
Terre ou mer, elle est sous la plante
De mes pieds — quand je suis debout.

— Quand je suis couché: ma patrie
C’est la couche seule et meurtrie
Où je vais forcer dans mes bras
Ma moitié, comme moi sans âme;
Et ma moitié: c’est une femme…
Une femme que je n’ai pas.

— L’idéal à moi: c’est un songe
Creux1.; mon horizon — l’imprévu —
Et le mal du pays me ronge…
Du pays que je n’ai pas vu.

Que les moutons suivent leur route,
De Carcassonne à Tombouctou2.…
— Moi, ma route me suit. Sans doute
Elle me suivra n’importe où.

Mon pavillon sur moi frissonne,
Il a le ciel pour couronne:
C’est la brise dans mes cheveux…
Et dans n’importe quelle langue;
Je puis subir une harangue;
Je puis me taire si je veux.

Ma pensée est un souffle aride:
C’est l’air. L’air est à moi partout.
Et ma parole est l’écho vide
Qui ne dit rien — et c’est tout.

Mon passé: c’est ce que j’oublie.
La seule chose qui me lie
C’est ma main dans mon autre main.
Mon souvenir — Rien — C’est ma trace.
Mon présent, c’est tout ce qui passe
Mon avenir — Demain… demain.

Je ne connais pas mon semblable;
Moi, je suis ce que je me fais.
— Le Moi humain est haïssable3.…
— Je ne m’aime ni ne me hais.

— Allons! la vie est une fille
Qui m’a pris à son bon plaisir…
Le mieniii, c’est: la mettre en guenille,
La prostituer sans désir.

— Des dieux?… — Par hasard j’ai pu naître;
Peut-être en est-il — par hasard…
Ceux-là, s’ils veulent me connaître,
Me trouveront bien quelque part.

— Où que je meure, ma patrie
S’ouvrira bien, sans qu’on l’en prie,
Assez grande pour mon linceul…
Un linceul encor: pour que faire?…
Puisque ma patrie est en terre
Mon os ira bien là tout seul…

Notas do tradutor Marcos Antônio Siscar:
* ‘Em “Pária”, Corbière critica não só os ideiais políticos e intelectuais da sociedade de seu tempo, mas toda forma de idealismo. Terminando a seção “Golpes da sorte”, ele repete que seu horizonte é o “imprevisto”. [“Pária” também foi traduzido por Augusto de Campos]
1. versos 21-22 — “Songe / creux” joga com o substantivo “songe-creux” [sonhador, aquele que devaneia]
2. verso 26 — Carcassona é uma cidade turística localizada no sul da França. Tombuctu fica na República do Mali, África. A rota traçada por Corbière é, evidentemente, imaginária;
3. verso 47 — Referência a Pascal.'
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Os Amores amarelos — Tristan Corbière, edição bilíngue, Introdução, Tradução e Notas de Marcos Antônio Siscar, Apresentação texto/orelha de Iumna Maria Simon, 1996, Editora Iluminuras Ltda., São Paulo — SP; Tristan Corbière, ou Édouard-Joachim Corbière (1845 — 1875), francês de Morlaix — Finistère-Bretagne, estudou no Lycée de Saint-Brieuc [internato], na Bretanha [região noroeste francesa], transferiu-se para um liceu em Nantes [como aluno externo], abandonou os estudos motivado por doença, foi poeta simbolista e caricaturista; desde 1859, saúde frágil, foi acometido por febre reumática; de sua biografia, consta que seus primeiros poemas e caricaturas vieram à luz durante o período em que foi aluno interno, e que seu mais antigo poema, datado de 1860, satirizava um professor de história; escreveu e publicou um único livro em vida, Les Amours jaunes (Os Amores amarelos, 1873), a revista La Vie Parisienne registrou alguns de seus poemas; a obra, considerada um fracasso total, não obteve aceitação pública, só tendo sido valorizada dez anos depois quando Paul Verlaine a incluiu em Les Poètes maudits (1883), recomendando-a; consta que tal citação bastou para trazer o nome Tristan Corbière à tona, firmando-o como um dos mestres reconhecidos do Simbolismo; sua poética é considerada precursora do Surrealismo; em 1891, pelas mãos do editor Léon Vanier, veio a público a 2ª edição de Os Amores amarelos e, desta vez, foi absorvida e benquista nos meios literários; depois, vieram outras edições e reimpressões; muito anteriormente, em 1874 Corbière ainda vivo, haviam sido publicados dois textos em prosa: Casino des trépassés (Cassino dos finados) e L’Americaine (A Americana); a poesia de Tristan Corbière influenciou Jules Laforgue, e já no século 20, Ezra Pound (1885 — 1972) consagrou Corbière definitivamente “como um dos maiores versificadores [da língua francesa], mediante os contextos originais, satíricos, as estruturas coloquiais e seus jogos de palavras em rimas ricas” [conforme o tradutor e estudioso José Lino Grümewald]; debilitado, o poeta morreu de tuberculose aos 29 anos de idade.

quarta-feira, 1 de abril de 2026

Tristan Corbière: Duelo das camélias

 
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[traduzido por Marcos Antônio Siscar]

Eu vi o sol duro de encontrar aos tufos
Esgrimir. — Vi a esgrima ensolarar,
Fazendo paradas em lances bufos;
Melros de negro assistiam brilhar.

Um senhor em camisa se aprontava;
Parecia uma camélia, todo branco;
No ramo outra flor rosa vicejava
Como… E o florete vergou num flanco.

— Raiva, estou roxo!… Ah! ele me degola –
… Camélia branca — lá — como Sua gola…
Camélia amarela, — aqui — mastigada…

Meu amor morto, da lapela caiu.
— Eu, chaga aberta, flor primaveril!
Camélia viva, de sangue matizada!

Tristan Corbière

Dueul aux camélias

J'ai vu le soleil dur contre les touffes
Ferrailler. — J'ai vu deux fers soleiller1,
Deux fers qui faisaient des parades bouffes;
Des merles en noir regardaient briller.

Un monsieur en ligne arrangeait sa manche;
Blanc, il me semblait un gros camélia;
Une autre fleur rose était sur la branche,
Rose comme... Et puis un fleuret plia.

— Je vois rouge... Ah oui! c'est juste: on s'égorge —
... Un camélia blanc — là — comme Sa gorge...
Un camélia jaune, — ici — tout mâché...

Amour mort, tombé de ma boutonnière2.
— A moi, plaie ouverte et fleur printanière!
Camélia vivant, de sang panaché!

Veneris Dies 13 ***

Notas do tradutor Marcos Antônio Siscar: ‘Retoma o tema baudelairiano do duelo amoroso (por exemplo, em “Duellum”). O título remete também ao romance de Alexandre Dumas Filho, A Dama das camélias, de 1849.
1. verso 2 — “Soleiller” é um neologismo, de origem provençal, construído a partir de “soleil”;
2. verso 12 — “Bouttonière” significa também a incisão fina e comprida que pode fazer um florete;
*** “Veneris Dies 13 — joga com a etimologia de “vendredi”, dia de Vênus e sexta-feira 13, dia fatídico.'
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Os Amores amarelos — Tristan Corbière, edição bilíngue, Introdução, Tradução e Notas de Marcos Antônio Siscar, Apresentação texto/orelha de Iumna Maria Simon, 1996, Editora Iluminuras Ltda., São Paulo — SP; Tristan Corbière, ou Édouard-Joachim Corbière (1845 — 1875), francês de Morlaix — Finistère-Bretagne, estudou no Lycée de Saint-Brieuc [internato], na Bretanha [região noroeste francesa], transferiu-se para um liceu em Nantes [como aluno externo], abandonou os estudos motivado por doença, foi poeta simbolista e caricaturista; desde 1859, saúde frágil, foi acometido por febre reumática; de sua biografia, consta que seus primeiros poemas e caricaturas vieram à luz durante o período em que foi aluno interno, e que seu mais antigo poema, datado de 1860, satirizava um professor de história; escreveu e publicou um único livro em vida, Les Amours jaunes (Os Amores amarelos, 1873), a revista La Vie Parisienne registrou alguns de seus poemas; a obra, considerada um fracasso total, não obteve aceitação pública, só tendo sido valorizada dez anos depois quando Paul Verlaine a incluiu em Les Poètes maudits (1883), recomendando-a; consta que tal citação bastou para trazer o nome Tristan Corbière à tona, firmando-o como um dos mestres reconhecidos do Simbolismo; sua poética é considerada precursora do Surrealismo; em 1891, pelas mãos do editor Léon Vanier, veio a público a 2ª edição de Os Amores amarelos e, desta vez, foi absorvida e benquista nos meios literários; depois, vieram outras edições e reimpressões; muito anteriormente, em 1874 Corbière ainda vivo, haviam sido publicados dois textos em prosa: Casino des trépassés (Cassino dos finados) e L’Americaine (A Americana); a poesia de Tristan Corbière influenciou Jules Laforgue, e já no século 20, Ezra Pound (1885 — 1972) consagrou Corbière definitivamente “como um dos maiores versificadores [da língua francesa], mediante os contextos originais, satíricos, as estruturas coloquiais e seus jogos de palavras em rimas ricas” [conforme o tradutor e estudioso José Lino Grümewald]; debilitado, o poeta morreu de tuberculose aos 29 anos de idade.