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[traduzido por Marcos Antônio
Siscar]
Eu vi o sol duro de encontrar aos
tufos
Esgrimir. — Vi a esgrima ensolarar,
Fazendo paradas em lances bufos;
Melros de negro assistiam brilhar.
Um senhor em camisa se aprontava;
Parecia uma camélia, todo branco;
No ramo outra flor rosa vicejava
Como… E o florete vergou num
flanco.
— Raiva, estou roxo!… Ah! ele me
degola –
… Camélia branca — lá — como Sua gola…
Camélia amarela, — aqui — mastigada…
Meu amor morto, da lapela caiu.
— Eu, chaga aberta, flor
primaveril!
Camélia viva, de sangue matizada!
Dueul aux camélias
J'ai vu le soleil dur contre les touffes
Ferrailler. — J'ai vu deux fers soleiller1,
Deux fers qui faisaient des parades bouffes;
Des merles en noir regardaient briller.
Un monsieur en ligne arrangeait sa manche;
Blanc, il me semblait un gros camélia;
Une autre fleur rose était sur la branche,
Rose comme... Et puis un fleuret plia.
— Je vois rouge... Ah oui! c'est juste: on s'égorge —
... Un camélia blanc — là —
comme Sa gorge...
Un camélia jaune, — ici — tout mâché...
Amour mort, tombé de ma boutonnière2.
— A moi, plaie ouverte et fleur printanière!
Camélia vivant, de sang panaché!
Veneris Dies 13 ***
Notas do
tradutor Marcos Antônio Siscar: ‘Retoma o
tema baudelairiano do duelo amoroso (por exemplo, em “Duellum”). O título
remete também ao romance de Alexandre Dumas Filho, A Dama das camélias, de 1849.
1. verso 2 — “Soleiller” é um neologismo, de origem provençal, construído a partir de “soleil”;2. verso 12 — “Bouttonière” significa também a incisão fina e comprida que pode fazer um florete;*** “Veneris Dies 13 — joga com a etimologia de “vendredi”, dia de Vênus e sexta-feira 13, dia fatídico.'
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Os Amores amarelos — Tristan Corbière,
edição bilíngue, Introdução, Tradução e Notas de Marcos Antônio Siscar, Apresentação
texto/orelha de Iumna Maria Simon, 1996, Editora Iluminuras Ltda., São Paulo — SP;
Tristan Corbière, ou Édouard-Joachim Corbière (1845 — 1875), francês de Morlaix
— Finistère-Bretagne, estudou no Lycée de Saint-Brieuc
[internato], na Bretanha [região noroeste francesa], transferiu-se para um
liceu em Nantes [como aluno externo], abandonou os estudos motivado por
doença, foi poeta simbolista e caricaturista; desde 1859, saúde frágil,
foi acometido por febre reumática; de sua biografia, consta que seus primeiros poemas
e caricaturas vieram à luz durante o período em que foi aluno interno, e que seu
mais antigo poema, datado de 1860, satirizava um professor de história; escreveu
e publicou um único livro em vida, Les Amours jaunes (Os Amores amarelos, 1873),
a revista La Vie Parisienne registrou alguns de seus poemas; a obra,
considerada um fracasso total, não obteve aceitação pública, só tendo sido
valorizada dez anos depois quando Paul Verlaine a incluiu em Les Poètes maudits
(1883), recomendando-a; consta que tal citação bastou para trazer o nome Tristan
Corbière à tona, firmando-o como um dos mestres reconhecidos do Simbolismo; sua
poética é considerada precursora do Surrealismo; em 1891, pelas mãos do editor Léon
Vanier, veio a público a 2ª edição de Os Amores amarelos e, desta vez, foi absorvida
e benquista nos meios literários; depois, vieram outras edições e reimpressões;
muito anteriormente, em 1874 Corbière ainda vivo, haviam sido publicados dois
textos em prosa: Casino des trépassés (Cassino dos finados) e L’Americaine (A
Americana); a poesia de Tristan Corbière influenciou Jules Laforgue, e já no
século 20, Ezra Pound (1885 — 1972) consagrou
Corbière definitivamente “como um dos maiores versificadores [da língua
francesa], mediante os contextos originais, satíricos, as estruturas coloquiais
e seus jogos de palavras em rimas ricas” [conforme o tradutor e estudioso José
Lino Grümewald]; debilitado, o poeta morreu de tuberculose aos 29 anos de
idade.