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[traduzido por Letícia Mei]
Pare, almofada!
Esforço inútil.
Remo com minha pata —
péssima pá.
A ponte encolhe.
A correnteza do Nevá
me leva para lá,
lá, lá.
Estou longe já.
Um dia de viagem talvez.
Há um dia
vi minha sombra na ponte.
Mas o ruído de sua voz está no meu encalço.
Na perseguição estirou as velas da ameaça.
— Está tramando esquecer o brilho do Nevá?!
Substituí-la?!
Não dá!
Lembre-se do marulho até a morte te levar,
marulhando o “Homem”. —
Começou a gritar.
Será que conseguem sair dessa?!
A tempestade retumba —
não sairá nunca.
Socorro! Socorro! Socorro! Socorro!
Lá
na ponte
sobre o Nevá,
há um homem!
Спасите!
Стой, подушка!
Напрасное тщенье.
Лапой гребу —
плохое весло.
Мост сжимается.
Невским течением
меня несло,
несло и несло.
Уже я далёко.
Я, может быть, за́ день.
За де́нь
от тени моей с моста.
Но гром его голоса гонится сзади.
В погоне угроз паруса распластал.
— Забыть задумал невский блеск?!
Ее заменишь?!
Некем!
По гроб запомни переплеск,
плескавший в «Человеке». —
Начал кричать.
Разве это осилите?!
Буря басит —
не осилить вовек.
Спасите! Спасите! Спасите! Спасите!
Там
на мосту
на Неве
человек!
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Sobre Isto — Vladímir Maiakóvski, Tradução, Apresentação, Posfácio e Notas
de Letícia Mei, Fotomontagens de Aleksandr Ródtchenko e orelha do livro por Mário
Ramos, Coleção Leste, edição bilíngue, 1ª reimpressão, 2020, Editora 34, São Paulo
— SP; Vladímir Vladimirovitch Maiakóvski (1893 — 1930), nascido em Baghdati, Geórgia
(Império Russo), considerado um dos expoentes da poesia do século XX, foi poeta,
dramaturgo e teórico; aos 15 anos de idade filiou-se ao partido bolchevique, foi
preso algumas vezes e “no cárcere começou a escrever poemas e se dedicou à leitura
de romances e poesia russa”; seu primeiro poema, Noite, data de 1912; em 1911, iniciava
seus estudos na Escola de Pintura, Escultura e Arquitetura de Moscou e, aluno, fez
parte do grupo artístico fundador do então chamado cubo-futurismo russo, tornando-se
“célebre por sua atitude irreverente e por suas polêmicas”; em 1914, o poeta sofreu
expulsão da escola, “por sua ligação com o
movimento futurista”; após serem expulsos, ele e outros alunos do grupo, viajaram
pela Rússia objetivando difundir suas concepções artísticas; em 1915, em temporada
na Finlândia, concluiu Nuvem de calças, o primeiro de seus poemas longos, tal obra
o consagrou em definitivo entre seus pares e no ambiente literário russo; teve presença ativa no movimento revolucionário russo
de 1917; durante a Guerra Civil, o poeta dedicou-se a criar desenhos e legendas
para cartazes de propaganda e, no início do novo Estado, exaltou campanhas sanitárias,
fez publicidade de produtos diversos, etc.; participou ativamente de conferências,
recitais e debates; colaborou com os jornais Izvestia, Pravda, O Trabalho, com seus
textos sendo divulgados diariamente em jornais e revistas; em 1923, fundou a revista
LEF (de Liévi Front, Frente de Esquerda), na qual agrupava escritores e artistas com
a intenção de aliar a forma revolucionária a um conteúdo de renovação social; por
razões estéticas, e na defesa de suas concepções artístico-literárias, polemizou
com outros grupos de intelectuais e também com a burocracia do governo que se iniciava;
suas obras: livros de poesia, de viagens e memórias, A Flauta Vertebrada (1915),
A Nuvem de Calças (1916), O Homem (1917), Guerra e Paz (1918), 150 Milhões (1920),
Amo (1922), Sobre Isto (1923), Lênin (1925), Muito Bem! (1927), A Plenos pulmões
(1930), longos poemas líricos e épicos, cada qual formando, por si só, um livro;
para o teatro, publicou Eu (1913), O Mistério Bufo (1921), O Percevejo (1928), O
Banho (1929), e tantos outros textos, além de trabalhos para circo, argumentos para
cinema e mais de mil páginas de poesia para crianças; suicidou-se em 14 de abril
de 1930.